It’s Alright, Ma (I’m Only Sighing)

E aí vem alguém e tenta me explicar que uma bandinha nova com uns meninos remelentos enchendo o rabo de dinheiro mas fingindo desespero é a nova sensação do rock? Rock eu aprendi ouvindo Beatles e Stones (até o Exile, pelo menos) e Who e Chuck Berry.

Uns anos atrás o Bia veio babando por um tal de Vic Chesnutt, e aí eu fui ouvir e peraí, e botei o Bringing it All Back Home ou o Blonde on Blonde para tocar, e o fanho continuou me parecendo mais forte e mais moderno que o entrevadinho agora defunto.

Olha como tal bandinha é pesada. Ah, cumpadi, vai ouvir os primeiros do Led Zeppelin. Ou os primeiros do Black Sabbath. Em um tempo em que as pessoas elogiam o Aerosmith, isso deve soar como heresia.

E num tempo em que chamam aquela música horrorosa que toca nas Jovem Pans da vida de rhythm ‘n’ blues, me pergunto o que é que eu faço com Otis Redding. E ainda não sei por que ouvir Camera Obscura se tenho tanta coisa das Supremes na cabeça ainda. Como não sei por que ouvir Vanessa da Matta se a Gal dos anos 70 era tão brilhante.

O fato é que nada, nada mais chama a minha atenção. Nada do que eu ouça deixa de parecer derivado, repetido, requentado. Vivo em uma época em que a música pode até soar nova para quem não tem 60 anos de memória musical na cabeça, mas eu tenho uma memória boa e um HD maior ainda. Eu desisti de ouvir música.

12 Comentários

Marcus PessoaJanuary 19th, 2011 at 12:12

Você é um reacionário mas é gente boa!

Tiago AguiarJanuary 19th, 2011 at 12:28

Eu tenho esta sensação também.
Meus irmãos dizem que eu estou ficando velho e rabugento, mas enquanto eu tiver a ilusão de que meus cabelos brancos, rugas e as entradas da minha carequice não são velhice, mas precocidade, estou em paz.
O que me salva são certas coisas aqui do nordeste.
Ainda consigo ouvir música…

Cabrueira, fim de feira e rosa de pedra, algumas sugestões. Mas tenho pra mim que talvez regionalismos, tambores e misturar chorinho com baião não venha a encantar alguns beatlemaníacos.

Ser chato, é uma arte, tenho dito…

Tiago AguiarJanuary 19th, 2011 at 12:33

Homenageando jimmy page, com forró esferográfico: http://www.youtube.com/watch?v=8hSRDucJMgU

Leandro OliveiraJanuary 19th, 2011 at 12:56

Amém!

Pedro MarquesJanuary 19th, 2011 at 14:46

Eu sou mais novo do que você, mas tenho a mesma sensação. Tirando uma coisa ou outra (acho Radiohead genial, por exemplo), a música feita hoje, se não é um lixo absolutamente intragável, é pura repetição de coisas infinitamente melhores.

Gabriel GalvãoJanuary 19th, 2011 at 15:28

Você está procurando coisas novas nos lugares errados. Há muita coisa boa contemporânea. O problema é que não se acha na mídia convencional.

Abraço!

victor freireJanuary 19th, 2011 at 15:31

e isso porque o que faz sucesso hoje são uns adolescentes eleitores do serra e com calças coloridas e atochadas no rego.

victor freireJanuary 19th, 2011 at 15:32

complementando: o restart é o menudo de hoje em dia.

Marcus PessoaJanuary 19th, 2011 at 15:43

Vampire Weekend usa roupas coloridas, eu gosto, e voto em Lula desde 1989.

Qualé, pessoal, não exagerem na caricatura.

HoodjiahJanuary 19th, 2011 at 17:52

Tenho 36 anos e ainda não cansei de ouvir (e procurar por) música nova.
Artistas geniais como Boards of Canada não poderiam existir há 60 anos e, por isso, é legal manter os ouvidos atentos. Há muita coisa boa por aí…

BiajoniJanuary 20th, 2011 at 20:40

co-to-ne-te.
é isso que vc precisa.

Yuri MotaJanuary 2nd, 2012 at 16:24

O que acha de O Rappa? é razoavelmente novo, pop e ao meu ver muito bom.
O sepultura também nos bons tempos.
abraço

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