Triste mundo, este que ri dos verdadeiros heróis

A notícia está correndo o mundo: o chinês Sun Meng ficou preso do lado de fora de um edifício enquanto fugia do marido de sua amante, completamente nu e assustado. Por causa desse pequeno incidente, agora o pobre rapaz se diz envergonhado, seus vizinhos não falam mais com ele, sua família lhe voltou as costas.

E o mundo, esse mundo ingrato e injusto que não tem dó nem comiseração, está rindo de Sun Meng.

Assim o mundo moderno dá uma mostra triste da inversão de valores que o progresso nos trouxe. Porque isso não é coisa de que se ria. Pelo contrário: deveríamos todos aplaudir o verdadeiro herói que é esse valoroso chinesinho Sun Meng.

Por que ele está envergonhado eu não sei. Há momentos em que a dignidade e a hombridade exigem apenas a fuga imediata, o auto-sacrifício ainda que seja sobre o ar-condicionado de um edifício.

Até mesmo em um mundo como este nosso, tão distante dos grandes valores de Amadis de Gaula, ainda há coisas que um cavalheiro não faz, coisas que estão abaixo de sua dignidade e de sua honra. Entre elas estão tabus muito simples: não se pega uma mulher bêbada, e não se briga com o marido de sua namorada.

Sun Meng deveria se envergonhar se partisse para o tapa com o senhor marido traído, porque uma coisa dessas é tão feia que Dante sequer imaginou um círculo para tamanho pecado no seu inferno.

É mostra de extrema falta de educação enfrentar um marido que acabou de pegar a mulher em flagrante delito de saliência ilícita. Não é de bom tom confrontar um homem estupefato e descontrolado ao ver sua mulher contorcendo-se na cama com você.

Um homem capaz de bater no marido de sua namorada é capaz de qualquer coisa, é capaz de chutar a barriga de uma freira, e não há limites que o impeçam de rastejar na mais pútrida lama da vergonha humana.

(A Socila, claro, nunca ensinou isso a suas alunas — e por isso definhou até a insignificância absoluta.)

A um cavalheiro nessas horas só resta a fuga. É a única coisa digna e decente a fazer. Há algo de sublime e elevado no desprendimento com que Sun Meng se deixou humilhar, em nome da salvaguarda de sua vida e do que restava da dignidade de um marido incauto.

Ninguém tem o direito de rir de Sun Meng porque ninguém tem o direito de rir de um homem que sacrificou a si próprio em nome de um antigo conceito de honra.

Mas é ainda mais triste ver que as pessoas riem também dos dotes — ou melhor, da sua falta — de Sun Meng, expostos cruelmente às intempéries do tempo e da internet.

Sun Meng se justifica diante de seus predicados mirrados com a desculpa clássica, “estava muito frio naquele dia”. É tão desnecessário, isso. Porque ele não precisa se justificar, depois de feito tão heróico, tão honroso e tão nobre. Sun Meng é um herói e a prova de que a decência ainda existe neste mundo. E por isso os tantos que derivam a este blog em busca de remédios milagrosos para as mazelas do pinto pequeno, a grande chaga que destrói a alma e a auto-estima de centenas de leitores eventuais deste blog, deveriam se espelhar na sua grande aventura.

Vergonha devia ter era o marido da namorada de Sun Meng, que levou um antológico par de cornos de uma titica dessas.

15 thoughts on “Triste mundo, este que ri dos verdadeiros heróis

  1. Tenho pena de mulheres como a namorada do Sung Meng. Existem muitas dessas que têm o azar de casar com um corno.

  2. na china, também, não dava pra exigir muito. e acredito que a façanha de nosso bravo chinesinho estava longe de qualquer centro urbano muito grande (com certeza era grande, afinal de contas é a china), o que possibilitaria à sua namorada o uso dos serviços de algum ocidental – eventualmente até um goiano, no intervalo entre um cliente e outro.

  3. apesar de nunca comentar devo dizer que eu me divirto pacas neste blog,este post está genial.

  4. Grato pelas risadas e pela indicação de Amadis de Gaula. Já li muito Sir Walter Scott, agora vou ler a história, que está disponível em PDF :), desse cavaleiro português.

  5. Galvao, nao fuja do assunto, so vc pra clarear a historia da Uniban.
    Os caras nao sao boiola, boiola adora pink e puta.
    Os cara nao sao machao, machao faria um coro GOSTOSA !
    Daih, num sei.
    Manda aih um forrozao iluminador, pliz.

  6. Tu é um cara meio doente. Teu prazer em se chafurdar na lama da desgraça alheia é assustador.
    Valetudo: bunda da yoko, chinezinho pelado na rua, exumação de escaravelhos …

    Caramba, ninguém acha que o mundo é um mar de rosas, mas tudo tem um limite, porra!

    Desculpe a exaltação, (num tenho nada a ver com tuas neuras), mas penso que um texto dessa qualidade não deveria engessar-se nesse oceano de amarguraas.
    Nessas baixas latitudes onde habitas há praias tão lindas, banhadas por um sol saudabilíssimo e mares revigorantes.

    Aproveite.

    Saia das sombras e, acredite, a vida é bela.

  7. Jesuíno tá bem, Rafael. Tomando todo dia os remédios (chopes e umas batidas de vodka com melaço de cana, invenção mortal dele mesmo). É que de vez em quando baixa nele o Jasiel, o escroto, que é antes de tudo um provocador sem o menor pudor. Mas o cara se manda logo, assim que ele começa a beber. A essa hora ele já está curado, de cara cheia. Tanto que me mandou um e-mail recomendando esta sua postagem – ótima, como sempre.

    Abraço

  8. Zamanha, deixa o jaziel fora disso e, por favor, grafe corretamente o nome do cara, seja ele (o nome) verdadeiro ou não.
    Não Rafael, não tenho me sentido muito bem ultimamente mas, confesso, me conforta ver gente pior que eu.
    não chega a ser um remédio. No no máximo, talvez, um lenitivo.

    Não é o bastante mas é suficiente.

    Boa noite a todos.

    Fui.

  9. Tava aqui pensando: a mágoa do Hélio deriva da identificação com o marido corno ou o com chinês de dote minguado?

    Que coisa feia, Rafael, rir da desgraça alheia 😀

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