Infância

Em 1977 eu cheguei à alfabetização — naquela época, nos breus da ditadura, chamava-se ainda pré-primário –, já sabendo ler e escrever. Minha mãe tinha me ensinado uns dois anos antes. E eu escrevia normalmente, em letra cursiva.

É uma das primeiras lembranças, se não a primeira, que tenho da escola: a professora tentando me fazer escrever em letra de forma porque era assim que as outras crianças estavam aprendendo, me fazendo regredir a um ponto pelo qual, aliás, eu nunca tinha passado.

Depois as pessoas não entendem por que nunca gostei da escola.

18 thoughts on “Infância

  1. Não existe nada mais bitolante que instituições de ensino. Diz a lenda que a coisa só melhora na pós-graduação… quando chegar lá descubro.. 🙂

  2. Eu como quase todos os arquitetos escrevo com letra de forma. Quando a gente entra na faculdade a gente regride esse ponto de que voce fala e fica regredido pro resto da vida. Agora entendo melhor umas coisas.

  3. Também aprendi a ler e escrever antes de ir pra escola, minha mãe, pedagoga e professora, havia parado de trabalhar para se dedicar a família (antigamente isso era normal). Então eu virei seu único aluno em tempo integral. Lembro dos cartazes com letras e sílabas pregados nas paredes do meu quarto, todo dia, assim que acordava, eu lia em voz alta. Aprendi a ler e escrever aos três anos (será algum record?). Pena que, como diz minha mãe, aquele garotinho tão inteligente foi ficando burro com o tempo…

  4. Pois é, tem coisas que podem marcar a gente por uma vida inteira. Quando entrei na 1ª série a professora dizia que minha letra era tão feia, isso marcou… pior que não melhorou com o tempo… 🙂 Por isso eu detesto professoras insensíveis…

  5. Fiquei me lembrando de um dos melhores contos de Machado de Assis, em que o protagonista é um dos pouquíssimos personagens bons de sua ficção, o “Conto de Escola”. Quem nunca leu não deve perder!

  6. Caro Rafael,

    passei a frequentar seu blog por indicação da minha amada professora Cida, que por sinal é muito sua amiga.
    Sobre seu texto de hoje, em minha concepção acho que você quiz foi dizer outras coisas. Questionou a falta de respeito que o ser humano não tem com o outro. E também para mim ficou explícito que você é contra e quelquer forma de descriminação.
    Por hoje é so, caro amigo!!!

  7. Eu entendo. Eu entendo.

    E antes fosse só a letra de forma. Mas é uma porrada de coisas na forma que vão fazendo a piazada engolir ano após ano, geração após geração.

    Tudo errado. Tudo. eheh

    Abraço chê! 🙂

  8. Eu nuca gostei da escola porque, até à 6ªsérie, sempre tinham uns garotos que arrumavam confusão comigo. Brigava várias vezes por semana e ninguém acreditava que eu só ficava na minha e os outros é que vinham me provocar…hehehe. Passei a gostar no ensimo médio, quando entrei no Cefet e fiquei na melhor turma de escola que pode existir, com professores antológicos e sem tia nenhuma pra pegar no pé.

  9. Hoje eu tenho um quase bloqueio: quase não consigo escrever. E quando escrevo, escrevo mal. Mas quando eu vejo as redações que escrevi no primário me surpreendo porque elas eram muito boas para a minha idade (na época, obviamente). O problema é que as tias sempre davam notas muito baixas. Justificativa: minha caligrafia feia…
    Foi assim que eu aprendi a gostar de matemática, me formei em engenharia e escrevo em letra de forma, por ser débil em letra cursiva.

  10. Antes disso,(em 75)uma freira tbém implicou com minha letra cursiva.
    Minha mãe até foi chamada ao colégio.

    P.S. Minha letra cursiva é feia mesmo!

  11. Rafa, lamentável isso q aconteceu com vc. Triste.
    Tb fui alfabetizada em casa. Entrei direto na 1a série. A chatice comigo foi pelo fato de ser canhota, mas eu reclamava, n permitia, pois é uma coisa q adoro em mim, desde sempre.
    Beijos,

  12. Cada vez desacredito mais no ensino formal. Nâo é só o pré-primário que é ruim no Brasil. Isso continua ruim (ou piora) até a Faculdade.
    Pensar que o Jorge Luis Borges só entrou na escola aos 9 anos talvez comece a explicar sua genialidade…

  13. Srs;

    Tenho um filho de 12 anos que mal consegue ler o que escreve (êta letra feia), já ouvi comentários que uma letra feia tb pode ser um disturbio; Se isso for verdade, estou a procura de ajuda p/ amenisar este problema.
    Sou de Guarulhos – SP e se por acaso alguém tiver alguma dica de como insentivar o meu filho a melhorar a letra aceitarei sugestões.
    Há caderno de caligrafia até que já tentamos mais tá difícil.
    Se tiver uma dica eu agradeço.

    Abraços,
    Ascanio.

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