A Sky tratando a todos como idiotas

A Sky me manda um e-mail dizendo mais ou menos o que já diz em um comercial que veicula insistentemente: que devo me engajar na sua luta pela liberdade na TV, agora que um projeto de lei circula no Congresso obrigando a programação das TVs por assinatura a conter 50% de material produzido no Brasil.

Segundo a Sky, isso é um crime. É uma agressão ao meu direito de escolha. Eu, que hoje escolho a minha programação, vou perder esse sagrado direito.

Não sei o que pensar do projeto de lei, que não li e que a princípio não me parece tão ruim assim. Talvez 50% seja excessivo; mas se a programação dos canais por assinatura perder 50% do material feito lá fora, seriados ruins e programas idiotas tipo Oprah e outros tantos — ou o que parece mais lógico, uns tantos canais estranhos que tumultuam a programação da Sky –, eu vou sair no lucro.

Por outro lado, sei exatamente o que pensar dessa campanha da Sky.

E o que penso é o seguinte: deixem de tentar me tratar como idiota.

Porque tentar me cooptar para a sua briga dizendo que hoje escolho a minha programação é dizer, na minha cara, que sou um debilóide. Que sou um retardado que engole qualquer besteira que a Sky quiser dizer para mim. Que aceito, sem questionar nada, o seu cinismo e a sua má-fé.

Eu não escolho a programação da minha TV. Sou obrigado a escolher apenas entre pacotes caros e outros ainda mais caros. Não posso escolher apenas os canais a que quero assistir. Não posso dispensar bobagens como Fashion TV e um canal idiota sobre carros, e outro ainda mais idiota sobre golfe: vem tudo em pacotes fechados, que aumentam excessivamente o preço e sobre os quais não tenho direito a opinar. Se eu quiser assistir à HBO tenho que levar de quebra dezenas de canais nada interessantes, que dizem mais respeito a preferências de segmentos de mercado externos do que às minhas. A Sky, essa que agora luta pela “minha liberdade”, não apenas me obriga a comprar também o lixo que produz como, ainda por cima, me faz pagar pelos programas que oferece a americanos e ingleses. Ela pode chamar a isso “liberdade de escolha”; eu chamo de canalhice.

Eu sei disso e em troca de alguns canais aceito essas condições, mesmo sabendo que elas não são exatamente justas. Mas isso não dá direito à Sky a me dizer, com a maior desfaçatez do mundo, que está lutando pela minha liberdade. Ela não está, está lutando é pelos seus interesses. Algo até justo, mas que deveria ser assumido como tal, e não com uma mentira cínica e, acima de tudo, burra.

Por causa desse argumento, mesmo sem ler o projeto de lei que assusta tanto o bolso da Sky que a faz tomar medidas desesperadas e mal pensadas como essa, eu estou seriamente inclinado a defendê-lo. Porque ele pode até ser errado, mas não está tentando me tratar como um idiota.

29 thoughts on “A Sky tratando a todos como idiotas

  1. Nossa, me sinto vazio agora!
    … é que compartilho da sua opinião.
    Será que vc pode trocar a empresa pra Net Tv?
    Os filhos da p… bloquearam vários canais do meu pacote, que estavam inclusos no contrato, e estão me obrigando a ter um decodificador digital para continuar com os canais contratados, mas aumentando o valor, é claro.

  2. tem um negócio agora que dá pra escolher exatamente que programas você quer ver e em que horário. ainda por cima, passa tudo legendado e widescreen.

    chama-se “Internet”.

  3. Uma sugestão que eu dei à Net quando assinava tv a cabo (faz 10 anos que cancelei a assinatura) foi que fizessem “pacotes personalizados”. Eu escolheria os canais que gostaria de receber, pagaria por eles e não receberia canais inúteis adicionais. Mesmo que o custo individual dos canais fosse mais alto, compensaria, pois eu não pagaria pelo que não assistisse. Evidentemente, a proposta jamais foi levada em consideração.
    E, mesmo que fosse, mesmo em tempos de tv digital, eu não teria liberdade de escolha, pois sou obrigado a assistir aos programas que eles escolherem, no horário que eles decidirem passar.
    Concordo com quem prefira baixar suas séries pela internet. Embora eu ainda não faça isto, tenho usado a televisão basicamente para uma única função: monitor do aparelho de dvd.

  4. eeeeeeeexatamente
    quantas e quantas vezes não me peguei pensando: porra, eu queria somente sony, warner e fox … isso ficaria baratinho e já me daria por achado
    mas xé … quem disse?
    exatamente!!

  5. Naquele fim de mundo onde moro tem a TV Alphaville. E “É O QUE TEM PARA HOJE”…mas, mesmo sendo redundante, parabéns! Ótimo texto!

  6. A Sky não te impõe nada, vc a assina pq quer. Poderia simplesmente não assinar. Minha namorada tem várias características que me agradam, e outras que não, mas eu entendo que é tudo um “single package” e tudo bem, eu aceito isso – é minha escolha.

    Outra coisa, bem diferente, é o governo obrigar uma empresa a transmitir X% de conteúdo nacional. Pq aí não é um ato de vontade mútua entre dois agentes privados, mas uma imposição da entidade que faz as regras do jogo e outra que apenas atua dentro destas.

  7. Barnabé, menos.

    Eu disse no texto que sei que é um “single package”, como você chama, e que mesmo achando injusto eu aceito. Faz parte da natureza dos contratos de adesão. Não precisava ter repetido.

    A questão é que a Sky diz que tenho a liberdade de escolher os canais. Há uma diferença aí, que você não entendeu: uma coisa é ter a liberdade de assinar ou não um serviço de TV. Essa me parece um tanto óbvio que temos. Outro é a liberdade de escolher os canais. A Sky não tenta me enganar dizendo que não vou mais poder escolher assinar um provedor de TV fechado. O ponto central do argumento é o de que eu posso escolher os canais. Isso é uma mentira.

    Ainda mais quando a Sky tenta criar artificialmente uma mobilização política para defender os seus interesses.

    Agora, cá entre nós: a liberdade de escolher exatamente os canais que você quer não seria o ideal? Não é esse o ideal liberal? Há um conflito aí entre os interesses da empresa e os interesses do consumidor. Você está defendendo os interesses da empresa. Nada contra, mas que seja com os argumentos certos.

    Quanto ao projeto em si, que não li, a mim não parece diferente de ter que assistir ao Golf Channel, Fashion TV e quetais. Isso é problema deles, e eles que se entendam. A princípio eu não sou contra, já que em qualquer lugar do mundo existem regras controladas pelo Estado para o uso do espectro de TV (o Hermenauta pode falar melhor sobre isso). Só não tentem me cooptar com mentiras.

  8. “O ponto central do argumento é o de que eu posso escolher os canais. Isso é uma mentira.”

    Sim, é mentira.

    “Agora, cá entre nós: a liberdade de escolher exatamente os canais que você quer não seria o ideal? Não é esse o ideal liberal?”

    Escolher exatamente quais canais eu quero seria, sem dúvida, meu ideal como consumidor. Mas as empresas poderem oferecer o que bem entenderem (e em quaisquer combinações possíveis) é essencial para o funcionamento do mercado.

    Com o governo é diferente, pq ele não está “oferecendo” nada, ele está determinando que vai ser assim ou assado. Eu posso cancelar meu contrato com a Sky. Mas eu não posso cancelar meu “contrato” com o governo.

    Assim, embora a Sky esteja sendo malandra ao afirmar que vc pode escolher os canais, não dá pra jogar tudo no mesmo saco e achar que tanto faz a Sky ou o governo te empurrarem canais/programação de que vc não gosta.

  9. Nossa! finalmente alguém com uma opinião decente sobre isso, enquanto um bando de idiotas anda concordando com uma campanha finaciada pelos próprios difusores de TV a Cabo, como se eles estivessem interessados em financiar uma campanha apenas para preservar nosso ‘direito de escolha’.

  10. Barnabé,

    Eu concordo com você quanto à necessidade de liberdade de empresa.

    Mas acho também que o Estado tem o direito de estabelecer regras pelas quais as empresas devem jogar. Determinar que vai ser assim ou assado é a sua função precípua, mesmo em se tratando de Estado mínimo. Em se tratando de produção cultural, isso é ainda mais verdadeiro. E já que estamos falando em teoria, uma lei nascida no Congresso é a expressão do desejo popular. O povo — ou consumidor, para o jargão administrativo-econômico — tem o direito de tentar fazer valer a sua opinião.

    Allém disso, o Estado não está me empurrando programação de que não gosto. Ninguém falou nada em especificar a programação. Aparentemente (eu não vi o projeto de lei) se falou em pré-condições — a disponibilidade de produção nacional para eu poder escolher. Eu vejo isso como um adendo, não como uma restrição. Melhor ver um bom programa nacional que a terceira reprise diária de, sei lá, David Letterman às 3 da manhã.

    Agora peraí: é certo que eu seja obrigado a pagar pelo Golf Channel (que não é exatamente um esporte de massas em lugar nenhum do mundo, mas ainda menos no Brasil) para que a empresa possa subsidiar seus custos de produção para ocupar espaço na Inglaterra ou nos EUA, sei lá, mas não é certo que o Estado brasileiro controle isso? Eu acho que é.

    Não lembro agora de qual rodada de negociações comerciais internacionais foi interrompida porque a Europa queria impor limites à produção cultural americana. Foi antes de 92. Os EUA bateram pé porque cultura é um de seus principais produtos econômicos. Acho que o Brasil tem o direito de incentivar a sua.

    Eu não queria entrar no mérito do projeto de lei porque não era disso que o post tratava, era do cinismo e da empulhação da Sky. Mas vamos lá. Segundo o anúncio da Sky, o projeto pretende obrigar que os canais internacional tenham 10% de programação nacional em todos os canais e 50% dos canais sejam nacionais. 50% de canais me parece um número excessivo. Porque não há produção suficiente e aí, sim, causaria problemas reais às empresas. Já 10% de produção nacional em cada canal (na minha opinião com algumas exceções como CNN, BBC e canais nacionais como a TV5) me parece justo — e segundo as tendências que se pode observar nas próprias TVs a cabo, até vantajosa para as emissoras.

    De qualquer forma, volto a repetir: o problema aqui é a postura da Sky ao tentar enganar o público torcendo fatos para pressionar o governo. A minha irrtação não é sequer com os pacotes: é com o fato de ela dizer que eles não existem.

  11. Não precisa publicar, só me responder (e se responder ganha presente de Natal)

    Que conteúdo seria esse? A gente tem conteúdo suficiente para suprir 50% de programação?

    Você fala que: “50% do material feito lá fora, seriados ruins e programas idiotas tipo Oprah e outros tantos”, mas será que teriamos tantas Hebes, Anas Marias, Olgas e etc para preencher esse espaço?

    E Lucianos Hucks? E… Angelicas e Xuxas? Putz, imagina uns 15 Faustão todos os domingos. Sem contar com filmes, qual a relação que existe entre filmes nacionais produzidos e filmes internacionais produzidos?

    Tá, e seriados? Mias novelas?

    Okay, a produção nacional iria crescer, iria suprir esse enorme bando de gente desempregada e formada e talvez qualificada. Mas e em relação a qualidade, ou os programas estariam lá, apenas para ter esses 50%?

    E será que finalmente brasileiro iria cair na real e começar a bolar coisas novas (sim, porque “nós temos uma produção maravilhosa e Hollywood que nos copia”, ha, piada…)?

    Não sei, não concordo com você, nem com a sua propaganda contra a Sky… Mas gostaria de saber mais sobre esse projeto do Congresso.

  12. De fato, o Estado pode e mesmo deve estabelecer as regras do jogo. Discordamos apenas quanto à natureza que essas regras devem ter. Se a programação nacional não chega a ocupar 10% da grade horária dos canais por assinatura é pq não há demanda suficiente para esse tipo de programação. Eu gosto de muita coisa que acho subrepresentada nos canais por assinatura, mas nem por isso me pareceria razoável uma lei que obrigasse a Fox a reprisar Arquivo-X. A União Soviética ruiu, lembremo-nos, pq seu sistema econômico pressupunha que a nomenklatura fosse capaz de conhecer e atender os desejos dos indivíduos. Não cabe ao Estado dizer o que eu devo ou não devo assistir – ou mesmo quais são as opções que me devem ser oferecidas. Cumpre ter em mente que tudo custa algo e que, no fim das contas, é a “sociedade” que custeará qualquer programação “mandatória”. Em outras palavras, recursos que poderiam ser empregados em atividades efetivamente demandadas estarão empregados em atividades que um bando de barnabés supõe serem demandadas (e eu não confio nem um pouco na clarividência dos barnabés).

    Ademais, por alguma razão vc parece supor que serão oferecidos “bons” programas nacionais. Ora, não dá pra chegar a um consenso sobre o que é “bom”. “Bom”, pra mim, é Buffy a Caça-Vampiros; para alguns amigos meus, “de esquerda”, “bom” é mostrar o boi-bumbá, “valorizar a riqueza cultura do país”, etc etc; e para o telespectador médio “bom” é novela das oito e Faustão. Obrigado, mas eu fico com a terceira reprise diária do David Letterman.

    Quanto às ingerências culturais/televisivas praticadas por outros países, inclusive desenvolvidos, não é algo que justifique sua repetição aqui. É como no comércio mundial: os EUA protegem e subsidiam uma série de setores domésticos, mas fazem isso às custas de seu próprio crescimento econômico (e pq não são capazes de resistir a determinados lobbies setoriais poderosos). Logo, se o fazem é problema deles; não é a esquerda que sempre prega a busca de “soluções nacionais” para os problemas do país? que rejeita a aplicação de “modelos importados acriticamente”? de “uma agenda que não é nossa”? Pois então.

    Por fim, qualquer lei emanada do Legislativo é em princípio legítima, penso que isso não está em discussão. Mas tão legítimo quanto um deputado propor determinada lei é a sociedade discutir a pertinência e a razoabilidade dessa lei (até para isso existe o trâmite legislativo, a discussão em plenário e por fim a votação das duas Casas). E é isso que estamos fazendo aqui, penso. Pela lógica do “ele foi eleito logo expressa a vontade do povo” muita coisa estranha já teria sido aprovada desde a redemocratização (inclusive um PL que propunha a reinstituição da escravidão – juro, isso aconteceu de verdade!).

  13. Barnabé,

    Se a programação nacional não chega a ocupar 10% da grade horária dos canais por assinatura é pq não há demanda suficiente para esse tipo de programação.

    Como saber se não há, se nunca houve? Aliás, a história da briga por mercado cultural no Brasil é interessante. Mas a tendência é outra. É a do aumento da produção nacional nas TVs por assinatura. Até o Disney Channel produz (e faz um bom programa, aliás, o Art Attack). E sabe porque ele faz isso? Porque vende mais. Porque pode oferecer mais identificação com o público. E o Canal Brasil não costuma ser oferecido nos pacotes básicos de outras provedoras, comoa NET, justamente por agregar maior valor ao pacote. O que não acontece com o TNT, por exemplo.

    O argumento do consumidor, aqui, não vale. O problema aqui é que você está confundindo o interesse das empresas com o do consumidor. Se a Sky exibe o Golf Channel e não exibe produção nacional não é porque há um segmento significativo em busca dele. É porque ela precisa diluir os custos de produção desses programas que, aí sim, devem atender a alguma demanda em algum lugar.

    Eu gosto de muita coisa que acho subrepresentada nos canais por assinatura, mas nem por isso me pareceria razoável uma lei que obrigasse a Fox a reprisar Arquivo-X.(…) Não cabe ao Estado dizer o que eu devo ou não devo assistir – ou mesmo quais são as opções que me devem ser oferecidas.

    Você está torcendo o sentido do projeto. Não se trata de obrigar as TVs a exibirem um ou outro programa. Se trata de abrir alternativas — de livre escolha dos canais — produzidas aqui. Trata-se de ampliar o leque de opções. Quanto à qualidade, a livre-concorrência (estabelecidas essas condições de 10% para todos) deveria se encarregar disso, não? Já que vai ter que exibir, que se exiba coisa boa.

    Ademais, por alguma razão vc parece supor que serão oferecidos “bons” programas nacionais. Ora, não dá pra chegar a um consenso sobre o que é “bom”.

    Não parto do princípio que tudo será bom, até porque ninguém está discutindo a programação propriamente dita. Além disso, isso seria muito relevante se a programação atual fosse realmente boa, coisa que não é. Ruim por ruim, que diferença faz?

    De qualquer forma, minha concepção de “bom” inclui tudo isso que tanto você quando o pessoal de esquerda gostam. É esse o cerne da coisa. O Estado deve ser plural, o mais possível. E garantir essa pluralidade para todos. A atual programação da TV não oferece isso.

    Quanto às ingerências culturais/televisivas praticadas por outros países, inclusive desenvolvidos, não é algo que justifique sua repetição aqui.

    Se for uma prática recomendável justifica, sim. A abolição da escravatura foi uma bela prática copiada aos ingleses. Benchmarking costuma ser legal. Os paises que protegem sua produção não fazem isso por anti-americanismo. Fazem porque sabem que é preciso defender a produção cultural de seus países, por questão tanto culturais quanto econômicas. Além disso, discutir em termos que aplicam a nós o ideal e aos outros a realidade é injusto.

    Mas tão legítimo quanto um deputado propor determinada lei é a sociedade discutir a pertinência e a razoabilidade dessa lei (até para isso existe o trâmite legislativo, a discussão em plenário e por fim a votação das duas Casas). E é isso que estamos fazendo aqui, penso.

    Ué, isso é óbvio.

    Para terminar, continuamos nos afastando do ponto defendido pelo post. Sobre isso, há um artigo interessante do Ricardo Feltrin no UOL.

  14. Carol,

    A gente tem conteúdo suficiente para suprir 50% de programação?

    Com a tradição brasileira em produção de teledramaturgia e jornalismo, e com uma cultura cinematográfica se fortalecendo continuamente, a resposta é sim.

    Você fala que: “50% do material feito lá fora, seriados ruins e programas idiotas tipo Oprah e outros tantos”, mas será que teriamos tantas Hebes, Anas Marias, Olgas e etc para preencher esse espaço?

    Graças a Deus faltam Hebes, Anas Marias e Olgas para ocupar o espaço de uma centena de canais disponíveis. Além disso, pela própria natureza do meio, é provável que houvesse uma certa seleção natural. Ninguém paga para ver o que pode ver de graça na TV aberta.

    Sem contar com filmes, qual a relação que existe entre filmes nacionais produzidos e filmes internacionais produzidos?

    Quer dizer então que não podemos mesmo produzir conteúdo aqui? Droga, a Globo não existe e não sabe. Alguem conta para o Roberto Irineu, por favor.

    Okay, a produção nacional iria crescer, iria suprir esse enorme bando de gente desempregada e formada e talvez qualificada. Mas e em relação a qualidade, ou os programas estariam lá, apenas para ter esses 50%?

    Acho que falei sobre isso na resposta ao Barnabé.

    E será que finalmente brasileiro iria cair na real e começar a bolar coisas novas (sim, porque “nós temos uma produção maravilhosa e Hollywood que nos copia”, ha, piada…)?

    Não bola todo o tempo? Coisas boase ruins? Ninguém aqui está preocupado com o que Hollywood copia ou deixa de copiar. Mas seriados brasileiros como o Mothern devem ser um bom indicativo disso que você fala. Além disso, programação não se limita a seriado, novela ou telejornal. Lembre-se disso. E não há como “bolar coisas novas” se não houver o meio necessário.

    Não sei, não concordo com você, nem com a sua propaganda contra a Sky… Mas gostaria de saber mais sobre esse projeto do Congresso.

    Leia o artigo do Feltrin. Você pode não concordar com minha “propaganda contra a Sky” (o termo está incorreto. Eu bnão faço propaganda contra a Sky, que aliás, como você deve ter percebido, eu assino. Eu apenas expressei minha irritação contra a propaganda enganosa dele3s), mas muita gente pensa a mesma coisa.

    E sobre o projeto, ele certamente está no site da Câmara: http://www.camara.gov.br/.

  15. Mas, ainda assim, abençoada seja a Sky que, embora nos faça pagar caro por muita porcaria, nos livra do odioso, obrigatório e ofensivo horário eleitoral. 🙂

  16. Em resumo:

    Os fatores de produção (recursos como terra, capital e trabalho) são finitos. Quando empregados livremente por seus proprietários, serão remunerados da melhor forma possível e “o país” (i.e., a soma de todos os indivíduos que nele habitam) fica mais rico. Quando empregados em atividades determinadas pelo Estado, serão subremunerados e “o país” fica mais pobre. Há casos em que a ação do Estado é necessária, como nos chamados problemas de ação coletiva (aquele tipo de coisa que envolve externalidades positivas e que, se o Estado não fizer, dificilmente alguém vai fazer – construção de presídios, por exemplo). Mas qual é a justificativa para o Estado se meter em programação de TV? Nenhuma, pois não há aí qualquer problema de ação coletiva: programação de TV é um bem facilmente ofertado pela iniciativa privada, em nada diferente de pão e manteiga. “Garantir a pluralidade” me parece vago demais como justifica para tamanha ingerência estatal sobre a iniciativa privada e para os custos resultantes (em termos de distorções alocativas).

  17. de acordo, rafa. não vou ler todos os comentários, não sei se alguém já disse, mas já somos prejudicados com a quantidade excessiva de comerciais. não é só a sky. os canais são pagos, não deviam ter tanta propaganda. o atendimento é péssimo, péssimo, em todos os sentidos, qualquer suporte, qualquer problema. é só uma começão de dinheiro sem fim. taí uma batalha que os blogs podiam começar. o que eu vejo nos blogs é uma BABAÇÃO por causa de séries enlatadas sofríveis. credo.

  18. Defendo o projeto mesmo não o conhecendo. Não sei dos pormenores, mas a idéia é, pra mim, fantástica.

    Chamem isso de uma defesa do produto nacional. Chamem isso de proliferação forçada e necessária da cultura nacional. Chamem isso de garantia de empregos para o setor em questão. Chamem isso de incentivo ao consumo de insumos brasileiros num produto que raramente oferece produtos nacionais.

    O que acho de verdade é que essas empresas são escrotas demais, cobram caro demais por um produto que não temos escolha de criticar pois a televisão aberta é trevas, ficamos a mercê desses putos na nossa internet, televisão a cabo e até nosso telefone fixo – garanto que o móvel vem por aí. Queria mais é que houvesse uma lei que determinasse que comprássemos só os canais que queremos ter – a uma taxa fixa por canal. Aí chamaria essa bosta de televisão a cabo de democrática e justa.

    Enquanto não existe isso, quero mais é poder ter canais brasileiros a evitar ao invés de canais gringos.

  19. Eu não vejo nada de errado neste projeto de lei, muito pelo contrario… passando menos programas estrangeiros… com 50% de nacionais, logom sera preciso produzir mais programas nacionais, logo será preciso mais mao de obra nacional, logo, mais gente empregada…

    melhor do q ficar comprando enlatados ruins e chatos é produzir seus propios enlatados ruins e chatos =]

  20. Rafael, eu concordo com você. Eu concordo que o ideal seria escolher exatamente qual canal ter em casa. Existem certos entraves a isso, mas uma questão é interessante: se eu quisesse assinar apenas 10 canais em vez de 70, o valor unitário de cada canal aumentaria – e muito (talvez não o suficiente pra chegar no valor dos pacotes da Sky/NET, é bem verdade…).

    Já com o caso dos 50% de produção nacional na TV por assinatura, eu acho que fico com a carol nesse argumento. Não, eu não acho que haja capacidade suficiente de produção nacional para TV por assinatura. Sou do ramo e sei que a maioria discorda de mim. Dê uma olhada nos canais GSAT de uns anos pra cá – destaco um deles, o GNT. Hoje ele tem mais produção nacional do que tinha há 3 ou 4 anos, quando a grade era composta por milhares de docs da BBC fechados num provável Volume Deal. Hoje esses docs caíram (ok, sobraram 3 ou 4) e entraram programas nacionais. O que me mata nessa (e que faz emergir quem concorda – ou pelo menos não discorda – com os 50%), é que, segundo pesquisas, boa parte dos assinantes de pay tv no Brasil são pessoas que vêem mais produções nacionais que as produções de fora que estão nas TVs por assinatura. Pra ilustrar: nos últimos 10 anos, não existem números que provem queda significativa de audiência da novela das 8 para programas da TV por assinatura. Os 50%, pensando bem, talvez agradem a maioria dos assinantes, embora não me agradem.

    Gostos pessoais à parte, eu só acho a história da produção nacional obrigatória BEM ruim pelo seguinte: produzir é, de longe, mais caro que comprar. Mas BEM mais caro. E, convenhamos, eu prefiro ter 8374892734 docs da BBC no GNT do que ter, sei lá, o Happy Hour. Dá pra fazer uma programação FODA com produtos licenciados, se liberarem o mesmo orçamento que liberariam para produzir os 50% de produção nacional.

  21. O esquema de pacotes realmente é triste, é como comprar discos, por causa de sua música predileta, você tem engolir outras 10…
    Sou assinante Telefonica TV Digital, em janeiro vence meu prazo pra não pagar a multa de contrato e depois disso vou cancelar o serviço.
    Abração

  22. A discussão aqui foi ampla e levantou muitos bons argumentos. Queria apenas acrescentar, se não for uma grande bobagem, que talvez, não muito longe, estaremos pagando apenas pelos programas que queremos… Não pelos canais. Será que não chegaremos a isso?
    Assim, num catálogo gigantesco de todos os canais, baixamos os programas que escolhemos numa grade semanal e pagamos apenas o que assistimos.
    abraço
    pat

  23. Belo post cara
    mnt bão msm, abriu minha mente!
    vc ta bem certo suas ideias tão muito bem articuladas, parabens msm!

  24. é por tudo isso que inventaram a gatonet. será que eles não perceberam isso ainda?se você pudesse escolher os canais e os preços não fossem tão abusivos, aposto que não haveria o roubo de tvs a cabo!e é por isso que eu torço pela gatonet! que de muito prejuízos a sky!!!!!!!!!1

  25. O que podemos esperar disso tudo?
    Tá igual a peça de Hamlet:
    “Ser ou não ser”
    O problema é esperar canais nacionais se superar com suas programações, ou teremos varios canais do boi, mais shoptime,
    assistir a filmes como A LAGOA AZU… futebol as 22 horas, filmes mediocres, programas mediocres as 16, a unica coisa que vai aumentar é os calos nos dedos, de tanto ficar mudando de canal.

  26. Pessoal, os argumentos de todos aqui são válidos, pois vivemos numa suposta democracia. Nao podemos esquecer que, em teoria,TV é uma concessão estatal e o estado pode e deveria intervir para que a população tenha acesso a programas educativos, culturais, para promover e fazer com que as pessoas conheçam sua própria cultura e desenvolvam sua identidade. Sabemos que o governo nao regula isso,que as grandes TVs fazem o que desejam e dane-se o resto.
    Então, quanto à proposta em tramitação, sobre os 10% de conteúdo nacional, nao é pra passar faustão ou qquer outra idiotice, mas programas um pouco mais ricos culturalmente falando. Se vai realmente ter? Não sei…lei aqui no Brasil nao presta pra nada, só pra proteger os ladroes que as criam. Mas tem outra coisa……ja pensaram que essa campanha movida pelas TVs por assinatura é um tiro no proprio pé? Eles pregam que o consumidor paga e tem direito de escolher o que quer assistir. Ora, quem aqui paga essa merda de tv por assinatura e não se acha injustiçado por nao ter opção à venda casada de dezenas de canais idiotas, fúteis, de vendas, etc e tal, que nunca…NUNCA, escolheriam para compor seu pacote de canais assinado!?

    É muita cara de pau fazerem uma campanha contra a cota de 10% pra produções nacionais em tvs fechadas. . Dizem que nós, usuários do sistema, pagamos e nao vamos poder escolher o que vemos. Mas já nao é assim? Eles desrespeitam o CDC sobre a venda casada, mas seu lobby é forte e nada acontece.

    Bom, desculpem se nao tive tempo de articular melhor as ideias…veio na cabeça e fui escrevendo sem fazer uma cuidadosa revisão. Mas o que penso é isso.

  27. Gente, não sei por quê estão todos se atracando neste espaço.
    O fato é que, se temos tv por assinatura é porquê já não aguentamos os programecos da tv aberta, principalmente em ano eleitoral.
    Eu me recuso a pagar uma tv por assinatura e ter que levar de “brinde” um horário político.
    Se eu quiser assistir à palhaçada do horário político é só colocar num canal aberto e pronto, assisto e fim de papo, agora, na minha tv por assinatura, não.
    Estão reclamando tanto por não escolherem o que assistem, agora que podem escolher ficam nessa polêmica? Qual é gente? FORA O HORÁRIO POLÍTICO NA TV PAGA E FIM DE PAPO! na minha eu não quero.

  28. Por que a Sky está tirando oscanais latinos? Será que eles não gostam de espanhol? primeiro foram os canis de música, os canais de rádio e agora tirou o multpremier. O que eu faço? Tenho vontade de assinar a Sky.com, sem ser a Sky Brasil, mas acho que não posso. Alguém sabe como?

Leave a Reply

Your email address will not be published.