O circo dos horrores de Michael Jackson

Eu nunca vi nada tão bizarro, tão decadente, tão podre quanto esse velório de Michael Jackson transmitido ao vivo hoje.

Chego em casa para o almoço e Lionel Ritchie está cantando uma música na TV. Logo depois se sucedem outros artistas, outras canções — algo semelhante a uma premiação da AFI, ou mesmo ao Oscar. Apenas uma leve lembrança de que aquilo era um “memorial service“. Leve, não: entre os artistas e a platéia, o caixão vistoso de Michael Jackson era sólido, pesado, brilhante como um terno de lamê.

As mesmas pessoas que reclamam que brasileiro tem a mania horrorosa de bater palmas em enterros deveriam se horrorizar com as palmas e os assobios ouvidos. Ou com o preço dos ingressos para o evento, com as pessoas vendendo por preços altos demais os ingressos sorteados. O velório de Michael Jackson se transformou em pouco mais que um show de música pop, nada mais que isso. Passa a impressão de ser a última fronteira do desmonte da individualidade humana. Ou, no mínimo, um fim adequado a um sujeito que, vivendo praticamente toda a sua vida sob os holofotes, já há muito tempo não sabia diferenciar o público do privado.

Talvez as pessoas não vejam nada demais nessa espetacularização levada às últimas conseqüências. Eu vejo.

Eu já tinha visto outros funerais-espetáculo: o de Tancredo Neves, o de Ayrton Senna. Mas embora tenham atraído a atenção da mídia, ali rapinando a imagem pública de um ídolo até o último momento, nenhum deles foi concebido e planejado como um evento totalmente midiático, como aconteceu agora. O velório de Michael Jackson ultrapassou todos os limites de decência e do respeito ao ser humano. Não que o próprio defunto ali embalsamado provavelmente reclamasse: Jackson morreu como viveu, um objeto peculiar diante do escrutínio público, um exemplo vívido de uma nova sociedade que se define através da exposição excessiva e da destruição da própria intimidade.

A morte costuma se tornar também um processo de canonização de ídolos. Um sujeito complexo e muitas vezes detestável como John Lennon se tornou um símbolo da paz mundial. Elvis Presley se tornou um ícone absoluto apenas depois que morreu, depois de um processo de decadência de mais de 15 anos apenas interrompido em 1968 e retomado pouco depois em Las Vegas. George Harrison foi alçado à posição de alma dos Beatles — justo ele, um guitarrista apenas bom, um cantor sofrível e um compositor mediano que deu sorte duas ou três vezes –, e em novembro de 2001 tinha-se a impressão de que Lennon e McCartney não passavam de coadjuvantes diante daquele gênio.

Com Jackson não podia ser diferente. Agora ele está se transformando no maior gênio da história da música, e vai continuar assim até virem os próximos grandes mortos, Bob Dylan, Mick Jagger ou Paul McCartney. Eu ainda estou procurando essa genialidade. Dançarino fantástico, excelente cantor e eventualmente um ótimo compositor, Michael Jackson era um artista competente, sem dúvida. Entre o final dos anos 70 e começo dos 80 teve um momento de absoluto brilho, com dois discos antológicos. Mas até agora ninguém conseguiu entender e separar o que, no fim das contas, era resultado do seu talento como músico, o que era produto de sua máquina de relações públicas, e o que era decorrência de uma felicíssima e única circunstância histórica: Jackson foi o primeiro superstar da era do vídeo, em que a imagem era tão ou — principalmente no seu caso — mais importante que a música propriamente dita, e lhe dava uma dimensão maior da que ele era efetivamente capaz de ter.

Sua importância na evolução da música pop é muito menor do que agora querem me fazer crer. Berry Gordy, que deu uma canja com um discurso no velório de Michael Jackson, é sozinho muito mais influente que o defunto à sua frente, porque foi ele quem definiu o som de Detroit, o que incluía o Jackson 5, Supremes e tantos outros. O que Jackson realmente fez de importante foi ajudar a projetar aspectos da cultura negra americana para o resto do mundo. Milhares de pessoas em tantos países diferentes, que dançam inspirados nele, podem testemunhar isso. No entanto, musicalmente é um ultraje compará-lo aos Beatles e mesmo a Elvis; Michael Jackson estava no nível de uma Madonna, não mais que isso — sendo que volta e meia Madonna consegue se revalorizar, e até lança grandes álbuns como o Confessions on a Dance Floor, de 2005, algo que Jackson não fazia há um quarto de século.

Antes de mais nada, Michael Jackson era um artista decadente. Uma decadência longa, extremamente pública e agonizante: quase 30 anos de uns poucos discos medíocres, de factóides em vez de arte, décadas em que um novo passo de dança mascarava o fato de que ele não conseguia criar boa música. (Sobre o Michael Jackson artista, assino embaixo de tudo o que o Daniel Piza escreveu aqui.)

É talvez por levar em conta o seu status menor que o que lhe é concedido agora, e ter em mente a sua decadência abjeta como poucas antes — mesmo acostumado à genialidade póstuma, à comoção pela morte de um ídolo –, que o seu velório me espanta e me horroriza. Eu ainda não tinha visto nada como isso. O Doni acha que é um momento de fim de era, e Jackson seria o primeiro grande ídolo a morrer nessa época de comunicação total. O Nelson, que está esperando a turnê 2009 do velório de Michael Jackson (brilhante, Nelson), vê nisso a carnavalização da culpa — uma sociedade que expiava ali o incômodo pela pouca importância dada ao astro nos últimos 20, quase 30 anos.

Tanto o Doni quanto o Nelson têm razão, mas algo me sugere que é ainda mais que isso, embora eu não consiga entender nem descrever exatamente o que é. O mundo que vinha se delineando e parece tomar forma definitiva nesse velório é assustador, doente, irreconhecível. O mundo sempre foi um circo, se você soubesse para onde olhar, mas agora é um circo dos horrores. Ainda pior, é onipresente. E isso assusta mais que o rosto deformado de um pedófilo decadente auto-intitulado gênio pairando fantasmagoricamente sobre o seu caixão, enquanto pessoas que pagaram milhares de dólares para ver o seu funeral deliram como numa arena qualquer, diante de uma banda pop vagabunda.

57 thoughts on “O circo dos horrores de Michael Jackson

  1. Quando eu cliquei no link de comentar, estava escrito “sem comentários”. E eu repito: sem comentários. Falar mais o que depois do seu texto?

  2. Musicalmente, o Michael Jackson não me interessa desde o Thriller, tem uma ou outra música boa em Bad e em Dangerous (como Black or white), mas no geral é tudo muito fraco mesmo. O mais impressionante na minha opinião é que ele não era músico desde Thriller mesmo. Tornou-se uma construção icônica de si mesmo. Uma espécie de Walt Disney dele mesmo.
    Por isso que ele parecia tão pouco pessoa. O Rodrigo Naves uma vez disse que ele era uma espécie de Pietá da Pós-modernidade. Acho que tem a ver. Era mais imagem que pessoa, nessa era em que conhecemos as imagens antes das coisas.

  3. pegou pesado com George, cara.

    e acho que esse negócio de “MJ deu sorte de pegar a era da imagem” não cola, é no mínimo um pouco injusto. Porque Beatles tb deu sorte de pegar o inicio da revolução sexual, Elvis deu sorte de pegar o inicio do rock’n’roll de brancos, etc etc. Sorte sempre é um elemento que conta. Mas tirar proveito dela, são pra poucos.

  4. Seu texto é lamentável Rafael. No mínimo. Eu nunca fui grande fã dele, mas respeito e enxergo seu valor. E ele não vem sendo reconhecido após sua morte, mas sempre foi citado sim, por todos os ícones do mundo pop, como uma inspiração. tanto que os artistas que ontem se manifestaram não se tratavam de “vagabundos” mas sim de pessoas renomadas e bastante respeitadas. Não quero ofendê-lo, mas não entendo até onde vai o seu egoísmo em exigir satisfações de uma pessoa que vc sequer conheceu e jamais entenderá a história de vida. Por que exigir dele uma perfeição? Porque ele era público? E você, em sua família, não tem nenhuma excentircidade? Nenhum conhecido seu poderia compor este circo, este espetáculo de horror a que vc se refere? pessoas normais tem sim, problemas e dificuldades em lidar com as pressões do dia a dia (e eu tenho exemplos em família e em meu círculo de amizades), agora imagine isso quando se é alvo de ríticas do mundo todo? Pesado seu julgamento, amigo. Jogou todas as suas pedras. Mas e o telhado, é de vidro? Todos os nossos são, estou certa disso.

  5. Só uma correção: os ingressos foram sorteados, gratuitos. A revenda foi por conta das pessoas que ganharam o sorteio e, óbvio, ninguem esperaria nada diferente. óbvio tambpem que o fato de ter sido gratuito não tenha trazido lucros pra prefeitura de Los Angeles, pro produtor do evento que era o mesmo da turnê This is It e sabe-se lá pra quem mais.

    Concordo com quase tudo o que disse só acho que essa tal genialidade não vem só do artista mas também do show man que ele era. Não dá mais pra sermos ingênuos e separarmos a música dos negócios. Pra mim artista competente é aquele que sabe fazer o casamento entre os dois mundos e tirar o máximod e proveito disso. Mas, claro, Michael era uma pessoa doente (e quem não está doente nesse mundo atual?) e eventualmente as coisas saiam de seu controle. Verdade também que andou marginalizado nos últimos anos e agora virou objeto de uma sociedade norte-americana carente por ídolos de verdade. Mas ainda acho justa a comparação com os Beatles no sentido de ele ter sido um dos agentes mais importantes da história da indústria fonográfica. Sua morte representa sim o fim de uma era na música pop, mas era um fim já longamente anunciado.

  6. Patrícia Matos :óbvio tambpem que o fato de ter sido gratuito não tenha trazido lucros pra prefeitura de Los Angeles, pro produtor do evento que era o mesmo da turnê This is It e sabe-se lá pra quem maisP>

    corrigindo: não significa que o fato de ter sido “gratuito” não tenha trazido lucros. 🙂

  7. “Dançarino fantástico, excelente cantor e eventualmente um ótimo compositor”. Isso aí, um artista ótimo.
    Achei horrível o velório.
    Qdo eu era criança,no interior, os velórios eram aqueles com amigos e parentes, com comida e alguma cachaça para os tios velhos, onde a gente lembrava das coisas boas, esquecia as ruins e se consolava pra seguir em frente.

  8. JV,

    Elvis não deu a sorte de pegar o início do rock para brancos. Ele inventou isso aí. E os Beatles deram sorte de pegar a revolução sexual? E daí? Não consta que eram atores pornôs ou coisa do tipo. Quanto a música, se você quiser comparar o legado dos Beatles com o de MJ, aí já é uma questão de não entender o mundo.

    De qualquer forma eu não neguei o talento de MJ. Aliás, disse que ele foi brilhante durante um curto período de tempo. Apenas ressaltei que ele nunca foi enorme e, além disso, tinha acabado faz tempo. Mantenho o que disse.

    Chris,

    Você disse que não entende o meu egoísmo em exigir satisfações de uma pessoa que eu sequer conheci e de quem jamais entenderei a história de vida.

    Em primeiro lugar, eu não exigi satisfações. Apenas julguei o que me foi jogado pela mídia. Agora eu devolvo a pergunta a você: até onde vai o seu egoísmo em me pedir explicações sobre o que eu escrevi, já que você tampouco me conhece e, certamente, sabe menos sobre mim do que nós dois, juntos, sabemos sobre Michael Jackson?

    Quanto aos excêntricos de minha família, se vier a aparecer algum, eu posso lhe garantir que vamos tentar manter essas questões em privado. É isso que você não conseguiu entender.

  9. Me desculpe se fui ofensiva, Rafael, não tive a intenção – e viva as divergências de opiniões. Só acho que a mídia não merece tanta credibilidade assim… e sorte a nossa não sermos públicos e famosos mundialmente, porque se fossemos… nossos podres também estampariam jornais e revistas e estráimos nós dois sendo julgados por pessoas que nem nos conhecem!
    Entendo você discordar da exposição do velório e tal, mas acho meio perigosas algumas afirmações ou deduções sem que tenhamos todas as informações em mãos.
    Em tempo, parabéns pelo blog.

  10. lamentável seu texto! só concordo com a parte que diz que o velório de MJ tornou-se um circo! e se vc observar na integra…todas as musicas dele são fantásticas e falam com a alma!

  11. O cara já foi muito bom, teve momentos inesquecíveis.
    Mas faz tempo que morreu como artista e desde então perambulou por ai como um zumbi. A morte verdadeira só restaurou a coerência entre o artista e a pessoa.
    RIP.

  12. Ah. E a humanidade do cara já estava tão enfraquecida que lhe negaram até mesmo um enterro decente. Vergonhosa esta mercantilização da morte.
    PS: Post muito bom (Não apenas porque eu concordo… hehehe)

  13. Concordo com a canonização e a teoria da culpa. De um dia pro outro o cara passou de chacota universal ao posto de maior gênio da história da música. Seu lado bizarro foi varrido pra baixo do tapete e as piadas habituais viraram tabu.

    Algum desavisado poderia pensar que MJ era o próprio Messias, já que passou pela via crúcis, foi crucificado midiaticamente e agora que morreu deu origem a uma religião. Teve até culto em rede mundial!

    O mais engraçado foi a reação às charges que se seguiram á morte do sujeito. O Blog dos Quadrinhos do UOL publicou duas e recebeu dezenas de comentários raivosos. Eu mesmo postei uma charge em meu blog aproveitando o timing e tive que debater pra defendê-la… Hoje, inclusive, quase duas semanas depois do fato, deletei uma comentarista nervosa que me chamava de fdp pra baixo, rs.

  14. Ótimo Rafael!! Também achei bem bizarro, contudo ele foi o artista que mais movimentou a indústria do entretenimento e quando falam que não aparecerá, tão cedo alguém igual $$$$ digo que ainda teremos que aturar muita besteira relacionada.
    Quer saber de mais uma bizarrice? Óia: “A Prefeitura de Los Angeles pede doações para pagar os gastos com o tributo a Michael Jackson” @bandjornalismo

  15. bom , eu acho que esse ‘carnaval fora de época’ só tá servindo pra subtituir a GRAAANDE turnê de 2009 de MJ.
    e mesmo com tantos bens , está tudo desvalorizado por conta da divida milionária que ele criou.
    bem , enquanto isso não acaba , e não vai acabar tão cedo , nós seguimos escutando suas musicas e tantos exageros desnecessários.

  16. Meu primeiro disquinho – um compacto que acompanhava aquela vitrolinha em formato de maleta, de um só alto-falante, que ficava na tampa – foi “Got to Be There”.
    Do lado B acho que era Ben (do sombrio filme Ben, o rei dos ratos), que ainda me faz chorar (a canção por MJ, não o filme, que nunca mais vi).
    MJ era meu ídolo, mas só na época do Jackson Five e eu o amo por isso.
    Depois de grande, mesmo com as coreografias e com Thriller, eu até podia perceber uma qualidade e um valor em seu trabalho, mas já não curtia, por alguma razão que desconheço.
    Depois, ele foi só ladeira abaixo, e disso até os fãs mais fiéis daquela época foram se dando conta.
    O trabalho, o estilo, tudo ia se repetindo de maneira cada vez mais caricata, sem a menor inovação nem demonstraçào de sentimento, o cara parecia um boneco – não só devido à sua aparência ou toda sorte de bizarrice que se seguiu.
    Tudo isso (putz) pra dizer que nem entendi por que alguém haveria de se sentir culpado por não ter-lhe dado tanta importância nos últimos 20 anos.
    É notório que ele não fazia muito por merecer essa importância toda -exceto pelos escândalos de que era protagonista, e já não sabemos se propositalmente ou não… nem vai aí alguma crítica,pois talvez ele nem estivesse tão interessado assim afinal.
    Ao contrário da maioria, acho que esse foi sim o funeral que ele gostaria de ter tido, e não o que vocês acham que deveria ser. Toda aquela breguice, pieguice e hipocrisia, o estilo circense, tudo era a cara dele, gente. Sério que vocês não acharam?
    Culpa, eeeeeu?

  17. não quis/quero compara o legado musical dos Beatles com o de MJ.

    mas os Beatles tiveram a sorte de serem 4 rapaz bonitos, jovens, talentosos, numa época em que a juventude estava sedenta por ídolos assim. não existira beatlemanía não fosse a época. (nada a ver com o negocio serem atores pornôs, HAHAH). de forma semelhante, MJ deu a sorte de pegar o videoclipe, a era da imagem, e soube aproveitar isso.

    nunca fui fã de MJ, não conheço mais do q os hits, mas é isso, não acho q dá pra diminuir a importância dele.

  18. Rafael:

    Sua resposta ao Jv, principalmente no tange ao Elvis, foi de uma precisão cirúrgica!

  19. O texto é coerente, toca no “x” da questão. Sempre gostei muito de MJ e na infância curti muito alguns de seus maiores sucessos. Não podemos negar que o artista havia morrido há bastante tempo, mas não o diminuo por tal fato.

    Devemos lembrar que MJ também foi vítima de seu próprio sucesso. Sem levarmos em consideração as atrocidades que possa ter vindo a fazer, foi também muito explorado por todos aqueles que estavam a sua volta.

    abraços.

  20. Rafael,

    Se me permite o julgamento, teu texto ia bem até começar a avaliação da carreira do MJ e dos motivos que o levaram ao estrelato.

    O talento indiscutível de MJ jamais poderia ser comparado ao da Madonna. Ouso dizer que nem ela, internamente, se coloca no mesmo patamar do MJ.

    Se um artista produz obras geniais por menos tempo que outro, isso não diminui em nada a sua genialidade. MJ, realmente, fez apenas 2 trabalhos geniais – Off The Wall e Thriller -. E acho até que não fez mais porque estava cercado dessa mesma gente que comandou esse espetáculo deprimente do seu funeral. MJ sempre foi cercado de pessoas da pior espécie (a maior parte da sua família, com destaque para o pai dele), que tinha como único interesse surfar na fama do artista, em vez de procurar ajuda efetiva para um ente querido com sérios transtornos de personalidade. Pior, ainda fizeram questão de se aproveitarem ($$) das cenas bizarros promovidas pelo cantor.

    Deve ser por isso que MJ adorava a história do homem-elefante…

  21. E devem fazer DVD do velório. Já tou até vendo as Lojas Americanas e a Casa e Vídeo exibindo em várias TVs nas lojas. Um verdadeiro circo dos horrores.

  22. Concordo plenamente, não é deprimente que após a morte, num intervalo de instantes, todos viremos “santos”? MJ morreu e, na mesma semana, documentários e mais documentários surgiam na televisão, com pessoas afirmando o quanto ele era bom, desvalorizado, não pedófilo até. Antes de sua morte, contudo, só se manifestavam aqueles que queriam jogar pedra! E assim, bastou morrer para que um monstro decadente se tornasse o maior ícone de todos os tempos.

    A questão é: por que critica-se tanto os vivos se, aparentemente, há tanta gente para falar bem? Vivemos num mundo em que só se vendem as notícias ruins, o “fulano é um drogado”, “beltrana é uma desequilibrada”. Só a morte traz consigo a necessidade de algum suposto “respeito” pelos personagens da mídia (sim, personagens) – se se pode chamar de respeito tal circo criado em torno daquele que, até outro dia, só levavam pedradas.

  23. Acabei vindo pra cá por indicação do Idelber, que fez uma referência magnífica a este blog lá no Biscoito.

    Estava achando ótimo o texto a respeito do “funeral” e da pessoa do Michael Jackson, uma crítica fina e bem fundamentada, até isto ser escrito:

    “…o rosto deformado de um pedófilo decadente auto-intitulado gênio…”

    Foi bem impertinente essa afirmação. Soou até como uma raiva incontida do Michael Jackson.

    Não sei se ele é pedófilo. Ninguém sabe. Ele nunca foi condenado. Até o acordo que ele fez com a família do moleque que o acusou foi contra a sua vontade e de seus advogados (a seguradora dele achou por bem fazer isso, descobri recentemente).

    E ele não se auto-intitulava gênio. As pessoas o rotulavam como tal. Sequer “rei do pop” ele admitia ser, basta rever suas diversas entrevistas concedidas. Felizmente, ao menos publicamente, ele não puxou ao Joe Jackson.

    Excetuando essa parte final, que pra mim acabou por tirar um pouco o brilho, a crítica do texto é interessante.

  24. @Rafael
    .
    Para começar, a grandiosa frase: “E isso assusta mais que o rosto deformado de um pedófilo decadente auto-intitulado gênio..” e pra justificá-la, outra pérola: “Apenas julguei o que me foi jogado pela mídia…”.
    O Rafael não sei de onde vem, mas o Bueno, é digno do Galvão!!!

  25. Só faltou colocarem o caixão de pé e o botarem pra dar aquela deslizada marota pra trás. Seria o derradeiro moonwalk do Michael.

    A teoria carnavalização da culpa procede, sim.
    Acho que o aspecto mais interessante, embora talvez não seja o mais representativo, desse interesse mórbido sobre o MJ é justamente o fato de ele estar envolto em mistérios, ao contrário do que você diz no quinto parágrafo. Claro, eventualmente bizarrices de sua vida particular vinham à tona, obra de paparazzi e outros oportunistas, ou, quem sabe, de sua própria assessoria de relações públicas. Mas o cara era um recluso, ninguém sabia direito como era sua vida particular, até que ponto era bizarra. Sua transformação física, seu julgamento por pedofilia, suas relações atribuladas com a família, seus casamentos de fachada, seus filhos de aluguel, tudo isso nunca foi bem explicado e estava esperando sua morte para ser mais uma vez revirado. Esses casos reforçaram no imaginário coletivo as várias dualidades instituídas em sua obra audiovisual: branco/negro, masculino/feminino, anjo/zumbi — dualidades espertamente exploradas sem nunca serem resolvidas. Sobre sua obra, de resto, concordamos: brilhante por um breve período, incipiente desde então. E longe, muito longe, da relevância de Beatles ou Elvis.

  26. A carreira da Madonna é mais consistente: ela permanece nas paradas com músicas recentes. No caso de MJ, ele só havia conseguido lançar três albuns de 1991 para cá e os três tiveram relativo pouco sucesso.

    Mas acho os dois superestimados para dedéu.

  27. Cheguei aqui pelo ‘Biscoito Fino’. Bacana sua posição. Fiquei, no entanto, surpreso com a sua surpresa em relação ao episódio. saudações.

  28. “musicalmente é um ultraje compará-lo aos Beatles”

    desculpe, Rafael, mas não pesso concordar. Principalmente porque considero a musica dos Beatles de uma pobreza terrivel. e isto não interfere com a revolução que fizeram e a época em que a fizeram em relação ao que estava para trás.

    já os maiores exitos de MJ são, em termos musicais, geniais. e aqui, conte-se obviamente com a genialidade de Quincy Jones, que sabe mais de musica a dormir que o Lennon e os outros todos acordados…. nunca se esqueça dele e não compare que é quase ofensivo para qualquer arranjo musical do velho e bom Quincy. Os Beatles, coitadinhos, comparando com aquilo, é como diz um amigo meu: só lhes faltava falar…

    Quanto ao funeral, de acordo

  29. Caro COLEGA,

    Embora eu não concorde com boa parte do seu post o respeito como cidadão digno de expressar as suas concepções. Todavia gostaria que os leitores se atentassem ao comentário:

    “E isso assusta mais que o rosto deformado de um pedófilo decadente auto-intitulado gênio pairando fantasmagoricamente sobre o seu caixão, enquanto pessoas que pagaram milhares de dólares para ver o seu funeral deliram como numa arena qualquer, diante de uma banda pop vagabunda.”

    Por mais que eu consiga respeitar opiniões diversas creio que este parecer foi, no mínimo, grosseiro.

    1°) Não existem provas concretas para a questão da pedofilia (… se não há provas, não há crime).
    2°) Quando o MJ se auto-intitulou gênio?
    3°) Como a colega disse acima, os ingressos não foram vendidos, porém se alguns sorteados “aproveitadores” quiseram fazer “ouro” com os seus ingressos qual é a culpa de MJ?
    4°) Creio que “banda pop vagabunda” é um termo pejorativo ofensivo; o que é vagabundo para um pode não o ser para outrem.

  30. Você está totalmente equivocado (exceto quanto ao velório, mas isto é óbvio). Enquanto os beatles suavam pra fazer uns acordes sem graça, havia gente como o pink floyd… se é para comparar os beatles com alguém, que seja justo, compare com uma banda de rock. Além disso, mj, mesmo “decadente”, compos uma das músicas mais interessantes que eu já ouvi, “they don’t care about us”: dizer que mj não se lançava um grande album há 25 anos é um absurdo.

  31. Pois eu já vi algo tão bizarro, tão decadente, tão podre qto o velório de MJ, o governo que vc defende e seus defensores, p ex, onde se incluem os supostos leitores desses blog, que com certeza não são reais, pouco importa se vc sabe quem eu sou ou se ofende com isso, pouco importa se vc bloqueia comentários, não venho aqui todos os dias, muitos menos posto tanto assim a ponto de merecer tão longo post, mas se mereço agradeço de coração, PT é assim mesmo, só faz bobagem e não pode ser criticado, faça o que quiser,pouco me importa se vc e baiano, marciano ou sei lá q bicho, publique o que quiser, e continue defendendo ou se omitindo perante o Sarney e o apoio do mestre! Jornalismo no Brasil é assim, na base da compra e agora sem diploma!

  32. ”O mundo sempre foi um circo, se você soubesse para onde olhar, mas agora é um circo dos horrores. Ainda pior, é onipresente. E isso assusta mais que o rosto deformado de um pedófilo decadente auto-intitulado gênio pairando fantasmagoricamente sobre o seu caixão, enquanto pessoas que pagaram milhares de dólares para ver o seu funeral deliram como numa arena qualquer, diante de uma banda pop vagabunda.”

    Você soube escrever esse texto grande e com bastante bobagem,mas,não deu o importancia de ver o que diz a letra da musica dele e quando o menino cusado de ter sido abusado confessar que foi obrigado pelo pai….é muitos queria mais só mj consegui ter a imagem que ele tem,espero nunca se jugado como vc julgou ele,não tem medo de seu teclado???MJ foi uma pessoa com dificuldades com relação a sua vida por causa de uma infancia dolorosa,vc sabia que ele era esterio por maus tratos do pai?que ele apena queria agradar a muito??quando ele colocou o filho na janela foi para que seus fã vissem,isso vc não deu importancia,mas soubesse julgar,apedrejar…….o que vc escreveu é uma das maiores bobagem que ja li!!escreve uma página falando de vc,com muita sinceridade,ai verá que de tudo temos um pouco.

  33. vc poderia ser mais gentil respeitando as pessoas,pois,quem é fã dele ama muito e ao ler essa bobagem se magoa muito ao ver que ainda existi pessoas tão grosseiras a esse ponto….desculpa mais vc é muito….sem comentario pra vc e mais vou esperar uma pagina falando de vc.o perfeito muito grosseiro,achou que estaria abafanto com isso vc foi ridicularizado com tanto coisa boba,quando não tiver o que escrever escreve mensagens de paz,e não julgamento de pessoas que vc não conhece.nunca julgue um livro pela capa meu caro.

  34. Aparecida,

    Apesar de ser contra as minhas próprias regras, e atendendo a um pedido do Googala, publiquei o seu comentário mesmo sabendo que é em um post inaproriado.

    Se entendi bem, sua raiva é contra jornalistas, antes de tudo. E você acaba de fazer um desserviço à classe.

    Primeiro, por um texto tão longo sem pontos, só com vírgulas. Isso não é um bom cartão de visitas. Segundo, porque você, a despeito de eu viver dizer que não, que eu não sou jornalista, que eu não quero ser jornalista, parece achar que eu sou. Checagem de fatos.

    E se é para você se revoltar, se revolte contra o Supremo ou contra o progresso, não comigo.

    E eu vou seguir o seu conselho e continuar fazendo o que eu faço.

    Volte sempre.

  35. galvão, parabéns pelo seu texto exatamente o que eu pensava sobre o jacko, o cara teve um modismo e de repente virou genio da humanidade, tava fedendo a peixe e a morte o levou a ser o o maior só abaixo de deus, embora muitos achem que não, ainda bem que encontrei alguem que pense como eu . compara-lo a beatles e a elvis é sacanagem, mas como morreu nem jesus dá conta.

  36. Rafael, já tinha ouvido falar de seu blog e sem querer acabei chegando aqui, por meios que só a internet pode explicar…rs. Depois de tantos comentários acima, o meu é só mais um: texto perfeito!
    A partir de agora frequentarei está página.
    Ah, se você não lembrar de mim, vou refrescar sua memória: sou a jornalista que já trabalhou na Secom/PMA e hoje está na Casa Civil/Governo de Sergipe.

  37. “No entanto, musicalmente é um ultraje compará-lo aos Beatles e mesmo a Elvis; Michael Jackson estava no nível de uma Madonna, não mais que isso — sendo que volta e meia Madonna consegue se revalorizar, e até lança grandes álbuns como o Confessions on a Dance Floor, de 2005, algo que Jackson não fazia há um quarto de século”.

    Perfeito, Rafael, perfeito.

  38. Rafael, eu também não entendo de onde vem toda essa “genialidade” do Jackson. Acho que a histeria do momento está obscurecendo o entendimento do público. Jackson foi um “artista” meramente correto, favorecido pelo momento histórico e pela mão esperta de um Quincy Jones, que soube extrair algo de realmente valioso dele. Depois do Thriller, ele virou apenas uma imagem, um passo de dança, e posteriormente, uma bizarrice. Se for para medir talento e importância, só o Stevie Wonder, que se apresentou no velório, vale uns 500 Jacksons. E olha que eu nem sou a maior fã do cara.

    Concordo que a nova “Jacksonmania” seja puro remorso. O público gerou Jackson e para fechar o ciclo, ele tinha de vê-lo se desintegrar em frente às câmeras, só para sofrer de culpa depois. Esse é o fenômeno mais comum da indústria do entretenimento e é isso que gera os astros póstumos, como Jeff Buckley, Ian Curtis, Gram Parsons, Elliot Smith e Marilyn Monroe (que morreu em pleno ostracismo e teve seu estrelato relançado às alturas após a morte). Acho que Nick Drake, outro ídolo post-mortem resume tudo perfeitamente com Fruit Tree (http://www.youtube.com/watch?v=Y8MQcrR4OSc).

  39. concordoem umas coisas no texto,bater palmas no enterro de michael jackson isso e um absurdo

  40. Realmente o enterro de Michael foi um circo, mais uma prova de que quem está por detras disso tudo quer o retorno financeiro!A morte de MJ é muito estranha mesmo, afinal um tempo antes ele estava falando sobre “abrir a cabeça e a mente das pessoas para o que se escuta”..O que será que eles quis dizer hein galera?É isso mesmo que os poderosos querem, quando leio esses comentarios, as pessoas com ódio, criticando as “bizarrices, excentricidades” de Michael estão caindo no lugar comum e no que a mídia oferecer para elas..Genialidade? O que? Me fala se uma Madonna e um Beatles seja la que for da vida , conseguiria criar uma letra como Stranger in Moscow? Que letra linda, critica, que melodia incomparavel parece que o socorro de Mj ecoa por dentro de nosso interior..Engraçado que as bizarrices de Michael só serviram para desprestigiá-lo enquanto tem uma louca de verdade ridicula cantora chamada Lady Gaga, por exemplo, que faz rituais de sangue no palco, veste fantasias demoniacas e faz sérias apologias ao ocultismo e ela é a nova “promessa”? Parem de hipocrisia meu povo e tentem enxergar o que há de alem midia, enxerga o que ha por detras disso tudo, nãos e deixem cegar pelo qu escutam e leiam..Essas cantoras sim, Madonna e todas as cantoras pop estão no topo pela falta de talento e bizarrice!Mas isso a midia não fala né..Porque será hein??kkkkkkkkkk E vamos parar de reproduzir o que não temos certeza..Deixe para Deus julgar Michael pois só o Senhor tem poder para fazer isso e ponto final. Grata!

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