Um adeus à exigência de diploma de jornalista

Pois é, acabou.

Um anacronismo inútil foi eliminado.

O Pedro Dória resumiu com clareza e concisão o pensamento que este blog sempre defendeu:

Jornalismo, perdoem os companheiros de profissão que discordam, é uma forma de exercício da liberdade de expressão. É um direito de todo cidadão, não pode ser restrito. E, em tempos de novas mídias que põem nas mãos de qualquer um os meios de publicar e distribuir informação e opinião, a lei era impossível de funcionar.

E o Leandro Demori respondeu, de maneira muito simples, às principais perguntas de ordem prática feitas pelos novos órfãos da lei:

Agora que caiu exigência do diploma, todo mundo vai querer ser jornalista pra ganhar milhões.

As empresas, claro, irão contratar semi-analfabetos para escrever nos jornais (ops, isso algumas já fazem).

“Agora um padeiro pode roubar o meu emprego?” Se depois de 4 anos na faculdade tu escreve pior do que o padeiro, sim.

“Mas o padeiro VAI querer roubar o meu emprego?” Não.

“Sem diploma nossos salários serão horríveis!”. Claro! O diploma é que garantia o teu salário de marajá, agora fodel!

Fim da vida mágica nas redações, dos altos salários, da baixa carga horária e da proteção da classe.

“E agora, a faculdade de jornalismo não serve pra nada?”. Minha filha, é AGORA que serve (ou não, depende dela).

“E o sindicato dos jornalistas, se tornou obsoleto?”. Pergunta com 30 anos de atraso (mas talvez agora se torne útil).

Já o Razbliuto lembra que o Brasil deixa o seleto time de países que exigem diploma para o exercício do jornalismo, e que inclui África do Sul, Arábia Saudita, Colômbia, Congo, Costa do Marfim, Croácia, Equador, Honduras, Indonésia, Síria, Tunísia, Turquia e Ucrânia, esses bastiões da imprensa forte e independente, e junta-se a países como Alemanha, Espanha, EUA, França, Inglaterra, Irlanda, Itália, Japão e Suiça.

17 thoughts on “Um adeus à exigência de diploma de jornalista

  1. ““Sem diploma nossos salários serão horríveis!”. Claro! O diploma é que garantia o teu salário de marajá, agora fodel!”

    eu posso concordar com as outras perguntas, mas essa aqui tá foda: o salário da grande maioria dos jornalistas anda terrível, com exceção das estrelas dos telejornais nacionais. talvez seja mais fácil contestar o modelo tradicional de jornal, que acaba de descobrir que tem um câncer em estágio terminal.

  2. Não tenho conhecimento suficiente para emitir opinião nesta área, mas me parece que a mudança foi para melhor.
    Aliás Leandro Demori foi muito engraçado nas suas considerações 😀

    Abração

  3. Pois é Rafael, não precisa de diploma para ser jornalista, nào precisa de diploma para ser presidente da republíca; logo nào precisará de mais nenhum conhecimento técnico para nada. Vamos ser operados por médicos sem diploma, eleitos pelo PT; viajar num Boing 747 pilotado por alguêm indicado pelo PT, etc.

    É isso aí. Assim caminha a humanidade, no Brasil.

  4. Eu, jornalista, há 10 anos na área estou no primeiro ano de faculdade. Por enquanto, tudo é teoria, mas estou gostando do curso e, mesmo sem a obrigatoriedade do diploma, não vou parar de estudar. Acho que as faculdades nunca foram tão boas. E, de qualquer forma, se o padeiro for roubar o meu emprego, eu não me importo. Se esse padeiro escrever bem, tudo bem. Vejo assassinatos contínuos de jornalistas renomados em suas matérias. Acho que não vai mudar nada. Quem sabe, sabe. E há tempos que muita gente boa (sim, sem o tal pedacinho de papel, chamado diploma) escreve em blogs e redações sem deixar a desejar.
    Quanto a salários magistrais, a classe não anda ganhando tão bem, com exceção daqueles (nem sempre jornalistas formados, mas estrelas) e isso, na minha opinião, não fará diferença.

  5. Quando acabaram os bondes no Rio, houve uma onda de suicídios. Engrossava a estatística os imigrantes portugueses. Assim prossegue a humanidade. A civilização deixa vítimas pelo caminho e, entre perdas e danos, aprendemos, dentre outras lições edificantes, que efeitos colaterais não são assim tão nocivos.

  6. Só pra deixar claro que esse OLiveira aí em cima nada tem a ver com o Oliveira, o canalha da redação onde trabalho. Esse, o da redação, está contentíssimo, há anos se esconde da fiscalização do ministério do Trabalho porque não tem diploma, nunca cursou uma faculdade de Comunicação _ coisa comum, aliás, na Folha de S. Paulo, que sempre desprezou essa exigência; o que mais tem lá é cientista político, sociólogo, filósofo trabalhando na redação.

    Na prática, quem já fazia blogue e outras novidades da informação alternativa vai poder continuar fazendo o que queria, sem repressão, como antes. E as pessoas que escreviam para jornal (articulistas, colunistas) sem precisar de diploma continuam na mesma, só o que muda é que agora qualquer um, até sem curso superior, poderá ser contratado pelos jornais, se agradar aos patrões, claro.

    Isso é que me intriga, mas sou jornalista, gente burra, como se sabe. Ando buscando explicação para a euforia quase histérica por parte daqueles que viviam atacando o golpismo da midia, essa comemoração futebolística com o fim da profissionalização do jornalista, esse discurso de que agora vai, democratizou-se o acesso aos jornais. Estão contentes porque agora poderão pedir emprego na midia golpista que tanto criticam?

  7. fala Rafael

    estamos esperando q vc e Idelber Avelar escrevam algo sobre o q está acontecendo no Irã nestes últimos dias.

    vamos la, companheiros, queremos ver vcs metendo o pau na oposição golpista que quer dar um golpe no democrata Ahmadinejah.

  8. Rafael, seguinte. Fiz um curso técnico de 4 anos de processamento de dados na gloriosa EEEM-BA, na divisa da Rua da Poeira, quando xaxa ainda jogava na zaga do Brioso Vitória. Não fui pegar o diploma até hoje.

    Há mais de 15 anos conclui uma disgrama de um curso de comunicação na Faconha do Canela e até hoje não tenho carteira de jornalista. Nem sou sindicalizado por conta daquela máxima dos meninos Marx. Tirei apenas a DRT para trabalhar. É fato que também não tenho celular nem relógio.

    Mas, derivo. O fato é que apesar destas minhas (falta de) credenciais, acho uma sacanagem acabar com a exigência do diploma.
    Aliás, não, mudei de opinião.
    Depois de me raciocinar todo por mais de 18h e 43 minutos de reflexão cheguei à conclusão de que o STF tava certo.
    REalmente, era o diploma de jornalista que astravancava o pogresso desta nação. A partir de agora, ninguém mais segura este país.
    Bora Dom e Ravel, minha porra.
    Hômi, quá! Sinhô, me deixe!

  9. Anacronismo mesmo, diante das novas possibilidades. O que os jornais brasileiros poderiam ter feito, ao menos para ganhar alguma sobrevida, era investir em sua qualidade Jornalística, com jota maiúsculo mesmo: reportagens bem apuradas, sem manipulações que julguem mais convenientes. Por que hoje ninguem precisa mais pedir direito de respostas ou desmentidos por parte dos jornais (que não as publicam mesmo) e toda notícia é analisada por um sem número de pessoas pela Internet, com opiniões divergentes e, mesmo não seja a maioria, algumas análises de extrema qualidade. Mas jornais foram pelo caminho contrário, a crise atual da imprensa é também uma crise de credibilidade (em teoria, o maior ativo de um jornal), aguçada pelo fenômeno bloguístico. Não existe mais o monopólio da opinião e isso provoca um impacto tão grande quanto a velocidade da informação via blogues e sua interatividade. O jornais poderiam ter agido melhor diante do fenômeno ao invés de reagirem com simples mudanças gráficas…

    A propósito: outro anacronismo “provocado” pelas novas tecnologías é a questão da propriedade intelectual. Quanto mais rápido se fizer uma revisão da legislação a respeito, menos doloroso será o processo de transição, que é inevitável. A indústria cultural precisa se repensar e descobrir como continuar ganhando dinheiro neste “novo mundo”, ao invés de perder tempo processando sites de torrent, porque ela pode até ganhar a batalha judicial, mas a guerra já está perdida.

  10. O sindicato de jornalistas e a federaçao de jornalismo (ladroes que so queria dinheiro) se ferraram, tinha que acabar esta exigencia absurda (herança da ditadura militar do brasil), agora, sem a exigencia de diplomas, é que vao realmente surgir os maiores e melhores talentos, capacitados por inteligencia propria e nao por um pedaço de papel.

    O proprio Jornal mundial da tv europeia, ja assinalava que os ministros brasileiros, senhores reais da lei e da democracia, jamais iriam preterir a liberdade de expreção dos brasileiros, que sao genios por natureza, Parabens ao S.TF.

    Por um minuto, imagine-se que voce quer trabalhar em um jornal, porque nao quer mais atuar em sua antiga profissao, seja lá qual for, e por falta de diploma nao poderia (e poderia até ser preso e processado por exercicio ilegal da profissao), … imagine, vce acima dos 40 anos, ter que se sugeitar a anos em bancos de faculdades (se tiver o 2 grau), pagar mensalidades altas, sindicatos, etc.

    Se ferrou mesmo aqueles sem vergonhas da federacao de jornalistas e sei la que outro nome, e lembrem-se que ANTES DA DECISAO DO STF, estes sindicatos, associacoes federacoes do jornalismos, nao aceitava inscricao de quem nao tinha diploma e ainda debochava de quem (pobre mortal) tentasse uma carteira de jornalista … agora, daqui pra frente, voce vai ver estes caras implorando pra alguem de “associar” rsrsrs.

    Meu conselho: quem for associado de sindicato, associacao ou federecao de jornalismo, saia já e pare de pagar, pare de gastar o seu rico dinheirinho que esta deichando estes canalhas mais ricos.

    Voce nao precisa de carteirinha nehuma, nem de diploma de jornalista, voce precisa apenas de TALENTO.

    FONTE: http://www.jornalmundial.com

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