Jayson Blair na Inglaterra

Não sei o que foi feito de Jayson Blair, aquele sujeito que plagiou seu caminho no New York Times. Nunca achei o sujeito tão mau quanto o pintaram, porque imaginação, ao contrário do que os manuais de redação insistem em dizer, no meu entender é fundamental para o jornalismo (o Bia vai me matar por isso). O jornalismo já deu tantos grandes escritores.

Mas o hábito de surrupiar coisas na internet está se espalhando entre os jornais de todo mundo. É diferente de pesquisa: o exemplo citado aqui ultrapassa os limites de canalhice, porque roubam informação, idéia e execução, tudo junto.

Sempre disseram que a internet e, mais recente e especificamente, os blogs iriam transformar o jornalismo. Só não dá para saber se era essa a transformação desejada.

O mais esquisito outdoor do mundo

Como sei que ninguém iria acreditar se eu contasse, resolvi fotografar:

É, isso existe.

Falando sério: o título em tom de desculpas é a emenda que piora o soneto. E a agência ainda assinou a peça. Eu os admiro por sua coragem.

Falando mais sério ainda: tenho algumas sugestões de título para este outdoor, considerando que número de palavras não é problema.

Ninguém vai ler tantos nomes. Mas precisamos desta conta pra pagar a conta de luz amanhã.

Ninguém vai ler tantos nomes. Mas o cliente insistiu e a gente não tem coragem de peitar o homem.

Ninguém vai ler tantos nomes. Mas vamos receber nossa comissão assim mesmo.

Ninguém vai ler tantos nomes. E minha namorada vai me deixar assim que vir este outdoor.

Ninguém vai ler tantos nomes. Mas eu disse à minha mãe que este outdoor é de outra agência.

Ninguém vai ler tantos nomes. Mas pelo menos eu tenho saúde.

Ninguém vai ler tantos nomes. Mas meu filho anda espalhando que não me conhece.

Ninguém vai ler tantos nomes. Me suicido hoje à noite, tá?

Ninguém vai ler tantos nomes. Pra você ver o que a gente tem que fazer para ganhar a vida.

Ninguém vai ler tantos nomes. Mas é melhor ler isto do que ser cego.

Ninguém vai ler tantos nomes. Melhor assim, porque alguns deles são feios como o pecado.

Ninguém vai ler tantos nomes. E não vai ver quanta gente está pagando esse mico junto com a gente.

Ninguém vai ler tantos nomes. Meu Deus, por que não fiz medicina?

E o meu preferido:

Ninguém vai ler tantos nomes. Foda-se.

A vida nem sempre é bela.

Resoluções de Ano Novo

Ser mais modesto. (Se não der, fingir. Dá no mesmo.)

Deixar de fumar.

Deixar de rir dos outros nas suas caras e rir pelas costas.

Acreditar que todo mundo é igual.

Aprender a dizer “sim, senhor” com mais boa vontade.

Ter mais paciência diante da teimosia ignorante dos outros e deixar de fazer o mesmo.

Deixar de ser um filhinho da mamãe mimado.

Abdicar do posto de dono da verdade.

E mais 92 resoluções que, assim como estas, eu não cumprirei de jeito nenhum.