Descubro que sou de uma era já passada, em que as pessoas eram educadas para poupar as outras de seus problemas e da exposição desnecessária de suas vidas. Que as vidas das pessoas não precisavam — na verdade, não deviam — ser um livro aberto. E no entanto vivo em um tempo em que a exposição pessoal parece ser a regra. Em que as pessoas ficam famosas por ter vídeos de suas aventuras de alcova publicados na internet, ou por exibir peitos siliconados na TV, nada mais que isso. Não é um mundo que me agrade particularmente — embora eu me veja forçado a confessar que a visão de peitos não me é desagradável, siliconados ou não, firmes ou flácidos. Mas isso não importa, que o que me agrada ou desagrada não é importante e não interessa a ninguém. O problema está no fato de que este não é um mundo que eu entenda, e à medida que vou chegando à meia-idade, ele me espanta mais e menos ao mesmo tempo. Eu sou velho.
Um artigo falando de um livro recente sobre Elvis Presley me chamou a atenção porque o livro parece uma grande bobagem. A sua premissa é a seguinte:
Elvis became a rock-n-roll icon in 1958, but his service in the Army put his career on hold. Upon his return, he got sidelined back into the musical-movie business with less than awesome accolades. His music was still popular, (he was still considered “The King”,) but the move took him in a direction that castrated his creativity; and this kept him isolated from the true impact of the changes going on in popular music, i.e., the British invasion–headlined by the Beatles.
Há aí um erro factual: Elvis se tornou um ícone pop dois anos antes, com o lançamento de Heartbreak Hotel. Mas o problema é que a premissa do livro é incompleta, quase falsa. Não parece compreender os movimentos de Elvis, nem inseri-los em seu contexto. Por isso define os anos 60 como uma espécie de “gap” na carreira de Elvis, que era boa antes e voltou a ser boa depois. E isso não é verdade.
Ao contrário de outros nomes do rock, cujas ações muitas vezes criaram modelos a serem seguidos pelos que viriam depois, Elvis só pode ser entendido em seu próprio tempo. Por isso é um equívoco tentar julgá-lo pelos padrões que a cultura pop estabeleceu nos anos 60 e que, com mudanças aqui e ali, continuam válidos até hoje. A explosão de criatividade e experiências musicais que caracterizaram a música pop nos anos 60 em todo mundo — a Tropicália, por exemplo, não faria sentido em outros tempos — mudaram o papel do artista dentro da indústria musical. Deram autonomia criativa aos músicos e estabeleceram o padrão a ser seguido: o de Bob Dylan e Lennon/McCartney, artistas autônomos, compositores e intérpretes, sempre com algum tipo de posicionamento político em relação ao mundo, e desempenhando melhor ou pior o papel de catalisadores das aspirações de uma geração.
Mas Elvis é de uma geração anterior. Era basicamente um tabaréu do Tennessee, um caipira cujas referências estavam no que havia de mais conservador na sociedade americana.
A partir do momento em que se leva isso consideração, é fácil perceber que suas ações faziam todo o sentido e sua carreira, afinal, foi bem administrada. Tudo o que ele fez depois que estourou como ídolo adolescente — servir o Exército, migrar para o cinema, voltar à música como uma espécie de mela-calcinhas para velhotas dispostas a assistir aos shows em Las Vegas — foi parte de uma estratégia simples, consciente e, dentro dos seus horizontes limitados, sensata de posicionamento comercial.
Nos anos 50 a adolescência ainda estava sendo inventada. E do ponto de vista comercial fazia todo o sentido para Elvis se posicionar como um bom moço de família, um all-american boy com um verniz muito fino de rebeldia, o suficiente apenas para realçar o sabor. Artistas populares costumavam — ainda costumam — vir com prazo de validade. Segundo as regras do showbiz, essas mudanças em sua imagem ampliariam seu alcance e o fariam alcançar novos públicos. Principalmente, evitariam que se tornasse mais um entre tantos ídolos adolescentes que apareciam e sumiam na semana seguinte. Elvis queria a permanência. E sem os compromissos estéticos que a geração seguinte assumiria, esse era o caminho natural. Ele certamente nunca teve nenhuma aspiração a ser um John Lennon ou um Jim Morrison: seu modelo certamente estava mais para Bing Crosby — e, se não me engano, Mario Lanza era um dos seus ídolos. Em um tempo em que o maior nome da música jovem se apresentava em tablados de feiras estaduais, disputando espaço com a melhor torta de maçã ou a maior abóbora ou o porco mais gordo, buscar estabilidade no establishment artístico da indústria de entretenimento americana era algo lógico. Por isso, de volta aos Estados Unidos, Elvis abandonou a música e investiu em sua carreira cinematográfica.
Se o livro realmente se refere esse momento como um ponto baixo, simplesmente não entende a sua carreira nem a construção do seu mito. Porque foi no cinema que Elvis solidificou todas as condições para ser um ícone americano, acima de qualquer consideração artística ou musical.
Entre 1956 e 1969 Elvis Presley estrelou 31 filmes, e durante os anos 60 foi o ator mais bem pago de Hollywood. Eram dois, três filmes por ano. Do ponto de vista artístico ele tem pelo menos um ponto em comum com Pasolini: seus filmes em preto e branco, como King Creole e Love Me Tender, são os únicos que prestam. Se nenhum deles era exatamente um clássico, eram ao menos cinema. Utilizavam de maneira apropriada a imagem de Elvis e construíam uma narrativa a partir daí.
O que se seguiu era muito pior. Elvis era um ator abaixo do medíocre, e seus filmes — com algumas poucas exceções, como Flaming Star, dirigido por Don Siegel — estavam no seu nível. Eram filmes simples e esquemáticos, servindo apenas como veículos para a imagem domesticada de Elvis. Já iam longe os tempo de The Pelvis: em cada filme ele usualmente cantava duas ou três músicas horrorosas, enquanto se via às voltas com moças do século retrasado (sempre brancas e preferencialmente louras, mesmo nos seus filmes no Havaí) e se distanciava cada vez mais da cultura que tinha ajudado a criar.
Essa distância está clara em um filme de 1967, Easy Come, Easy Go, onde Elvis se depara com um grupo de hipsters praticando ioga e debocha deles. É irônico, porque tudo aquilo, em parte, é cria sua, e deriva do seu papel na consolidação de uma nova cultura, na ponte entre a música branca e a negra que ele criou. No entanto Elvis foi um pai desnaturado: isso nunca lhe interessou, essa geração não lhe dizia nada. Elvis mirou no público que considerava mais lucrativo e sólido: o americano médio do interior, o tabaréu reacionário do corn belt. Daí tantos filmes em que ele é caipira, ou soldado, ou qualquer coisa que apele a esse segmento. De certa forma, era a coisa mais honesta que ele podia fazer.
Em 1968/1969, no entanto, ele abandonou o cinema e voltou à música. Não foi à toa. Sua carreira no cinema estava desgastada, ele já não tinha o mesmo apelo de público. Ele tinha envelhecido; o mundo tinha corrido muito mais rápido do que ele era capaz. Por isso o especial de TV Elvis, mais conhecido como ’68 Comeback Special.
É engraçado que críticos se refiram ao programa dizendo que “aqui ele volta às raízes”, “aqui ele volta a tocar com Scotty Moore”, quando nada disso importa. O especial não é uma volta nostálgica ao passado: ao contrário, nesse programa um Elvis de terno branco, com direito a sapato branco tipo Jacinto Figueira Júnior e jaquetão tipo José Sarney (iam longe os tempos do paletó de lamê dourado) aponta para o futuro. É ao cantar If I Can Dream, com toda a canastrice de um crooner da mais reles banda de baile, que Elvis redefine sua carreira e se reposiciona como cantor, brigando por público não com os Doors ou Jimi Hendrix, mas com Paul Anka e Neil Sedaka. O especial representou para Elvis o que o Festival de San Remo representou para Roberto Carlos: a guinada na carreira rumo ao romantismo mais deslavado.
Fãs de Elvis apontam para o fato de ele ter conseguido se reinventar ali. Estão certos, mas esquecem um detalhe: em sua reinvenção, Elvis abandonou qualquer aspiração a alguma importância musical real. Paradoxalmente, agiu com uma humildade impressionante, porque àquela altura, já um ícone da cultura pop americana, ele poderia insistir em voltar ao caminho que o consagrou, se contentando, como Chuck Berry, Jerry Lee ou Little Richard, em reprisar seus sucessos nos palcos e ganhar a vida dessa forma (eu, pelo menos, não consideraria justo esperar outra alternativa: que Elvis, em uma das épocas mais criativas da música popular em toda a história, tentasse ir além no rock and roll). Mas ele era um matuto do interior, não entendia e não queria entender essa história de contracultura. Seu coração apontava para Nixon e para as platéias patéticas de Las Vegas. E, do seu ponto de vista, ele estava certo.
Ao contrário do que o Bia disse nos comentários ao post anterior, não é uma questão de discutir se ateus são mais ou menos tolerantes — eu acho que são, pelo menos por enquanto, mas isso não importa aqui. A questão é o teor classista no texto mencionado no post anterior e no que eu considero ser parte bem significativa da abordagem da classe média em relação aos evangélicos.
O Bia disse que os católicos não são tão intrusivos, “ficam lá na igreja deles”. Isso não é totalmente verdade, e me lembrou aquele branco que diz não existir racismo no Brasil porque pretos podem ir para a escola pública como qualquer branco.
Se a Igreja Católica não parece tão intrusiva é por algumas razões. A primeira é que a gente simplesmente não percebe, porque já faz parte do nosso cotidiano. A segunda é porque ela não precisa. Por exemplo, não precisa criar seu próprio canal de televisão (embora faça isso), porque na maior de todas ela exibe a Santa Missa em Seu Lar há décadas. (Alguém já percebeu que se fala muito do bisonho “Fala Que Eu Te Escuto”, mas ninguém questiona uma aberração como a missa televisada?) Além disso, nenhum meio de comunicação de porte tem coragem de se posicionar claramente contra os valores que ela prega, bons ou ruins. Jornais, rádios — essas mídias não precisam pertencer à ICAR nem vender espaços a ela para lhe dar voz.
Mais que qualquer coisa, no entanto, a Igreja Católica se beneficia de um certo tipo de inércia característico de quem exerce poder há tempo demais.
Os filhos de quantos ateus são batizados na boa e velha Santa Madre Igreja, apenas porque não faz diferença para eles atender a esse desejo do pai ou da mãe ou dos avós? Quantos ateus são padrinhos de crianças, e fazem isso apenas porque gostam de seus pais e querem fazer parte dessa homenagem mútua?
Em tudo isso, são os valores católicos que estão em questão. E sua presença é tão grande que não conseguimos mais ver. A Igreja Católica não precisa ser tão obviamente intrusiva porque seus valores estão tão entranhados na sociedade brasileira que isso seria redundante.
Isso não quer dizer que não seja ativa. E incomoda ver as pessoas continuarem a insistir nessa falsa dicotomia: igreja evangélica ruim, igreja católica boazinha. É essa insistência em ver o diabo nas igrejas evangélicas e os anjinhos na Igreja Católica (e olha que nem mesmo estou falando de padres gulosos e bispos coniventes) que na minha opinião denota o viés classista presente em determinado tipo de abordagem.
Alexandre, nos comentários:
(…) São pobres os eleitores da maioria do legislativo – por óbvio – já que vivemos num país de miseráveis. Há muitos “candidato dos pobres” muito embora todos – ou quase todos, incluindo os bispos – pertençam às elites. O que assusta, Rafael, é que a bancada evangélica está usando a influência e o dinheiro que possui para financiar uma política de retrocesso, de preconceito e de cunho evidentemente religioso. Nada além disso.
Eram pobres também os eleitores de Lula em 2006, e boa parte dos de Dilma em 2010. Mas pobre só vota certo quando vota com a gente. Já os ricos que votam em candidatos identificados com a Igreja Católica, bem, desses ninguém lembra. Ou, se lembra, eles são ruins não porque defendem o ideário da Igreja Católica, mas porque pertencem a partidos reacionários.
O Alexandre certamente não acompanha a influência católica sobre as bancadas parlamentares (os links incluídos no post anterior mostram padres fazendo política rasteira e reacionária em seus púlpitos, mas não parecem ser suficientes). Pois a Igreja Católica exerce muito mais poder sobre os parlamentos do que as bancadas evangélicas. Só recentemente as bancadas evangélicas passaram a ter poder. Mas o atraso não precisava delas: o divórcio civil só foi legalizado há pouco mais de 30 anos, o aborto não foi até hoje. As igrejas evangélicas apenas parecem mais conspícuas e conseguem mais propaganda — por interesses de classe ou comerciais, ou porque sua militância é mais ostensiva. E elas assustam a classe média.
E tem o exemplo do cigarro.
Ele foi usado para mostrar que não é exatamente o proselitismo que incomoda, porque eu sabia que alguém viria defender o antitabagismo ao mesmo tempo em que condenaria o antiateísmo ou anticatolicismo ou anti-qualquer coisa. Se é verdade que o Brasil está ficando menos cordial, a responsabilidade não é apenas dos evangélicos. Alexandre e Daniel acharam que o exemplo do cigarro não se aplicava, porque fumar é ruim. E assim demonstraram o básico: que ninguém se incomoda com pressão social, nem vê ameaças à cordialidade nacional, se são as suas idéias empurradas goela abaixo das outras pessoas.
Cigarro faz mal? Faz, claro. Mas religiões também fazem; a diferença é que cigarros fazem mal a indivíduos que fumam por escolha própria, enquanto religiões fazem mal a sociedades inteiras. A questão, no entanto, não é essa. Quando o Alexandre justificou a perseguição social sofrida pelos fumantes — e como ex-fumante eu sei bem do que estou falando — mas continuou a atacar as igrejas neopentecostais, justificou perfeitamente a escolha do exemplo, demonstrando que quando é a sua fé que está no ataque, ninguém se incomoda muito com essa tal de cordialidade. Ou seja: o evangélico não é cordial quando tenta me fazer abraçar a fé dele, algo que ele sinceramente acha que vai me fazer bem, por errado que esteja, porque certamente lhe fez; mas o anti-tabagista tem toda a razão do mundo quando tenta me proibir de fazer algo que afinal só prejudica a mim.
Tanto o Alexandre quanto o Daniel, imbuídos da ideologia de sua classe — cada vez mais laica, por sorte, e chata, por azar –, se apressaram a defender o bullying que fumantes sofrem, e que é basicamente o cerceamento ao exercício de um direito. Eles não entendem que, assim como para o ateu o militante evangélico é intrusivo, desagradável e burro, para o fumante o antitabagista materializa os mesmos adjetivos. E por isso, quando um certo setor da sociedade reclama do efeito deletério da falta de cordialidade do pobre evangélico que não sabe o seu lugar, mas não vê problemas na agressividade e intrusão dos militantes antitabagistas, definitivamente reflete, também, os valores de uma classe social.
Em política costuma-se dizer que evangélicos podem eleger bancadas fortes nos parlamentos, mas não conseguem chegar ao executivo; porque ainda são minoria, e porque na hora H o resto da sociedade — católica, atéia, xintoísta — se une contra eles. Marcelo Crivella deve ter algo a dizer sobre isso.
Lembro disso porque me incomoda ver alguém falando em “vida dura de ateus”, como neste texto da Eliane Brum republicado pelo Milton há alguns dias. Alguém — não lembro quem nem onde, infelizmente; mas um comentário do Matheus Lopes a esse post no Milton diz basicamente a mesma coisa, e este post do Gravataí Merengue deixa tudo mais claro — já disse que nunca viu um ateu ser perseguido ou espancado por ser ateu. Eu também não vi. Ateus não andam por aí com estrelas amarelas pregadas na roupa. Além disso, ateísmo é praticamente a outra religião da classe média brasileira, muitas vezes disfarçado sob agnosticismo.
Eu gostaria apenas que todas as mulheres que apanham de seus maridos e não podem fazer nada por causa de suas famílias, os negros que nascem pobres e estão condenados a morrerem pobres, e os homossexuais que apanham e morrem apenas porque algum enrustido tem medo do reflexo de si próprio que vê neles tivessem uma vida igualmente dura. Quem entrou na justiça contra o direito de alguém ser ateu, assim como entram contra as cotas, sociais ou raciais? Quantos ateus andam apanhando de uma hipotética Brigada São Tomás de Torquemada, como gays em todo o país estão apanhando?
Isso é mimimi de classe média que está desacostumada ao contraditório, ainda que medíocre, porque ficou fácil defender as idéias de sempre.
Esse, no entanto, não é o ponto principal. O que me impressionou de verdade no texto da Eliane Brum foi o quanto há de preconceito de classe nele. Porque o problema com os evangélicos não é propriamente religioso. É social. O crescimento dos evangélicos assusta em grande parte porque representa a ascensão das classes mais baixas, e cada vez mais o desconforto da antiga classe média é impressionante. Aquela gente feia e brega ocupando sua poltrona nos aviões, lotando os shoppings no dia posterior ao pagamento, causando com seus carros — ônibus não devia ser suficiente para eles? — congestionamentos cada vez maiores; tudo isso tem gerado na velha classe média uma sensação de desconforto e de insatisfação que muitas vezes parece não ter causa definida.
A impressão que o texto me deixou foi essa, a de que o neopentecostalismo incomoda mesmo porque é a religião pouco sofisticada de gente diferenciada, que agora resolve se sentir superior à classe média.
Afinal de contas, a vida naquele táxi foi dura por quê? Porque o sujeito tentou fazer proselitismo? Porque ele demonstrou ter uma certa “pena” por ela ser atéia? — a “superioridade” que ela percebeu em sua atitude a incomodou o bastante para ser notada no texto.
Ele não bateu na jornalista, não a xingou, não a obrigou a fazer nada. Riu. Discutiu, expôs suas idéias, por pobres que sejam. Pelo que li, também posso dizer que o taxista foi respeitoso. Tentou ser simpático e a convidou para se juntar a ele na tal Igreja. Grande parte do que a jornalista inferiu (“O taxista estava confuso. A passageira era ateia, mas parecia do bem. Era tranquila, doce e divertida”) exsuda um paternalismo e um senso de superioridade tão grandes (além do fato de que elogio em boca própria é sempre estranho) que é difícil não ver, nisso, o mais básico preconceito de classe. É quase como se o taxista, além de ser burro por ser evangélico, tivesse esquecido qual o seu lugar ao se achar melhor que uma atéia de classe média.
Crenças, quaisquer que sejam elas, fazem isso com as pessoas. Evangélicos no entanto não estão sozinhos nisso; ateus também costumam se sentir superiores aos pobres supersticiosos que ainda acreditam numa noção de sobrenatural criada na pré-história, assim como uma certa elite cultural se julga superior a quem gosta de Calypso — que por sua vez despreza essa elite que “não sabe se divertir”.
É aí que entra o viés de classe, talvez não percebido pela jornalista. Um preconceito que fica ainda mais claro quando ela fala na tolerância da Igreja Católica ao ateísmo.
Associar as igrejas evangélicas à intolerância enquanto livra a cara da ICAR só pode ser brincadeira. Primeiro, porque em vários campos as igrejas neopentecostais são mais tolerantes que a igreja do papa Bento — costumam ser mais liberais em termos de costumes, por exemplo, aceitando divórcios e uso de preservativos. Segundo, porque basta olhar para as últimas eleições para ver que essa tolerância católica (procure no YouTube por “Dilma e aborto) não tem absolutamente nada de proverbial.
Uma coisa deve ficar bem clara: ao contrário do que diz o texto, o catolicismo não mantém, nunca manteve relação de tolerância com o ateísmo; aliás, tudo o que essas igrejas neopentecostais fazem é copiar procedimentos de evangelização dos primeiros tempos do cristianismo. Quem mantém relação de tolerância são os católicos. Não porque são católicos, mas porque são de classe média, educados em um meio sociocultural naturalmente tolerante, a não ser quando se sente ameaçado pela classe C. Na verdade — e isso os ateus que reclamam de perseguição costumam esquecer — toleram o ateísmo muito mais do que toleram outras religiões associadas às classes mais baixas, como o candomblé e, agora, o protestantismo. Ateísmo é religião de rico, que pode pensar e chegar a conclusões racionais, e essas coisas de rico são vistas com bons olhos pela classe média.
A condescendência com a Igreja Católica, clara no texto, é um dos grandes sintomas desse preconceito de classe disfarçado. Ela não incomoda porque, afinal de contas, faz parte do status quo. Não importa o quanto combata o direito ao aborto, o uso de camisinha, não importa que faça campanha para candidatos de direita — ela é tolerante porque é a religião de uma classe média pouco religiosa, e por isso não representa mal nenhum; afinal, essa classe média pode fazer aborto quando quiser.
Em vez de se alarmar com a “inevitável” destruição do brazilian way of life por essa horda de pobres evangélicos e evangelizadores, essa classe média iluminada devia se perguntar por que, afinal, as igrejas neopentecostais têm crescido tanto. Que respostas elas oferecem ao povo. O fato é que essas igrejas melhoram de verdade a vida dos seus fiéis. Não por causa de uma eventual noção de Deus, mas por causa do apoio de grupo que podem dar em um tempo de desagregação social. Talvez elas devolvam ao indivíduo um senso de propósito e senso de tribo, algo cada vez mais raro na sociedade da informação. Não sei. O que sei é que como antes se reclamava dos pretos macumbeiros, dos ebós no meio das encruzilhadas, e como os franceses hoje reclamam dos muçulmanos com suas burcas e véus, a classe média brasileira se apavora com o crescimento dessa religião de gente diferenciada.
***
Se em vez de ateísmo o tema em questão fosse tabagismo, por exemplo, o diálogo seria bem parecido:
- Esse cigarro no seu bolso… Você fuma?
- Fumo.
- Deus me livre! Para de fumar.
- Não, eu não quero. Eu gosto de fumar.
- Deus me livre!
- Engraçado isso. Eu respeito a sua escolha, mas você não respeita a minha.
- (riso nervoso).
- Eu sou uma pessoa decente, honesta, trato as pessoas com respeito, trabalho duro e tento fazer a minha parte para o mundo ser um lugar melhor. Por que eu seria pior por gostar de fumar?
- Porque cigarro mata.
- E daí?
- A gente precisa viver com qualidade de vida. Se você não parar de fumar, não vai ter qualidade de vida.
- Mas eu não quero isso, eu quero fumar.
- Deus me livre!
- Eu não acredito nisso de qualidade de vida, porque qualidade de vida significa ficar contente como fico ao acender um cigarro. Acredito em viver cada dia da melhor forma possível.
- Acho que você é maratonista.
- Não, já disse a você. Sou fumante.
- É que o câncer não te pegou ainda. Mas ele vai pegar.
- Olha, sinceramente, acho difícil que o câncer vá me pegar. É mais fácil o enfisema. Mas sabe o que acho curioso? Que eu não queira fazer você fumar, mas você queira acabar com o meu direito de fumar. Não acho que você seja pior do que eu por ser anti-tabagista, mas você parece achar que é melhor do que eu porque não fuma. Não era Jesus que pregava a tolerância?
- É, talvez seja melhor a gente mudar de assunto…
Milhares de fumantes em todo o país ouvem isso todos os dias. Nem por isso saem por aí dizendo que “o anti-tabagismo está destruindo a cordialidade brasileira”.
macumba para fazer uma virar prostituta
Vou completar a sua frase e achar que o despacho é para uma mulher virar prostituta, porque não me parece que você tenha algum interesse em fazer uma lhama vender o corpo. Vou além: acho que a mulher é aquela que seu marido está comendo, em vez de comparecer em casa. E aí me pergunto: você não pode ser tão burra assim. Eu não acredito. Porque se a moça cair na vida, e passar a caprichar, aí é que o bobão do seu marido não volta mesmo para casa.
trabalhinhos de adolescente de 31 anos
Tem assim, ó, na APAE.
trabalhinhos evangelicos
Tem assim, ó, na APAE.
gueis asima 18 anos
Agora você me deixou numa situação complicada. Vem cá: para não correr o risco de ser taxado de homofóbico, e levando em consideração o seu respeito admirável à idade mínima legal para fazer saliência, posso pelo menos debochar do seu português? Eu sei, é recurso de última, mas vi a frase e queria brincar com ela, e já encheu saco associar “guei” ao Bia — eu não tenho mais piada para fazer com o Bia –, e se eu fizer piada de bicha vão cair matando em cima de mim que os tempos de Costinha já vão longe e o próprio Costinha já vai longe, e aí me resta dizer porra, acima é com C.
fotos de mulheres com clitoris bem dotados
Infelizmente não sei onde conseguir. Mas algo me diz que se eu arranjar fotos de travestis mal dotados vai dar no mesmo para você, né?
elvis presley usava preservativos?
Não faço idéia. O que eu sei é que quando viu a filha casar com Michael Jackson, enquanto rolava em sua tumba em Graceland ele se arrependeu de não ter usado naquele fatídico dia.
tomei plasil na veia e vi a morte
Mas viu de longe, né? Tanto que ficou aí para contar sua história. E a gente cá fica pensando: nem para ela chegar perto e te levar. Você e o Peter Fonda viram a morte, e se tornaram chatos por causa disso. Mas o Fonda quase morreu de tiro, e você quase morreu de Plasil. Morrer por causa de Plasil é humilhante, eu não contaria para ninguém se acontecesse comigo — a não ser que morresse de cocaína como aquela cantora, e então o Plasil seria uma desculpa válida. Talvez tenha sido por isso que o Fonda ganhou uma música de John Lennon e você ganhou umas linhas cá neste bloguinho vagabundo.
e sina aumenta o pesnes com as mâe
Desculpe, mas complexo de Édipo não é sina, é problema psicológico. Talvez agravado pelo fato de você ter um pintinho tão pequenininho. Seu caso é grave.
exodus e diminuição da libido
Claro que diminui. O filme é um porre. O livro deve ser pior ainda. Não tem circuncisão que aguente um treco daqueles.
arvores barriguda estranhas
Foi o pau-rosa, aquele safado, não foi? Mas tudo bem. Casa amanhã.
porque algumas pessoas são a favor do porte de armas?
Porque algumas pessoas, como você, despertam umas vontades estranhas nas gentes.
efebos pagando boquete
O moço aí quer ser Sócrates, pelo visto. Sonha com a Grécia antiga. Para além dos grandes debates filosóficos e daquela bobagem de cavernas, ele quer mais. Ele quer efebos — efebos altos, fortes, gentis e glabros, um Alcibíades para chamar de seu, jogando aquela conversa de “só sei que nada sei, mas ai, meu gostoso”. E eu sempre disse que nessas faculdades de filosofia só dá viado.
tenho me sentido triste desanimada para tudo hipocondriaca achando que vou morrer com dor de cabeça e no corpo e enjoo o que pode ser
O dotô Rafael Galvão tem uma boa e uma má notícia para você. A boa: você não é hipocondríaca, pode respirar aliviada. A má: pelos seus sintomas, você não passa de amanhã.
todas musicas de rafael galvão
Meu talento musical só é maior que o talento para a matemática, mas vamos lá. “Dá Pra Mim, Gostosa”; “Se Cobrar Eu Não Pago”; “Chato, Eu?”, e o meu maior sucesso: “Não Dei Certo Na Vida, Aí Virei Blogueiro”. Fiz uma grande turnê por casas de boa reputação em Cabrobó, Santa Brígida, Uauá, Capim Grosso e Olho d’Água do Casado. Tive tudo o que um ídolo do rock poderia ter. Certo, minhas tietes eram velhinhas desdentadas — mas rapaz, que boquetes inesquecíveis. Então tive alguns problemas quando disse que éramos maiores que o Google. E aquilo me emputeceu tanto que deixei a música e fui ser gari.
exemplo rimas pobres
Das Dores morava lá no Pavão,
E só tinha vestido de chitão.
Pegava todo dia o mesmo busão,
Para limpar a casa do patrão.
Almoçava sempre no bandejão,
Comia com garfo mas preferia a mão,
Jogava na Sena mas sorte não tinha, não.
Morreu de esquistossomose — um baita buchão
E foi enterrada numa carneira sem identificação.
donaren retard para que serve
Sei não, mas pelo nome é o remédio que você pediu a Deus.
quem botou fogo em roma – galvão
Fui eu, não; foi a Neidinha. A Neidinha era um moço de Goiânia que foi tentar a vida na Itália. Botou peito e botou botox, e de repente todo mundo na bota só falava na nova travesti brasileira que estava tocando fogo em Roma. Ia gente de toda a Europa atrás da Neidinha — dizem que foi ela quem iniciou Ronaldo nas delícias do amor que não ousa dizer seu nome. Aqui no Brasil os despeitados diziam que ela estava na pior — aquilo era estar na pior? Mas Neidinha foi burra, porque se empolgou com o sucesso, achou que ia durar para sempre e cortou o pinto fora, e foi como se tivesse matado a galinha dos ovos de ouro (sem trocadilhos, por favor, que este é um blog de respeito), e então ninguém mais quis saber da Neidinha, oh, Neidinha. Hoje a Neidinha faz programa por quaisquer 10 euros na Via Ápia.
eu lirico é com hifem ou sem hifem
Não sei e não quero saber, porque qualquer pessoa que tenha algo a falar sobre o seu “eu lírico” não me interessa, e dela eu quero distância.
putas loucas a forder na holanda em toda a maneira chopando na piça e levar no cu ouvidos
O luso aí é um triste. Primeiro, por ser português — não tem aquela conversa de melancolia portuguesa? Segundo, por ser analfabeto e escrever “foder” com um R a mais e confundir a velha e boa felação com uma serpentina de chope — também velha e boa, mas ó, pá, tem hora para tudo. E terceiro por ter um pinto tão pequeno que cabe no ouvido de uma holandesa. Na boa: no lugar dele eu também seria um triste.
fotos de freiras depravadas peitos grandes
Finalmente achei, nas brenhas das taras do Google, um irmão em espírito. Uma alma gêmea com as mesmas altas aspirações estéticas. Ou, se preferir, outro doente frustrado como eu.
como fuder uma mina
Dá um tempo, paulista burro, que isso até as cobras do Butantã sabem.
fluoxetina e sertralina tiram o efeito dos anticoncepcionais?
Pelo amor de Deus, não diz uma coisa dessas. Nem em sonho. Porque se tirarem o resultado vai ser outras coisas como você.
porque a galinha não tem umbigo
Porque o umbigo impedia que ela atravessasse a rua.
simpatias para diminuir a vagina
Conheço nenhuma, não, senhora. Mas se ajudar, conte com a minha. Simpatia, claro.
porque os jacares e as galinhas nao tem umbigo e os homens e macacos tem ?
Jacaré tem umbigo, sim. Se duvida, chegue bem perto de um, vire-o de costas e verifique. Se não tiver, volte aqui que eu te pago uma cerveja.
as praias do sergipe são feias
São, mas sua mãe é mais.
como detectar um homem gigolô
Pelo sorriso no rosto e pelo orgulho altivo com que anda na rua.
tem efeito colateral misurar viagra com rivotril?
Não sei. Mas que vai ser muito engraçado ver você dormindo de pau duro, vai; e a moça vai rir tanto que vai estourar a tripa gaiteira, e vai embora porque ela se respeita, e aí para que você gastou o dinheiro do Viagra, mesmo?, era melhor ter comprado só o Rivotril e dormido para esquecer que você não tem mais jeito, é um caso perdido.
putas baratas no limao
Faz sentido. Comida a gente tempera com limão.
como escolher mandioca
Ora, sente em cima.
uma rimas com o nome rafaela
Tem essa menina, a Rafaela
De pele opaca, meio amarela
Quase morreu de erisipela
E também de febre amarela
Moça feia, mas singela
De cara redonda como uma panela
Para burra só falta a sela
E ainda por cima a desgraçada é banguela.
para uma mulher o que e fuder bem
É você parar de encher o saco com suas perguntas cretinas, desocupar a moita e deixar que ela arranje um homem que preste.
que ano os candangos saiu de brasilia o que aconteceu?
Foi aos poucos. De acordo com Niemeyer, os candangos perceberam que morar no Plano Piloto era muito desagradável, precisava de carro para qualquer coisa. Colocaram seus picuás na canga de um jegue e se mudaram para recantos aprazíveis como Samambaia e Ceilândia.
duas gostosas necessitadas dando o cuzinho pra um macaco
Você é doente. E acho que sabe disso. Mas devo reconhecer que sua imaginação, mesmo absolutamente psicótica, é capaz de imagens surreais.
exodo de prostitutas para holanda
Aqueles flamengos miseráveis. Já não basta terem invadido Recife, não basta fazerem todo pernambucano falar com orgulho idiota de Maurício de Nassau, não basta ferrarem nossa indústria açucareira, ainda por cima levam o que nos resta de melhor? Delenda Nederland, é o que eu digo. E devolvam as nossas putas que elas fazem uma falta danada.
existe algum tipo de preconceito semelhante atualmente no brasil justifique
Eu tenho preconceito contra você. E ele é autojustificável.
o que é uma mulher que fode muito
É outro nome para definir uma mulher feliz.
posso ter ficado bipolar por ter usado medicamento?
E a gente pensando que era o contrário, hein? Que coisa.
falta de concentração nó na boca do estômago vontade de chorar
Foi o seu contracheque que chegou, né? Eu entendo sua dor.
o que e classicos da literatura infanto juvenio
Não se preocupe, não são nada demais. São apenas mais alguns dos tantos e tantos e tantos livros que você não leu, a julgar pelo seu português.
fenomenos incomplienssivel
Porra, Cebolinha, para com isso! Eu já lhe expliquei o que é essa sua língua presa, e já disse que não tem jeito! Deixa de encher o saco!
boquete pecado?
É. E por isso você vai mesmo para o inferno. Agora cala a boca e continua a chupar, que o moço já está ficando impaciente.
video devaginas mais feias e fedidas do mundo fazendo sexo
Fedidas, tudo bem. Mas feias? Feias? Não quer procurar pelo Abominável Homem das Neves, não? Vai dar no mesmo.
quais sensações sem o somalium?
Semelhantes às sensações sem o Biafrum e sem o Etiopium: fastio. Esses remédios são uma bosta, tiram o apetite da gente.
simpatias para deixar um homem broxar na cama com amantes
Minha amiga, deixa eu te bater a real, se é que o João Bidu ainda não te ensinou o básico da vida: se o sujeito não broxa nem com você, imagina com carne mais nova, mais bonita e mais gostosa.
fazer cirurgia de hemorroidas particular qual o valor na santa casa de presidente prudente
É um absurdo. Custa o olho da cara. Mas se você for um menininho bonitinho, assim tipo cara de querubim, o padre vai se apiedar de você e vai custar só o olho do cu.
depois de um ano tomando antidepressivos meu marido me deixou
O que mostra que demorou, mas os remédios finalmente fizeram efeito e pelo menos a autoestima dele aumentou.
esposa parou tomar topiramato
E aí ela viu a desgraça com quem tinha se casado, e agora está lhe atazanando o juízo. Volta a dar o remédio dessa moça porque senão quem vai pirar é você.
meu marido toma somalium e dalmadorm É perigoso eu engravidar
Claro que é. Mas não pelos remédios que ele toma: o perigo é sair outra anta que nem você.
tomei rivotril as 8 horas da noite com que tempo posso tomar um cerveja
Qualquer hora. Para um cachaceiro como você, nada vai lhe impedir de encher a lata.
quem dizia que uma boa idéia deve ser copiada
Eu.
como aumentar o volume do penis na calça
Durante anos este blog foi assolado por uma legião de maldotados querendo aumentar seus pequenos atributos de graça. Você, pelo visto, faz parte de uma nova geração, que já sabe que para a sua tragédia não tem jeito e se conforma com a mistificação. Eu não sei se te dou os parabéns ou não.
quando dilma pretende começar o trabalho sobre obolsa famila na cida de de duque de caxias
Tem que ser logo, né? Porque a coisa pelo visto está ficando preta, e se demorar mais um pouquinho você morre de fome.
ted o comedor de empregada ta com aids
Grandes merdas. Os sujeitos que comiam a Sandra Bréa e a Carla Magno também estão — se é que ainda estão vivos, porque elas já morreram, ó, faz tempo. E daí? Vai com teu preconceito de classe para a puta que o pariu, que domésticas aqui são encaradas com o respeito e a mão boba que merecem.
eu sou de virgem e só de imaginar me dá vertigem significado
Além da rima? Olha, entendo muito dessas coisas, não, mas sua vertigem é boa ou ruim? Porque se é boa você é uma moça normal. Se é ruim, você tem problemas e provavelmente vai continuar assim o resto da vida.
meu amante morreucomo eu gostava de trasar com ele
Que merda, né? Condenada a voltar a transar com seu marido. Triste, triste. Só isso justifica qualquer pacto de suicídio.
seu cabra safado
Ah, não. Você de novo? Me esquece. Já passou.
para que serve o furo do filtro de cigarros parliament
Para lembrar onde você vai tomar se continuar fumando. (Essa resposta bonitinha, hipócrita e absolutamente cretina, e que eu escrevi rindo da minha própria cara de pau, é só para compensar as grosserias que falei acima.)
lesbicas transado sadomarxguismo
Depois de anos fuçando o Awstats, finalmente descubro uma nova tara. Isso não é comum: é raro e merece ser comemorado. O sadomarxismo é uma variedade materialista dialética do velho e bom sado-masô. Implica em uma pessoa vestida de rica batendo e sodomizando outra vestida de pobre. Além disso, é indispensável que o masoquista esteja acorrentado a grilhões pesados. Outro detalhe sempre lembrado na ainda parca literatura sobre o assunto é que, em eventuais surubas sadomarxistas, os masôs devem ficar afastados uns dos outros, ou seja: não podem se unir em hipótese alguma. Isto posto, devo lembrar que existem ainda outras variações dessa condição. No sadotrotskismo o masoquista apanha, se afasta e fica xingando o sádico, que ao final lhe bate com uma picareta de borracha na cabeça. O sadoleninismo, por sua vez, é mais violento. Nele, o masoquista se veste de czar russo e diz: “Me chama de Nicolau II! Me chama de Nicolau II!” Mas ainda mais barra pesada é o sadostalinismo. É um sádico só fodendo milhões de masoquistas.
perguntar para o galvao
Não faça isso. Você não vai gostar da resposta.
O problema é que tenho dificuldade em manter minhas promessas.
Quando este blog começou, eu morava no Rio. De lá para cá muita coisa rolou debaixo da ponte, e então eu vejo que sete anos se passaram. É tempo demais.
Comecei este blog por duas razões: dar minha opinião sobre o que quisesse e fazer dele um exercício, me desobrigando de escrever em “publicitês”, e porque na época eu tinha suficiente tempo livro para me divertir com isso.
Ele começou no Blogger.br, e se chamava Pensamentos Mal Passados e tinha um subtítulo: “Um pouco de nada, e nada de muito importante”. Pedi à Dani Parahyba que fizesse um template novo para mim, a partir de um layout que fiz, e finalmente o blog passou a ter a minha cara. A Dani mudou as cores e o resultado ficou melhor do que eu pretendia. Além disso, o blog passou a se chamar Rafael Galvão; o subtítulo sobreviveu mais algum tempo.
Em 2004, cansado do Blogger, comprei hospedagem e transferi o blog para o Movable Type, na época a melhor plataforma de blogs disponível. Além de RSS e outras bobagens, eu passei a fazer meus próprios templates. E cansava rápido dos layouts, e entre 2004 e 26 fiz uma infinidade deles. De alguns lembro bem, até hoje. O primeiro layout tentava aproveitar da melhor maneira possível as idéias do layout anterior, mas isso acabou logo.
Depois, com o tempo cada vez mais escasso, passei a simplesmente pegar templates prontos. Em 2008 o Movable Type se revelou incompatível com o meu servidor e eu mudei para o WordPress, o que acabou de vez com a possibilidade de eu mesmo fazer meus templates.
Praticamente todos os blogs que foram contemporâneos deste se foram para o paraíso dos blogs. Singrando, Escrúpulos Precários, XX Ama XY, Monicômio e NCC, Smart Shade of Blue, Homem Baile, o Tiro e Queda do Bia. Eu sinto falta deles. Tinham talento e leveza, coisas que foram ficando cada vez mais raras na blogoseira. Essa é a minha geração, uma geração que escrevia porque gostava e porque precisava — a ponto de ter cogitado se chamar Blogniks em 2005 –, e que tinha o descompromisso que, na minha opinião, é o que faz um blog. Nós não precisávamos ser lembrados que blog é conversação. Nós sabíamos disso.
E o blog foi mudando, se tornando mais auto-consciente. De uma enxurrada de posts diários (em agosto de 2003 foram 100 posts, a maioria bem curtos) ele passou a publicar um por dia, depois um a cada dois dias — e em todo o ano de 2009 foram 89. Os posts, de modo geral, foram se tornando cada vez mais longos.
Quase dois mil posts, quase 20 mil comentários, e um blog que, apesar de tudo, me dá orgulho. Porque a modéstia é uma moça que eu vi de longe muito tempo atrás, e eu acho que este blog teve alguns bons momentos. Não me envergonho da maioria dos textos, e de alguns eu gosto muito.
Foram tantos blogs que li e admirei nestes anos: o do Ina, o do Milton, o do Allan, os tantos do Marcos, o finado do Tiagón, tanta gente. E isso me lembra que apesar de não acreditar em internet, acabei fazendo grandes amigos a partir do blog. As longuíssimas conversas com o Alex e com a Tata (que eu ainda amo, e vou amar para sempre); a Carol, inesquecível, que me deu com seu marido uma tarde agradabilíssima em Notting Hill; a Viva e o Bruno numa noite inesquecível no Belmonte; a Raquel se perdendo em São Paulo comigo; a Malla que ainda me impressiona pela sua tranquilidade; o Doni na Cinelândia e no Picuí; o Ricardo no Ferreiro ou num boteco de Copacabana; o Idelber nos botecos de fim de noite ou me contando que “Uzbequistão bom, Tadjiquistão ruim” — ou algo assim; e o Bia, talvez o único que lê isto aqui desde o início. Eles provavelmente não sabem o que aprendi com eles. Talvez algum dia eu conte.
Mas a vida passa. Nesses sete anos tanta coisa aconteceu. Mudei de cidade, meu apartamento se incendiou e fiquei sem ter onde morar durante alguns meses, me mudei, me mudei de novo, me mudei mais uma vez e agora não quero mais sair da frente do rio, namorei mais do que é saudável, fiz um bocado de campanhas — algumas inesquecíveis, outras nem tanto –, fui diretor de marketing e secretário de comunicação de uma prefeitura, e diretor de marketing de um governo. Casei de novo, separei de novo. Minha filha, que era quase um bebê quando este blog começou, cresceu para se tornar uma das pessoas que mais admiro neste mundo.
E com tudo isso o tempo passou e escrever um blog deixou de ser tão divertido e sete anos é tempo demais para se escrever um blog e é por isso que este acaba aqui. Obrigado.
E D. João VI voltou à minha cabeça essa semana. Ainda aquela questão sobre a genialidade estratégica dele, que tanta gente parece ter como certa.
O que define um estrategista genial é a capacidade de ver o que ninguém vê e definir as táticas necessárias para concretizar essa estratégia. Ele está à frente dos outros. Estrategista genial era Lênin, por exemplo, que no comecinho do século passado percebeu que havia uma brecha na teoria marxista e que uma revolução socialista poderia ser feita em um cu de mundo como a Rússia, queimando a etapa do desenvolvimento capitalista, e se mandou para a Estação Finlândia.
Por outro lado, em nenhum momento D. João compreendeu que, diante do estado de Portugal e das possibilidades do Brasil, a correlação de forças que caracteriza as relações entre uma metrópole e sua colônia poderia ser invertida.
Estrategista genial D. João seria se, confrontado pelas Cortes Portuguesas, se revelasse um monarca magnânimo e concedesse graciosamente a independência a Portugal. Ele poderia até anistiar Portugal da indenização que o Brasil, tendo sido outro o desenrolar da história, teve que pagar a Portugal.
D. João não podia fazer isso porque era e se sentia português, e era incapaz de ver além disso. Em nenhum momento a sua lealdade, o seu compromisso e a sua identidade estiveram fora de Portugal. Talvez não fosse isso o que a maior parte dos portugueses deixados na mão de Junot pensava, mas para D. João essa era uma das verdades absolutas da vida: ele era português, e Portugal era o centro do seu mundo. Essa visão arraigada não lhe impediu de ver o óbvio: sua escolha foi feita em função do fato simples de que Portugal dependia em praticamente tudo do Brasil. O futuro, do ponto de vista da importância econômica entre os dois países, estava aqui. Portugal, àquela altura, jamais poderia ser maior do que era. O Brasil, no entanto, sozinho poderia ir além dos mais alucinados sonhos de Camões. No entanto, nem essa percepção lhe fez tomar a decisão que seria mais acertada
(Antes que alguém cite inadvertidamente a Revolução Americana como exemplo comparativo de qualquer coisa, é bom lembrar que essa estratégia não daria certo para a Inglaterra. Embora a velha Albion tenha lutado ferozmente para manter seus domínios americanos, naquele momento avançava com rapidez na invenção da revolução industrial. De qualquer forma, ao bom rei Jorge valia mais a pena manter a Inglaterra que um amontoado de 13 colônias que, afinal, basicamente produziam tabaco. Além disso, os Estados Unidos são uma invenção americana: aquelas 13 colônias expandiram seu território e criaram a maior potência do século XX comprando e extorquindo terras de franceses, mexicanos, russos e, principalmente, índios. O Brasil, por outro lado, é uma decididamente uma invenção portuguesa.)
O problema em todos os revisionistas que tentam resgatar a imagem de D. João VI é que exageram na dose e caem no erro oposto. Certo, El Rey não era de todo desprovido de talento; o problema está na confusão acerca de sua natureza. Se D. João tinha talentos, não estavam na capacidade estratégica: estavam na capacidade de fazer política.
Nisso, todos os relatos concordam: D. João sabia lidar adequadamente com as circunstâncias — o que certamente fez no Brasil, negociando com inteligência as relações entre a elite brasileira e a nobreza portuguesa, ainda que de sua forma hesitante e reativa. Esse deve ser um traço estilístico dos Bragança: é algo que D. Pedro II, outro estadista luso-brasileiro injustamente admirado, também sabia fazer, trocando gabinetes de maneira quase sistemática. O que D. João sabia era interpretar as correlações imediatas de força ao seu redor — ou seja, era um bom tático. É isso que faz um bom político. Algo diferente do que faz um bom estrategista, que é simplesmente ver mais longe o que poucos veem.
Em sua história de fuga e rendição, o lance realmente genial de D. João se daria em 1821, quando, ao ver que a elite brasileira estava querendo fazer a independência, aconselhou seu filho a tomar a frente de um movimento pelo qual a família real não era minimamente responsável. Esse senso de oportunidade, se olhado com isenção, é digno de admiração.
Mas isso é política. É a capacidade de se posicionar diante de uma situação apresentada e tentar tirar o melhor dela. D. João era um bom político, de uma estirpe e um estilo que definiu a cultura política brasileira. Só que isso não faz dele um grande estrategista.
***
Essa postura diante de D. João me parece se dever a um certo “modo carioca” de olhar o Brasil, derivado da permanência da cidade como capital econômica, cultural e política ao longo de quase dois séculos. Porque a vinda da família real foi tão importante para o Rio, deveria ter sido na mesma medida para o país inteiro, também.
Por causa dessa presunção se chega a conclusões absurdas. Começam confundindo a renovação de costumes trazida pela chegada dos Bragança com renovação social, o que não é necessariamente a mesma coisa. Além disso, tem gente que credita à vinda da família real a continuidade da unidade territorial brasileira. No post anterior sobre o assunto, o Hermenauta de saudosa memória lembrou que deveríamos considerar a hipótese de a América portuguesa ter se dividido, como aconteceu com a espanhola.
O André Kenji lembrou que há diferenças significativas. Que os espanhóis mantinham colônias autônomas, e enfrentavam grandes obstáculos geográficos, como os Andes, algo diferente da situação brasileira.
Mas tem mais. Muita gente olha para a Confederação do Equador e diz que se não fosse a presença da família real no Brasil, a pressão pela independência e as muitas diferenças regionais fatalmente fariam com que a colônia se subdividisse em uma série de republicazinhas bolivarianas. Bobagem.
Essa atitude centralizadora diante de movimentos separatistas já era parte da administração brasileira antes da vinda da família real — e os pedaços de Tiradentes espalhados por Ouro Preto confirmam isso. Se a Inconfidência Mineira não precisou da presença de D. João na terrinha para ser esmagada exemplarmente, os tantos outros movimentos que se deram depois tampouco.
Foi a formação de uma certa elite administrativa brasileira que garantiu a unidade territorial do Brasil. É engraçado que as pessoas deixem de lado o fato de que essa unidade foi seriamente ameaçada e mantida a ferro e fogo em um período posterior da história nacional: a Regência. Foram aqueles quase 10 anos que definiram de uma vez o que seria o país, quando movimentos importantes como a Revolução Farroupilha, a Cabanagem, a Balaiada e tantos outros foram combatidos e vencidos. Meio século depois, a lembrança dessa época certamente foi fundamental para que o país cometesse o crime genocida de Canudos.
Se a alguém se deve o tamanho do país, seria antes ao Padre Feijó que a D. João VI.
A revista Náutica de setembro passado trouxe uma matéria sobre Thor Heyerdahl e sua famosa expedição Kon Tiki. A revista dá a entender que a teoria que Heyerdahl defendia era válida e provável. Aí lembrei de uma National Geographic antiga, de janeiro de 1971, que traz na capa um relato da viagem do Ra II, também construiído por Heyerdahl.
A viagem do Ra II foi feita para que Heyerdahl tentasse provar uma das teorias curiosas que costumava elaborar: como egípcios e mesoamericanos construíram pirâmides, deveria ter havido algum contato entre eles antes da descoberta da América por Colombo. Para provar essa teoria Heyerdahl construiu um barco de junco e viajou até a América. A primeira não deu certo e ele afundou a 600 milhas náuticas de Barbados. Construiu um novo barco, o Ra II, e aos trancos e barrancos conseguiu chegar à ilha, com o barco fazendo água e meio submerso.
Com isso, Heyerdahl mostrou que a sua teoria era possível.
Mas ele já era famoso muito antes disso. No final dos anos 40, tentou provar que a Polinésia foi povoada pelos sul-americanos. Partiu do princípio de que ventos e correntes marítimas favoráveis, no sentido leste-oeste, tornavam a sua teoria mais plausível do que a ideia normalmente aceita, de que as ilhas do Pacífico Sul — a última região do globo povoada pelo homem, há coisa de pouco mais de mil anos — foram povoadas no sentido oeste-leste. Apontou uma série de indícios linguísticos para embasar sua teoria. Precisava provar também que era possível à tecnologia dos nativos incas da época navegar em direção ao oeste através do maior oceano do mundo. Com a expedição Kon-Tiki, construiu uma balsa para provar sua teoria. Depois de pouco mais de 3 meses no mar acabou dando nas ilhas Tuamotu.
Assim como provaria mais tarde com o Ra II, ele mostrou que era possível, disso não há dúvida. O problema é que nem tudo que é possível é provável. Heyerdahl esqueceu do óbvio: toda a história da exploração por mar se dá no contravento, ou na certeza de sua existência. Não há outra maneira possível.
A explicação é muito simples: velejar contra o vento — especialmente antes da invenção da vela latina, aquela triangular — era a única garantia que qualquer explorador tinha de que conseguiria voltar, caso sua busca não desse em nada. A viagem mais difícil seria a de ida; e quando a comida e água começassem a terminar, era só dar meia-volta que chegariam rapidamente em casa, dentro de um período de tempo facilmente demarcável — e muito menor que a viagem de ida.
Resumindo, um explorador só saía mar afora tendo a certeza da volta.
Colombo só velejou rumo à América, achando que ia encontrar a China, porque já conhecia o regime de ventos do Atlântico Norte, com ventos de leste à altura das Canárias e de oeste um pouco mais acima. Cabral só chegou ao Brasil porque tentava refinar a descoberta de Vasco da Gama de que, afastando-se da costa da África, havia a garantia de ventos melhores — ele apenas afastou-se demais. Os vikings e os irlandeses só chegaram à Islândia, à Groenlândia e à Terra Nova porque conheciam os ventos e a geografia da região e sabiam quais seriam as condições de volta. Um dos tantos motivos que impediram que os chineses, muito mais avançados em navegação do que os europeus até o século XVI, chegassem à América foi a dependência confortável do regime de monções do Índico, que garantiam vento de popa na ida e na volta em um espaço perfeitamente delimitado e que lhes trazia lucros suficientes no comércio.
Nenhum navegador, por melhor que fosse, sairia Pacífico afora a favor do vento, porque isso seria garantia de morte certa. Esse era o principal elemento lógico que tornava a teoria de Heyerdahl fantasiosa. Se a matemática favorecia os sul-americanos, já que a ilha de Páscoa é mais próxima do continente, esses outros fatores se revelavam muito mais importantes.
Ou seja: era possível chegar à ilha de Páscoa com a tecnologia disponível na época. O problema era ter a vontade e a falta de juízo para fazer isso. Heyerdahl só fez essa viagem porque sabia que havia terra a oeste. Difícil seria fazer uma bobagem dessas sem saber absolutamente nada além da certeza de que seria extremamente difícil voltar.
Essa é a principal razão pela qual americanos em geral não tinham absolutamente nenhuma tradição de navegação. A terra e a navegação costeira lhes oferecia tudo de que precisavam; e o regime de ventos e correntes marítimas como a do Brasil não incentivavam muito esse tipo de exploração. Era exatamente o contrário do que acontecia com os polinésios, com pouca terra, condições favoráveis e a mais fantástica habilidade marinheira de toda a história da humanidade.
Foi contra isso que Heyerdahl se “insurgiu”. Quando se defende a sua teoria boba, a única razão é o que parece ser uma certa arrogância europeia, ainda que extremamente sutil. Parece ser um raciocínio curioso: como é o que os incas, maias e astecas chegaram a civilizações tão imponentes e não se aventuraram no mar? É mais ou menos como se perguntar por que portugueses e espanhóis esperaram até o século XV para atender ao que parecia ser a sua vocação natural, e transformaram a Europa de um continente vagabundo e atrasado na civilização que dominaria o mundo nos séculos seguintes. Heyerdahl parecia acreditar que grandes civilizações como a europeia necessariamente dariam grandes exploradores. A tese de Heyerdahl era burra e arrogante — a começar pela idéia de que a Europa era “grande” naquele momento, o que não condiz com o desprezo com os orientais receberam um Vasco da Gama andrajoso, sujo e mendicante –, e é impressionante como ainda hoje tantas pessoas, provavelmente entusiasmadas com a aventura em si do Kon Tiki, digna de todos os elogios possíveis, celebram essa teoria.
A página em português da Wikipedia, de uma mediocridade assombrosa, não contesta a tese de Heyerdahl. A versão em inglês é mais completa; lembra que a comunidade científica nunca levou a teoria do norueguês muito a sério, e que pesquisas de DNA recentes provaram que a teoria de Heyerdahl é só uma grande bobagem bonitinha.
O triste é precisar de exames tecnologicamente sofisticados para provar que uma bobagem é só uma bobagem.
E aí vem alguém e tenta me explicar que uma bandinha nova com uns meninos remelentos enchendo o rabo de dinheiro mas fingindo desespero é a nova sensação do rock? Rock eu aprendi ouvindo Beatles e Stones (até o Exile, pelo menos) e Who e Chuck Berry.
Uns anos atrás o Bia veio babando por um tal de Vic Chesnutt, e aí eu fui ouvir e peraí, e botei o Bringing it All Back Home ou o Blonde on Blonde para tocar, e o fanho continuou me parecendo mais forte e mais moderno que o entrevadinho agora defunto.
Olha como tal bandinha é pesada. Ah, cumpadi, vai ouvir os primeiros do Led Zeppelin. Ou os primeiros do Black Sabbath. Em um tempo em que as pessoas elogiam o Aerosmith, isso deve soar como heresia.
E num tempo em que chamam aquela música horrorosa que toca nas Jovem Pans da vida de rhythm ‘n’ blues, me pergunto o que é que eu faço com Otis Redding. E ainda não sei por que ouvir Camera Obscura se tenho tanta coisa das Supremes na cabeça ainda. Como não sei por que ouvir Vanessa da Matta se a Gal dos anos 70 era tão brilhante.
O fato é que nada, nada mais chama a minha atenção. Nada do que eu ouça deixa de parecer derivado, repetido, requentado. Vivo em uma época em que a música pode até soar nova para quem não tem 60 anos de memória musical na cabeça, mas eu tenho uma memória boa e um HD maior ainda. Eu desisti de ouvir música.