De Goiânia para o mundo

Eu tenho um fã.

Um sujeito de Goiânia se revoltou contra alguns comentários — admito, nada lisonjeiros — sobre sua terra feitos aqui.

Goianenses, como se sabe, são os neopolitanos do Centro-Oeste.

Desde domingo o dito passa horas lendo todo o blog e colocando comentários que, como ele devia saber, jamais serão publicados. Porque a maioria, infelizmente, usa um palavreado um tanto pesado. São bobos. Pela política de comentários deste blog, eles precisam ser apagados. Infelizmente, já que apago em grupo, acabei sem liberar um que adorei: “Rafael Galvão, o filósofo do povão!”, epíteto que uso a partir de hoje.

Mas alguns são interessantes, porque a impressão que tenho é a de que ele está se divertindo tanto quanto eu. Um deles, especialmente, vale a pena ser lido. Nesse o sujeito, cujo nome parece ser Edmilson mas que desta vez assina como Adriana — bem, é goiano, né? –, me faz uma proposta bastante agradável, que respondo aqui:

Adorei mecher no mundo dos espíritos. Quando você desencarnar eu prometo que vou para a encruzilhada levar Cachaça , Farofa e velas para você ! – Se quizer, também posso levar a Galinha preta da sua mãe!

Obrigado. Aceito a cachaça, a farofa e as velas. Gostaria também de cigarros, se não for muito incômodo.

Mas meu orixá não gosta de galinha. Por favor, leve a vaca da sua mãe.

Redenção, redenção

Biajoni diz:
a gente se mata pra comer uma garota aos 16 anos…

Biajoni diz:
quando chega aos 36 tem que ficar empurrando pra lá.

Rafael diz:
Quando eu digo isso sou machista.

Rafael diz:
Eu vou publicar essa sua declaração aí.

Rafael diz:
É a minha redenção.

Biajoni diz:
hahahaha

Biajoni diz:
faz isso não. 🙂

Rafael diz:
Ah, vou fazer.

Biajoni diz:
hahahahahah

Sobre a liberdade de escolha

O Bia e o Idelber estão discutindo as qualidades ou defeitos do novo panorama musical e tecnológico. O Bia se queixa do excesso de informação. O Idelber gosta disso.

A razão, na opinião deste blog, está com o Idelber; o Bia ainda não se convenceu de que é um velhote saudosista e conservador, incomodado com o fato de que os objetos a que se apegou ao longo de três décadas estão desaparecendo porque surgiu uma nova forma de distribuição de conteúdo, muito mais eficiente.

Esse — as vantagens e desvantagens de novos canais de distribuição — parece ser o principal ponto discutido por eles.

A resistência ao novo que se encontra no Bia é relativamente comum, e se manifesta às vezes como pura implicância. Em pleno início do século XXI pessoas ainda reclamavam que a qualidade dos graves em CD era inferior à dos LPs (o que podia não ser mentira nos primeiros tempos do CD nos anos 1980, mas dificilmente verdadeiro hoje). Agora elas reclamam da dispersão de atenção causada pelo MP3, do fato de tudo ser superficial. Muita música disponível.

Isso é bobagem. Não é porque posso achar facilmente a discografia completa de Richard Clayderman que vou passar a ouvi-lo tocar Pour Elise; mas o mesmo mecanismo que o torna disponível faz com que se possa achar, por exemplo, gravações importantes da deusa. Eu, por exemplo, não tenho e não pretendo ter um iPod. Não ouço música na rua. Não consigo escrever ouvindo música. Para gente como eu, o fato de haver tanta oferta não aumenta, necessariamente, a minha demanda. Mas aumenta a chance de achar o que eu quero ouvir.

O Bia esquece outra coisa: que a verdadeira comparação a ser feita, nesse caso, não é com os antigos LPs ou mesmo com os CDs. É com o rádio. Ali, também, se ouvia muito, de muita coisa. Nem por isso as pessoas deixavam de prestar atenção ao que realmente gostavam — roqueiros narigudos como o Bia ouvindo Lou Reed, ou mineiros trotsquistas barbudinhos como o Idelber ouvindo sei lá quem (talvez entrevistas do Telê Santana em cassete, sei lá…).

A questão da possibilidade de escolha é importante, claro. Nos anos 80, era virtualmente impossível achar muito do que se queria ouvir. Ficava-se restrito ao que as gravadoras queriam ou podiam oferecer. Hoje, com alguns cliques e palavras-chave pode-se encontrar o que quiser. Para beatlemaníacos como eu, que se sentiam iluminados por terem o único Decca Tapes da cidade e orgulhosos pelo fato de ele correr de mão em mão para ser gravado em fita cassete, a possibilidade de ouvir o que quiserem é algo fantástico. É revolucionário.

O LP foi inventado em 1948, como lembra o Idelber, mas foi só a partir dos anos 60 que passou a ter relevância. Foi inventado para suprir as deficiências que os formatos anteriores tinham: discos de longa duração poderiam acondicionar peças maiores, principalmente eruditas.

No que diz respeito à música pop, no entanto, o LP era pouco mais que um suporte ao que realmente importava: os compactos. Até o rock se afirmar como música “madura” (se é que isso não é uma contradição em termos), LPs eram normalmente coletâneas de compactos. Era para eles que se dirigia a capacidade criativa do artista e os maiores esforços de relações públicas das gravadoras. Por isso a música pop se organizou em torno de canções com no máximo três minutos.

O produto não podia ser mais simples: sete polegadas, 45 rpm, uma canção, às vezes duas. Sem capa ilustrada. Sem nada além da música. As pessoas não compravam o compacto porque a capa era bonita ou porque achavam estar conseguindo uma melhor relação custo/benefício. Compravam porque aquela música era boa.

Foi a geração dos anos 60 que deu ao LP uma dimensão, digamos, mais respeitável. Artistas como os Beatles, que ao gastar uma soma espantosa na capa do Sgt. Pepper’s (que custou mais que toda a gravação do seu primeiro álbum) deram um valor intelectual até então inexistente ao LP (valor que, a propósito, nunca seguiram ao pé da letra. Com exceção do lado B do Abbey Road, os Beatles nunca fizeram nada realmente conceitual. Aliás, nem mesmo o Sgt. Pepper’s. Aliás aliás, eles só compunham para álbuns sob pressão, quando precisavam completar um disco por imposição da gravadora. Sua luta verdadeira era sempre para compor o próximo compacto, e a maioria das canções que completavam o LP eram consideradas, por eles, apenas fillers).

A coisa piorou, e muito, a partir dos anos 80. O casamento entre música e vídeo promovido pela MTV praticamente destruiu o valor intrínseco da música. Lixo, muito lixo musical foi empurrado goela da sociedade abaixo por ter, como trunfos, um bom diretor e um bom relações públicas. Para usar como exemplo o rei dos videoclipes, o comunista Michael Jackson, é sintomático que as pessoas lembrem mais de Thriller, uma canção medíocre, do que de Billie Jean, bastante superior. Apenas porque o seu videoclipe era melhor — ou mais impactante.

Mas as novas facilidades de distribuição não são a questão verdadeiramente fundamental, na minha opinião, no que diz respeito ao produto cultural.

A ascensão do MP3 e das redes peer to peer, finalmente, libertam a música de tudo o que é acessório. Dos artistas gráficos, dos diretores de vídeo, do poder de marketing das gravadoras. A canção pop passa a ser importante por si mesma. As pessoas deixam de comprar um disco influenciados por sua capa ou porque, de doze canções, há três de que gostam e que os forçam a levar, de contrapeso, nove canções ruins. Em vez disso, ouvem a música pelo seu valor real, livre de boa parte de outras condicionantes. Não foi à toa que o pessoal do Metallica, em sua diatribe ludita contra o a troca de arquivos, disse que lojas como a iTunes “matam o formato do LP”. Como se formatos fossem mais importantes que a música (no caso deles, talvez tenham razão. Mas mesmo eles acabam de se render à realidade).

O MP3 e o P2P trouxeram liberdade de escolha às pessoas. Mais do que nunca, elas podem ouvir apenas o que é bom. Agora podem voltar a realmente ouvir música, e a escolher o que lhes parece bom, sem que o mercado lhe imponho de maneira tão ostensiva gostos e padrões. Essa liberdade é insubstituível, e não tem preço. E se para conquistá-la é preciso jogar fora os velhos vinis e CDs sem personalidade, que se jogue. Que façam como os bobões que queimaram discos dos Beatles quando Lennon disse que eram mais famosos que Jesus Cristo. Os verdadeiros fãs de música agradecem.

Uma coisa para fazer antes de morrer

O Ina pediu, há uns tempos, que a gente enumerasse dez coisas que precisa fazer antes de morrer.

Eu pensei, pensei, e achei melhor ficar calado. Porque via o Ina sonhando coisas bonitas como se perder na Igreja da Sagrada Família em Barcelona e, poeta que é, cair de amor e ser erguido por ele. Em contraste, essas coisas apenas tornariam mais feia a minha lista.

Eu não sonho em cair de amor, porque sou só um paraíba e sempre sonhei, mesmo, foi em cair de língua. Para uns não há diferença, mas em verdade ela existe, e nela está contido o verdadeiro segredo da vida. Por isso pensei muito, e fiz uma lista dizendo o que eu realmente gostaria de fazer antes de morrer, e vi que ela nem de longe se pareceria com a belezura do Ina. Melhor não publicá-la, então, porque ficaria mais ou menos assim: 1) Comer a Isabel Fillardis; 2) Comer a Nicole Kidman; 3) Comer a Catherine Zeta Jones; e por aí seguia, lista ainda por cima tão volúvel que às vezes mudava um ou outro item, uma mulher injustamente esquecida e que parecia fazer melhores promessas que outra incluída — embora a lista fosse essencialmente constante em seu objeto. Em sua defesa eu poderia apenas dizer que ela mostraria interessante unicidade de motivos, uma força de vontade adamantina, ou mesmo um despojamento quase franciscano em relação ao que é acessório na vida. Poderia dizer que sou um sujeito bastante centrado.

Melhor não publicá-la, então, que ela apenas iria revelar a minha monomania e minha absurda falta de criatividade no que refere às coisas realmente importantes da vida. Ainda pensei em fingir e falsificar um ou outro desejo, em colocar uma ou outra bobagenzinha como comer em um tal restaurante de Florença, ou ver o sol se pôr em um cudemundo qualquer do Pacífico, mas além de nada disso ser verdade, todos iriam perceber imediatamente que eu mentia. Comer em um restaurante de Florença, na verdade, só se fosse a Monica Belluci — ou mesmo a Sophia Loren, para satisfazer um capricho mórbido, quase necrófilo.

Mas a idéia ficou na minha cabeça, e se não tenho lá tantos sonhos ou pequenos projetos acessórios de vida, percebi que há uma coisa de que eu realmente gostaria, que traria alguma luz para o meu coração aparentemente de pedra.

E decidi que o que quero mesmo fazer antes de morrer é ser um velho chato.

Chegar à velhice, para alguém com os meus hábitos de sono e alimentação, minhas preguiças e meus impulsos, já é uma vantagem. Uma grande conquista, tão mais desejável quanto mais improvável se mostra. E dentro dessa perspectiva a artrite, os ossos quebradiços, a aversão ao frio e o amor às meias e casaquinhos de lã, o medo pânico da pneumonia e da falência renal se afiguram como quase uma vitória. Por ela valeria a pena até adquirir aquele cheiro inconfundível de velho, de antigüidade que ninguém quer.

Mas não basta ser velho, que depois que a Peste Negra se foi ficou fácil chegar a uma idade de ancião. Bom mesmo é ser um velho chato. E eu seria um velho realmente chato, daqueles que reclamam de tudo, que peidam diante do genro e beliscam os netos, que mostram a eles doces que jamais darão, que furam a bola dos meninos que jogam na rua, que atrapalham namoros na praça, que dizem esquecer as coisas para que os tratem com absoluto monopólio de atenção.

Não furaria a bola dos meninos porque já não podia jogar, tampouco reclamaria do namoro dos jovens que não têm motel porque a impotência geraria em mim a inveja e a sensação de que tudo é indecente. Eu faria isso apenas pelo prazer de ser chato, ars gratia artis, um velho ranheta cheio de bile que sente um prazer genuíno em tentar fazer do mundo um lugar, se não mais desagradável, pelo menos um pouco pior. Finalmente, encheria o saco dos netos porque, afinal de contas, eles teriam que aprender que o mundo pode ser um lugar muito mau.

E quando eu andasse na rua, encurvado, reclamando do tempo que passou rápido quando não devia e que parou de passar quando devia se apressar, reclamando da morte que não vem; quando as pessoas rissem de mim e dissessem que virei um velho chato porque não como mais ninguém, eu riria baixinho, aquela risada banguela e nasal de velho chato, e me sentiria finalmente realizado, e poderia morrer em paz. Apenas pediria, como última concessão do tempo que teria se mostrado tão generoso, que me levasse antes que eu perdesse a noção de que estava sendo chato, porque aí a brincadeira perderia a graça, e a velhice duramente conquistada ao longo dos anos em que sofri e fiz sofrer teria perdido o sentido.

Saudades da Varig

Dandan diz:
Tu viajaria de fokker 100? Tô na dúvida aqui se compro pra minha mãe de fokker, pq tá mais barato.

Rafael diz:
Viajaria.

Rafael diz:
Mas com um certo receio. 😉

Dandan diz:
hehehe… antes dos acidentes eu viajei 2 vezes… hehehe

Dandan diz:
o da gol é 20 reais mais caro e não dá milhas… o que vc faria?

Rafael diz:
Viajaria pela Gol.

Dandan diz:
e parece até um “aviso”… eu já tentei comprar a passagem de mamãe umas 3 vezes e o site da gol dá problema… aí eu resolvi olhar a tam e vi esse…

Rafael diz:
É pra levar logo a sua mãe.

Rafael diz:
O Senhor vai chamando e a TAM vai levando.;)

Dandan diz:
ehehehhe

Dandan diz:
tô no site da gol já… de novo.

Dandan diz:
e antes falei com minha irmã aeromoça e ela disse que viajaria de fokker sim hahahah

Rafael diz:
Diziam que o avião se chamava Fokker 99 – os 99 que morreram naquele acidente da TAM.

Rafael diz:
Com a sua mãe, faz 100.:)

Dandan diz:
hehehehe

Dandan diz:
o site da gol não funciona, cara! hehehehe

Dandan diz:
Vou esperar pra comprar amanhã… hehehe

Rafael diz:
Compre pela TAM.

Rafael diz:
Sua mãe não é crente?

Dandan diz:
afff… tás me botando medo

Dandan diz:
é! hehehe

Rafael diz:
Ela reza e o avião não cai.:)

Dandan diz:
e ela ia até gostar… pq a tam tem lanchinho… hahahah

Rafael diz:
Bem, compra na TAM e manda ela rezar.

Dandan diz:
hehehehe

Rafael diz:
Sério.

Rafael diz:
Deus atende.

Rafael diz:
A não ser que ela realmente não tenha pecados.

Rafael diz:
Aí Deus leva ela.:)

Dandan diz:
hahahaha

Rafael diz:
Ela e o resto do avião. 😉

Rafael diz:
Sério, Dani.

Rafael diz:
Tudo bem que a TAM não tem comissário de bordo, tem papa-defunto, mas há quanto tempo um avião da TAM não cai?

Dandan diz:
é… tem dois vôos fokker 100 por dia, recife rio…

Rafael diz:
Pois é.

Rafael diz:
Ruim é se a porra do avião resolver cair justamente com sua mãe dentro.

Dandan diz:
hahahaha

Rafael diz:
Como quem diz “Olha, tem muito tempo que um Fokker 100 não cai, tá na hora”. 🙂

Dandan diz:
hehe vou ligar pra ela

Rafael diz:
Isso.

Rafael diz:
Bota a véia no Fokker 100 e ela que se vire com as rezas dela. 😉

Dandan diz:
ela disse que prefere o lanche da GOL hahahahhaha

Dandan diz:
mas se eu não conseguir comprar gol, que compre fokker 100 mesmo, pq se o avião cair, ela vai pro céu feliz hehehehe

Quando o rock realmente fez a diferença

A Barracuda acaba de lançar um livro fascinante: “Rádio Guerrilha – Rock e Resistência em Belgrado”, do jornalista inglês Matthew Collin.

O livro conta a história da rádio B92, de Belgrado, Sérvia, que durante a guerra dos Bálcãs representou um oásis de oposição e de sanidade. Ou melhor, conta a história da região em seus piores momentos: a desintegração da Iugoslávia, a guerra civil que destruiu as repúblicas separadas e desonrou o próprio conceito de barbárie, e o crescimento do crime organizado — tudo isso sob a perspectiva da B92.

Rádio que misturava um jornalismo ousado e crítico com música de vanguarda — o que havia de melhor na Europa da época — e com um humor de alta qualidade pela sua ferocidade, falta de limites e inteligência, a B92 era principalmente a obra de um desses raros rebeldes com causa: Veran Matic. A história de “Rádio Guerrilha” é, principalmente, a história de Matic e idealistas como ele, que tiveram a coragem de antepor, a um criminoso genocida como Slobodan Milosevic, a voz da rebeldia e da resistência.

A B92 de Matic só foi possível pelo caráter mais aberto do regime iugoslavo. Porque a crítica política era tolerada, mas principalmente pela abertura cultural singular do país, orgulhoso de sua posição superior aos demais países do Leste Europeu. Porque seus integrantes conseguiam juntar às evidentes conquistas sociais do regime de democracia populares as qualidades do capitalismo europeu.

Por isso, curiosamente, a B92 já nasceu anacrônica. Seus integrantes foram formados na oposição ao regime socialista, uma oposição de caráter principalmente econômico e cultural. Faziam oposição a algo sólido, perfeitamente identificável. Sabiam a que se opunham, e — curiosamente graças às eventuais qualidades desse regime — sabiam como se opor. No entanto, aquele era um momento que já havia passado, embora ninguém tivesse percebido isso. O que se gestava, naquele momento, era a tragédia de uma das guerras mais cruéis dos últimos tempos. Algo que ninguém podia esperar, e que se caracteriza, principalmente, pela confusão de valores e pela irracionalidade.

Paradoxalmente, foi justamente esse anacronismo, essa qualidade ética e clareza de conceitos na forma de fazer oposição, que fez da B92 um instrumento fundamental durante a crise de desintegração da Iugoslávia. Foi o que lhe deu a perspectiva necessária para enfrentar a escalada do nacionalismo e do terror na Sérvia e nas outras repúblicas balcânicas.

O resultado é uma história fantástica de coragem. A B92 representou, durante cerca de dez anos, a voz da razão em uma região caótica. A B92 soube ser séria sem perder, em nenhum momento, o bom humor, e é isso que faz da sua história algo muito interessante de ser contado.

O autor, Matthew Collin, correspondente de publicações como The Face, tem defeitos, claro. Sua prosa, em alguns poucos momentos, é excessivamente pop. Política não é exatamente a sua área de especialização, ao que parece, e às vezes essa deficiência leva a conclusões e análises talvez simplistas. Nada disso, no entanto, tira os muitos méritos do livro. Acima de tudo, “Rádio Guerrilha” é uma reportagem rigorosa e bem escrita sobre um momento fascinante da história recente, sob o ponto de vista da cultura pop. A decadência do socialismo no Leste Europeu, a ascensão do crime organizado para ocupar o vácuo criado por um capitalismo incipiente, as circunstâncias e a bestialidade que levam à guerra civil. Mas, principalmente, o livro relata o horror de viver essa guerra, e sua influência deletéria sobre toda uma geração e a sua relação com a sua própria identidade.

Talvez esteja aí sua grande qualidade: contar uma história complexa de forma simples, tendo por eixo elementos de fácil compreensão como a música pop e o humor. E Collin nunca perde de vista a dimensão humana de uma tragédia de proporções épicas.

“Rádio Guerrilha – Rock e Resistência em Belgrado” mostra que a música popular, quando aliada a uma ação política séria, pode realmente fazer diferença. Longe da rebeldia de butique, a B92 foi a prova de que conceitos que pareciam anacrônicos ao rock and roll, como rebeldia e contestação, podem assumir uma dimensão heróica e, finalmente, verdadeira.

Mais informações sobre o livro podem ser encontradas aqui.

Renata Maneschy

O post de ontem foi uma egotrip maior do que parece.

Do outro lado do diálogo estava uma moça chamada Renata Maneschy — Tata para os íntimos.

E um elogio da Tata — ou melhor, a concordância com um auto-elogio — conta muito. Não apenas porque ela é uma das mulheres mais inteligentes que conheço, ou porque nossas conversas num boteco qualquer de Copacabana (mesmo quando estouro e fico puto, né, Tata?) ou no MSN dariam um livro mais engraçado que qualquer coisa que o Monty Python poderia conceber. Mas porque, acima disso, acima da inteligência e do raciocínio rápido, acima da capacidade de sintetizar em poucas palavras pensamentos ao mesmo tempo cruéis, afiados e engraçadíssimos, a Tata tem um talento descomunal.

Por tudo isso, por ser seu amigo e por ter uma admiração quase sem limites, eu sou suspeito para falar da Tata.

Sou suspeito, mas não sou desonesto, como disse alguém que admiro sobre outro grande talento gráfico.

No site do Prêmio Esso, um dos mais importantes do jornalismo brasileiro, um livro com os melhores momentos do prêmio está sendo anunciado. E entre os destaques está ela, a Renata Maneschy, a moça que atualmente é a diagramadora do Segundo Caderno e do Prosa & Verso d’O Globo. Aspirantes a escritor fariam um bom negócio puxando seu saco. E ainda tinham direito a boa conversa, se conseguissem suportar a sua crueldade.

Lendo a lista dos destaques do Prêmio, uma coisa me chamou a atenção, algo que eu não sabia. E eu achava que sabia o suficiente. Sabia, por exemplo, dos quatro prêmios Esso que a Tata deixa jogados na casa dela; sabia até dos prêmios internacionais que ela tem.

Mas não sabia que, ao lado da Dorrit Harazim, uma grande jornalista, a Tata é a mulher com mais Prêmios Esso no Brasil.

Isso não é para todo mundo. Não, mesmo.

Por isso a egotrip de ontem. Os elogios de algumas pessoas contam muito. O da Tata é um deles.

As alegrias que o MSN me dá – Egotrip

Uma conversa numa tarde de domingo perdida por aí:

Tata diz:
hmm… pode ser

Tata diz:
tu é bom

Rafael diz:
Eu sou foda, Tanka.

Tata diz:
verdade

Tata diz:
admito

Rafael diz:
Ahá!

Fase um concluída. Agora começo minha campanha para que reconheçam que eu, afinal, sou quase divino.