A semântica do nazismo

Perdi o bonde e não me meti na discussão entre o Idelber e o Pedro Dória sobre a Palestina. No entanto os dois se retiraram prematura e graciosamente da discussão — o que é ruim, porque no final das contas ela seria extremamente útil para o resto de nós. São dois sujeitos que entendem do assunto, extremamente capazes e de cuja discussão se poderia tirar boas lições, dos dois lados. Fica a expectativa pelos resultados da discussão sobre o livro The Ethnic Cleansing of Palestine.

No entanto, do ponto de vista da argumentação, o Idelber estava com a razão. Ele tocou no cerne da questão quando lembrou que hoje a Palestina luta por apenas 22% do seu território original. O Idelber também viu o que chamou de brincadeirinha semântica, e esse foi o ponto que me chamou a atenção. É algo que costuma acontecer sempre que se fala em Israel: termina-se na discussão sobre o nazismo e sua aplicação ou não à situação atual.

Essencialmente os defensores de Israel não admitem que se faça comparações com o nazismo. É aparentemente uma posição facilmente defensável, porque apesar das chacinas, da política que forçosamente adquire a cada dia feições racistas, Israel não construiu ainda um sistema de extermínio como os campos de concentração alemães no leste europeu durante a II Guerra Mundial. Independente da visão que se tenha sobre as ações israelenses, ninguém pode afirmar que existe uma Treblinka ou Auschwitz em Israel. Logo, Israel não pode ser comparado ao III Reich. A argumentação faz sentido. Mas não passa de um desvio da questão central.

O problema é que o Holocausto não define o nazismo.

O Holocausto foi apenas — se é que se pode usar a palavra “apenas” ao falar de uma aberração desse porte — o ponto final em uma política sistemática de perseguição aos judeus. É por isso que, do ponto de vista de definição do nazismo, as Leis de Nuremberg são mais significativas do que Auschwitz. Não foi com os campos de concentração que Hitler completou o trabalho iniciado por Bismarck e unificou de vez a Alemanha. Foi propondo um Estado forte e centralizador, encerrando a bagunça da república de Weimar, e fomentando e capitalizando o anti-semitismo enraizado no povo alemão. É esse anti-semitismo como política de Estado que pode definir o nazismo e diferenciá-lo de outros tipos de fascismo. O Holocausto foi apenas uma conseqüência dele, ao mesmo tempo lógica e circunstancial, acelerada ou mesmo definida pela logística de uma guerra que perdiam.

Esse é um tema mais complexo que poderia parecer à primeira vista. Implica, por exemplo, imputar a responsabilidade pelo nazismo não apenas ao Partido Nazista, mas à maioria do povo alemão. Por isso é mais fácil reduzir a discussão sobre sua natureza ao Holocausto, adotando uma explicação simplista, politicamente carregada e infelizmente obscurantista. Deixa-se de lado um aspecto interessante: de certa forma, os campos de extermínio representavam apenas uma solução burocrática e pragmática, o que uma filósofa chata chamou de “banalização do mal”. É provavelmente o aspecto mais aterrador do nazismo; mas não é o que o define.

Há alguns anos, um historiador chamado Bryan Mark Rigg publicou um livro chamado “Os Soldados Judeus de Hitler”, em que contava a história dos mischlinge — como os nazistas chamavam os filhos de judeus com alemães, “mestiços”, “meio-sangues” — que lutaram na Wermacht como estratégia de sobrevivência. Rigg apontava as complexidades que circundavam as relações sociais e étnicas na Alemanha nazista. É um livro fácil de ler, interessante e curioso. No entanto, foi recebido com má vontade pela maior parte da comunidade de historiadores do Holocausto. As perguntas que se faziam: “Quem quereria saber sobre 100 mil mischlinge que lutaram no exército de Hitler?” e “Isso não é novidade e é totalmente irrelevante para o julgamento do Holocausto e do Terceiro Reich”.

É assustador que historiadores julguem um fato histórico nada desprezível — 100 mil pessoas com algum nível de identificação com a cultura judaica integrando um exército engajado no extermínio do seu povo — como irrelevante. Ou que achem que isso não leva alguma luz para a compreensão do processo social do anti-semitismo na Alemanha. É estranho, mas compreensível, e os motivos vão além da razão histórica. E é basicamente o mesmo raciocínio que leva à escolha do Holocausto como padrão do nazismo. O Holocausto foi tão obviamente monstruoso — e, em suas características próprias, irrepetível — que é fácil utilizá-lo como padrão e como justificativa, porque é algo contra o qual não há argumento racional possível. Dessa forma, Israel pode cometer as atrocidades que quiser, porque a não ser que retome a fabricação do Zyklon-B e construa crematórios, mecanizando e sistematizando a chacina de um povo, jamais poderá ser comparados aos nazistas.

E terão razão. Não dá para comparar o que Israel vem perpetrando na Palestina ao Holocausto. Mas dá para comparar à Kristallnacht, às Leis de Nuremberg, à perseguição, humilhação e execução de milhares de pessoas. As ações de Israel hoje são muito semelhantes — na verdade, pode-se até alegar que ainda mais atrozes — ao processo de limpeza étnica que culminou nos guetos e nos campos de concentração, e é por isso que se pode, sim, comparar o Estado de Israel à Alemanha nazista.

Há alguns anos, o Pedro Dória comentou o caso de Wissam Tayem, um violinista palestino vítima de constrangimentos semelhantes aos dos judeus na Alemanha nazista. Mais ou menos na mesma época o então ministro da Justiça de Israel, Yosef Lapid, que viveu no gueto de Budapeste durante a II Guerra, via o sofrimento das mulheres na Faixa de Gaza como igual ao de sua avó naquele gueto. A essência do anti-semitismo nazista não estava nos campos de concentração. Estava nos guetos, na vida miserável que judeus eram forçados a levar, na negação de sua cidadania e, por fim, de sua humanidade. O Holocausto não surgiu do nada; foi preparado por dezenas, talvez centenas de leis excludentes e por atos grandes ou pequenos de perseguição social e étnica aos judeus. O muro que Israel construiu na Faixa de Gaza não leva a resultados muito diferentes do Gueto de Varsóvia.

Esse ponto leva a outro, mais complexo. O que se tenta mostrar como uma política de governo em relação à Palestina é na verdade uma política nacional, com um forte apoio de parte da população israelense. A perseguição aos palestinos não é mais obra do Likud ou dos trabalhistas: é obra de todo o povo de Israel. Como o nazismo foi obra e responsabilidade de todo o povo alemão.

Republicado em 25 de setembro de 2010

24 thoughts on “A semântica do nazismo

  1. Não sei se existe tamanho ‘anti-palestinismo'(sic) no povo israelense quanto havia na Alemanha (e ainda há, claro). Mas concordo plenamente no tocante ao fato de que o Nazismo não se deu nos campos, e sim nas leis e na gradual exclusão de direitos dos judeus. O mesmo acontece há décadas na Palestina, é verdade.

    Até que ponto o estado de Israel merece estar ali é sempre, e sempre será, altamente questionável. E o que é feito na Palestina é não só de responsabilidade de Israel e até certo ponto dos Eua, que financiam o estado judeu, como também de todos os governos árabes que, sabe-se lá porque razão (quer dizer, todo mundo sabe, mas finjamos que não sabemos) perpetuam essa mazéla ao invés de combatê-la por vias diplomáticas e forçar um reconhecimento e uma estrutura governamental na Palestina que a torne um estado de fato. O que existe agora é uma piada.

    Likud ou não-Likud, o que sempre vai faltar naquelas bandas é aceitação mútua – e o fim dessa babaquice que foi a razão primordial para a criação desse estado que agora comete as mesmas atrocidades (mesmo que em níveis de diferente dramaticidade) da qual eles tanto pregam ter sido vítimas.

    Cadê a bomba de hidrogênio? Tá vindo, rapaz… espera uns dez, talvez vinte anos…

  2. Em Israel os árabes votam e têm representantes no Parlamento.

    Na Palestina a TV infantil incita as crianças a lutar até a morte contra o “judeu invasor”.

    E é Israel que age como se fosse a Alemanha Nazista?

  3. não creio que chegará a tanto, mas se for, não será supresa
    o que já se faz por aquelas plagas é no mínimo o prenúncio do inferno
    é sempre difícil falar de judeus
    enquanto povo que desde tempos longínquo é sempre tão odiado, sem levantar de retorno mesmo ódio, senão mais severo
    o epísódio do carro alegócio do último carnaval do rio é emblemático: uma maldita “reserva de mercado”
    é bom carregar suas chagas, e sempre tão sangrentas
    sem dizer q a caso, creio, foi também decidida por uma pessoa de mesma decendência
    lamentável
    no fundo o homem é uma incógnita

  4. Nao me consta que os judeus alemaes andassem explodindo bombas em atentados suicidas em pracas e mercados alemaes nem que organizacoes judaicas de qualquer tipo, na Alemanha ou fora dela, pregassem o exterminio dos alemaes na epoca da ascencao de Hitler. Sou contra a politica atual do estado de Israel, mas comparar o holocausto com o que acontece agora na Palestina eh um absurdo e uma falta de respeito.

  5. OLá Rafael, tudo bem?

    Caro Bruno, Israel merece ‘estar ali’, e não há nada questionável sobre um estado judeu, como não devria ser questionado o direito a um estado palestino.
    Creio que foi a ‘diplomacia’ que outorgou direitos ao estado judeu. Mas foi a ’diplomacia’, que você reivindica, que outorgou o direito a israel de ocupar terras além de seu território. Da mesma forma, é essa diplomacia que apóia a intervenção no Iraque etc… Afinal, toda ‘intervenção’ ocidental tem apoio da sua própria ‘diplomacia’.
    Rafael, se Auschwitz fosse hoje, não teria o mesmo ’desenho’ do III Reich. Mas pode haver sim esta comparação. Porque entre outras coisas, o estado de Israel não surje do nada apartir da segunda guerra. E uns dos itens da política anti-palestina hoje se caracteriza pela vida confinada aos guetos palestinos.
    A não ser que diplomaticamente considerarmos que os palestinos não vivam em guetos.
    A única diferença diferença, e que não justifica os atos, é que no caso alemão havia de fato um estado alemão. No caso de Israel o estado de direito está muito longe de suas fronteiras.Mas política é a mesma, ‘substituir’ por judeus, a qualquer custo, todo palestino que ocupe um determinado espaço de interesse de Israel. Mesmo que considerarmos a geografia da fundação do estado de israel.
    O Alexandre pinheiro tem razão, há uma reserva de mercado para sofrimento dos judeus. E é intocável. Minha família é judia e conheço esse sentimento de posse.
    O fato é que existe uma política de exterminação radical de palestinos, que se diferença da política do III reich, apenas no método. A palestina é pobre, os fornos são caros, e na palestina ainda estão adptados apenas para fazer tijolos. Mas é o suficiente para afirmar que os israelenses, para resolver o ‘problema judeu’, praticam uma espécie de Nationalsozialismus, ou seja nazismo.
    É muito conveniente que acusem os árabes, aqueles bárbaros que sentem prazer em se auto-explodirem, pelas mazelas do povo palestino.Enquanto isso israel pratica seus atos vis, avança e massacra, para conquistar a terra prometida.
    Eu dou risadas com a afirmação de que os EUA dão apoio financeiro ao estado de israel, já que o dinheiro que circula nos EUA, no minimo, pertence aos judeus

  6. Rafael, foi um grande prazer encontrar seu blog.
    O que vou dizer é o óbvio: não há como voltar no tempo. Os judeus israelennses não irão devolver todo o território aos palestinos, e ambos (palestinos e israelenses) terão que entrar num acordo, mais cedo ou mais tarde, para a devolução de parte desse território. Não existe outro meio, a não ser os ilícitos moralmente(genocídio de uma das partes, por exemplo, que espero que não ocorra.).E enquanto isso não acontece, a indústria bélica mundial, a imprensa e os governos envolvidos lucram com isso.Até já desisti de ver reportagens sobre o tema.

  7. Você está certo, a política de Estado de Israel tem princípios que se assemelham aos princípios nazistas. Mas a relação entre judeus e nazistas não é controversa como no caso entre israelenses e palestinos, tampouco os judeus se comportaram da mesma forma que se comportam as forças de resistências palestina.

    O que nos traz o emprego do termo holocausto ou a referência ao nazismo? Como eles atuam no debate? Simples, imobilizam a justificativa israelense através da identificação das suas práticas com as práticas dos seus antigos algozes. Não há nada de inaceitável nesse tipo de discurso, é um argumento justo — como é justa toda refutação que ele sofre. Agora, querer que seja mera “semântica” toda flexibilização a esse uso é coagir a aceitar o sistema de valores que ele traz consigo como se ele fosse não um argumento mobilizado com propósitos definidos, e interesses relativamente claros, mas um dado objetivo, que gira no vazio quando analisado de qualquer outra perspectiva.

    As abstrações sempre deixam de fora um ou outro aspecto do seu objeto. A legitimidade do uso do termo holocausto para se referir aos eventos na Palestina nunca deixará de ser controverso porque implica formular uma equivalência entre acontecimentos diversos segundo uma identidade de princípios que tem sua coerência de acordo com interesses das partes que o mobilizam. Não dá pra aceitar que se classifique como “semântica” toda a leitura que diverge desse modo de argumentar. O que está em jogo, por fim, é saber se no propósito de interditar ações é legítimo mexer com a memória dos judeus e abstrair as diferenças entre os dois conflitos — o que não implica nenhuma resposta definitiva.

  8. A grande diferença é que os judeus, na época do nazismo, não se explodiam nos cafés, nem nos ônibus alemães. Ah, eles também não lançavam dezenas de mísseis sobre a população civil da Alemanha.

    Os palestinos fazem isso. E fazem mais.

    Apenas pense nisso quando comparar o estado de Israel com a Alemanha nazista. Não existe paralelo. Ponto.

  9. Um argumento engraçado é esse de que os judeus-alemães não se explodiam em ataques suicidas, blá, blá, blá… O paralelo que o Rafael faz aqui é a relação entre como Israel trata os palestinos e como a Alemanha tratava os judeus. Ele não trata da forma como judeus e palestinos reagem ao fascismo.

  10. Venho acompanhando a algum tempo essa disputa palestina ,israel ,e alemanha nazista.
    sempre o mesmo discurso ,o mesmo papo a mesma idéia o mesmo argumento,blablablabla,
    po quem manda é o mais forte ,quem é o mais forte é o que manda.quem tem mais poder é quem manda ,quem manda é quem tem mais dinheiro ,para comprar armas e defender seu territorio,quem manda ,quem tem mais razão é quem tem mais poder ,mais dinheiro ,é esse quem manda ,
    ARGUMENTO É PODER É DINHEIRO ,É ISSO.

    A hora que os EUA ENTRAR NA AMAZONIA E TOMAR A AMAZONIA ,
    VAI FICAR AQUELE ARGUMENTO ,PORQUE PORQUE …BLABLABLABLABLA
    PORQUE O BRASIL NÃO TEM CONDIÇÕES DE CUIDAR DA AMAZONIA ,QUE É O PULMÃO DO MUNDO.E DE QUEIMADA EM QUEIMADA A AMAZONIA VAI SENDO DESTRUIDA,E NOS FICAREMOS SEM RESPIRAR.
    EIA A QUESTÃO ,TEM RAZÕES QUE A PROPRIA RAZÃO DESCONHECE.

  11. Atras da sombra de Hitler e o tal da “holocausto” se esconde o nazismo judaico de Israel racista que extermina os Palestinos e também se esconde o comunismo judaico dos capitalistas judeus Marx,Lênin,Trotsky,Kaganovich,Frenkel e outros assassinos comunistas judeus que exterminaram 100 milhões de pessoas!

  12. ótimo texto…antigo mas muito atual já que a situação da palestina nada melhorou desde então. Só uma correção: no último parágrafo está “A perseguição aos judeus não é mais obra do Likud ou dos trabalhistas”, na verdade vc quis dizer ” a perseguição aos PALESTINOS”, não é?

  13. Caro Rafael Galvão,

    Publiquei hoje no meu blog “Abaixo o Presidente” este seu belíssimo texto, com uma introdução minha onde aproveitei para referir o fim da moratória sobre a construção de mais casas nos colonatos judeus da Cisjordânia e o perigo que isso representa para o chamado processo de paz. O post era encimado pelo também belíssimo e muito conhecido cartoon do Gilberto Maringoni onde se vê um árabe crucificado na bandeira israelita.

    Há pouco mais de uma hora fizeram-me desaparecer o meu blog e no seu lugar pode ver-se uma mensagem com a bandeira palestina e o aviso em inglês onde me informam ser o meu site não válido e para tentar novamente daqui a um ano.

    É evidente que a Mossad (para quem não sabe são os serviços secretos de Israel) começam a controlar bem esta questão da internet.

    Mas não é isso e a sua acção que vai mudar o rumo da História, onde uma solução justa certamente irá ser encontrada para acabar com o sofrimento do povo palestino, provocado exactamente pelo governo de quem a Mossad é sicária.

    Um abraço e continua daí com a luta.

    José Domingos Costa
    Lisboa

  14. Duas observações sobre os comentários: 1) qualquer resistência dos judeus é vista hoje como heroismo, enquanto atos de resistência dos palestinos são vistos como terrorismo; 2) não faz sentido que se peça, em pleno sec. XXI com ONU e tudo, que Israel repita exatamente os atos nazistas para que se possa fazer qualquer tipo de comparação entre eles.

  15. Do ponto de vista de quem esteve dentro da câmara de gás, não tenho dúvida de que o Holocausto definiu o Nazismo.

  16. Arranhaponte,

    Já vi você oferecer melhores argumentos alhures — se é que isso é um argumento, do que duvido.

    Porque do ponto de vista da moça que foi escalpelada viva pelos comanches os colonos americanos estavam certos e eles errados; do ponto de vista da mãe do soldado judeu que morre por uma bomba palestina eles estão certos e os palestinos errados; do ponto de vista da mãe do traficante morto em tiroteio ele estava certo e a polícia errada.

    Ou seja: do ponto de vista de quem morre, aquele momento define absolutamente tudo, independente do significado histórico do evento e independente de certo ou errado.

    Essa foi bobinha. 🙂

  17. putaquispariu

    o fechamento foi uma obra prima!

    o ghetto, o preconceito, a repressão, a falta de direitos etc.

    são puros produtos do nazismo

    e o nazismo não foi produto de hitler, foi aceito, aprovado e seguido pelo povo alemão

    quando israelenses lançam bombas de fragmentação na Faixa de Gaza, é puro nazismo

    eles estão matando uma “raça inferior”

    e quando os israelenses votam em fascistas

    eles não podem mais falar em holocausto

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