As gracinhas do senhor Biajoni

O senhor Luiz Biajoni, com quem cortei relações há meses, me mandou “Pulp”, de Bukowski, como presente de Natal. Junto, mandou as duas edições impressas do Tiro e Queda.

Feliz, agradecido, lá fui eu folhear o livro e ler os jornais. Talvez por isso só tenha prestado atenção ao envelope muito tempo depois.

O indigitado senhor não resistiu à tentação de incluir seus comentários sarcásticos e ferinos. Ali está, no que deveria ser apenas meu endereço: “Ed. Stephanie (ui!)“.

É por esses pequenos detalhes que eu não falo com esse senhor.

Sob o Domínio do Mal

Quarenta anos deveriam bastar para que se fizesse um filme melhor que sua primeira versão. Infelizmente, isso raramente acontece.

“Sob o Domínio do Mal”, a nova versão do filme maldito de 1962, tinha alguns elementos que poderiam fazer dele algo melhor que o original. Tem Denzel Washington no papel de Frank Sinatra, por exemplo. Denzel é um grande ator, enquanto Sinatra era apenas “a Voz”. Meryl Streep pega o papel de Angela Lansbury, mantendo as coisas em alto nível, e Liev Shreiber ocupa o lugar de Lawrence Harvey; talvez tenha sido escolhido por sua semelhança.

Infelizmente, Jonathan Demme também pega as funções de John Frankenheimer, e é aí que as coisas realmente complicam. Demme não é, nunca foi um diretor à altura de Frankenheimer.

O filme original era produto da Guerra Fria. Nele, o inimigo interno era marionete do comunismo internacional, personificado pelos chineses maoístas durante a Guerra da Coréia. Agora, com a China crescendo assustadoramente e se posicionando como a próxima superpotência econômica e deliciosamente capitalista — pelo menos para aqueles que moram nas zonas especiais –, o inimigo é o capital internacional, dentro de uma conjuntura em que a América se vê assustada pelo terrorismo internacional. Trecos internacionais demais em um filme só, mas deixo essa. Assim como os maoístas de azul, os capitalistas não têm escrúpulos; assim como os bolcheviques, eles acreditam que todo o poder emana do presidente.

“Sob o Domínio do Mal”, versão 2004, tem técnica cinematográfica muito mais apurada do que o filme original. Mas isso sequer deveria ser uma questão. Resta a forma como o filme é conduzido, e é aí que Demme se perde.

Durante quase todo o filme, Demme faz um bom trabalho. Talvez a idéia do tal capital como grande vilão já esteja um pouco batida, mas sempre pode render alguma coisa; certamente rende mais que petrovilões de turbante. Além disso, há a conjuntura de uma América que quase perdeu seus princípios por causa do medo, e isso é bem explorado no filme. Nnada, no entanto, que faça esquecer o primeiro.

A melhor idéia em “Sob o Domínio do Mal 2004” vem no final, quando os personagens têm seu papel invertido. Mas é justamente essa boa idéia que leva ao final medíocre e equivocado do filme, um final tão feliz que mesmo a mais deslavada comédia romântica teria vergonha de mostrar, com o mal punido exemplarmente e os bons tendo uma nova chance.

Reacionário ou não, alarmista ou não, o primeiro filme era brilhante e não fazia concessões. É o contrário da versão de Demme, que abdica de um filme razoável em busca de um final “aceitável”.

A versão de 1962 se revelou tragicamente profética um ano depois, quando Kennedy foi assassinado; foi o que causou a desgraça do filme. Talvez Demme tenha querido fugir dessa sina, ou talvez simplesmente tenha decidido fazer uma profissão de fé na capacidade do povo americano de superar os tempos difíceis que atravessa e defender a democracia.

Provavelmente teria se dado melhor se tivesse tentado fazer apenas um bom remake.

Ora, direis, ouvir estrelas

Twinkle, twinkle little star

Flagrante do momento em que o bloguista ensina sua filha a reconhecer constelações, com a ajuda de alguns programas de astronomia, e em que o mesmo bocó fica sabendo que aquela estrela brilhante, que ele apontava como a Estrela d’Alva, na verdade era Sirius. E que o planeta amarelado que ele apontava como Marte era Saturno.

Por que este blog sumiu

Os últimos dias foram difíceis para este blog.

Aí pelo dia 29, o provedor onde ele estava hospedado, Sunhost, saiu do ar.

Quando eu estava pensando em abandonar o Blogger, pesquisei uma série de provedores de hospedagem. Sabia o que precisava e sabia o quanto estava disposto a pagar.

A perspectiva de um provedor brasileiro era mais interessante por uma razão: suporte. O que a Sunhost oferecia era adequado para mim: 2,5 GB de transferência, 500 MB de espaço (depois foram aumentados para 3 GB e 1 GB, respectivamente). Na época, eu não usava sequer 300 MB de largura de banda por dia. E ainda hoje não uso mais de 100 MB de espaço em disco.

O que me impressionou foi a promessa de atendimento. Bastou ir até a página deles para ser atendido por instant messaging. Achei interessante; sabia que depois que assinasse isso ia mudar, mas o começo era promissor e deixava a esperança que a mudança não fosse tão grave assim.

Ledo engano.

Meu primeiro pedido de suporte foi sobre o Eudora, que eu não estava conseguindo configurar. Expliquei o caso, enviei screenshots. A resposta foi que eles não ofereciam suporte ao Eudora. O problema, no fim das contas, era uma bobagem relacionada a autenticação, coisa que qualquer idiota deveria entender. Acabei resolvendo sozinho.

Ainda fiz algumas perguntas que não tiveram respostas, relativas a sub-domínios, etc. Minha indignação chegou ao limite quando eles começaram a nem sequer responder os tickets de suporte — especificamente um sobre cron jobs, que ao que tudo indicava não funcionavam. Como no Movable Type estava tudo aparentemente certo, eu tinha quase certeza de que o problema era lá; no entanto, eles sequer disseram: “olha, o problema não é aqui”. Simplesmente não responderam. Foi quando descobri que nem telefone para suporte eles tinham. Você tinha que mandar um e-mail e rezar para eles responderem.

A essa altura eu já tinha começado a procurar novos provedores. Foi nessa época que o Reginaldo estava procurando um provedor para o Singrando; eu já comecei a falar mal da Sunhost aí. Mas as coisas ainda iam piorar.

Para que se tenha uma idéia, eu tinha transferido meu domínio para uma das empresas deles. Quando transferi novamente, agora para a GoDaddy (sempre em busca de um registrar mais barato), mandei um e-mail para eles solicitando o código de autorização. Nada. Eu tive que achar o registrar primário deles para conseguir o tal código. Quase uma semana depois de já ter transferido o domínio e ter esquecido do caso a Superdomínios, a tal empresa deles, me mandou o código. Piada. Quase tão grande quanto o fato de eles, desde o início, anunciarem um “painel de controle” que nunca instalaram.

Mais: comecei pagando por cartão de crédito, que eles debitariam automaticamente. Depois que passei a pagar por transferência bancária, a coisa degringolou um pouco. Acredite: eu nunca soube exatamente o dia de vencimento, nem eles se incomodavam em cobrar. Apenas cortavam o acesso depois de vencido.

Ultimamente minhas necessidades aumentaram. Estava quase chegando ao limite de transferência. E aquilo, de repente, se tornou caro para o que me oferecia — sem a vantagem do suporte.

A gota d’água foram as constantes quedas do serviço nos últimos dias. Outras coisas já vinham me irritando, como o Awstats deixando de rodar (e o que seria das “Alegrias do Google” sem o Awstats?), mas o que realmente me tirou a paciência foram as várias vezes que tentei acessar o blog — e principalmente meu e-mail — e ele estava fora do ar.

No dia 29 o provedor deu um revertério enorme. Ficou 24 horas fora do ar. Dessa vez eles resolveram o problema, embora não com a presteza que seria necessária. Mas tubo bem. Foi nesse intervalo que mudei para a AddAction.

Tive muitos problemas para colocar o PHP para funcionar, já que a AddAction tem uma configuração diferente, mas o que me impressionou foi o suporte deles. Mesmo no Ano Novo (vim para cá de madrugada, tentar resolver o problema), tinha gente trabalhando e tentando resolver o problema, na mesma hora em que abri um ticket de suporte.

Só fui resolver agora, mas sei que posso contar com o suporte deles. Isso é reconfortante.

E feliz 2005 para todo mundo.

Uma prece a Oxum

Durante muitos anos acreditei que macumba era coisa de baiano pobre.

No modo simplório como eu via as coisas, gente com algum nível econômico simplesmente evitaria essas obrigações, por não acreditar, por estar enraizada na tradição iluminista ocidental.

Mas a vida vai nos ensinando algumas coisas.

Moro em um bairro bem razoável de Aracaju, a 13 de Julho. Para os padrões da cidade, bem diferentes dos cariocas, é um bairro razoavelmente caro. De acordo com aquela tese, seria o último lugar onde despachos dariam o ar de sua graça.

Um domingo desse eu ia caminhando pela rua com minha Febem particular (minha filha e meus dois sobrinhos) rumo a uma doceria que minha filha adora. E de repente vejo no chão algumas tigelas de barro quebradas e dois bonequinhos de pano, pretos como azeviche.

Yo no creo en brujas mas não custa desviar.

Os dois bonequinhos provavelmente significam que aquele é um “ebó de amor”, que alguma mulher (é sempre mulher que faz essas coisas) alucinada de paixão resolveu que um homem vai ser seu — ou que não vai ser de outra pessoa. Não é uma encruzilhada; está diante de um edifício, onde ele ou ela — ou quem sabe os dois juntos — devem morar.

Escrevi paixão, mas ainda não me convenci. Isso não pode ser paixão, e ainda menos sonhar em ser amor. É algo pior, baixo, mesquinho.

É ódio.

O Ministério da Saúde adverte

Há alguns anos ganhei um Zippo, uma edição comemorativa dos Beatles. Perdi em algum lugar da vida.

E só agora, depois que George Harrison, a primeira mulher de Ringo Starr e a primeira mulher de Paul McCartney morreram de câncer, é que percebo uma coisa: acho que não vai haver mais isqueiros Zippo dos Beatles.

Lemingues

Cresci acreditando que lemingues, quando em vez, piravam o cabeção e pulavam em bando do penhasco mais próximo.

Agora, através de uma notícia lida através do Boing Boing, fico sabendo que tudo aquilo era uma fraude criada pelos cinegrafistas da Disney.

Nessas últimas décadas, o suicídio coletivo dos lemingues se tornou um fato consumado. Vi em inúmeros lugares gente de boa fé especulando sobre as razões do desvario: controle populacional era a tese aceita mais amplamente, mas não faltava gente para dizer que tudo aquilo era pura e simples maluquice. Nunca se chegou a nenhuma conclusão definitiva.

Não se chegou porque elas não existiam. O mito de lemingues como pequenos Jim Joneses é só isso, um mito: a situação mostrada no filme foi fabricada artificialmente durante a produção de um documetário da Disney. Isso é ainda mais canalha porque muita gente — eu inclusive — cresceu utilizando como referenciais aqueles documentários. Eu os via todo sábado, na Disneylândia.

Mas o que é o problema de um bobo crédulo em um mundo louco? Nada. Complicadas, mesmo, são duas perguntas que a questão levanta.

A primeira: onde é que o mundo jornalístico ou científico, sei lá de quem é a culpa, estava para perpetuar uma lenda urbana desse tipo?

Segunda: o que fazer com aqueles milhões de cópias de Lemmings, o joguinho de computador cuja premissa se tornou, de repente, mais falsa do que os peitos da Pamela Anderson?

A Disney devia arder no inferno por isso.

O fim de uma dúvida cruel

Ao longo dos últimos meses, várias pessoas vieram parar aqui em busca de uma resposta para uma das mais intrigantes dúvidas da humanidade: quem inventou o papel higiênico.

Agora eu sei.

O primeiro papel higiênico foi criado pelo Birô de Suprimentos Imperiais da China em 1371. Produziam anualmente 720 mil folhas. O mais curioso era o tamanho dessas folhas: cada uma media 2 pés de largura por 3 de comprimento.

O pinto pode ser pequeno, mas em compensação…

Aquilo a que chamam pragmatismo

Como era mesmo aquele papo de “oposição”, “republicanismo”, “princípios”?

(Foto tirada em agosto de 2003, na Aldeota, em Fortaleza. Lucio Alcântara foi o candidato — eleito — do PSDB ao governo do Ceará em 2002. Lula, obviamente, apoiava o candidato do PT. Mas nem todos os “princípios”, o “republicanismo” e o fato de ser o “fiel depositário da moralidade política” do país impediram o PSDB de tentar surfar a onda vermelha.)