Seis coisas que ninguém sabe sobre mim

O Sergio Leo me repassou um meme: seis coisas que não se costuma saber sobre mim.

1 – Já participei de uma peça de teatro. 1985. Eu estava com um grande amigo, Waltinho Seixas, e havia uma espécie de  festival de uma noite só no Teatro Santo Antônio, em Salvador — aquelas coisas com entrada gratuita, etc. Ele e Bertrand Duarte, um dos grandes atores baianos, acabaram participando. O título da peça, improvisada por eles, seria “Como Fazer Uma Revolução em Dois Segundos”. Eu dei uma sugestão de que até hoje me orgulho: seus personagens deveriam se chamar John Lênin e Paul McCarthy. Eu deveria entrar, no final, perguntar onde ficava Liverpool e sair platéia afora. Foi o que fiz. Foi o início e o fim de minha carreira teatral. Mas podia ser pior. Eu podia ter começado a fazer teatro infantil.

2 – Já acordei numa favela de Salvador me perguntando como tinha ido parar ali, com o Waltinho Passos. Depois de descobrir, e ainda meio bêbado, me vi discutindo o preço de um pedaço de terra ali, onde iríamos construir um loft com uma bela vista para um dos últimos pedaços de Mata Atlântica de Salvador e pertinho das mulheres do Cabula. O contrato foi redigido num bar próximo, em uma folha de caderno, mas nunca compramos o tal espaço — ou pelo menos eu não comprei.

3 – Já viajei de Aracaju a Petrópolis com 500 cruzados no bolso, equivalentes hoje a 20 reais, ou 20 Coca-Colas. Voltei uma semana depois ainda com 300 cruzados. São as vantagens de se alimentar de luz e se ter 17 anos.

4 – Já cheguei ao ponto de entrar numa agência de propaganda às seis horas da manhã de um domingo, vindo de uma boa farra, e só sair de lá às 19 horas da sexta-feira seguinte. E o pior é que o trabalho resultante nem ficou lá essas coisas.

5 – A única coisa que me fazia ir à universidade eram as cabines da biblioteca, onde se podia namorar à vontade e com discrição.

6 – Já fui várias vezes mordido, escoiceado, derrubado por cavalos — mas o que me envergonha e irrita são as vezes em que caí por culpa única e exclusivamente minha.

10 thoughts on “Seis coisas que ninguém sabe sobre mim

  1. Rapaz, quando encomendei esse meme não imaginava tanta revelação, que vida louca, seu. Deixeu ver se entendi direito.

    1)Em Salvador, tinha um lance com um tal de Waltinho. Vou falar uma palavra: teatro. Qualquer sertanejjo de boa cepa saberá o que queremos dizer.
    2)Depois de mergulhar fundo nas drogas com o Waltinho, tentou fazer negócio com os traficantes em um morro da cidade, onde quiseram montar um lar.
    3)Com 17 anos, viajava vendendo o corpo na BR-101.
    4)Quando arranjou emprego, não conseguia diferenciar as orgias de que participava do local de trabalho onde emendava o dia com a noite.
    5)Era obrigado a esconder suas preferências sexuais durante o curso universitário.
    6)Praticava também o bestialismo. Às vezes errava a pontaria, e é só isso o que o deixa muito envergonhado, até hoje.

    Admirei sua coragem, Galvão, depois de ler entendi o laconismo da introdução. Isso é que é homem. Conte comigo para vencer os preconceitos. Garanto que se sente mais leve, agora. Aliviado. Sem trocadilho, claro.

    (((((-;

  2. Pelo visto o Sergio Leo trabalha com as linhas e se diverte com as entrelinhas! 🙂

    Mas a interpretação foi ótima, eu também tinha percebido o mesmo subtexto. Parabéns, paraíba!

  3. A sua história, na versão do Sérgio Leo, é muuuuuuito mais interessante. E, olha, não leve a mal, mas parece mais verossímel…

  4. Adorei. Adoro as coisas que tu escreve.
    Acordar bêbado na favela nãó é, mesmo, para amadores.
    Beijão!

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