Santa Maria

E pobre de mim que caí na conversa daquele pernambucano filho da puta e voltei para o Nordeste porque ele disse aqui fazia calor também mas tinha brisa, e aqui a gente ia viver de brisa, mas a brisa não veio, veio só o sol miserável do Santa Maria, o sol que queima a testa e o pescoço e deixa a marca da camisa sobre um corpo que evita cumprimentá-lo há tanto tempo, e o psicopata sorrindo e agradecendo o dia ensolarado depois de tantas nuvens para minha mais completa indignação, como alguém pode gostar desse sol miserável?, e a moça com a pulseira belíssima com imagens de Nossa Senhora e de Santa Rita e de tantas outras santas fincando o salto na areia fofa como se quisesse criar raízes no descampado imenso que logo, logo vai ser revolvido pelos tratores, e as mulheres de seios murchos com meninos remelentos no colo felizes pelas casas decentes que vão receber em alguns meses, e enquanto penso no ar-condicionado que ficou para trás, que daqui a uns três dias o meu nariz vai começar a descascar, só então me lembro que meu nome não é Anarina e o pernambucano não me fez convite nenhum, vamos viver de brisa, né, pernambucano filho da puta?, sei.

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