Rafael Galvão

Flower

Infância

Em 1977 eu cheguei à alfabetização — naquela época, nos breus da ditadura, chamava-se ainda pré-primário –, já sabendo ler e escrever. Minha mãe tinha me ensinado uns dois anos antes. E eu escrevia normalmente, em letra cursiva.

É uma das primeiras lembranças, se não a primeira, que tenho da escola: a professora tentando me fazer escrever em letra de forma porque era assim que as outras crianças estavam aprendendo, me fazendo regredir a um ponto pelo qual, aliás, eu nunca tinha passado.

Depois as pessoas não entendem por que nunca gostei da escola.

18 Responses to “Infância”

  1. June 15th, 2005 at 12:30 am

    Ricardo Schweitzer says:

    Não existe nada mais bitolante que instituições de ensino. Diz a lenda que a coisa só melhora na pós-graduação… quando chegar lá descubro.. :)

  2. June 15th, 2005 at 6:02 am

    Flavio Prada says:

    Eu como quase todos os arquitetos escrevo com letra de forma. Quando a gente entra na faculdade a gente regride esse ponto de que voce fala e fica regredido pro resto da vida. Agora entendo melhor umas coisas.

  3. June 15th, 2005 at 8:30 am

    Roman says:

    Ô Rafael,
    já cogitaste isto: Galvão não gostava da escola, porque não sabia escrever em letra de forma. :)

  4. June 15th, 2005 at 9:18 am

    Roger says:

    Também aprendi a ler e escrever antes de ir pra escola, minha mãe, pedagoga e professora, havia parado de trabalhar para se dedicar a família (antigamente isso era normal). Então eu virei seu único aluno em tempo integral. Lembro dos cartazes com letras e sílabas pregados nas paredes do meu quarto, todo dia, assim que acordava, eu lia em voz alta. Aprendi a ler e escrever aos três anos (será algum record?). Pena que, como diz minha mãe, aquele garotinho tão inteligente foi ficando burro com o tempo…

  5. June 15th, 2005 at 10:21 am

    Luciana says:

    Pois é, tem coisas que podem marcar a gente por uma vida inteira. Quando entrei na 1ª série a professora dizia que minha letra era tão feia, isso marcou… pior que não melhorou com o tempo… :-) Por isso eu detesto professoras insensíveis…

  6. June 15th, 2005 at 11:09 am

    Biajoni says:

    e eu pensando que vc já tivesse NASCIDO ADULTO!

  7. June 15th, 2005 at 11:48 am

    Fernando Henrique says:

    Que memória de elefante!

  8. June 15th, 2005 at 12:09 pm

    Tristão says:

    Fiquei me lembrando de um dos melhores contos de Machado de Assis, em que o protagonista é um dos pouquíssimos personagens bons de sua ficção, o “Conto de Escola”. Quem nunca leu não deve perder!

  9. June 15th, 2005 at 1:44 pm

    Tata says:

    Em 1977, eu ainda usava fraldas e ia a praia so com a parte de baixo do biquini… ;)
    Beijos!

  10. June 15th, 2005 at 2:47 pm

    José Maria says:

    Caro Rafael,

    passei a frequentar seu blog por indicação da minha amada professora Cida, que por sinal é muito sua amiga.
    Sobre seu texto de hoje, em minha concepção acho que você quiz foi dizer outras coisas. Questionou a falta de respeito que o ser humano não tem com o outro. E também para mim ficou explícito que você é contra e quelquer forma de descriminação.
    Por hoje é so, caro amigo!!!

  11. June 15th, 2005 at 2:59 pm

    Gejfin says:

    Eu entendo. Eu entendo.

    E antes fosse só a letra de forma. Mas é uma porrada de coisas na forma que vão fazendo a piazada engolir ano após ano, geração após geração.

    Tudo errado. Tudo. eheh

    Abraço chê! :)

  12. June 15th, 2005 at 4:29 pm

    Ismael Grilo says:

    Eu nuca gostei da escola porque, até à 6ªsérie, sempre tinham uns garotos que arrumavam confusão comigo. Brigava várias vezes por semana e ninguém acreditava que eu só ficava na minha e os outros é que vinham me provocar…hehehe. Passei a gostar no ensimo médio, quando entrei no Cefet e fiquei na melhor turma de escola que pode existir, com professores antológicos e sem tia nenhuma pra pegar no pé.

  13. June 15th, 2005 at 5:22 pm

    Viva says:

    Uma coisa absurda dessas é capaz de traumatizar uma criança pro resto da vida.rs.

  14. June 16th, 2005 at 9:42 am

    Elton says:

    Hoje eu tenho um quase bloqueio: quase não consigo escrever. E quando escrevo, escrevo mal. Mas quando eu vejo as redações que escrevi no primário me surpreendo porque elas eram muito boas para a minha idade (na época, obviamente). O problema é que as tias sempre davam notas muito baixas. Justificativa: minha caligrafia feia…
    Foi assim que eu aprendi a gostar de matemática, me formei em engenharia e escrevo em letra de forma, por ser débil em letra cursiva.

  15. June 18th, 2005 at 9:54 am

    Paulo says:

    Antes disso,(em 75)uma freira tbém implicou com minha letra cursiva.
    Minha mãe até foi chamada ao colégio.

    P.S. Minha letra cursiva é feia mesmo!

  16. June 18th, 2005 at 11:54 am

    Cipy says:

    Rafa, lamentável isso q aconteceu com vc. Triste.
    Tb fui alfabetizada em casa. Entrei direto na 1a série. A chatice comigo foi pelo fato de ser canhota, mas eu reclamava, n permitia, pois é uma coisa q adoro em mim, desde sempre.
    Beijos,

  17. June 19th, 2005 at 4:20 am

    Beto Lins says:

    Cada vez desacredito mais no ensino formal. Nâo é só o pré-primário que é ruim no Brasil. Isso continua ruim (ou piora) até a Faculdade.
    Pensar que o Jorge Luis Borges só entrou na escola aos 9 anos talvez comece a explicar sua genialidade…

  18. February 6th, 2006 at 9:08 pm

    Luiz Ascanio Coelho says:

    Srs;

    Tenho um filho de 12 anos que mal consegue ler o que escreve (êta letra feia), já ouvi comentários que uma letra feia tb pode ser um disturbio; Se isso for verdade, estou a procura de ajuda p/ amenisar este problema.
    Sou de Guarulhos - SP e se por acaso alguém tiver alguma dica de como insentivar o meu filho a melhorar a letra aceitarei sugestões.
    Há caderno de caligrafia até que já tentamos mais tá difícil.
    Se tiver uma dica eu agradeço.

    Abraços,
    Ascanio.

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