It’s Alright, Ma (I’m Only Sighing)

E aí vem alguém e tenta me explicar que uma bandinha nova com uns meninos remelentos enchendo o rabo de dinheiro mas fingindo desespero é a nova sensação do rock? Rock eu aprendi ouvindo Beatles e Stones (até o Exile, pelo menos) e Who e Chuck Berry.

Uns anos atrás o Bia veio babando por um tal de Vic Chesnutt, e aí eu fui ouvir e peraí, e botei o Bringing it All Back Home ou o Blonde on Blonde para tocar, e o fanho continuou me parecendo mais forte e mais moderno que o entrevadinho agora defunto.

Olha como tal bandinha é pesada. Ah, cumpadi, vai ouvir os primeiros do Led Zeppelin. Ou os primeiros do Black Sabbath. Em um tempo em que as pessoas elogiam o Aerosmith, isso deve soar como heresia.

E num tempo em que chamam aquela música horrorosa que toca nas Jovem Pans da vida de rhythm ‘n’ blues, me pergunto o que é que eu faço com Otis Redding. E ainda não sei por que ouvir Camera Obscura se tenho tanta coisa das Supremes na cabeça ainda. Como não sei por que ouvir Vanessa da Matta se a Gal dos anos 70 era tão brilhante.

O fato é que nada, nada mais chama a minha atenção. Nada do que eu ouça deixa de parecer derivado, repetido, requentado. Vivo em uma época em que a música pode até soar nova para quem não tem 60 anos de memória musical na cabeça, mas eu tenho uma memória boa e um HD maior ainda. Eu desisti de ouvir música.

Uma pequena bibliografia dos Beatles

Uns anos atrás publiquei aqui uma pequena bibliografia dos Beatles. Alguns anos e alguns livros depois, é hora de atualizar a lista.

The Complete Beatles Recordings
Mark Lewinsohn
Comissionado pela EMI como parte das comemorações do seu centenário, em 1988, acabou se transformando no livro definitivo sobre os Beatles no estúdio de gravação — e foi ali, no estúdio, que os Beatles se tornaram o que são. The Complete Beatles Recordings é um diário de todas as sessões da banda, provavelmente o livro mais acurado que já se escreveu sobre ela. Infelizmente fora de catálogo há muitos anos, se tornou uma bíblia de beatlemaníacos, o livro a que se recorre para dirimir dúvidas. Ainda espero a chance de colocar novamente minhas mãos sobre um exemplar, é o único fundamental que falta na minha estante. Mas essa espera já foi pior: os anos passaram e veio a internet, um repositório muito maior de informações. O livro mostrou ter lacunas e erros. Mas continua sendo o livro mais importante já escrito sobre o dia-a-dia dos Beatles, e necessário para que se entenda a dinâmica que fez da banda a maior de todos os tempos.

The Complete Beatles Chronicle
Mark Lewinsohn
Lançado depois do Complete Beatles Recordings, é basicamente um roteiro das atividades dos Beatles ao longo de sua existência. Inclui as gravações, descritas de maneira mais resumida, assim como um relato das apresentações ao vivo e gravações de filmes, apresentações em TV, etc. Tem também uns bons resumos históricos e críticos sobre cada ano da banda, com excelente critério de julgamento. Foi relançado há alguns anos e vale muito a pena.

The Beatles Anthology
The Beatles
Parte do projeto Anthology — que incluiu também o documentário hoje disponível em DVD e os três CDs duplos (ou álbuns triplos em vinil) –, é a história dos Beatles contada por eles mesmos. É aceitável, apesar deles, claramente, saberem bem os limites da verdade a que podem chegar e evitem tocar em temas polêmicos. Há pouca coisa realmente nova, mas serve como um resumo definitivo do que cada um deles tem a dizer sobre sua história, a sua versão edulcorada para a posteridade. Independente disso, é um livro fantástico como objeto, com um projeto gráfico de fazer cair o queixo. Alguém já disse que, antes que uma biografia, é uma celebração dos Beatles; e como perguntaria McCartney, o que há de errado nisso?

The Love You Make
Peter Brown
Brown era funcionário da Apple (citado por Lennon em The Ballad of John and Yoko), e este é um relato de insider. Foi o primeiro livro a revelar, de forma confiável, o lado menos aceitável da banda que dizia que tudo o que você precisa é amor. As chantagens sexuais sofridas por Brian Epstein, os maus negócios feitos por ele em nome da banda, a promiscuidade generalizada, os problemas graves de Lennon com heroína, os processos de paternidade sofridos por McCartney, as picuinhas internas e brigas por dinheiro que levaram ao fim. Longe de ser o melhor livro para se ter, se você vai ter um só, é um daqueles livros necessários para que se tenha uma visão mais completa da história da banda.

Shout
Phillip Norman
Foi a primeira biografia decente dos Beatles. Lançada no começo dos anos 80, apresentava um panorama abrangente sobre a banda. Infelizmente tem muitas falhas factuais, e até mesmo investe numa teoria conspiracionista absurda sobre a morte de Brian Epstein. Além disso, como Norman tem aparentemente ligações mais próximas com Yoko Ono, tenta passar uma visão excessivamente deletéria de McCartney. No início dos anos 2000 o livro sofreu uma revisão geral, mas sua essência continuou. Mais recentemente Norman escreveu uma biografia insípida sobre John Lennon, lançada no Brasil.

The Lives of Lennon
Albert Goldman
O livro de Albert Goldman foi recebido como um exemplar particularmente imaginativo do Notícias Populares, e o paradoxo que o cerca é curioso. Parece ser universalmente desprezado, mas é utilizado como fonte por todos os biógrafos posteriores dos Beatles. Goldman é malévolo, perverso, publica muitos erros factuais e de avaliação, muitas suposições absurdas que ele tenta passar como fatos, e dá ouvidos demais a fofocas e mentiras puras e simples; mas sua capacidade como pesquisador é reconhecida, e ele fez um livro importante para a compreensão do maior mito dos Beatles. O livro é achincalhado por todos, mas no que diz respeito à maior parte dos fatos nunca foi desmentido — Yoko Ono, por exemplo, nunca ousou processar o autor, e processos na época eram o café da manhã dos ex-beatles. Sem demonstrar simpatia ou compaixão por nenhum dos seus personagens, o autor revelou alguns detalhes sujos sobre a banda e sobre Lennon e Yoko que, apesar de inicialmente descartados como pura fofoca maldosa, por não se adequarem à imagem idealizada de Johnandyoko que eles tentaram passar, foram mais tarde comprovados. É também um bom mergulho sobre a personalidade de Lennon; e Goldman foi o sujeito que deixou claro a todos que Lennon era uma mistura de carisma e talento impressionantes e personalidade complexa e muitas vezes detestável.

Here, There and Everywhere
Geoff Emerick
Emerick foi o engenheiro de som da maioria das gravações dos Beatles a partir de Revolver, e peça importante na evolução sonora da banda. É o relato de um sujeito que não apenas os conheceu, mas trabalhou com eles onde realmente importava, o estúdio. É um livro fundamental para entender a dinâmica e os processos das gravações, assim como a evolução da sua visão musical e, incidentalmente, de suas relações pessoais. Por outro lado, Emerick é ligado a McCartney até hoje, o que o leva a proteger em demasia a imagem do seu amigo. Isso faz com sua visão seja deturpada em vários aspectos, e o livro acaba se encaixando muito facilmente no esforço de revisionismo de McCartney. Emerick está na lista, e George Martin não, por uma razão: ele parece compreender melhor o seu papel real na história do que Martin, embora aqui e ali dê a impressão de tentar diminuir o papel do ex-patrão.

Beatles Gear
Andy Babiuk
É o livro mais específico dessa lista: uma história dos instrumentos e equipamentos de som utilizados pela banda desde a sua formação — indo do Zenith de McCartney e o violão “garantido contra rachaduras” de Lennon ao Fender VI usado nas últimas sessões. É um acessório importante para quem tenta entender o que havia na música dos Beatles. Incidentalmente, é o livro que melhor explica, em termos cronológicos, o processo de desligamento de Stuart Sutcliffe da banda.

Many Years From Now
Paul McCartney
Oficialmente a autoria é de Barry Miles, mas isso é apenas um disfarce para a autobiografia de Paul McCartney até o fim dos Beatles; o ghost writer apenas levou um crédito maior, provavelmente para que Macca pudesse agregar credibilidade a algumas de suas opiniões, se sentir mais livre para falar as bobagens que quisesse e soltar as farpas que bem entendesse. Isso quer dizer que é um relato parcial em que omissões e distorções dos fatos formatam melhor a versão de McCartney. De qualquer forma, abrangente e bem detalhado, é importante para a compreensão da história dos Fab Four.

You Never Give Me Your Money
Pete Doggett
Livro recente, dedicado às relações comerciais entre os Beatles a partir do começo do fim e os 25 anos de processos e contraprocessos posteriores. Cobre uma lacuna existente nas outras obras a respeito da banda, que tratam do período de maneira normalmente mais superficial e se apoiam nos estereótipos do Allen Klein ladrão, do Brian Epstein incompetente mas devotado e dos meninos que só queriam fazer música. Apesar de alguns erros crassos, o livro tem um bom senso de história dos Beatles, um bom nível de imparcialidade e um bom senso de apreciação musical; mas falha em não voltar atrás e detalhar a maneira como os contratos de Brian Epstein foram firmados. É um livor imporante para entender o processo de separação da banda.

The Beatles: The Biography
Bob Spitz
Spitz se beneficiou da passagem do tempo e da abundância de material biográfico para escrever um livro abrangente e bem equilibrado, que tenta fugir dos mitos sem explorar em excesso aspectos sensacionalistas. O resultado é a biografia mais completa dos Beatles, com um excelente grau de neutralidade. De modo geral Spitz tenta sempre ver todos os lados de uma questão, e mostra um bom entendimento do que era a dinâmica interna da banda. Consegue ter os fatos em boa perspectiva e evita dourar pílulas. Tem um número talvez excessivo de erros factuais — alguns graves, como errar a data da reunião em que Lennon “pediu o divórcio” ao resto da banda, e muitos outros menores; mas com exceção de Many Years From Now, Anthology e Can’t Buy Me Love (de Jonathan Gould, e recomendado de modo geral), é o único traduzido para o português, o que faz dele a melhor biografia dos Beatles disponível no Brasil.

***

O livro definitivo sobre a banda ainda não foi publicado — está sendo escrito neste exato momento. Todas as biografias dos Beatles, sem exceção, contêm erros, e muitas têm defeitos de interpretação e compreensão; mas há alguns anos, Mark Lewisohn anunciou que estava escrevendo uma biografia que deveria se estender por três volumes. Lewisohn é o sujeito que mais entende de Beatles no mundo, é próximo de todos os ex-beatles e é um bom historiador. O primeiro volume deveria ter sido publicado em 2008 e o último em 2016; a Amazon inglesa promete o livro para setembro deste ano, e o título será The Beatles — The Biography: Tune In, Vol. 1 (o que me leva a crer que o segundo se chamará Turn On e o terceiro, Drop Out; títulos adequados, a propósito). Quando finalmente for publicado, vai dispensar virtualmente todas as biografias dos Beatles, o que inclui a maioria dos livros recomendados aqui.

A vingança dos clones

E-mail recebido de repente, não mais que de repente:

Antonio G.
to rafael.galvao, me

Boa tarde Rafael.
Favor fazer o depósito referente a 23/12/2010 no valor de R$ 950,00.
Banco itau
Ag.: XXXX (fica em Copacabana)
Cc.: XXXXX

Até onde sei não tenho nada alugado no Rio, e tampouco conheço algum Antonio. Isso, no entanto, obviamente não podia ser empecilho para uma resposta adequada e respeitosa, porque credores merecem sempre alguma explicação. Pelo menos os dos outros, porque aos meus já estou acostumado e não ligo mais.

Caro Antonio,

Infelizmente, não posso pagar agora.

Para não parecer que deixo de pagar por má vontade, coisa que minha saudosa mãe ensinou a nunca fazer, deixo abaixo uma rápida explicação das tribulações por que tenho passado nos últimos meses.

Minha mãe faleceu e minha mulher decidiu se separar de mim, levando consigo muitos dos bens que amealhamos juntos. A esta altura, ela está se divertindo com o meu melhor amigo, ou melhor, ex-amigo. O mesmo para o qual emprestei uma soma considerável há alguns meses, e que, se não me pagou até agora, dificilmente pagará.

Além disso, estou de aviso prévio no emprego; meu hábito de beber incomodou a um dos chefes, que tem me perseguido desde que entrou na empresa. Como medida de precaução, subloquei um quarto para uma amiga que, desde que a Help fechou, também tem passado por sérias dificuldades. Os vizinhos têm estranhado o constante entra e sai de homens do meu apartamento — já que, como o senhor sabe, eu sempre fui um homem caseiro –, mas essa medida me ajudará a pagar o aluguel eventualmente.

Por tudo isso, peço a sua compreensão no sentido de me dar um prazo para regularizar minha dívida.

Obrigado.

Eu até começo a aceitar que tenha clones poetas, carnavalescos e quetais mundo afora. Mas caloteiro, não. Aí já é sacanagem.

Um cinema em cada esquina

Eu devia ter comentado na época, mas achei tão insano que era melhor não falar nada. Durante a campanha eleitoral, no entanto, o tema voltou à baila. Dilma tocou no assunto, e a candidata do PSOL ao governo de Sergipe, Avilete Cruz, também defendeu a proposta de implantar uma sala de cinema em cada cidade do interior (e outras mais importantes que fizeram o PSOL pedir desculpas à sociedade sergipana pela sua candidatura e tornaram a senhora, professora bem intencionada mas absolutamente despreparada, motivo de piada entre seus conterrâneos). O assunto ainda é válido. Apesar de insignificante, porque é o tipo de proposta que nunca, nunca sai do discurso.

O caso é simples: eles podiam muito bem anunciar que vão criar uma escola de datilografia em cada município, um realejo com um macaquinho dançante em cada esquina ou uma fábrica de escarradeiras para atender o pujante mercado nacional. Daria no mesmo.

Não é apenas que essa idéia seja absolutamente impraticável, como comentou o Inácio Araújo. O problema é que a defesa desse tipo de coisa representa uma visão atrasada do valor do cinema, como arte e como simples edifício, e principalmente do papel das políticas públicas de cultura.

Já faz algum tempo que os cinemas perderam sua função original, por mais que isso doa em saudosistas como eu. Os cinemas de rua estão acabando porque as pessoas simplesmente não vão mais a eles, na maioria dos casos. Se os multiplexes de shopping sobrevivem, não é porque são o único lugar onde se pode ver um filme, ou mesmo o lugar onde se pode vê-lo numa tela grande, mas pela experiência social que oferecem. Ir ao cinema hoje é um passatempo caro, que vale não pela apreciação da arte cinematográfica, mas por equivaler, de certa forma, à ida a um restaurante mais caro ou uma viagem a uma cidade vizinha.

A importância dada ao cinema, ao edifício em si, acaba sendo supervalorizada e deturpada, quando se faz a equação entre o mundo desejável e o possível. E mascara uma incompreensão absoluta do papel da sétima arte, da política nacional de cultura e do mundo em que vivemos. Ao Ministério da Cultura e à intelligentsia nacional o que deveria importar não é se vai haver ou não cinemas em cada grotão deste país, mas se as pessoas terão ou não acesso à informação cultural.

Porque não é o suporte físico que faz o valor de uma obra: é o que ela conta e como ela conta. Mais nada. Telas cada vez maiores com resoluções que aos poucos vão se aproximando do ideal já fazem dos aparelhos de TV um suporte tecnológico melhor que os projetores de que, por exemplo, Charles Chaplin ou D. W. Griffitth dispunham para exibir seus filmes. Oferecem uma experiência suficientemente adequada para a apreciação de uma obra cinematográfica — pensando bem, ainda têm a vantagem adicional de não trazer como brinde idiotas falando alto atrás de você, ou o barulho onipresente de pipoca sendo mastigada ou sacos plásticos sendo abertos. De qualquer forma, a maior parte dos cinéfilos de hoje viram os grandes filmes que precisavam ver em telas pequenas — na TV aberta ou por assinatura, em videocassetes ou DVDs. Não precisaram — e nem podiam, na verdade — ir a um cinema para ter acesso ao conteúdo de que precisavam.

Se o governo quer levar o cinema ao povo, antes de anunciar a idéia mirabolante de construir um cinema em cada município — o que não aconteceu sequer quando o cinema era o único lugar onde se poderia ver filmes, e o preço dos ingressos era muito mais acessível –, deveria em primeiro lugar fortalecer as TVs públicas e dar condições de torná-las mais atrativas aos telespectadores. Devia levar banda larga de internet. Deveria lembrar que, já que paga para que brasileiros façam filmes, poderia facilitar a distribuição e o compartilhamento dessas informações pela rede — ou seja, poderia definir e exigir as contrapartidas sociais que cineastas como Cacá Diegues denunciaram com horror que julgo genuíno. O futuro está aqui, é inexorável, e acontece independente de políticas culturais equivocadas de governo.

A valorização do cinema como experiência social compartilhada também deveria estar fora da alçada do Estado. Porque há outras formas, mais baratas e também necessárias, de valorizar a cultura e oferecer lazer ao povo. Outras formas de arte mais baratas e também relevantes podem ser incentivadas, e deveriam ser objeto de mais atenção do governo, ainda que demagógica.

O exemplo mais óbvio é o teatro. Em vez de criar um cinema em cada cidade, mensagem que enche de alegria os corações de Luiz Carlos Barreto e da Globo Filmes em sua utopia, o Governo poderia tentar criar um teatro em cada município, e descobrir formas de incentivar a formação de grupos. É até mais justificável: o teatro é uma experiência artística irrepetível fora do palco, e justifica esse ardor estatizante. Tudo bem, a maior parte da produção será intragável — mas isso também vale para o cinema. Além disso, por mais importante que seja o cinema como elemento da formação cultural do povo, há um limite de bom senso que se deve chegar. Por exemplo, por que é tão importante que alguém em Serra Talhada, Pernambuco, veja um filme sobre o submundo carioca ou as angústias existenciais de um morador do Morumbi? Por que não seria mais importante que ela pudesse criar seus próprios espetáculos de teatro, em que a sua sociedade se enxergasse e que pudessem ser compartilhados com outras regiões do país?

A ênfase no fomento ao cinema, quando chega a esse ponto, reflete muito mais as aspirações de determinado segmento social do que as necessidades culturais do povo brasileiro. A função do Governo não deve ser, intrinsecamente, garantir a produção de cinema. É garantir que o povo tenha acesso à produção brasileira de cinema. O financiamento da produção, nos termos e circunstâncias atuais, acaba sendo uma consequência necessária. É preciso ter isso em vista. Porque quando a razão das coisas é invertida o risco é que se chegue ao absurdo e ao total desvirtuamento da função de um Ministério da Cultura.

Cine Palace

Há meses, muitos meses que não vou ao cinema. Mas não é isso que me dói, é o fato de que não sinto falta, de que passo pelos cartazes dos filmes em exibição e não sinto vontade de entrar para assistir nada, eu me dou ao respeito e não vou ver “Nosso Lar” e não vou ver a última bobagem que Hollywood fez.

Talvez seja a idade, talvez seja o fato de que os filmes estão tão ruins, talvez seja o fato de que as redes de cinema homogeneizaram tudo cá no meu canto.

Talvez no fundo eu seja um nostálgico. Porque se em geral me vejo embasbacado pelas belezuras que os novos tempos trazem, se acho graça nas internets e nos celulares, nos twitters e nos blogs, com algumas coisas fica uma sensação de tristeza pelo que se perdeu. E não é apenas um tipo de vazio fraquinho ao ver que uma parte do meu passado se foi; é a sensação de que algo importante, e melhor, acabou para sempre.

Senti isso de novo ao entrar no prédio do antigo Cine Palace.

Treze anos atrás o último cinema sério de rua de Aracaju fechou. O Palace virou um bingo, menos mal; há até uma certa poesia nisso, um bingo também é um lugar de sonhos — mas depois o bingo também fechou, e agora estão terminando as obras que vão transformar o antigo cinema, que formou gerações de cinéfilos em seus 40 anos de vida, em uma loja popular.

O Palace tinha uma bela escadaria para o mezanino, mas ela foi demolida apesar de algumas pessoas terem tentado preservá-la. Agora o cinema não é mais nada, é só um vão enorme feito para acomodar mostruários e araras onde senhoras pobres comprarão roupas para seus filhos.

Uma vida atrás o Palace tinha bancos que foram confortáveis, mas já há 20 anos apenas rangiam — hoje, coitados, devem estar acomodando as bundas pias de evangélicos orando por um Deus que não os ouve. Tinha, acho que já disse, um mezanino onde as pessoas iam namorar ouvindo o barulho dos rolos de filme no projetor — eventualmente também os barulhos de tapas se uma mão ousava mais do que o permitido, ou muxoxos de um namorado que sabia que poderia conseguir mais do que já tinha. No hall de entrada, além de espaço para dezenas de cartazes, havia uma bombonière e um bebedouro, e uns sofás para quem chegava cedo demais e não queria entrar com o filme já começado, ou que esperava a namorada chegar, ela que provavelmente viria a pé da rua Santa Luzia ou da rua Campos.

Não é exatamente que eu sinta pena de quem nunca foi a um cinema de rua, porque essa arrogância de gerações passadas é falsa e injusta, é coisa de velho burro que não entende as novas maravilhas. Mas eu preciso lembrar que um cinema de rua como o Cine Palace era um local e um evento muito mais imponente, muito mais significativo, muito mais rico do que essas salas de exibição que hoje se amontoam em shopping centers.

Cinema de shopping é só mais uma loja, um elemento a mais em um mix comercial que tem basicamente o mesmo peso de uma Casas Bahia ou de um Ponto Frio, e pode ser substituído fácil por outra coisa. Mas um cinema de rua era mais que isso. Era, antes de mais nada, um marco urbano da cidade. Era um dos referenciais da identidade de um local, era motivo de orgulho de seus donos — que normalmente gostavam de cinema, não eram apenas executivos preocupados somente com o dinheiro que entra.

Agora eu penso em um exemplo simples da diferença entre um cinema e uma “sala de exibição”: hoje só se faz um tipo de cartaz para um filme. Mas antigamente, além do cartaz principal, havia ainda cartazetes que traziam cenas do filme e se espalhavam pela entrada e pelo lado de fora do cinema — eles tinham um nome específico, eu só não lembro qual era.

Talvez seja sinal de velhice inadiável e precoce, mas me sinto bem por saber que vivi um tempo em que as pessoas ainda fumavam nos cinemas; em que as bombonières no saguão eram um acessório, não o principal negócio do exibidor. Era um tempo em que as pessoas saíam para ver um filme, talvez mais do que ir ao cinema. E nessa pequena escolha de palavras há um mundo inteiro de diferenças.

Seria pretensão demais querer que a queda de um cinema fosse o início da decadência de um local; na verdade é o contrário, o fim deles é indício de que a vaca já foi para o brejo, e que o centro da cidade perdeu uma de suas funções sociais e perdeu o carinho e a consideração da elite de um lugar. O fim do cinema de rua é o anúncio de tempos diferentes, em que as lojas chiques serão substituídas por magazines populares, a butique onde a mulher do governador comprava agora vai dar lugar a uma Marisa ou a uma Binoca – ainda existe Binoca? –, as lojas de sapatos vão empregar arremedos de locutores que ficarão na entrada, microfone na mão e amplificador Wattson ao lado, anunciando as promoções e chamando os passantes para conferi-las. Quer dizer que à noite só restarão mendigos, prostitutas e ladrões.

Ô Amaral, meu poeta, você não lembra dos bons tempos do Palace? Eu penso em você quando imagino um menino véio amarelo do buchão chegando a Aracaju nos idos dos 50 ou 60 e vendo o mar e o cinema, porque eu sei que você pode fazer poesia disso — mesmo que não tenha tido esses alumbramentos todos. Eu não posso, infelizmente; você sabe que o meu negócio é sair no tapa com a vagaba da Musa, porque eu não gosto de mulher que me olha com desdém. Tudo o que posso é sentir uma tristeza imensa cada vez que um cinema que eu conheci é mutilado e humilhado, como o cine Palace agora.

Momentos antológicos do kinemanacional

Não levo o kinemanacional mais a sério do que deveria. Uma cinematografia que começa a se afirmar, muitos filmes sobrevalorizados, uns poucos subestimados (como “Cidade Baixa”, de Sergio Machado com roteiro dele e do Karim Aïnouz, autor de “O Céu de Suely”), e uma indústria que se autoalimenta e autoelogia.

Mas reconheço que há alguns momentos magníficos na cinedramaturgia nacional, que não foram e provavelmente jamais serão superados, e que ninguém me venha com um sueco aqui ou um francês ali, que nenhum deles conseguiu entender a esse ponto a verdadeira essência das coisas — acho que os italianos chegaram mais perto, mas isso não é grande coisa. É nessas horas que o kinemanacional se faz digno do seu nome.

Dona Flor e seus Dois Maridos (Bruno Barreto, 1976)
Vadinho você conhece, é o sujeito que todo baiano gostaria de ser.

Infelizmente santo de casa não faz milagre e quando ele pede a Dona Flor dinheiro para cair na gandaia sua mui devota esposa não entende a sua natureza, e se nega, não vai dar ao marido o dinheiro que reservou para a Santa Madre.

Mas Vadinho sabe das coisas, e sabe que não é justo que coisa tão material como o dinheiro seja destinada àquela que deveria se limitar a cuidar só das almas, quando poderia ser muito mais bem aproveitada num puteiro qualquer da Ladeira da Montanha — naquela época ainda havia puteiros na Ladeira da Montanha — ou num boteco do Taboão.

“Me dá o dinheiro, porra!”, e dona Flor, coitada, não entende a ameaça contida aí, e se nega mais uma vez, porque Flor não compreende que o medo ao Senhor não deveria ser maior que o respeito a Vadinho. E então ele dá uns tapas em Flor e toma o seu dinheiro e vai para a esbórnia — palavra bonita, essa: esbórnia. Mais bonita e mais elegante que “putaria”.

Não é por bater em dona Flor, que em mulher não se bate nem com uma rosa, a não ser que ela peça com jeitinho; não é por bater em Flor que Vadinho alcança a sublimidade. Mas por estar disposto a transgredir qualquer senso de limite quando se trata de satisfazer os próprios desejos, e por tirar o dinheiro a um padre ladrão, e por impor as necessidades da carne às vontades do espírito. Vadinho ali se torna o herói de tantos e tantos moços, e se tornou o meu também, pelo menos nos poucos anos em que a triste realidade da minha própria inapetência não me fez abandonar os sonhos de ser um Vadinho e me conformar em ser no máximo um Teodoro — é Teodoro o nome do desgraçado?

O Cheiro do Ralo (Heitor Dhalia, 2006)
“O Cheiro do Ralo” é daquelas obras que fazem as pessoas saírem do cinema achando que assistiram a um grande filme quando na verdade viram apenas um grande tipo, aquele interpretado por Selton Mello.

Mas há nele um instante absolutamente maravilhoso, uma cena que, pela primeira vez em muito tempo, me fez derramar uma lágrima compungido em um cinema lotado, na abertura de um festival quando eu ainda ia para essas coisas.

É quando Selton Mello, diante da bunda da Paula Braun, se ajoelha, se abraça a ela e, com o rosto afundado naquela protuberância calipígia, derrama um pranto emocionado.

Não são necessárias palavras para explicar o que essa cena tem de sublime. O moço ajoelhado prestando a justa reverência ao belo absoluto não é apenas um centurião romano espalmando a mão e gritando “Ave, César!”. Ali, Dhalia conseguiu resumir ema cena apenas toda a verdade da vida, e por essa cena o filme se tornou imortal.

Mulheres, Mulheres (Carlos Imperial, 1981)
Só por ser do Carlos Imperial a gente já fica achando que “Mulheres, Mulheres” é avacalhação. E é, não dá para negar. Pelo menos é avacalhação com pedigree razoável, porque o filme se diz inspirado em Pasolini. É a sina triste de certo kinemanacional, almejar coisas tão grandes mas se esborrachar no chão da má realização.

A referência italiana não esconde, no entanto, que esse é um filme tipicamente brasileiro: um homem em luto pela perda da esposa começa a delirar, e o resultado são cenas e mais cenas de putaria e sacanagem, às vezes evocando um Busby Berkeley, às vezes parecendo coisa de puta ruim de cabaré do interior.

Eu tenho a impressão de que o Imperial fez o seu casting nas termas do centro do Rio. Algumas são muito boas no seu mister; a maioria, no entanto, além das caras de piranha de fim de noite na finada Help, estão tão à vontade diante das câmeras como estariam diante do seu primeiro cliente.

O filme pretensioso e ruim tem uma pequena epifania, no entanto, quando Imperial em seu delírio enraba sua anja da guarda.

Não há cena mais bela e metafísica do que essa em toda a história do kinemanacional; pode até haver igual, mas superior não há, não pode haver: Carlos Imperial e sua barriga imensa e flácida, montado sobre uma anja da guarda com cara de puta do baixo meretrício de Cabrobó. As pessoas dificilmente entendem o que há de redentor nisso, não entendem o grande debate metafísico por baixo da barriga de Carlos Imperial, não entendem, e então a elas é negada a verdadeira sabedoria.

As alegrias que o Google me dá (XLIII)

lista dos atores dos filmes de holiwood anos 90
Máicon Jécson Oliveira, Greice Kely Ferreira, Willames Holden Nogueira, Ranfrei Bogar dos Anjos, Stéfany Menezes, Jhon Weyne Santos, Jhon Kenedy da Silva. E não ligue para o que o tabelião disser: o filho é seu e você dá o nome que quiser. Quem vai sustentar não é você?

quando cymbalta começa a ter reação
Eu não sei, mas se ele começar me avisa para eu sair correndo, tá?

modelo de redaçao pronta de quem sou eu
Começa assim: “Meu nome é Fulano. Eu sou um idiota incapaz de escrever uma redação escolar.”

goiano gosta de sexo
Claro que gosta. Desde que seja adequadamente pago. Goianos são bons profissionais e gostam do trabalho que fazem.

homen rico carente que tenha a pica grassa
Sonhar não é pecado, não paga imposto e ainda deixa a vida mais doce, não é?

tomava venlafaxina e troquei para a sertralina mas está demorando para fazer efeito
Quer saber? Passe logo para a purpurina, solte a franga e seja o que Deus quiser.

sinto fraca tonta mole tremedeira o que seria ?
É fome. Foi o Bolsa Família que atrasou esse mês.

como fazer para aumentar o penis natural
Má notícia: o natural vai ser sempre essa pouca titica que você tem. Por isso arranje logo um artificial, que esse pode ser do tamanho que você quiser.

eu preciso do cu do companheiro
O PSTU está avançando. Durante a campanha foi só o beijo gay. Mas o beijo excita, as mãos se tocam, e então o companheiro entra na roda.

site dos miches brasileiros na espanha
Vá em www.saudadesdegoiania.com.es.

qual a ideia defendida pelo autor sobre o filme o problema não é meu
Não sei. Esse problema também não é meu.

minhas carnes estao mole depois que deixei de tomar ormonios
E você pensando que a vida de travesti era um paraíso, hein? É não, minha filha. A beleza custa caro e exige sacrifícios, e isso quer dizer que você vai ter que cair na academia e na drenagem linfática como toda coroa.

o que É a covinha no queixo
É um cu facial.

contos eroticos com padres
Começa assim: “Senhor editor, sempre leio com prazer pio as epístolas neste conclave, mas nunca pensei que algo parecido fosse acontecer comigo. Até o dia em que aquele menininho puro, inocente e sedutor entrou na sacristia e me dirigiu um olhar lúbrico e sensual…”

como comer un cu sem dor
Vem cá… Essa preocupação toda… Ninguém tem tanta preocupação com o cu alheio, vamos ser sinceros. Não seria como dar sem dor, não? Eu acho que você está escondendo o jogo aí.

porque aparece o penis do meu amigo maior
Você devia ter percebido isso na hora de fazer troca-troca com ele. Não viu o risinho na cara dele, não?

meu filho acoda a noite com tremedeira
Isso é síndrome de abstinência. Volte a colocar cachaça na mamadeira dele.

testes se sou ninfomaníaca
Quando você descobrir se é ou não, volte aqui e me deixe o seu telefone, por favor.

sugestões de atividades com historias infantis envolvendo alguns valores
Aí depende. De quanto, em valores, estamos falando, mesmo?

no arquivo de fotos deste blog encontramos dona jesuína com o …
… seu amante, que lhe batia e ainda tomava o dinheiro que seu marido lhe dava, e um dia deu a louca e foi embroa para a Vila Mimosa.

rimas com o ornitorrinco
Sim, procurei com afinco
Uma rima para ornitorrinco
Achei apenas, sob um teto de zinco
Um velho terno sem vinco
Pendurado numa droga de trinco
– Aliás, mais que um: cinco –
E que mesmo assim estavam um brinco
Aí, quer saber?, deixei a rima para lá e mandei você ir se foder.

sexo puta 75anos
Ela tá pagando quanto, mesmo?

rafael o quereres
Tu não queres porra nenhuma que isso aqui não é a casa da mãe joana. Vai circulando.

de onde vem expressão cabra
É que cá no Norte, quando faltava mulher, a gente não passava aperto. Mas essas coisas acostumam e viciam, você sabe, e uns sujeitos começaram a preferir as cabritas às moças. E passavam a ser conhecidos pelo nome de cabras.

preciso ser corno como fazer
Algo me diz que você não precisa fazer nada. Basta esperar.

qual o nome do cantor que É considerado o simbolo mÁximo do rock and roll? em que ano ele nasceu?
Nelson Ned. Nasceu há 10 mil anos atrás.

fdp de google me dá um emprego ?
Ele ia, mas aí viu que você o xingou, e ficou magoado, e mandou você à merda. Passarinho que briga com pé de pau não tem onde ir dormir, e por isso só lhe resta tentar o Yahoo. E, se não for pedir demais, pense na razão de você estar desempregado e conversando com o Google.

cocar o peito fica como chupao
Só se for o chupão de um incompetente. Por isso, meu filho, se você está desconfiado das ações de sua namorada, que lhe apareceu descabelada, vermelha e com essa história, eu recomendo que largue logo essa moça. Não porque ela te trai. Mas porque te cornear com um incompetente desses já é humilhação demais.

um calice de vinho por dia pode se tomar com medicamento sertralina
Matéria de estudo, essa aí: cachaceiros também são vítimas de depressão.

rafhael galvão bibliografia
“Rafael Galvão, Esse Desconhecido”, de Zé da Silva;
“O Que Aprendi Com Rafael Galvão”, de John Holmes;
“A Verdadeira História de Rafael Galvão”, do Barão de Munchausen;
“Um Dia Eu Pego Esse Safado”, edição conjunta do SPC e do Serasa.

melhores videos engraçados da nova ortografia brasileira
O melhor é o da queda do trema. Ele se estabocou no chão, e ao ver a cena o fantasma do Houaiss tinha frouxos de risos.

40 coisas que ninguem sabe
Eu não vou te contar.

site rafael.galvao.org videos porno com rafael galvao
O que eu fiz, ó Pai, para merecer isso? Você faz idéia do grau de bizarrice a que chegaria um filme pornô com Rafael Galvão? Não, não, ninguém merece isso.

sou um ser latino americano
Nos anos 70 esse moço aí fumou tanta maconha, bebeu tanto chá de cogumelo que o efeito até hoje não passou.

nome de artista brasileiro que morreram de ais
Eu não sei, mas morrer de ai deve ser bom, e ninguém pode aspirar a morte mais doce do que essa, abandonado nos braços de uma morena sestrosa; e se não for sestrosa, que essas coisas de sestros têm cara de Ari Barroso, que ao menos seja bem vadia.

o que o nome renata si quinifica
Não, ele não se quinifica. O processo de quinificação, bastante complexo e que se dá apenas em ocasiões bem específicas, não se aplica a nomes. Só a sobrenomes.

qual a diferença entre projeto e campanha
Da maneira mais didática possível: José Serra queria ser presidente da República e se preparou para isso. Isso é projeto. Aí veio a Dilma e jogou o projeto dele no lixo. Isso é campanha.

explicaçao espiritismo sobre aborto espontaneo
É que o bebê teve juízo, sabe, e resolveu não ter uma mãe como você. É a base da teoria do livre arbítrio.

o menor pênis humano do mundo
Tadinho. Deve ter feito uma cacetada de pesquisas sobre o menor pênis — e aí o Google, esse canalha, lhe encheu de fotos de mosquitos, de galo, de coelhos. Então ele cansou, e acrescentou o “humano” porque de dor já basta a de ter um pintinho deste tamanhinho. Mas a julgar pelo destino aonde o Google lhe trouxe, não adiantou muito. A sina de algumas pessoas é muito triste.

porque chamamos a bunda de bumbum
Porque bunda é um nome que, se o mundo fosse justo, designaria apenas algumas poucas escolhidas, dignas desse nome e do respeito que lhes é consagrado.

quando vou dormir sinto uma tremedeira e espasmos
E está reclamando de quê? Sabe quantas moças e moços vão dormir todo dia sem direito a essa tremedeira e a esses espasmos, e sonham com alguém para chamar de seu? Por que você é uma pessoa tão mal-agradecida?

significado o nome jarlene
Significa que seu pai é um escroto de mau gosto.

como sacanear as pessoas
Faz assim, ó: primeiro monta um blog. Aí checa os idiotas e loucos que vêm parar nele através do Google. O resto vem naturalmente.

ver novas fotos do velório do rafael no cemitério
Sabe, eu não ligo em saber que tem gente por aí querendo me ver num pijama de madeira. É gente demais e se eu for me preocupar com isso não faço mais nada na vida. Não ligo sequer em saber que, dentre esses, tem uns com tanta raiva que querem ver as fotos, para ter certeza de que fui desta para melhor. Mas, porra, me dá pelo menos o direito de um velório bonitinho, num velatório desses com água, cafezinho e bala para os convidados.

penis de judeu e fino?
Não. É curto, porque eles cortam uma parte fora assim que nascem.

ela é meio gordinha google…me fala de uma mulher gostosa google que fala de mim pra voçê? mais gostosa google que fala de mim para voçê?
O que essa gordinha gostosa fala para o Google é que você é um ruim de cama e ainda por cima tem pinto pequeno e também tem chulé e é por isso que ela dá para o Clêmisson. Mas não eu. Eu juro que fiquei sensibilizado com a poesia que o seu diálogo como Google evoca, e como se não bastasse, achei lindo o ritmo dessa frase.

sedativos que ajudam retardar a ejaculaÇÃo
Claro que retardam. Você começa a dormir e aí é que não ejacula mais mesmo, e a mulher, que não é besta, vai dar para outro, que ela tem mais o que fazer do que dar para um mané que ou dorme ou tem ejaculação precoce.

procure no rei do sexo rafael
Nem venha puxando o saco e bajulando que eu não vou dizer o que você quer ouvir.

qual a sigla de motel que vem na fatura do cartao
como descobrir motel extrato

Duas perguntas, um mesmo chifre, talvez.

rafael galvano
Já não bastava a enxurrada de “rafaéis galvão” que têm aparecido neste mundo, maculando meu nome e jogando minha parca reputação no lixo, e ainda vem uma versão paraguaia, tipo Sorny, HiPhone, essas coisas? Puta que pariu, aí já é sacanagem demais, e eu vou mudar meu nome para Severino.

parei de beber e perdir o tesão
Pois é. Parando de beber você viu melhor a baranga com quem tinha se casado. Volte a beber e salve seu casamento.

vacilei meu filho me comeu
Prova de que a educação que seu filho recebeu é uma merda, hein?

rafael galvão inferno
Não, meu filho. Apesar de suas pragas, eu vou é para o céu.

sonhar com o animal teiú morto significa o que?
Significa que sua mulher vai ficar muito doente.

adeus amor eu vou partir
Tchau. Que não seja por falta de adeus.

É aqui?

Acho que está na hora de voltar a escrever alguma coisa aqui.

O Captain my Captain!

O Captain my Captain! our fearful trip is done;
The ship has weathered every rack, the prize we sought is won.

Sobre o debate de ontem

O debate de ontem entre os candidatos à presidência me incomodou. E não foi apenas a dificuldade pessoal de Dilma em elaborar um discurso persuasivo, sedutor, chegando ao ponto de parecer menos simpática que, último entre todos, Serra.

A ênfase excessiva na privatização como está sendo feita, a não ser que as pesquisas me digam que estou errado, me parece um erro. 2010 não é 2006. Talvez a demonização de Serra como privatista, de maneira genérica, não seja tão eficiente hoje quanto a perspectiva de que tudo aquilo que os brasileiros conquistaram no governo Lula seja perdido com o modo de Serra governar.

(Um comercial de Serra veiculado naquele momento faz ataques pessoais a Dilma, colocando em dúvida a sua capacidade de gerenciar crises. Certamente é um comercial mais eficiente, mesmo mentindo, mesmo apelando para a baixaria, do que comerciais conceituais condenando a privatização.)

Por exemplo, Dilma precisa aproveitar as oportunidades que aparecerem para lembrar que “eles” passaram oito anos dizendo que o Bolsa Família não prestava, que era bolsa-esmola. Eles nunca entenderam o que o Bolsa Família representa para quem agora sabe que no dia certo vai ter o dinheiro para comprar pão e leite para seus filhos. Ela precisa olhar para a câmera e falar para cada brasileiro: “Você lembra: eles diziam que o Bolsa Família era salário para vagabundo, para gente que não queria trabalhar. Agora, só para se eleger, dizem que vão até criar o décimo-terceiro do Bolsa Família. Será que eles acham que alguém acredita nisso?”

Além disso, Dilma parece ter uma tendência a ficar no varejo das coisas. Tem domínio dos números; mas números são importantes, mesmo, quando fornecem a base para a construção de um sistema de valores que represente a importância do governo de que ela foi parte fundamental.

Ela acaba se comportando mais como a excelente administradora que é, a mulher que pode fazer o Brasil continuar a crescer, do que uma candidata a um cargo político eleitoral. Esquece de contextualizar o que representa o governo Lula, esquece de trabalhar valores como a satisfação dos brasileiros com as suas vidas e a esperança no futuro para ficar em dados burocráticos. Pelo menos nesse debate, faltou a ela a capacidade retórica de construir um raciocínio político que extrapolasse os dados puros e deixasse claro que ela é a única pessoa que pode dar continuidade a um governo que é muito mais do que as obras que realizou. Dilma não está conseguindo captar e comunicar os valores do governo Lula.

Quando Serra insistiu nos recursos do FAT, dizendo que havia emprego de sobra e trabalhador qualificado de menos, ela primeiro deveria aproveitar e lembrar que isso é um grande exemplo do crescimento do país durante o governo Lula; no tempo do governo dele e de FHC era diferente, faltava emprego, o Brasil não crescia, como cresce hoje a 7,5% ao ano. E então ela engatava a segunda e explicava o que significa o número de escolas técnicas construídas. Mostrava que o governo ampliou o acesso ao ensino profissionalizante, explicava a filosofia por trás disso. Deveria mostrar que, mesmo mantendo a qualificação dos trabalhadores, o Governo Lula está oferecendo chances aos jovens que nunca foram oferecidas.

Quando Serra mencionou estradas — embora eu tenha a impressão de que ali havia uma pegadinha, que não sei qual é — ela deveria ter lembrado, antes de mais nada, a herança maldita. Deveria lembrar que ela e Lula — não ela, não Lula: ela e Lula –, ao chegar ao governo, encontraram as estradas destruídas por FHC. Devia falar diretamente ao telespectador: você lembra como era, sabe como era difícil. Serra e Alckmin resolveram isso privatizando estradas, vendendo o patrimônio do povo paulista, e criando pedágios e mais pedágios nas rodovias de São Paulo; é assim que eles fazem o cidadão pagar por um serviço que deveria ser público, e hoje um cidadão tem que pagar sei lá quantos reais — eu não sei o valor; ela tem obrigação de saber — para ir do Rio a São Paulo. Agora, para você ver a diferença entre o nosso governo e o deles: nós também encontramos as rodovias abandonadas no Sul, no Nordeste. Mas em vez de privatizar, nós investimos na recuperação e ampliação das estradas em todo o país. Neste exato momento, enquanto o Serra cobra pedágio, nós estamos duplicando rodovias em Sergipe, em X, em Y. Ao todo, investimos três vezes mais do que o Governo de Serra e FHC. É claro que não pudemos fazer tudo o que era necessário. Ainda falta fazer muito, é claro — segue lista de obras principais, incluindo as do Mato Grosso. E termina: é isso que está em jogo agora. O eleitor vai decidir entre dois modos bem diferentes de governar: se quer as estradas pelas quais passam todos os dias privatizadas, cobrando pedágios absurdos e extorsivos, ou vai eleger um governo que investe o dinheiro público em obras importantes para o futuro e para mais brasileiros.

Dilma domina os números. Mas precisa dominar, acima de tudo, os conceitos. A discussão sobre números interessa a Serra, porque é ele quem precisa desconstruir a obra do governo Lula; Dilma não precisa reafirmá-la de maneira absoluta até porque os 80% de aprovação popular do governo Lula não se devem aos seus belos olhos. Em vez disso, ela precisa retomar o seu significado. Dilma precisa, acima de tudo, evocar a mágica de uma obra sem precedentes na história deste país.