Sobre o Oscar 2009

Depois de anos assisti a uma cerimônia do Oscar. Eu estou ficando velho ou ele está mesmo menos brega? Eu não sei. Mas me pareceu uma cerimônia mais agradável, mais rápida, e mais elegante do que aquelas a que eu estava acostumado.

Foi engraçado ver Anthony Hopkins cochilando. Ou ver que a Sophia Loren está a cara da Elza Soares, tão esticada que seu umbigo já deve estar se aproximado do pescoço.

Talvez a melhor surpresa da noite — para mim, pelo menos, que não vinha acompanhando absolutamente nada sobre o assunto — tenha sido o prêmio honorário dado a Jerry Lewis. Lewis merece todo e qualquer prêmio que queiram lhe oferecer. Na verdade, este que lhe foi concedido hoje é pequeno diante de sua grandeza. Lewis é um dos grandes comediantes da história do cinema, e é um tanto triste vê-lo aos 82 anos, torto por causa dos seus problemas de coluna, e sabendo que tem um problema grave de pulmão, resultado dos anos fumando talvez até mais que eu. Ver os americanos, que sempre o acharam pouco mais que um careteiro, finalmente lhe dar um prêmio, por menor que seja, já é um pequeno consolo.

Por outro lado eu não sabia que Jules Dassin tinha morrido, e isso me deixou triste.

Não posso comentar a maior parte dos Oscars concedidos, porque não vi boa parte dos filmes e, principalmente, não vi Slumdog Millionaire, o grande campeão da noite. Mas posso dizer que houve alguns pequenos equívocos. Eu teria dado o Oscar de Edição de Som a “WALL-E”, pela delicadeza com que o som é tratado naquele filme, que não tem diálogos até quase a sua metade; The Dark Knight poderia ficar com o de Melhor Som.

Não tenho certeza de que Sean Penn merecia o Oscar por Milk; Frank Langella é um ator fantástico, apesar de subestimado, e poderia ter ganho, assim como Mickey Rourke. Mas Sean Penn é provavelmente o nome mais palatável entre todos eles — com exceção de Brad Pitt, que mesmo com toda a simpatia e verba de publicidade investida tem um desempenho tão ruim como Benjamin Button que simlesmente ter sido indicado é uma grande vitória do seu estúdio.

Cerimônia encerrada e, no fim das contas, é tão bom ver que nem todo mundo é idiota e “Benjamin Button”, aquela pequena celebração incompetente da mediocridade, ganhou apenas três Oscars menores — e dois eles questionáveis, porque The Dark Knight merecia o de Efeitos Visuais, e o de Maquiagem poderia ter ido para Hellboy II sem problemas.

10 anos atrás eu fiquei irritado ao ver um filme mediano como “Shakespeare Apaixonado” ganhar o Oscar de melhor filme, uma atriz medíocre como Gwyneth Paltrow derrotar uma atriz soberba como Fernanda Montenegro, um palhaço como Roberto Benigni ganhar o Oscar de melhor ator e uma baba puxa-saco como “A Vida é Bela” vencer “Central do Brasil”. Mas hoje, ao deixar “Benjamin Button” no lugar que lhe é de direito, o Oscar me deixou com uma sensação de justiça feita.

15 thoughts on “Sobre o Oscar 2009

  1. Eu gostei do estilo da cerimônia. Principalmente dos cinco atores/atrizes premiados apresentando cada uma das categorias de elenco, o que rendeu alguns momentos interessantes, como Anne Hathaway e Kate Winslet quase chorando ao receber os seus elogios.

    Achei legal também os clipes dos filmes de 2008 agrupados por gênero, no início de cada bloco, com trilha de música pop. Foi uma forma de lembrar daqueles que não tiveram indicações mas foram prestigiados pelo público.

    Só achei bem sem noção aquele clipe do prêmio de Melhor Filme, misturando cenas dos indicados com de outros grandes filmes da história. Algumas das “misturas” não tinham nenhum sentido.

  2. Galvão,

    é o terceiro ano consecutivo que eu vejo o Oscar inteiro e lhe garanto: a cerimônia desse ano foi muito mais agradável, mesmo. Eu achei Sean Penn melhor em Milk do que Mickey Rourke em O Lutador, e acho que Wall-e realmente poderia ter ganho algum prêmio relacionado ao som. Reconheço a pequenez de Benjamin Button, mas os efeitos visuais foram realmente incríveis e muito bem utilizados, enquanto os de Batman ou Iron Man foram feitos mais para explosões e armaduras de quadrinhos: todo ano tem várias.

    Só uma coisa na noite me irritou mesmo, profundamente, a quantidade inimaginável de comerciais. Sem contar que os comerciais não tinham duração fixa e muito menos os quadros: houve momentos em que voltavam ao Kodak para pouco mais de um minuto de apresentação, sem entregar prêmio algum! Ridículo.

    Fora isso, foi uma cerimônia agradável, mas os prêmios foram um pouco previsíveis (com excessão dos prêmios de ator e atriz coadjuvante).

  3. Seu elogio a Jerry Lewis é inédito (jamais li alguém elogiando, mas pouco li a respeito), e concordo inteiramente (talvez, seja uma questão de geração). A “Vida é bela” não é um mau filme, também não é bom, mas não é uma “baba puxa-saco” (hehe).

  4. Rafael:

    Uma pergunta a você que, com certeza, entendende técnicamente de cinema, muito mais que eu.

    A Fernanda Montenengro é um das maiores atrizes do Brasil, certo? A pergunta é a seguinte: ela é, realmente, tão boa? Eu, sempre que a vejo representando parece que estou vendo a mesma Fernanda fazendo outro papel mas com os mesmos trejeitos, olhar, respiração, giros de cabeça, da Fernanda Montenengro. Ser um bom ator não é fazer o ator desaparecer no personagem de forma que não nos lembremos do ator? Eu acho que a Fernanda Montenegro não faz isso.

    Estou errado. Ser bom ator não é o que eu penso?

    Obs. Apesar da minha pergunta,concordo com você: ela não poderia perder o Oscar pra Patrol.

  5. Então, gostei também do Hugh “Wolverine” Jackman apresentando, mas acho que o “novo” formato do Oscar ajudou um pouco, mas enfim, adoro ver esse rapaz cantar. E ver Sophia Loren foi assustador, aliás, a única que continua bonitíssima é a Marion. Não entendi porque Benjamin Button concorreu em tantas categorias, mas os prêmios que ele levou me lembrou os do Ultimato Bourne, muitos porém “secundários”, e não tão merecidos assim. E achei muito justo Slumdog ter levado 8 das 10 pra casa, mas sou pacial, gosto do Boyle, achei uma lindeza as criancinhas gritando e adorei o filme, assim como gostei de Milk e achei a premiação de Sean Penn merecida, apesar de ter ficado meio desacreditada de que ele ia ganhar. A Kate Winslet deinitivamente merecia, não só pelo Leitor, mas pelo conjunto da obra, bichinha, tava na hora! E senti falta de lágrimas na premiação do Ledger, achei o Globo de Ouro bem mais caloroso, sei lá. E por mim, a Viola Davis levava melhor atriz coadjuvante. Aah, e concordando com o rapaz aí acima em relação ao número de comerciais. Que inferno, não aguentava mais aquele propaganda das Havaianas. 😛

  6. * Também senti o mesmo conforto no formato da cerimônia este ano. O Hugh Jackman surpreendeu.
    * Malditos comerciais! Ruim tradução sem cortar direito o áudio original. Vi inteiro no inglês, o que me poupou também dos comentários eventuais comentários sobre vestidos, magreza ou gordura de não sei quem ou do peculiaridade no visual do Rourke e da Whooppy Goldberg.
    * Gostei muito da atuação do Penn, não pelo desafio que o papel exigia, mas porque, como alguém comentou aí, eu não reconheço a pessoa Sean Penn nos papéis que faz, estando totalmente diferente do que foi em “I am Sam” e “Mystic River”, por exemplo. Sou suspeito tb, porque gosto muito do trabalho dele. Mas, se não fosse ele, teria que ser o Langella, que atua com a propriedade que um dia atuou Pacino, Brando, O’Toole e como ainda atua Hopkins, DeNiro, etc. Brad Pitt nem pensar, tendo trabalhado melhor em “Babel” e “Fight Club”.
    *Kate mereceu muito, por “The Reader” e por uma sequência de ótimas atuações, depois de Titanic.
    * Quanto àquele fatídico Oscar de 1998, o Rafael Galvão está absolutamente certo. Ganhou o pior filme e a pior atriz. Pra filme, podia ter sido “Resgate do soldadeo Ryan” ou até mesmo “Elizabeth”. Pra atriz, a Fernanda podia ter perdido pra Meryl Streep, mas para Paltrow…nunca nunca.
    * Falando em injustiça, Walter Salles, na minha humilde, é muito foda, muito ótimo. Seu “Abril Despedaçado”, deveria ao menos ter sido indicado, pois é um filmaço. José Dumont é um dos melhores atores do Brasil.

  7. sean tá muito melhor que langella – além do papel exigir mais. acredito até que a academia gostaria de premiar langella, pois não? mas sean leva o filme [fraco no esquematismo (inédito) do van sant] nas costas.

  8. kate winslet é uma ótima atriz. diria que titanic foi uma mancha na carreira dela. alguém já assistiu “judas, o obscuro”?

    acho que sean penn é um ótimo ator, mas talvez o oscar deveria ter ido pro rourke.

    quanto a walter salles, acho que ele anda precisando produzir algo no nível de “abril despedaçado” de novo.

  9. Caramba, você ficou triste com a morte do Jules Dassin? Imagine como eu fiquei. Nem sabia que ele tinha nascido!

  10. Não tenho saco para assistir uma cerimônia de Oscar. Não acho que o prêmio tenha qualquer significado além do comercial. Para mim pesa muito mais que um filme seja premiado em Cannes, Berlim ou até Gramado. Também não vi nenhum dos filmes – tenho dificuldades para ir ao cinema porque tenho filhos pequenos, muito trabalho e detesto shopings (onde ficam todos os cinemas atualmente).

    Mesmo assim me permito uns pitacos.

    Não vejo porque Central do Brasil merecesse mais o Oscar que A vida é bela. Especialmente porque o júri não é brasileiro e não tem nenhum dos motivos que nós temos para achar o filme bom. Só a indicação já foi uma grande vitória. Também não vejo porque Benigni não mereça um prêmio e Jerry Lewis sim. Não acho nada demais na Fernanda Montenegro.

    O que achei mais irônico (pra não dizer idiota) na premiação, foi dar o Oscar para Penélope Cruz por atriz coadjuvante no filme de Woody Alen depois de tudo que ela já fez como protagonista nos filmes de Almodóvar.

  11. Caro Rafael, Shakespeare Apaixonado foi uma piada, assim como a “guineti pautrou” ter ganho o Oscar ao invés da Montenegro. Mas, não entendo essa raiva contra o Benjamin Button. Achei um grande filme. Não vi ainda o Slumdog, mas entre Benjamin, Lutador (meu oscar de melhor ator seria pro Rourke, o Sean Peen ganhou pque está cravado no subconsciente o fato dele ser o melhor ator de sua geração, bla bla bla), Wall-E, ficaria com o Benjamin, seguido de perto por Wall-E.

    Uma trama simples, surpreendente, bem contada. E ainda traz o desempenho da sempre ótima Tilda Swanton. E a Cate Blanchett não está feia no papel.

    Quanto ao Slumdog, sei não, esta me cheirando uma concessão do império para uma de suas mais promissoras colônias. Será que a crise não está obrigando o Cinemão a buscar desesperadamente novos mercados? Será que se a crise tivesse chegado há alguns anos, Cidade de Deus nao seria o grande vencedor do Oscar?

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