It’s Alright, Ma (I’m Only Sighing)

E aí vem alguém e tenta me explicar que uma bandinha nova com uns meninos remelentos enchendo o rabo de dinheiro mas fingindo desespero é a nova sensação do rock? Rock eu aprendi ouvindo Beatles e Stones (até o Exile, pelo menos) e Who e Chuck Berry.

Uns anos atrás o Bia veio babando por um tal de Vic Chesnutt, e aí eu fui ouvir e peraí, e botei o Bringing it All Back Home ou o Blonde on Blonde para tocar, e o fanho continuou me parecendo mais forte e mais moderno que o entrevadinho agora defunto.

Olha como tal bandinha é pesada. Ah, cumpadi, vai ouvir os primeiros do Led Zeppelin. Ou os primeiros do Black Sabbath. Em um tempo em que as pessoas elogiam o Aerosmith, isso deve soar como heresia.

E num tempo em que chamam aquela música horrorosa que toca nas Jovem Pans da vida de rhythm ‘n’ blues, me pergunto o que é que eu faço com Otis Redding. E ainda não sei por que ouvir Camera Obscura se tenho tanta coisa das Supremes na cabeça ainda. Como não sei por que ouvir Vanessa da Matta se a Gal dos anos 70 era tão brilhante.

O fato é que nada, nada mais chama a minha atenção. Nada do que eu ouça deixa de parecer derivado, repetido, requentado. Vivo em uma época em que a música pode até soar nova para quem não tem 60 anos de memória musical na cabeça, mas eu tenho uma memória boa e um HD maior ainda. Eu desisti de ouvir música.

12 thoughts on “It’s Alright, Ma (I’m Only Sighing)

  1. Eu tenho esta sensação também.
    Meus irmãos dizem que eu estou ficando velho e rabugento, mas enquanto eu tiver a ilusão de que meus cabelos brancos, rugas e as entradas da minha carequice não são velhice, mas precocidade, estou em paz.
    O que me salva são certas coisas aqui do nordeste.
    Ainda consigo ouvir música…

    Cabrueira, fim de feira e rosa de pedra, algumas sugestões. Mas tenho pra mim que talvez regionalismos, tambores e misturar chorinho com baião não venha a encantar alguns beatlemaníacos.

    Ser chato, é uma arte, tenho dito…

  2. Eu sou mais novo do que você, mas tenho a mesma sensação. Tirando uma coisa ou outra (acho Radiohead genial, por exemplo), a música feita hoje, se não é um lixo absolutamente intragável, é pura repetição de coisas infinitamente melhores.

  3. Você está procurando coisas novas nos lugares errados. Há muita coisa boa contemporânea. O problema é que não se acha na mídia convencional.

    Abraço!

  4. e isso porque o que faz sucesso hoje são uns adolescentes eleitores do serra e com calças coloridas e atochadas no rego.

  5. Tenho 36 anos e ainda não cansei de ouvir (e procurar por) música nova.
    Artistas geniais como Boards of Canada não poderiam existir há 60 anos e, por isso, é legal manter os ouvidos atentos. Há muita coisa boa por aí…

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