A guerra dos links

Meu pitaco, atrasado como sempre — eu sou baiano, não gosto de pressa — na “Guerra dos Links” que o Alexandre causou há algumas semanas:

O pessoal está dando muita importância a sidelinks.

De qualquer forma, eu sou suspeito para falar. Este blog está lá no alto da lista do Alex. Passo horas conversando com ele, sobre coisas sérias e sobre bobagens. Se fosse para tomar um partido, seria o do Alex, simples. Se não por amizade, por uma questão de lealdade: o LLL é quem mais traz visitantes a este blog. Muitos dos leitores regulares de Rafinha Galvão, com toda a doçura que mamãe lhe deu, vieram através do Alex.

Mas no final, a impressão que ficou em mim foi a de que todo mundo tem um pouco de razão. O Alex tem razão em querer que linkem para o blog dele (e sim, eu concordo que é uma questão de educação linkar de volta; alguém pensa em não devolver um “bom dia” em um elevador só porque não foi com a cara do desconhecido que disse isso ao entrar?); por outro lado, o pessoal tem razão em dizer que isso não se cobra (e sim, eu acho que linka quem quiser, por quaisquer razões).

Quanto a mim, eu linko de volta quem me linka. É simples assim. Coloco os links em ordem alfabética, com exceção do LLL e do Tiro e Queda, do Bia, que estão lá por razões muito pessoais — o Kit Básico da Mulher Moderna também estaria, se a Tata lembrasse que tem um blog. Não serei eu a tentar definir qual blog é melhor ou pior; não me acho capaz, e além disso a classificação alfabética é a mais democrática que conheço.

Não custa nada. Em princípio, linko por uma questão de gentileza e de gratidão, porque alguém considerou o meu blog bom o suficiente para ser recomendado. Mas a vida é engraçada e tem umas coisas de uma tal seleção natural. Uma olhada nos links e eu vejo que gosto de ler os blogs linkados aqui.

Diarinhus online de meninas muito migaaaaaaaaas não me linkam, sei lá por quê. O que é uma pena. Porque eu adoraria trocar figurinhas com essas menininhas gostosinhas de 19 anos que chamam a gente de “mô”.

***

Meu cabotinismo, segundo meus amigos, é enorme. (Eles só dizem isso porque não conhecem o Alexandre.) Mas apesar disso não acho que haja tanta diferença assim, que meu blog seja tão melhor ou pior que todos os outros. É só um blog, tem bons e maus dias.

Isto posto, deixa eu comentar um dos comentários (do Iraldo, que tem um blog/fotolog engraçadíssimo). Ele discordou da parte do decálogo do Alex em que ele dizia algo como “se você não gostar do blog, não volte”.

Não sei se entendi o que o Iraldo quis dizer. Mas tenho uma filosofia simples. Se vejo um blog de que realmente não gosto, eu simplesmente deixo de ler. Uma coisa é gostar do que lê e discordar; outra é simplesmente não gostar e resolver brigar por isso.

Se gostei e discordei, é claro que me acho no direito de comentar sobre isso, de explicar porque discordo. Acho também que isso é uma forma de colaborar, de acrescentar algo ao diálogo. Mas há uma longa distância entre discordar, e apresentar seus argumentos, e sair dizendo que o autor do tal post é um babaca. (De vez em quando aparecem por aqui alguns desse tipo, que eu libero de acordo com o meu humor no dia. Ontem liberei um que me chamava de imbecil, mas eu ando em estado de graça nos últimos dias e pelos próximos dois meses, me xinguem do que quiserem.)

Portanto, para mim é melhor não ler. O número de blogs excelentes aumenta a cada dia. Em vez de perder tempo batendo boca, é melhor passar adiante. É mais fácil viver assim. Dizer que quem escreve um blog está necessariamente sujeito a isso é bobagem; é como dizer que se eu sair de casa não posso reclamar de ser assaltado.

Há mais de 15 anos, quando eu queria ser jornalista, fui entrevistar um senador (ainda tenho a entrevista; é vergonhosa). O sujeito, já velhinho, me deu uma das melhores lições de vida que eu recebi: “Rafael, o segredo da vida é fazer muita raiva aos outros, mas nunca ter raiva”. Ele tinha razão.

Update: acabei de ver os comentários no blog do Alexandre, ainda sobre esse assunto. Continuo achando que todo mundo tem lá suas razões. Assim como também continuo achando que estão dando importância demais a sidelinks. Você realmente gosta de um blog? Fale dele. Diga por que gosta. Linke um post que você achou particularmente bom.

22 thoughts on “A guerra dos links

  1. Caro Rafael,
    O ser humano tem necessidade de se identificar, seja lá com que diabo for! Quando tinha meus 15 anos só usava roupas brancas, azuis ou cinzas. Depois, cresci. E parei de ter listas de preferências. Vivo melhor aceitando como válids idéias alheias, mesmo quando decido levar avante as minhas próprias idéias. Morrer pelo Corinthians ou querer matar quem pensa diferente e escreve isso em um blog, é apenas um colorário da necessidade acima.
    Quanto à gentileza em retribuir quem linka, você já disse tudo. Assino embaixo.
    Ciao.

  2. Quanto aos linques, acho que cada um é livre pra lincar pra quem quiser. O melhor dessa discussão é a historinha do senador, que em uma única frase definiu um estilo de vida! Frase anotada, a dúvida: quem é ele? Dê uma dica, ao menos!

  3. Se não me falha a memória,descobri seu Blog através da Mônica!
    Depois disso,tornei-me um leitor diário destes teus pensamentos “mal passados”.
    Acredito que através dos links,podemos “conhecer” um pouco mais do autor do blog.
    E utilizo os links,como uma forma de facilitar minhas visitas aos meus “favoritos”.

  4. Eu comentei no post do LLL. E o motivo foi, mesmo que pareça contraditório, não dar tanta importância aos tais sidelinks. É o seguinte: eu linko quem eu cismo de linkar. As razões são variadas, e o único que foge da minha ordem alfabética é o Guto, e por motivos óbvios. Fora isso prefiro não fazer um ranking de amigos ou de grandes blogueiros ou do que quer que seja.
    Bom, eu linko quem eu cismo de linkar. Mas eu não faço a menor questão de ser linkada por quem eu linko. O que é link? Um negocinho que você aperta quando aparece uma mãozinha e que te leva pra outra imagem na tela do micro. Só isso.

  5. Ah, agora li o comentário do Paulo. Ele tem razão. Link facilita as visitas. Os links servem, mais do que tudo, a mim. Mas, mudando de assunto que já acabou minha palpitice-linquítica aguda, eu gostei do que disse esse senador aí. O foda é que o mesmo segredo da vida, fazer raiva nos outros, pode ser o segredo da morte. 😉

  6. Sabe que não tenho uma posição muito bem definida a respeito? Meu blog tem o “quer um link aqui é só me linkar”, mas ao mesmo tempo concordo com quem linka mesmo apenas para quem gosta de ler. Existem vários blogs na minha lista que estão lá simplesmente pq os acho muito bons, e não espero deles nenhuma retribuição por isso. Tb escrevo regularmente sobre posts e blogs que gosto… Acho que na verdade, como vc disse, os dois lados acabam tendo razão nessa história de links.

  7. HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!

    Pô, Carol, pega leve aí. 😉

    E Bia, se controla. A Carol ainda não sabe a besta que despertou.:)

  8. Oi. Eu colocava links no meu blog antigo pois era marinheira de primeira viagem, depois quando vi o stress e a prisão que é isso, desisti e não ponho mais. E concordo com o Iraldo e contigo, quando você diz: “Se gostei e discordei, é claro que me acho no direito de comentar sobre isso, de explicar porque discordo. Acho também que isso é uma forma de colaborar, de acrescentar algo ao diálogo. Mas há uma longa distância entre discordar, e apresentar seus argumentos, e sair dizendo que o autor do tal post é um babaca”. Só que muitas vezes, Rafael, não basta a gente escrever bem, argumentar com clareza e mostrar racionalidade; a pessoa dona do blog, na maioria das vezes, só aceita elogios e acha que qualquer coisinha contrária significa um “chamar de babaca”. Tá vendo como é relativo? Tudo é muuuuuuuito relativo na vida. Bisous

  9. “eu ando em estado de graça nos últimos dias e pelos próximos dois meses, me xinguem do que quiserem.)”

    Papai babão!! 🙂

  10. Rafael, eu digo isso como piada, não sei se você lembra do “Tio Sukita”.

    Essa moda de “Tio” pegou por causa dessa propaganda…. E digamos que é algo parecido…

  11. A questão é chata porque cai naquele velho comércio de brodagem que existe na internet, do tipo, você me elogia que eu elogio você. Acho meio falso. E muito link em blog prejudica quem de fato você gosta.

    De qualquer forma, preciso urgente atualizar a minha lista. Tem muita gente boa de fora.

  12. Rafael, não penso tanto nos links (ô discussãozinha boba, link,link,link…) mas no porque do blog. Você encontrou o tom. O Alexandre a muito tempo. Mas eu ainda não encontrei, fico travado, o texto pedante, ineficiente, não consigo atingir uma intimidade com o assunto. Mas sei que no blog tem algo que gosto e que quero. Quem dabe com o tempo!

  13. Rafael, acho que a discussão linke-quem-te-linke versus linke-quem-você-lê-sempre-e-gosta é uma discussão sobre como a gente se relaciona com o outro. É uma conversa importante, que de bobagem não tem nada. Vejo razões nas duas posições, dependendo do contexto. Seria chato escrever muito aqui sobre isso, então remeto os seus leitores a um post meu sobre o tema:

    http://idelberavelar.blog.uol.com.br
    (post do dia 09/12)

    Gosto muito do post que o Smart fez sobre a coisa também:
    http://smartshadeofblue.brblog.com/archives/000923.html

    Embora veja as razões do Smart, admiro muito blogueiros como você e o Alexandre, que mantém a ética da reciprocidade. Mas para quem é novato como eu, há que se estar atento para o perigo que a Anna Carolina aponta, a troca de favores que acaba tolhendo liberdades de pensar e escrever o que se queira. Abraços, Idelber

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