Sumpaulo

Foi basicamente o seguinte: chegar a Sumpaulo na segunda pela manhã, embarcar para o Rio na terça às sete horas e voltar a Sumpaulo ao meio-dia para uma maratona que só terminou na sexta. Tudo isso acordando às três, cinco horas da manhã — para um sujeito que só consegue dormir tarde, esses horários significam uma variante mais terrível de tortura chinesa. Junte a isso uma série de compromissos pequenos, e o que se tem é um sujeito cansado, que chegava à noite ao hotel e não tinha ânimo para muita coisa, ainda por cima com um pequeno problema no ouvido causado pelo excesos de vôos turbulentos em pouco tempo.

Só para constar, foi uma viagem cansativa e pouco proveitosa na perna paulistana; triste ao ver que o negócio publicitário está virando uma idiotice burra cega e autofágica, e que eventos que já foram importantes se tornam a cada dia caça-níqueis estúpidos; irritante ao constatar mais uma vez a grosseria antipática dos paulistanos de classe média e a delicadeza do povão, numa generalização que, claro, admite uma infinidade de exceções; mas que valeu a pena por umas poucas horinhas em que levaram um paraíba em Sumpaulo, com a namorada e um amigo, para um restaurante nordestino.

Foi bom matar a saudade do Doni, conhecer o Hermenauta e a Lu, o Ina, a Olívia e o Roger, o Branco Leone e a dona Leone, o Ratapulgo — que me lembra alguém que conheço, mas não consigo lembrar quem, exatamente.

Para um sujeito cansado, funcionando a meio vapor, ficam alguns detalhes bobos, simples. Como a suavidade e a tranqüilidade da voz do Hermê, a beleza e a delicadeza das mãos do Ina (instintivamente recolhidas diante da constatação; o Ina é tímido). Ou a genial camiseta azul da Olívia (Era What would Phillip Marlowe do?, se não me engano?).

E ficam também as desculpas, por ter aproveitado tão pouco, por ter conversado tão pouco mesmo sabendo que poderia aproveitar muito mais. Sumpaulo é uma cidade ingrata, principalmente para quem está de passagem com uma série de compromissos e saiu de uma cidade que foi eleita recentemente pelo Ministério da Saúde a capital brasileira que oferece melhor qualidade de vida aos seus moradores. Mas então a gente fica lembrando que logo no primeiro dia encontrou um monte de gente que fez a viagem valer a pena.

12 thoughts on “Sumpaulo

  1. “o que Philip Marlowe faria?” 😀 está em português. eu que fiz, hip hip.

    e reparou que o Ina não estava de camisa listrada?

  2. Sobre suas desculpas, vá lá, por esta vez, passa. Mas apareça mais, para que RG não seja apenas uma quase-lembrança distante e meio embaçada (miopia, sabe?) num encontro em que a mesa bateu recorde no comprimento. Abraço.

  3. Foi uma noite bem agradável, mesmo. Papos tranquilos num lugar pacato. Bem 2a à noite, bem terra da garoa, bem legal pra conversar com amigos. 🙂

  4. Legal é quando eu vou, pego um trânsito infernal, meu carro quebra saindo do bar e o Rafael Galvão não estava lá…

  5. E o pior é que você ficou de ligar depois, quiçá para continuar ouvindo minha voz maviosa, e nada.

    Mas foi um prazer conhecê-lo pessoalmente também, ainda que meteoricamente. 🙂

  6. veio no rio e nem me deu um alô? tsc

    quando eu for em aracaju não te visito também husahsuahsuahsua

  7. Jeito suave do Hermê, mãozinha do Ina, esse tímido… rapaz eu não sabia que você era gay. É válido, como dizia um velho amigo meu no velho Amarelinho. Acho bacana isso, de sair do armário numa festa de amigos. Não se fie no Hermê, ele não tem jeito para a coisa, mas esse cottonboy promete.

  8. vou subentender que vc nao me citou porque não conseguiu matar a saudade… rs
    Adorei te ver… Amei a Monica!!! Bjs!

  9. Como assim não tem Carol em Sumpaulo? E eu? rsrs

    Na próxima eu vou para tirar as fotos e pegar o autógrafo que te falei. rsrs Brad Galvão Pitt. rsrs

    Beijos

  10. Ai… e eu adoro essas coisas. As coisas simples. Os detalhes que fazem toda a diferença num dia de caos.
    Muito bom aproveitar isso, que a maioria acha tão pouco e que para pessoas como você (e eu) valem muito.

    BJO

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