A burrice do Jornal de Limeira

A estupidez humana nunca pára de me impressionar.

O Jornal de Limeira dispensou o talento do Bia por causa de uma entrevista publicada no Tiro e Queda, onde a entrevistada fez algumas críticas ao tal jornal.

Não vou criticar a decisão, por mais burra que eu a considere, e por mais equivocados que ache seus motivos.

Mas acho que essa maneira de pensar é obtusa e ignorante. Do meu ponto de vista, é mais vantajoso para qualquer jornal manter em seu quadro de colunistas alguém independente o suficiente para criticar o próprio jornal (mesmo que a crítica viesse do Bia, e não da entrevistada). Sendo ou não verdade, transmite uma imagem de independência e coerência. Não estou falando de ética, porque pouco me importa o que o jornal é ou como paga suas contas; estou falando de imagem. Se ele é tudo isso ou não, eu não sei. Mas sei que é burro.

Ao cancelar a coluna do Bia, o Jornal de Limeira se apequenou. E desponta para a nada invejável posição de jornalzinho de cidade do interior. Nada mais.

Sei lá como é Limeira; não conheço e enquanto não visitar o mosteiro na Índia onde vou passar algumas semanas, algum dia, não faço questão de conhecer. Mas esse episódio me deixou com a impressão de que é uma cidade pequena demais para qualquer pessoa.

Aos homens de pouca fé

Um estudo de dois cientistas russos dá base científica à travessia do Mar Vermelho, relatada no Êxodo. Segundo eles, é perfeitamente possível que as águas tenham se “dividido” e logo depois da passagem dos hebreus tenham voltado ao normal, graças a um recife que atravessa o tal Mar.

E eu acreditando, durante tantos anos, que aquilo era só mais uma conversa de pescador de Moisés — que segundo Nizan Guanaes é o maior corretor de imóveis da história: fez um povo inteiro andar 40 anos para ver um terreno (por sinal, muito do vagabundo).

Durango Kid

É só uma lembrança, muito vaga.

Durango Kid se vestia completamente de preto, usava um lenço cobrindo seu rosto, como o dos bandidos, mas era um dos mocinhos. Seu cavalo era branco.

Isso é tudo que lembro de um seriado que a TV exibia nos anos 70. Alguém lembra de algo mais que isso?

O caminho das pedras

Do blog de um um sujeito chamado John Robb:

There are three ways to build a hot weblog.

To be a connection machine (people with huge blogrolls and/or RSS lists that point to other weblogs — they do add their two cents and sometimes their thinking).

To be a name dropper (people that imply they understand what is really going on — and you don’t — given their personal connections that they constantly let you know about).

To be an ideologue (people that support a single cause with unquestioned faith).

Here are the ways to build a second tier (but still popular) weblog:

To be a thinker (people that delve into topics with intelligence and/or wit).

To be a topic owner (people that own a topic and report on it with unquestioned knowledge and depth).

To be a voice of outrage/affirmation (people that critique others as often as they can or are on the bandwagon).

To be a cool hunter (people that find the newest of the new or the strangest of the strange).

Curioso. Como são curiosas estas notas, do blog de Terry Teachout:

1. It’s almost impossible to explain what a blog is to someone who’s never seen one. That’s the mark of a true innovation.

2. I know very few people over fifty, and scarcely any over sixty, who “get” blogging.

3. Blogs without links aren’t blogs. Blogs without blogrolls aren’t blogs. Blogs without mailboxes aren’t blogs.

4. The blogosphere is a pure market — but one in which no money changes hands. If you can afford the bandwidth and your ego is strong enough, it doesn’t matter whether anybody wants to read what you have to say. But the more you care about how many people are reading your blog, the more your blogging will be shaped by their approval, whether you get paid or not.

5. Politicians and celebrities rarely make good bloggers. They’re not interested enough in what other people are thinking.

6. Blogging puts professionals and amateurs on an even footing. That’s why so many professional writers dislike and distrust it.

7. The whole point of a blog is that its author controls its content. That’s why no major newspaper will ever be successful at running in-house blogs: the editors won’t allow it. The smart ones will encourage their best writers to blog on their own time-and at their own risk. The dumb ones will refuse to let any of their writers blog, on or off the job.

8. For now, blogs presuppose the existence of the print media. That will probably always be the case-but over time, the print media will become increasingly less important to the blogosphere.

9. Within a decade, blogs will replace op-ed pages.

10. Blogs will be to the 21st century what little magazines were to the 20th century. Their influence will be disproportionate to their circulation.

11. Blogs are what online magazines were supposed to be.

12. Art blogging will never be as popular as war blogging. More people care about politics than the arts.

13. Blogging is inherently undemocratic in one important way: it privileges literacy. Like e-mail, it is dividing the world into two unequal classes: people who feel comfortable expressing themselves through the written word and people who don’t.

14. If you want to be noticed, you have to blog every day.

15. An impersonal blog is a contradiction in terms.

A última enganação da Igreja

Ainda lembro dos problemas que “A Última Tentação de Cristo”, o filme de Scorsese, encontrou no mundo inteiro.

A Igreja Católica repudiou o filme alegando que não podia concordar com um Jesus que ia para a cama com Maria Madalena e que cedia à tentação de escapar à crucificação.

Milhares de pessoas comentaram a decisão da Igreja Católica. Atacaram os argumentos apresentados e lembraram que no final Jesus resistia, essas coisas. Ficou estabelecido, então, que esse era o tópico central do filme, e o ponto que incomodava a Igreja.

O filme não chegou a Aracaju, onde eu morava na época. O dono dos únicos cinemas da cidade alegou que não ia passar um filme herético como aquele; a verdade é que ele não exibia nada da UIP, distribuidora do filme, por questões financeiras. O sujeito era complicado: normalmente exibia os filmes com alguns meses de atraso, quando os preços baixavam.

Assisti ao filme em Salvador. Saí impressionado com o que me pareceu ser a miopia de meio mundo.

E até hoje acho que o papa e os cardeais, no luxo do Vaticano, liam os comentários que faziam contra sua “estreiteza” às gargalhadas.

A Igreja foi sagaz o suficiente para evitar tocar no ponto que realmente deve ter incomodado: um diálogo entre um anônimo Jesus e São Paulo, em que Aquele, assustado com as deturpações de Seus ensinamentos, é confrontado com a triste verdade: não interessava o que Jesus disse, interessava o que aqueles que O sucederam fizeram da religião.

A partir desse dia cheguei à conclusão de que a) a velha e boa Igreja Católica não nega os milênios de experiência; e b) críticos de cinema que realmente assistem aos filmes que resenham são cada vez mais raros.

O Último Samurai

E lá fui eu assistir a “O Último Samurai”.

A verdade é que acho Tom Cruise uma simpatia. A câmera gosta do rapaz; eu também. Além disso, o filme prometia diversão descompromissada para a tarde de sábado.

“O Último Samurai” é a história de um capitão do exército americano que julga ter perdido a honra e a razão de viver nas guerras índias. Ele vai para um Japão dividido entre a tradição e a ocidentalização da era Meiji, como uma mistura de mercenário e agente do governo americano. Ao entrar em contato com a samurai way of life tem sua vida transformada. Blá blá blá. A moral do filme é que a teimosia e o individualismo americanos, quando aliados à disciplina japonesa, são imbatíveis.

Logo nos primeiros minutos vem a impressão que vai durar até o final do filme: aquele é uma espécie de “Xógum” no tatibitati de Hollywood.

“Xógum” é um best seller de James Clavell, livro pelo qual sou fascinado. Tudo o que sei sobre o Japão — e é muito pouco — vem dele. Eu costumo chamar “Xógum” de “‘O Príncipe’ com molho de soja”, e é uma aula de estratégia política. É bastante interessante, também, ao descrever o conflito entre duas culturas praticamente antagônicas. Mas, por mais que “O Último Samurai” beba dessa fonte, a verdade é que Nathan Algren está muito longe de John Blackthorne — e por favor, nem em seu sonho mais delirante Katsumoto mereceria ser assistido em seu haraquiri por Toranaga.

Há situações tão implausíveis que beiram o ridículo, como o filho do sujeito que Tom Cruise mata o adotando como pai postiço. Por muito menos Bruce Wayne virou o Batman.

É impressionante como Hollywood consegue reduzir toda cultura que não conhece direito a um arremedo de seus westerns. “O Último Samurai” se resume apenas a uma xerox mal tirada de “Xógum”. Bem fotografada, mas ainda assim uma xerox.

Para quem esperava “diversão descompromissada” é reclamação demais, eu sei. Mas “O Último Samurai” quebrou sua promessa. É esse o seu problema.