George Harrison

Um comentário antigo do Luiz a um post sobre Michael Jackson me chamou a atenção: ele não concorda totalmente com o que eu disse sobre George Harrison aqui. O Bruno também é um dos fãs de George Harrison.

Então vamos lá.

Quando George Harrison morreu, em 29 de novembro de 2001, nasceu um santo. De repente, George conquistou tudo o que não conseguiu durante sua vida: reconhecimento absoluto como guitarrista, louvor como compositor, consolidação do papel de parte fundamental dos Beatles. Como eu já disse aqui, em alguns momentos se podia ter a impressão de que Lennon e McCartney eram apenas coadjuvantes de um gênio absoluto.

A morte faz isso com algumas pessoas. Cria um mito injusto e exagerado que não sobrevive a uma simples recapitulação dos fatos.

Harrison era um excelente guitarrista, e ninguém diz o contrário. Esforçado, diligente, capaz de repetir o mesmo solo indefinidamente — algo que Jimmy Page, por exemplo, não consegue. Mas ele viveu numa era em que guitarristas excepcionais tomavam conta do cenário pop: Jimi Hendrix, Eric Clapton, Page, Jeff Beck. Harrison não estava à altura deles. Nunca esteve. Aliás, se alguém esquece, alguns dos melhores riffs dos Beatles não são sequer de sua autoria (os de I Feel Fine e Day Tripper, por exemplo, são de Lennon).

Isso não quer dizer que Harrison era dispensável. Sem ele, os Beatles dificilmente seriam a mesma banda. Ao contrário dos Stones, que sobreviveram à saída de Brian Jones com mudanças apenas sutis em seu som, os Beatles perderiam muito de sua própria identidade se Harrison sumisse — nesse caso, seria mais acertado compará-lo a Ron Wood. Os Beatles não seriam uma banda melhor por ter um guitarrista superior como Hendrix — e esse é um dos aspectos mais interessantes do grupo, o fato de que sua importância e permanência não dependia de super-instrumentistas, mas sim da interação única entre eles. Harrison era, sim, fundamental. Mas não única, ou mesmo principalmente, por seus méritos como guitarrista.

Tampouco pelos seus méritos como compositor. Ninguém discute que a primeira grande canção de Harrison tenha sido While My Guitar Gently Weeps — e eu desconfio que sua importância venha principalmente do solo antológico de Eric Clapton. Seus dois outros clássicos são Something e Here Comes the Sun. Essas três canções são de 1968 e 1969; até lá — ou seja, durante praticamente toda a existência dos Beatles –, Harrison não tinha sido capaz de compor nenhum grande clássico, ao contrário dos seus colegas. McCartney e Lennon estavam certos no seu julgamento sobre Harrison: como compositor, ele simplesmente não estava no mesmo nível que eles.

Apesar da colaboração importantíssima de George Harrison e Ringo Starr, os Beatles tinham um núcleo duro bem claro, e esse era composto por Lennon e McCartney. (John Lennon: “Os Beatles eram Paul e eu.”) A relação entre os dois era especial, e todos sabiam disso. Além disso, eram os principais compositores e, digamos assim, os diretores musicais. Mas quando Harrison morreu — e cito especificamente a cobertura d’O Globo — ele foi chamado, literalmente, de “a alma dos Beatles”.

Pelo amor de Deus. Harrison não era suficientemente respeitado sequer pelos seus colegas. Quando Lennon saiu, McCartney e Allen Klein (que morreu há alguns meses) imploraram para que ele não contasse a ninguém, porque a banda acabaria e eles deixariam de renegociar um contrato importante. Quando McCartney passou a perna em Lennon e avisou ao mundo que tinha saído também, a banda acabou. Mas quando Harrison saiu da banda, em meio às gravações do que viria a ser o Let it Be, Lennon simplesmente comentou que poderiam chamar Eric Clapton para o seu lugar. Era uma brincadeira nervosa no meio de um turbilhão, mas com enorme fundo de verdade. Mais tarde, as opiniões de Lennon sobre Harrison não seriam das mais elogiosas — basta ver o que ele diz a respeito do ex-amigo em sua última entrevista à Playboy.

Seu papel na dissolução da banda é também subestimado. Normalmente, as análises mais primárias oscilam entre a culpa de Lennon e a de McCartney. O processo, claro, foi mais complexo, e envolvia uma série de outros elementos. Mas a atitude de George Harrison costuma ser subestimada em excesso.

Seu descontentamento era ainda mais consistente que o de Lennon. Ainda que inconscientemente, Harrison sabotou todas as tentativas de união de grupo em sua fase final — era uma das principais vozes de oposição a McCartney, às vezes mais vocal do que o próprio Lennon. Eu não teria medo em afirmar que ele queria sair da banda muito mais do que Lennon, sempre bastante explícito em relação a isso. E tenho uma idéia do por quê. Lá fora, George Harrison era “O Venerável Beatle George Harrison”, merecedor de um respeito e uma deferência que ele jamais conseguiria dentro da banda e que infelizmente se devia, em grande parte, às qualidades de Lennon e McCartney. Lennon achava que os Beatles o limitavam, e em certo aspecto estava certo, embora essas limitações também o protegessem de micos federais. Harrison não percebia que, ao contrário, era o que mais se beneficiava do fato de ser um beatle: além do seu próprio grande talento, era também caudatário da genialidade absurda dos outros.

Ele tampouco conseguiu avaliar corretamente o seu papel dentro da dinâmica da banda. Em 1992, numa entrevista a uma rádio inglesa, disse que McCartney o tinha destruído como guitarrista. Se isso foi tudo o que ele conseguiu após 15 anos de convivência com um dos mais talentosos músicos da história da música pop, o problema é com ele, e é grave. A relação entre Lennon e McCartney apenas fez com eles dessem o melhor de si, misturando competição e colaboração em doses semelhantes — mas competir com esses dois, e especialmente com McCartney, fez com que Harrison achasse que era um eterno injustiçado e que isso o prejudicou.

O ego de Harrison, definitivamente, o atrapalhou. Não era maior que os de Lennon e McCartney, mas durante algum tempo, pelo menos, foi maior que o seu próprio talento. Em algum momento, Harrison achou que era capaz de sustentar uma carreira solo brilhante e consistente, mesmo quando tomava decisões equivocadas como a Dark Horse Tour, alienando seus fãs ao forçá-los a ouvir horas de música indiana. Quando saiu dos Beatles, resolveu mostrar para o mundo que o peso da entidade Lennon/McCartney estava sufocando um grande talento e lançou um álbum triplo, o excelente All Things Must Pass.

Mais que um álbum, era uma egotrip. Porque embora brilhante, All Things Must Pass poderia ter sido um álbum duplo excepcional, e certamente um disco simples absolutamente perfeito — tão bom ou melhor quanto o John Lennon/Plastic Ono Band. Há gordura demais em All Things Must Pass, um número excessivo de faixas desnecessárias, e essa gordura pode ser creditada a nada mais, nada menos que um ego inchado e sem noção de suas limitações. Em última análise, e independente de sua qualidade, All Things Must Pass é George Harrison gritando “Eu sou tão bom quanto John e Paul!”.

(E é aí que mora a diferença entre Harrison e Lennon. Quando Lennon dizia que os Beatles o limitavam, se referia ao fato de não encontrar na banda um canal para um disco como o Plastic Ono Band e canções como Cold Turkey. Aquilo, realmente, não tinha “cara de Beatles” — como também, por outro lado, bobagens como o Two Virgins; a competição entre ele e McCartney o protegia disso, além de garantir aos dois que suas piores canções continuassem inéditas. Isso não se aplica à obra de Harrison. Todas as suas canções solo poderiam, sem problemas, ser gravadas pelos Beatles. Afinal, eles gravaram Love You To e The Inner Light, não gravaram?)

Noves fora, a carreira solo de Harrison foi medíocre, superior apenas à de Ringo — o que não quer dizer absolutamente nada. Se as de McCartney e de Lennon têm altos e baixos, a de Harrison foi uma trajetória descendente — do brilhante All Things Must Pass ao deprimente Gone Troppo, de 1982. Não foi à toa que, em seus últimos 20 anos de vida, ele lançou apenas dois álbuns solo — sem contar os dois discos do Travelling Wilburys, a excelente banda à la Sgt. Pepper’s que formou com Bob Dylan, Roy Orbison, Jeff Lynne e Tom Petty.

Não é insensato arrsicar a opinião de que Harrison simplesmente não tinha mais o que dizer — por isso preferia se dedicar a aperfeiçoar os jardins de Friar Park, sua mansão que aparece na capa do All Things Must Pass, e a produzir filmes brilhantes como “A Vida de Brian”, do Monty Phyton.

E embora seja algo menos importante, uma das coisas que me impressionam são as referências constantes ao santo espiritualizado e superior ao mundo material que ele era. Porque definitivamente Harrison não era isso — ou, para ser mais exato, era muito mais complexo que isso. Sua generosidade e humanidade imensas são legendárias; mas elas também ajudam a ofuscar o outro lado de uma personalidade fascinantemente complexa. Sua sensação de inferioridade diante de Lennon e McCartney — mais velhos e mais talentosos — era compensada, por exemplo, em sua relação com Eric Clapton. Inseguro, Clapton permitia que sua relação com Harrison seguisse uma hierarquia rígida, na qual o beatle era o ente superior. George reproduzia, ali, a relação que tinha com Lennon, apenas invertendo os papéis. Em cima de alguém ele tinha que descontar, afinal.

Além disso, mulherengo em excesso, George ofereceu a mulher para Eric Clapton para tentar pegar a irmã dela; teve um caso com a mulher de Ringo, seu melhor amigo (e depois, quando perguntaram por quê, ele respondeu simplesmente: “incesto”). E mesmo Olivia Harrison, com quem George teve um casamento bem mais sólido e maduro que o anterior, teve que agüentar a vergonha de ver uma prostituta de Los Angeles (parece que os Beatles tinham uma queda por putas angelenas, a julgar por experiências semelhantes de McCartney) contar publicamente que, enquanto prestava um serviço sexual a Harrison, ele tocava o seu ukulele e cantava uma canção de George Formby.

(A propósito, Harrison ganhou pontos comigo quando fiquei sabendo disso. Não há dúvida: George Harrison, definitivamente, era um grande artista.)

Mas é preciso fazer uma ressalva. Depois de ler tudo isso acima é fácil ficar com a impressão de que George Harrison era um nada, e isso seria uma injustiça. Era um grande músico, capaz de compor canções extraordinárias como Something e All Things Must Pass, e autor de dois ou três discos solo indispensáveis em qualquer discoteca. Não era um grande cantor, mas não fazia vergonha. O problema é que é impossível deixar de compará-lo aos seus parceiros de banda. Harrison não fazia vergonha cantando? Certo, mas não era versátil como McCartney nem visceral como Lennon. É nesse contexto que George Harrison é diminuído: a sombra de dois gigantes como Lennon e McCartney dava a sua exata dimensão. Porque, bem ou mal, ele é o autor de algumas das mais belas canções da música pop, um guitarrista superior a 98% de todos os outros, e um homem cujo nome está na história. Seu único problema é que seus companheiros de banda eram muito melhores que ele. E essa foi a dor que George Harrison carregou até o fim de sua vida.

31 thoughts on “George Harrison

  1. A sombra de Paul e John realmente não foi boa para George. Embora ele tenha conseguido emplacar algumas das mais belas composições do grupo (Something, While my guitar…), o que sobrou para ele foi mesmo o papel clássico de guitarra de acompanhamento/ritmo.

    Talvez ele não tenha sabido se aproveitar da proximidade com Paul e John – mas eu acho que foi falta de espaço mesmo. Aliás, é surpreendente que os Beatles tenham chegado aonde chegaram tendo, por assim dizer, duas cabeças. Mais uma, então, seria impensável.

    Para mim, pra dizer a verdade, Beatles era Paul. É ele que fazia o grupo pronto para consumo. John, tão endeusado depois de morto, era o contraponto, um tempero menos adocicado, mas meio intragável para quem, como eu, não era chegado na sua “viceralidade” (ou chatice). George era aquele que servia para lembrar-nos que Beatles não era só a dupla. E Ringo, bem…, era Ringo, um cara legal.

  2. A verdade é que Ringo e George deram uma sorte danada de pegarem carona no talento de Lennon e McCartney. Tanto Ringo quanto George eram dispensáveis na minha opinião, e a substituição deles em qualquer momento não traria mudanças significativas na identidade, estilo ou qualidade da banda.

    Muito mais importante que os dois foi George Martin, que produziu quase todos os álbuns do grupo.

  3. Pois é, Rafael…como não-fã de Beatles, mas apenas um apreciador de coisas esparsas da banda (fã mesmo sou do Pink Floyd) sempre achei Harrison o melhor de todos. Na minha opinião, All Things Must Pass é melhor que qualquer disco da banda. Mas é questão de estética, de apreciação pessoal. Abraço!

  4. Eu vou com Moses,

    eu acho All Things Must Pass o melhor disco de ex-beatle de todos os tempos. Paul só fez coisas melosas depois dos beatles, algumas baladas muito boas mas nada importante. John ainda teve um ou dois bons LPs, mas depois foi morto antes de dizer ao que viria.

    E não acho que um cara que lança All Things Must Pass meses depois de sair do Beatles tinha pouco a falar. Acompanho as teorias conspiratórias que Paul e John não lhe davam o devido espaço.

  5. Rafael, não vou teimar com os fatos que você elencou.
    E com todas as muitas idiossincrasias da personalidade do George.
    Estavam lá, ninguém discute.
    Mas talvez sejam todos essas falhas que tornem o cara mais próximo dos meros mortais.
    Porque se cada um dos os quatro, de certa forma, forjou um personagem de si mesmos, o de George talvez seja mais frágil, mais imperfeito, mais parecido com ele mesmo, e não a carapaça reluzente que John e Paul criaram.

    E quanto ao George compositor, cantor e guitarrista, é bom perceber que suas opiniões sobre ele evoluiram desde aquele post sobre o MJ, e agora se aproximam das minhas…

  6. Bem, ainda há a curiosidade de George ter sido processado por plágio (não sei no que deu) devido à ‘semelhança’ entre ‘may sweet lord’ do albúm “All things must pass” e He’s so Fine” do grupo The Chiffons.
    O post é perfeito e não é depreciativo, dá o justo valor dele dentro e fora do grupo.

  7. o texto ainda não li. por conta do meu estado de humidade, temperatura, atmosfera e pressão (fora outras variáveis que ainda não percebi), hoje não dou conta. mas eu queria comentar: que fotos lindas!

    a penúltima, com o harrison meio que hippie é linda. o sujeio tá lindo ali. 🙂

  8. Rafael:

    Você disse tudo, porém, nào sei se John ou Paul, disse em uma biografia que li: “o George nos ensinou a tocar guitarra como guitarra, antes dele tocávamos guitarra como se toca banjo”.

    Como você disse, apesar de tudo ele teve um valor especial para os Beatles.

  9. Tarilonte,
    George Martin, né? Eu posso apontar vários grandes álbuns que os ex-beatles produziram sozinhos ou com outros produtores. Agora me mostra o que o Martin produziu depois dos Beatles.

    Radical Livre,
    Acho que você conhece pouco a discografia de McCartney. Aliás, ele tem dois grandes álbuns de rock and roll, melhores que o similar de Lennon, a propósito.

    Luiz,
    A minha opinião sobre Harrison é exatamente a mesma de anos atrás. E a mesma do post. 🙂

    fm,
    George foi condenado por plágio ali. Depois comprou os direitos da canção “original”.

    Serge,
    Era Lennon quem tocava violão com acordes de banjo, e foi McCartney quem ensinou a ele os acordes corretos.

    • George Martin produziu muitos outros álbuns bons além dos Beatles, cito o Blow By Blow de Jeff Beck que para mim é uma das grnades obras instrumentais dos anos 70 com uma versão para a canção Cause We’ve Ended as Lovers de Stevie Wonder que é uma aula de guitarra e um estudo recomendadíssimo para quem quer saber tocar bem.

  10. Pois é, repito a pergunta de João Ricardo acima… acho que houveram algumas grandes canções dele antes de While My Guitar, que ficaram ofuscadas por Lennon/McCartney. Aliás, acho que seu texto reforça exatamente o sentimento dele, de que ele era ofuscado na banda.

    Harrison praticamente criou um gênero com o riff na guitarra de 12 cordas em If I Needed, e depois dos Beatles criou outro estilo com o uso da slide guitar. Não é pra qualquer guitarrista.

    No mais, imagino que vc enxerga isso como fruto de uma inveja contida, mas acho que Harrison era o que tinha o pé mais no chão ali, era o que compreendia que havia mais na vida do que ser um Beatle.

  11. João Ricardo e jv,

    A questão é que essas boas canções de George eram inferiores às boas canções de seus pares. Ele era ofuscado, sim, mas ninguém disse que ele era a pior coisa do mundo. Taxman é legalzinha? Eu diria que ela é mais legal dentro do contexto do álbum, não se sustentando sozinha como, por exemplo, Tomorrow Never Knows ou For No One. É o que eu disse: Harrison era o que mais se beneficiava do talento dos outros. While My Guitar continua sendo o momento em que Harrison ombreou com Lennon e McCartney.

    E Within You, Without You deve ser a canção menos ouvida do Sgt. Pepper’s. A sorte é que ela abria o lado B e a gente podia pular com facilidade. O engraçado é que é a letra de que mais gosto do no disco.

    Quanto ao uso da Rickenbacker de 12 cordas, ele realmente influenciou o Roger McGuinn, que foi o grande expoente do gênero. Não tanto por If I Needed Someone, mas já a partir de A Hard Day’s Night. A questão é que essa influência se deu menos pela sua habilidade como guitarrista do que pelo fato de ele ser o guitarrista dos Beatles. Aquele não era tantoo som de Harrison; era o som dos Beatles, os maiores hitmakers da paróquia na época.

    E quanto ao slide, nem de longe. O nome aqui é Duane Allman. Acho que a grande contribuição de George nesse aspecto, na verdade, foi a introdução da cítara na música pop em Norwegian Wood; o curioso é que Brian Jones usou o instrumento de maneira muito mais integrada alguns meses depois, em Paint it Black.

  12. Em Paint it black, usou depois, sempre depois. Para algumas pessoas o bom é o outro, aquela “estória” Judas era o cara, Jesus não. O bom era um perneta não o Pelé… se manca cara, vá escrever de quem você gosta e esqueça quem você inveja, o George foi um grande músico de slide sim, Clapton mesmo disse. George não precisa de defesa, desempenhou brilhantemente seu papel, na hora certa, lugar certo, se não tivesse talento não ficaria, ficou. Coisa para poucos. É muito fácil fazer depois que alguém fez, Norwegian Wood….

  13. George Harrison não foi condenado por plágio. Ele fez um acordo durante o processo. Num acordo, ambas as partes cedem e não fica nenhuma condenação ou confissão de culpa. Ele comprou os direitos autorais da musica supostamente plagiada e pôs fim a aquele processo, ao meu ver, sem cabimento. No próprio processo foram demonstradas dezenas de músicas com a mesma escala. Isso é comum. Não comprova o plágio.
    Não vou tecer comentários maiores sobre o que Rafael Galvão escreveu. A música é uma arte e não uma ciência exata. Não se pode afirmar taxativamente quem é o melhor e quem é bom. Há uma subjetividade muito grande que o próprio Rafael comprova, sem querer, com suas opiniões.
    Rafael, simplesmente, não gosta de Harrison como gosta de Paul e John. Eu gosto dos 4. Pra mim, Lennon foi um gênio, Paul teve a chance de mostrar seu talento na Banda. Depois dela, desprezo seu trabalho. George não teve a mesma chance, mas marcou o trabalho da banda com seu talento à prova de boicotes e Ringo, um baterista talentoso e com estilo próprio. Discutir quem é o certo ou quem está com a razão é pura perda de tempo.

  14. Sem grandes argumentações, as músicas do George simplesmente soam brilhantemente para mim. Não acho que ele seja inferior a seus pares. Você não acha “a fool on the hill”, por exemplo, tão linda?

  15. Ok, Lennon e Paul eramk supeirores a george mas só quando estavam juntos , nao é? Ou alguém acha que Girl é melhor que Something? Ou Michelle melhor que My While Guitar?

  16. O cara não gostar de um Artista, tudo bem. Achar que um é melhor que outro, mais normal ainda, mas falar uma asneira atrás da outra é duro de aturar. Tentar diminuir GEORGE HARRISON. Gosteido cara que alou Perda de tempo, ótimo, porque ao invés de gastar um tempão escrevendo esta matéria o cara não ficouescutando os excelentes “Back to egg”, “Press to Play”, ” Pipes of peace” e “Give My Regards to Broad Street”, do músico com quem George Harrison deveria ter aprendido alguma coisa. Cara quem é você pra dizer com quem ele deveria aprender?

    A carreira solo de cada um deles prova o que “Radical LivreNovember 3rd, 2009 at 10:35” falou…

  17. Adoro os quatro! Mas morrer eleva o trabalho e a vida de qualquer um….
    Beatles é música e música gente é Paul Mccartney!

  18. Beatles é Beatles..independente do que se queira frizar, foram feitos uns para os outros..

    PERFEITOS!!!!!

    Todo e qualquer tipo de crítica, no que diz respeito a qualidades dos fabfour, é ,era indiscrepância, pecado MORTAL…

  19. So para rebater essas babozeiras questionando a criatividade de george harrison enquanto compositor de tantas musicas como love you too: it´s all too much; i need you, preste atenção no pedal a frente dos arranjos de outras canções do album help; the inner light , elogiada pelo proprio paul e que tinha a dispensavel lady madonna do lado A e only a northern song, esta retirada do sgt pepper por ter um arranjo absolutamente desconcertante e inadequado ao preciosismo estetico a que visava george martin. neste sentido ele tinha razão de se sentir preterido ja que é latente que ele tinha talento e sempre dependia de aprovação de um produtor como george martin que nao simpatizava com o jeito sisudo e cincero de george harrison o que ate hj acontece com pessoas que se acham autorizadas a julgar o injulgavel pois os beatles(os quatro)se somavam e eram um só. Nao existe beatle superior e sim um conjunto pois she said she said seria apenas uma canção de lennon como o foi gimme some truth se tivesse sido lançada no imagine sem a contribuição impar de george na guitarra e nos vocais soando como se as vozes dos dois fossem como um único vocal. because seria igual a oh my love que nao teve a felicidade de ter saido no album branco e ter a contribuição a quase de co autoria desse mesmo george harrison de os criticos de pasquim tanto querem minimizar, ou vcs nunca prestaram a atenção no backing vocal dele se sobressaindo em toda a faixa, ai eu pergunto aos genios de plantão tem three part vocal mais belo que o realizado por eles tres em beacause. o que seria dessa obra de arte sem o vilipendiado harrison? pensem nisso…….

  20. Entendo a dicussão. Há um nível de técnica, ou seja, a execução ou o ato de tocar em sí. Neste aspectos vários musicos poderiam ser considerados melhores que Harrison. Mas e aí? Técnica é técnica e a arte supera este aspecto. Basta ver que o grande composito busca bons musicos e assim grava suas composições e isto é muito comum no nosso país, o Brasil. A discussão é arte. Beatles não é só musica não. Beatles é arte, cultura de um tempo, e principalmente a quebra de paradigmas de uma época. Beatles é arte.
    John era um gênio da humanidade. Suas musicas sempre tem um algo mais especial, ou seja, não é simplesmente uma voz bonita, ou uma seqüência de acôrdes bem escolhida, um solo muito bem executado. As composições de John são um peça de arte.
    Paul, um grande criador sem nenhuam dúvida, tinha uma voz mais doce, menos “agressiva”, mais fácil de ser vendida e tem clara preferencia ou orientação artistica para o pop de boa vendagem, sem que isto signifique demerito.
    John imagina a musica como um instrumento de transformação, e isto não é aceito por Paul, o que prefere uma arte que seja possível vender ao maior número possivel de pessoas. Paul é Paul. Bom compositor, um cara boa pinta que as mulheres adoravam.
    John era o intelectual mais rebelde e estes papeis não eram lá muito justos quando avaliados mais intimamente.
    A primeira fase dos Beatles é o que todos gostam mais: é ai o espirito John, a rebeldia jovem, adolescente, a musica rápida, a batida, o rock, a pegada. Isto é John. John é Help, Paul é Yesterday. John é azedo e Paul é o doce. (caricatura grosseira!) Apenas para lembrar que quando juntos os sabores se combinam positivamente. Sem o o vinagre o Paul é doce demais, previsível demais e lembra um funcionário publico, ou um relações publica fazendo o seu trabalho. Falta somente “picar o cartão”. John sem Paul é um pouco amargo, não tem a leveza que auxilia sua arte ser aceita. John é vinagre.
    John imagina que a musica muda o mundo. Paul entende que a música pode até influenciar o mundo. John sonha. Paul pensa. Qual é o melhor? É errada a pergunta.
    Ringo era o cara divertido. O piadista, o cara que chega e todos prestam atenção em sua sacada de coisas engraçadas. O George era o instrospectivo.
    Estas caricaturas não servem de explicação para o maior fenômeno cultural, popular e artistico do seculo 20. Não é possivel avaliar estas coisas. Melhor sentir e apreciar, e quem sabe estudar. A arte não é uma técnica fria. Com dois acôrdes naturais, o que os caipiras de Barretos (minha terra) chamam de primeira e segunda, um compositor americano emociou a geração inteira. E daí? Precisava de um solo complexo para fazer aquilo.? Não!!! E isto é arte.
    Quem avalia de forma linear um vida dedicada a musica deve entender que está emitindo conceitos sobre a arte, a complexa atividade dos seres humanos de criarem algo excepcional, o que não quer dizer altamente técnico.
    A melhor interpretação de Mr. Postman é dos Beatles. A melhor interpretação de Twist and Shoult é dos Beatles. Seria possivel obtê-las de outras vozes? Dificil dizer. Os vocais de Harrison e MacCartney atrás da voz viceral de John ficaram para a eternidade. Isto é arte.?
    Sou fâ dos Beatles. Não sou muito fan de nenhum dos Beatles após os Beatles.
    De qualquer forma, John procurou ainda dar um sentido maior a sua arte, depois dos Beatles.
    Nixon tentou deportá-lo.
    Se John fosse vivo, muito provavelmente seria mais dificil para um Otário presidente dos EUA invadir um país, produzir uma guerra para ganhar dinheiro e vender a idéia de que a guerra servia para promover a democracia. John tinha um papel maior que sua música e arte.
    Paul merece um profundo respeito como criador, compositor e principalmente por ser um trabalhador incançavel. Harrison merece respeito. Sua musica, e seus três hits da epoca dos Beatles são insuperáveis.
    Quando avaliou o album Abbey Road (Harrison) disse: “A musica que mais gosto é Because”.
    Era uma musica de John.
    Acho Harrison de um caráter impecável. O fato de ter comido a mulher de seu melhor amigo é lastimável, mas não se sabe também se ela o comeu primeiro, ou seja, não é algo que eu queira entrar. Isto é humano e íntimo demais.
    Ringo deu unidade. Quando a coisa estava complicada ele dizia uma piada, ou simplesmente dizia: “Hei vamos produzir’.
    Ringo tinha também seu papel solidificador no grupo. Os Beatles são minha band preferida, sem descartar outras Yes, Pink Floyd, etc. The Who, os Punks, Smiths, etc. etc. Mas os Beatles são os melhores caras que eu posso imaginar tocando junto numa banda. Isto é insuperável.
    Orlando Silva.

  21. Perto de Yamandu Costa, George Harrison não é ninguém
    A única façanha de se adimirar é como esses caras chegaram
    onde chegaram sem tocar nada.

  22. Esta matéria foi elogio?
    O que tem a ver a vida pessoal do cara, se pegou mulher do outro?
    A Partir vivia arrastando asa para o Eric para fazer ciúme a George, pois o marido era mulherengo e o cara ficou doido. O George pegou a mulher dele depois. Mas isto é problema deles.
    O Eric tinha um respeito pelo George e isto era mútuo. George considerava Eric dos melhores e Eric considerava que George, por ser um Beatle, tinha tudo o que queria.
    As pessoas dizem que nos Beatles George não tinha o devido valor para Paul, John e George Martin em relação a composições, porque ele demorou a começar, mas sabiam que tinha. Ninguém acreditava que poderia surgir um terceiro gênio compositor lá, afinal, a maioria das bandas pagavam para alguém compor. Ou tinham um ou dois compositores. Veja, o caso dos Stones, só Jagger e Richards podem compor, Jones compôs algumas e levam o nome dá dupla só. Logo, tem gente muita mais desprezada por aí.
    George não é nem nunca foi santo, tinha seus defeitos. Mas pelas qualidades é que deve ser admirada.

  23. Só hoje vi esse post, tanto tempo depois, mas eu gostaria de comentar também. É Rafael, você provou que não gosta mesmo de George Harrison, o que é direito seu, mas sua análise e avaliação da importância dele para os Beatles são totalmente equivocadas. Gostar desse ou daquele cantor ou instrumentista, dessa ou daquela música é uma coisa, outra é saber reconhecer o talento de um músico, da qualidade de sua composição e sua importância para um determinado gênero. É quase unânime que os Beatles só foram os Beatles por causa da combinação musical de cada um de seus integrantes. Essa combinação forjou o som característico da banda, que não poderia ser obtido com a troca de um ou dois de seus elementos. A bateria de Ringo atendia o que pedia o arranjo, sem mais, nem menos. A guitarra de George em quase todas as músicas trouxe elementos novos para o rock, até então bem básico. George o incrementou com solos e riffs em escalas não muito usuais no gênero. John e Paul criaram um ou outro solo e riff, mas a grande maioria é de George. Ao contrário do que você afirmou sobre a influência da sua Rickembacker de 12 cordas, essa influência não teria acontecido se não fossem os ritmos e solos que ele criou com esse modelo de guitarra. Os próprios John e Paul reconheceram a superioridade musical de George na banda. O documentário “The Beatles Anthology” tem uma entrevista com Lennon em que ele comenta um solo seu numa música, acho que “Get Back”, em que ele diz mais ou menos assim, “George toca guitarra melhor que eu e o Paul, mas de vez em quando eu gosto de fazer um solo”. O próprio Paul, desde o início da banda, já falava da alta qualidade musical de George e que ele era o melhor músico dentre os quatro. Não é à toa que ele criou as belas harmonias e melodias, por exemplo, de While my guitar…, Something, Here comes the sun, Long, long, long. São memoráveis os solos dele em Run for your life e And your bird can sing, Let it be (3 versões de solo), composições de Lennon e McCartney, Slow Down e Bad Boy (Larry Williams), Old Brown Shoe, Something (dele) e Octopus’s Garden (Ringo), as belas frases em She Said, She Said e Don’t Let Me Down, só para citar algumas. George foi reconhecido como um dos melhores guitarristas do rock mesmo antes de sua morte, as opiniões que vieram depois apenas confirmaram o que já se sabia. Se você ouvir as músicas dele com atenção, irá notar nuances na harmonia, frases intercaladas de guitarras e violões, numa riqueza e sofisticação musical sem muitos paralelos. Um grande guitarrista não se mede apenas pelos decibéis que ele retira de seu instrumento ou da rapidez com que ele palheta as cordas, mas também por detalhes, por criatividade e bom gosto, o que George tinha de sobra. Ele foi grande como um beatle e grande em sua carreira solo. A pequena produção fonográfica em comparação a Paul se deve mais aos cuidados de George com a qualidade de sua música do que com uma diminuição da qualidade, esta não se faz com volume, com números, mas com conteúdo. Gone Troppo, ao contrário do que você diz, não é um álbum fraco, símbolo da suposta decadência artística de George, mas marca de sua maturidade, de sua busca pela contemplação da natureza, pela calma e tranquilidade contrastante com a agitação de Londres ou Los Angeles. É um disco para ser curtido nos seus detalhes, assim como todos os outros de George. O que parece ser uma decadência musical, os discos posteriores a All Things Must Pass, são na verdade mostras da riqueza musical de George, que NÃO SE FURTOU em ousar e testar outras sonoridades e escrever sobre temas mais, por assim dizer, mundanos. Para não me estender muito, os Beatles não teriam sido os Beatles só com Lennon e McCartney. A batida aparentemente simples de Ringo e a melodiosa guitarra de George contribuíram substancialmente para forjar a melhor música pop, acredito, de todos os tempos. Acho que ninguém nega que Lennon & McCartney formaram a melhor dupla de compositores, talvez, de todos os tempos, também. Portanto gostar ou não dos Beatles é uma questão de… gosto, mas reconhecer a qualidade musical de todos eles é questão de… conhecimento. George era, sim, um puta músico, um grande guitarrista, nem melhor, nem pior que seus contemporâneos Clapton, Hendrix, Page, Blackmore… mas de estilo diferente, mais limpo, mais econômico, mas nem por isso menos rico.

  24. Enio,

    Uma parte do que você diz no seu comentário já está dito no post: a importância de George para a banda, sua qualidade técnica. Outra está espalhada nos tantos posts sobre Beatles neste blog. Tem uma tag só disso aí.

    Mas eu quero fazer algumas observações quanto ao resto.

    Eu não vejo onde a guitarra de Harrison trouxe uma contribuição tão grande à música pop, como por exemplo vejo no baixo de McCartney. O seu início é extremamente derivado de gente mais ligada ao country como Carl Perkins e Scottie Moore; depois, quando ele se torna mais inventivo melodicamente, é algo bom, claro, mas não espetacular. O post não é sobre George ser um mau guitarrista: é sobre não ser o gênio que os outros eram. Não há em George o desbravamento de novos caminhos que você vê em Hendrix, a exploração das possibilidades do instrumento ou o domínio absoluto que se vê em Clapton.

    (A próposito, o Ian McDonald esculacha o solo de Harrison em Run For Your Life.)

    Não confunda o fato de J&P reconhecerem que George era melhor guitarrista, apenas — o que era óbvio; não foi por outra razão que ele entrou na banda — com reconhecimento de superioridade musical. A história da mágoa de George com a banda é justamente a história da falta desse reconhecimento. O mais interessante é que a guitarra dele cresce justamente por causa da visão musical de J&P.

    Quanto à influência das Rickenbackers, dizer que foi por causa do guitarrista é quase como dizer que tantas pessoas passaram a usar um baixo vagabundo como o Hofner por causa das linhas de McCartney, o que estaria longe da verdade. A influência se deve à combinação do som das Ricks e à fama absoluta dos Beatles.

    E acho que você foi injusto com Ringo: ele não fazia apenas o que o arranjo pedia – até porque isso era o que todos faziam, e em grande parte foi isso que definiu a permanência de suas canções: suas contribuições, aparentemente simples mas muitas vezes inventivas e sempre discretas e de bom gosto, fazem dele um sujeito subestimado. Como disse alguém recentemente, ele podia não ser o melhor do mundo, mas era o melhor para os Beatles.

    Finalmente, acho que a melhor avaliação geral da obra solo de George foi feita pelo George Starostin, aqui: http://starling.rinet.ru/music/harrison.htm. Vale a pena ler.

    (Tomei a liberdade de editar seu comentário para incluir a correção que você fez.)

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