Ainda o acidente da TAM

Nos comentários ao post anterior, em geral as críticas mais pesadas ao governo evitam citar fatos, com exceção do Júnior que coloca palavras nas bocas dos outros comentaristas para refutá-las. Ficam na generalização, na indignação fácil, na conexão forçada entre uma crise pela qual o governo é, sim, responsável e um acidente que poderia ter acontecido em qualquer aeroporto do mundo.

Faz-se isso porque é fácil. Há uma crise grave, que se prolongou por inépcia do governo. Qualquer crítica à postura do governo é bem recebida porque há uma predisposição a culpar o governo por qualquer coisa, e uma imprensa que trabalha essa predisposição diuturnamente.

Mas um mínimo de honestidade é necessário. Que se critique o governo por aquilo em que ele realmente tem responsabilidade, como faz o Sergio Leo, embora eu discorde em aprte da lógica final. Ou que, no que diz respeito especificamente ao acidente, se critique a postura de Lula nos momentos que se seguiram. O presidente cometeu um erro grave ao não ir imediatamente para Congonhas, como fez o Serra. O mais engraçado é que a sua reação — a de convocar uma reunião para discutir o assunto — é em princípio mais útil do que ir ao local do acidente, porque ali não havia nada a fazer além de dar a impressão de solidariedade. Qualquer um sabe disso; mas sabe também do “Princípio de Pompéia”: à mulher de César não basta ser honesta, tem que parecer honesta.

Pode-se também criticar a atitude do Marco Aurélio Garcia e do Bruno Gaspar. (O MarcosVP chega a falar em “equívoco moral” e cobra respeito à família dos mortos, e termina o post dizendo: “E ACM finalmente morreu. Menos um pulha nesse mundo.” O MarcosVP expressa no post suas certezas ideológicas e seu prazer em ver a morte de alguém. Mas abriu uma brecha para que a família do finado e alguns milhares de baianos que idolatravam o defunto possam dizer dele a mesma coisa: “A frase é um equívoco moral”.)

Obviamente, é mais fácil reclamar de integrantes de um governo que, no meio de uma crise que não sabe administrar, fica aliviado por ser eximido de uma responsabilidade que não é sua. Bem mais fácil, por exemplo, do que reclamar daqueles que, desde o início, utilizaram o episódio para enfraquecer o governo através de um grande sofisma. Claro que os assessores fizeram uma grande imbecilidade: em tempos de sítio, podiam ter fechado a cortina. Agora, dizer que aquilo é um chute no povo é se fazer de ingênuo e fingir que não existe uma luta política. As coisas não são tão simples. No momento em que se soube do acidente, já se começou a dizer que, fosse de quem fosse a culpa, ela seria do governo. É só ver o Reinaldo Azevedo, que fez dez posts descendo a lenha no governo para só então lembrar de prestar suas condolências às vítimas. Ninguém está descansando.

O nome disso é política. Não é jogo de inocentes e ninguém espera que seja. O que os assessores comemoraram, ali, foi um lance nesse jogo: o de que, caso aquela informação fosse confirmada, seria mais difícil imputar ao governo a responsabilidade direta pelo acidente. Por isso é canalhice esperar que a imprensa bata no governo e lhe impeça ao menos o direito de ficar feliz porque uma jogada não vai dar certo Quando o MarcosVP reprova o gesto do Marco Aurélio alega uma tal de “liturgia do cargo” (só um parêntesis: o assessor não ganha para representar o povo deste país. Quem representa o povo são os deputados estaduais e federais. O assessor é pago para servir ao povo através de seus representantes). Bobagem. Era um momento privado. Daqui a pouco o Marco Aurélio vai ser proibido de ir ao banheiro do Planalto porque, “na liturgia do cargo”, um assessor do presidente não pode se arriscar a esquecer de trancar a porta e ser pego por uma câmera da Globo com as calças arriadas lendo o Correio Braziliense.

Outra parte dos comentários traz de volta o fantasma de FHC. Diz que se fosse com FH a “PTzada” estaria fazendo uma festa. Quem diz isso tem memória curta e pouco conhecimento, porque isso já aconteceu em Congonhas. Naquela época não se falou na responsabilidade direta do governo, embora já se criticasse o simples fato de Congonhas estar onde está. A mesma crítica ainda cabe ao governo.

Mas, no fim das contas, colocar na crise aérea a culpa por um acidente trágico continua sendo um grande sofisma. Sobrecarga, tráfego — tudo isso só valeria se o avião estivesse em um momento em que esses elementos (que existem e que são, sim, responsabilidade do governo) influenciassem diretamente no acidente. O governo tem toda a responsabilidade pela crise. Mas não tem responsabilidade específica pelo acidente com a TAM.

***

O GPC fez uma pergunta ingênua: “o que quer dizer exactamente isto: ‘todo mundo que vai a São Paulo faz pressão para pousar em Congonhas’? Quem? Como?” Ele não parece ter ido para São Paulo alguma vez na vida e tido a chance de escolher entre Cumbica e Congonhas. Não deve fazer idéia da distância do aeroporto de Guarulhos; acha que todos os governos, presente e passados — e aqui não se está desculpando o governo Lula pelo seu quinhão –, sobrecarregaram Congonhas pelo simples fato de gostarem do nome, ou de serem afeitos ao singelo esporte da roleta russa. Mas provavelmente sabe o que é lei de mercado, e como é natural que as empresas aéreas, sabendo da demanda, façam pressão para levar a maioria dos vôos a um lugar que, na minha opinião, só deveria receber a ponte aérea.

Mas o GPC fez um comentário não tão ingênuo assim: “A censura ou filtragem dos comentários a posteriori é obviamente imprescindível, mas a pré-aprovação não. Soa a censura, a uma rigidez desnecessária, a uma nefasta tendência fascistóide.”

E aqui eu vou mais uma vez repetir o que já disse tantas vezes: me enche o saco quem cobra democracia na casa dos outros. O blog é meu, os critérios são meus. Isto aqui não é repartiçào pública nem puteiro de interior. Eu decido o que é publicado automaticamente, o que é moderado e o que vai para o lixo, assim como decido quem entra ou não na minha casa. Não ofereço justificativas além da minha livre, soberana e caprichosa vontade e de uma certa crença na propriedade privada. E eu adoro ser chamado de fascistóide.

29 thoughts on “Ainda o acidente da TAM

  1. Fui aluna do Marco Aurélio. O cara é um lord. Mas mesmos os lords, em seu momento privado, costumam ter atitudes/reações diferentes do que a convenção manda.
    Pois é, eu não vi ofensa nenhuma, vi uma pessoa aliviada ao ver que a responsabilidade jogada nos ombros do governo não era real.
    Mas ai acho que cabe um puritanismo, né? no estilo…”olha o gesto que ele fez!!!”…oh….
    Por isso essa imprensa merrequinha me dá engulhos.

  2. Rafael,
    Não estou totalmente a par das investigações e de todos os desdobramentos, mas te digo o seguinte:
    Concordo inteiramente com esse seu post se, e somente se, for conprovado que a má qualidade da pista do aeroporto não teve participação alguma nesse acidente. Se o piloto errou então tudo bem, agora se uma pista melhor pudesse ter evitado esse acidentte, mesmo com o erro do piloto, aí acho que o governo tem responsabilidade no ocorrido. Se, por acaso, uma área de escape maior pudesse ter ajudado de alguma forma o avião a não se acidentar, mesmo com o erro do piloto, então de alguma forma o governo tem responsabilidade. Acho que a questão aqui seria a seguinte: se o avião tivesse pousado, por exemplo, em Cumbica … na mesma situação, com o piloto hajindo da mesma forma, a aeronave com os mesmos problemas (se é que teve algum) … esse acidente ocorreria? Se a resposta for “não, porque cumbica tem x y e z características ou dispositivos de seguransa que, mesmo com o erro do piloto, impediriam o acidente” então sim, o governo tem responsabilidade. Em uma operação delicada, como o pouso de um avião, todas as medidas de seguransa deveriam ser tomadas, mesmo para impedir um acidente em caso de erro do piloto.
    Não estou afirmando nada, só questionando. Se por um lado tendo a pensar que o governo nada tem que ver com esse acidente, por outro lado não posso fingir que não ouvi diálogos gravados entre pilotos e torre de controle onde há claramente uma preocupação com a situação da pista em congonhas. Se o fato de a pista estar em condições ruins, por alguma razão, induziu o piloto ao erro então sim, o governo tem responsabilidade. E o governo (aqui não só a gestão atual mas sim historicamente falando) municipal tem responsabilidades no caso da morte das pessoas no prédio por não ter feito um plano diretor que deixasse uma área de escape claramente ao redor de congonhas. A pergunta ainda resta: se estivesse a pista de congonhas nas melhores condições o acidente mesmo assim teria ocorrido? Só quando alguém confiável me disser uma resposta clara eu vou decidir por mim o papéu do governo nesse acidente. A imprensa e os políticos não têm influência sobre mim nessa questão.
    Grande abraço
    Marlon

    p.s. Cumbica, com todo o respeito, fica na pqp. Se você for chegar em sampa para uma reunião e for descer em guarulhos é melhor vir com antecedência por causa do trânsito e preparado para gastar uma fortuna em transporte. Se houvesse um trêm rápido que ligasse a cidade ao aeroporto a maioria das pessoas preferiria descer em cumbica, tenho certeza. Era mais fácil investir em infrestrutura e tornar cumbica facilmente acessível do que fazer de congonhas, sem condições, o aeroporto mais movimentado do país.

  3. Rafa, me desculpe. Vim ao seu blog discutir em bons termos. Não achei que você ia ter a má fé de me usar como exemplo no teu post, e pior: um exemplo completamente descabido.

    Eu tenho um amigo que é comandante de A320 da TAM. Dois dias antes, ele quase sofreu esse mesmo acidente na mesma pista, no mesmo vôo, na mesma aeronave. Ele já apareceu inclusive na TV contando. Em email privado aos amigos, ele responsabiliza a pista. Para bom entendedor, a Infraero e em última instância, o governo. É na palavra dele, que passou por isso, que eu acredito.

    Depois, você diz que eu tenho dois pesos e duas medidas para equívocos morais, não é mesmo? bem, eu e milhares de cidadãos que se manifestaram felizes com a morte de ACM. Não nego. Também me senti muito feliz com a morte de Leonel Brizola tb, só para dar um exemplo. Porque até hoje, eu sofro efeitos das atitudes desses senhores. Meu pai foi perseguido pela ditadura. Minha cidade é um valhacouto de bandidos armados até os dentes. E agora, mortos, esses senhores viram santos? E tanta foi a sua má fé, Rafa, que você sabe perfeitamente que quando eu falo de ACM, é do político e de tudo o que ele representa que eu falo, e não do “painho” ou “vôinho” Antônio Carlos. Mas você me acusa de vilipendiar um homem morto, como se fosse um homem qualquer.

    Enfim, Rafa, seu post quer dar idéia de que meu caráter está ali naquela suposta contradição, não é? Então eu também me dou o direito de vislumbrar o seu caráter na sua defesa desse indefensável top top, no assumir que esse escárnio é apenas “coisa da luta política”. Legal. Eu só desejo que você não venha a passar nunca por uma situação onde venha a entender a completa irrelevância dessa tal “coisa política” frente questões humanas essencias, como a perda de um parente. Ah, só para vc entender mais uma coisa: eu tenho um cunhado muito querido que é piloto em Manaus, alí onde, de repente, todo o Cindacta-4 deixou de funcionar. Por sorte ele não estava voando na hora.

    A gente fica por aqui.

    VP

  4. Rafael,

    Ontem (domingo) um avião da BRA (empresa brasileira) teve que fazer pouso de emergência no aeroporto de Lisboa.
    Que eu saiba os aeroportos da Europa são os melhores do mundo.
    Será que comentarão por aqui que foi culpa do Lula?

    abs,

    Abs,

  5. perfeito. o único problema é que justamente por ser um jogo, marca pontos quem puder prever o próximo lance do adversário. eu também acho ridículo esse auê todo, mas tem pessoas para quem tudo o que é dito no jornal nacional ou pelo tio rei se transforma em verdade absoluta. acho ingenuidade achar que esses caras vão dormir no ponto e não se aproveitar da situação. bj

  6. “…um acidente que poderia ter acontecido em qualquer aeroporto do mundo.” Gostaria de saber como vc pode garantir isso.
    A política sempre foi suja e se os acessores do Lula sabem disso muito bem e adoram participar dela.
    A maneira como este governo está lidando com essa crise é vergonhosa. O momento pede uma atitude firme e não estamos vendo isso. Quem está preso no aeroporto não quer saber se o problema começou com Collor ou com o Lula, quer solução. Quem está sofrendo com essa crise não são apenas turistas de férias – embora ser turista de férias não seja nenhum pecado -, e, sim, muitos profissioanais, correndo atrás do ganha pão. Se eles não faturearem, o governo não terá de quem abocanhar uma parte com impostos. E aí…vale o mesmo gesto feito pelo tal acessor.
    Quanto democracia…vc só quer que comentem o que vc quer ler ou é impressão minha?
    Relaxe e goze! Vida de blogueiro é assim mesmo.
    gd ab

  7. claro q foi um acidente q poderia ter acontecido em qq aeroporto. ninguem aqui eh especialista em aviacao (muito menos esta patética imprensa que só ouve os “como gostaríamos de demonstrar…”), mas é só olhar para a história dos acidentes aéreos. e bem, nao foi o Lula que plantou congonhas ali. Mas do jeito que o odio (classe média) ao presidente está indo, assim como o top top MAG, qq dia vão invadir uma janela do Palácio do Alvorada e publicar o Lula dormindo! Oh, quanta insenbilidade, um caos desses e ele dorme!
    Sobre congonhas, ontem, o cada dia mais lamentável O Globo veio com a pergunta: quem veio primeiro, Congonhas ou a cidade? parece palhaçada. e como diria seu colunista. e é.

  8. Má fé, Marcos?

    Eu sei que você fala do político. Releia o parágrafo. Mas também sei que os assessores da presidência estavam comemorando um lance político, privadamente.

    Má fé é tentar transformar um gesto privado e perfeitamente compreensível em um “insulto ao povo brasileiro” ou partir para a apelação e dizer que “doeu no cu”.

    E eu não fiz nenhuma ilação sobre seu caráter. Apenas apontei uma contradição no seu discurso. É você que passa para o argumento ad hominem e fala de caráter meu ou seu. De qualquer forma, o seu terceiro parágrafo nesse comentário apenas volta a desmentir o que você diz. E assim como você, eu “só desejo que você não venha a passar nunca por uma situação onde venha a entender a completa irrelevância dessa tal ‘coisa política’ frente questões humanas essencias, como a perda de um parente.” Como ser humano, Marcos, o que vale para as vítimas do acidente da TAM vale para os parentes do pulha ACM. É isso que você não entendeu ainda.

    Eu poderia até acreditar na palavra do piloto da TAM. Ou na dos outros 9 que a Veja entrevistou, cada um dando uma opinião diferente. Isso não é argumetno válido; mas se você prefere emitir um julgamento baseado na opinião de um piloto, não é problema meu.

    O que você está chamando de minha má fé, Marcos, é só a sua falta de coerência e de argumentos.

  9. Outro detalhe que passa despercebido em toda a crise área, no discurso contra o governo está a clara intenção de alguns grupos econômicos pela privatização da administração da aviação comercial.

    Privatazação essa que ao meu ver é corretíssima.

  10. Sou sua fã, seu facistóide.
    Engraçado como um bando de gente, que eu pensava que era inteligente como vc, não consegue enxergar a um palmo do nariz.
    Eu nem sou inteligente, sou só uma palpiteira, e só colocaria a culpa na infraero, se, e somente se, a culpa fossem das tais ranhuras.
    Congonhas é uma bomba relógio, há vários governos atrás, mas a infraero não obriga as companhias pousarem seus aviões grandes lá… ou obriga? Se obriga, top, top, fuck, fuck na infraero.
    Além disso: quem deixou a cidade crescer pra cima de congonhas? A PTzada?
    Realmente eu não sei.

  11. Caraca… não diferem nem a crise do acidente… a crise causou o acidente.
    “Top, top” digo eu.
    Em tempo: o corpo do meu amigo foi reconhecido hoje e já foi entregue à família.

  12. Paulinho: tudo é culpa do Lula… é isso que eu estou espantada de ver aqui.

    Ângela: perfeito=>”qq dia vão invadir uma janela do Palácio do Alvorada e publicar o Lula dormindo! Oh, quanta insenbilidade, um caos desses e ele dorme!”

    Vou descer o pau no Lula aqui quando começarem a falar da transposição do São Francisco.. aí sim, a culpa vai ser dele.

  13. Ok, Rafa, você venceu, batatas fritas para você. De qualquer forma, você sabe perfeitamente, como assessor de político que é – ah, eu também já fui, só pra lembrar – que nossas opiniões pessoais não valem de nada nessas horas. O Sr. MAG já teve de ir a público pedir suas desculpas. É notícia velha. E sabe? não vai adiantar nada. Antigamente não existiam os youtubes da vida para garantir que qualquer pessoa anexe para sempre esse top top ao currículo deste verdadeiro “lorde” petista, assim como a nossa querida ministra Marta, terá sempre o “relaxa e goza” ligado ao seu nome de baronesa paulistana. E esse acidente, ainda que venha a público que o piloto atirou porque quis o avião no prédio, vai estar para sempre ligado a uma pista liberada pelo governo antes de concluída. Esperneiem o quanto quiserem. E nós dois sabemos que credibilidade é uma coisa muito difícil de recuperar, depois que ela é perdida, só perdendo mesmo para vidas humanas. Mas, enfim, vivemos uma democracia, não é? É a república do “engole e gosta”, fazer o quê? todo mundo continua, a vida segue.

    De qualquer modo, quem está no barco furado tem a obrigação de pelo menos tentar tirar a água. Do contrário, afundaremos todos.
    Desejo-lhe boa sorte.

  14. ô facistóide (hahaha :p) eu me pergunto até que ponto as vaias que o lula recebeu acenderam a luz amarela pra seus opositores se animarem com o fato dele estar com a imagem arranhada, sendo que o governo só está sendo aceito como tal porque, bem, ele é o Lula.

  15. Rafa.

    Perdoe-me o hiper off-topic.

    Estou ouvindo o último CD do Paul McCartney (Memory Almost Full) e procurei a habitual avaliação faixa a faixa em teu blog e não a encontrei. Não escreveste a respeito? Poderias me responder aqui mesmo? Amanhã confiro.

    (Não consigo pensar sobre a explosão do avião da TAM. Morreram 3 amigos de minha mulher e 5 da minha irmã. Sábado, descobri que o irmão de um grande amigo meu estava no avião – 41 anos, duas filhas pequenas. Já peguei este vôo umas 10 vezes. Talvez um estranho mecanismo de defesa me faça não prestar atenção às notícias, ainda mais intuindo que Lula agora construiu Congonhas para matar os gaúchos hostis que deram inacreditável vitória a Alckmin no estado. Ninguém escreveu isso ainda? Besteira por besteira, também tenho as minhas.)

    Abraço.

  16. Sobre a parte de “um acidente que poderia ter acontecido em qualquer aeroporto do mundo”… não, não poderia. Um acidente pode acontecer em qualquer lugar, sim, mas um acidente como este, não.

    Para pegar um exemplo não muito distante, se um avião exceder o final da pista em Porto Alegre, o avião ou atola na grama ou pára em uma vala antes de chegar à estrada (como já aconteceu, com um avião da falida Transbrasil). Indo mais longe, em inúmeros aeroportos em áreas mais “densas” fora do Brasil há sistemas para frear aviões que excedam a pista. Em Congonhas, não tem nada; se o avião não frear, ele cai na estrada. É quase como um porta-aviões no meio da cidade.

    Não estou dizendo que isso é culpa do governo ou não. Mas a situação daquele aeroporto, em particular, tem parte da culpa, se não pela ocorrência do acidente, ao menos pelo resultado deste.

  17. 1) Infelizmente, o nosso jogo político é de muito baixo nivel assim mesmo. E, sabendo disso, os assessores deveriam ter sido menos descuidados. Não foram. A reação deles, em si, me pareceu bastante adequada, no contexto. Não dá nem para dizer que ela denota falta de sensibilidade com a desgraça alheia, visto que ocorreu em privado, e que mesmo nós outros, pessoas extremamente virtuosas e humanas que somos, não conseguimos nos apresentar circunspectos e tristes o tempo todo com as tragédias da vida. Nós somos muito mais complexos do que isso.

    2) Hipóteses. Até que sejam contestadas de modo inquestionável pela análise da caixa preta, eu fico entre 4 hipóteses (admitindo a possibilidade de combinação entre várias delas):
    a) defeito no freio;
    b) uso inadequado ou insuficiente do freio (receio de derrapar na pista?);
    c) atraso na decisão/ação de arremeter, combinado com o que já foi chamado de excesso de tecnologia (que impede reações do piloto intempestivas ou fora do padrão).
    d) aquaplanagem;

    3) Culpados. Para mim, está muito cedo para apontar culpados. Mas estou certo de que há culpados diretos (talvez os menos importantes) e culpados indiretos (mais importantes porém mais difíceis de responsabilizar).

    Ou seja, não vou me surpreender se concluirem por falha humana mas odiaria se o somatório das condições do equipamento de vôo, comprimento e condições da pista, os hotéis no trajeto do pouso e outros aspectos do cenário do acidente fossem relegados a segundo plano ou desconsiderados.

    Trantando-se de vidas humanas, todo o cuidado deveria ser tomado para evitar erros e para que, quando erros ocorressem, não resultassem em tragédias como esta. Mas já está bem claro que não foi isso que aconteceu.

  18. Bom saber que não sou o único a pensar dessa maneira. Ironizei a pressa da população em empalar o governo antes dos fatos terem sido devidamente esclarecidos e limitaram-se a me chamar de “petista que quer livrar a cara do barbudo”.

    É foda. Meter a mão na cara, vá lá. Mas chamar de petista? Porra! Que falta de civilidade!

  19. “…ainda mais intuindo que Lula agora construiu Congonhas para matar os gaúchos hostis que deram inacreditável vitória a Alckmin no estado. Ninguém escreveu isso ainda?…”

    Tá faltando pouco pra escreverem isso, Milton. Se você for ver os comentários nas reportagens de O Globo então… Tem um bando de gente lá com vocação pra Silvio de Abreu.

    Seria cômico se não fosse trágico. Primeira vez que uso essa frase com o verdadeiro sentido literal dela.
    Tb perdi um amigo. Muito ruim isso. Meus pêsames.

  20. Se a pista tem problemas é questão de verificar, então, quem foi que fez o laudo avaliando a pista liberando-a. O Lula, que não é engenheiro, não foi. O IPT, daqui de São Paulo, fez um laudo afirmando que a pista estava acima das condições de uso (depois do acidente fez outro voltando atrás, e tomaram pito do Serra por causa disso).

    Se é verdade que um outro piloto da TAM, com o mesmo avião (já com o problema do reverso) tenha , em condições semelhantes, quase sofrido um acidente no dia anterior. Então:
    – Se ele não alertou a empresa, ele é um irresponsável.
    – Se alertou e a empresa não fez estardalhaço para evitar acidentes e, pior, mandou o mesmo avião para o mesmo vôo, nas mesmas condições no dia seguinte, a empresa agiu de maneira irresponsável e tem grande parcela de culpa.

    O Nassif tem debatido a questão da cooptação das agências de controle (ANAC, ANATEL, etc) pelos interesses do Mercado. É um bom momento para se pensar nisto. Estes dias vi algum chefe de alguma associação de empresas de aviação protestando contra o fechamento de Congonhas para vôos de grande porte. Alegava “prejuízos econômicos”. Contra acidentes eles têm seguro.
    Privatizar (ou seja, entregar a este mesmo mercado) a administração da aviação comercial não me parece, por si só, que seja solução para o problema.

    O top top do Marco Aurélio Garcia, ato privado flagrado pelo paparazzi da Globo, é simplesmente irrelevante e só com muita má vontade é possível ver nisto qualquer desrespeito às vítimas.

  21. Elton,
    Concordo com seu comentário, fazendo a seguinte observação:

    Se a pista tem problemas é questão de verificar, então, quem foi que fez o laudo avaliando a pista liberando-a.

    Em minha opinião todo serviço com administração pública é responsabilidade do governo. Supondo que eu te empresto um livro e você o empresta para outra pessoa, se ela não devolvê-lo e eu te cobrar depois, você não poderá falar: “a, está com x pessoa”. Eu te emprestei, a responsabilidade pelo livro é sua. Se você fez acordos com outra pessoa o problema não é meu, quem responde a mim pelo livro é você.
    Se o governo confiou no laudo de x y ou z essa é uma outra questão. De toda forma quem deve responder pelo ocorrido a sociedade é o governo. Nós pagamos empostos justamente para o governo prestar serviços, e se o serviço for terseirisado então o governo, no interesse da sociedade a qual ele representa, deve contratar um prestador de qualidade, ou mais de um se o caso exigir.
    Marlon

  22. E lá vem a palpiteira:
    O “cabra” da Anac acabou de dar um fuck fuck, com classe, no PSDB numa entrevista coletiva. Pena que a Band tirou do ar justamente nessa hora (?). Tava ficando bom.

  23. tô contigo.
    se tem um lugar que você pode e deve colocar ordem, é na sua casa.

    o pior que para sair da ilusão neguinho tem que reconhecer a própria mediocridade.

    antes se falava
    “Viva a liberdade!/ Morra a ditadura militar! / Por um Brasil livre e independente!”

    hoje se pergunta
    e agora josé, que todo mundo é livre pra fazer o que quer?

  24. O acidente pode acontecer em qualquer lugar do mundo. O que
    deixa a desejar no Brasil, é como vemos as coisas, ou seja, no ano passaso fui de férias ao Brasil, mas por acabar parecia mais a época dos descobrimentos,pois somos tratados quase como bichos, pois se passou comigo, chgamos num voo da TAP a fortaleza, quando chegamos ai fomos tratados bem, no entanto, ja nao posso dizer o mesmo de S.Paulo,pois chegamos nao tinhamos conexao para Manaus, tivemos de procurar as malas e tivemos de pagar a estadia no Hotel,fomos tratados como nichos, pedindo esclarecimntos
    ao balcao, disseram logo voce é estrangeiro, sem do nem piedade,ai eu disse nao sou estrangeiro sou Portugues.
    Sabe o que euquero é uma informacao e nao guerra, disse mesmo que deveria ter mais respeito por todas estas pessoas que se encontram sem viagem e nem dinheiro para poder
    passar a noite num Hotel.
    Por isto esta novela ja vem de muito longepor finalizar tive de ficar mais dias no Brasil, sem nenhuma explicacao, a isto se chama come e cala.
    Pode acontecer uma tragedia mas acho que isto é demais.
    Cumpts

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