
Eu avisei.

Eu avisei.
O Lycos acaba de lançar um screensaver interessante.
É simples: enquanto ele está ativo, fica mandando pedidos para sites de spammers; milhares desses screensavers mandando pedidos simultaneamente fazem com que esses sites funcionem mais lentamente, e aumentar a banda consumida. A idéia não é tirar o site do ar, mas aumentar seus custos.
Eu já perdi uma conta de e-mail para spam, e neste blog recebo algumas dezenas de comentários de spammers por dia, que o MT-Blacklist bloqueia (os sujeitos são tão canalhas que não querem que cliquem em seus endereços; fazem isso para garantir melhores posições no Google).
Já instalei o screensaver. É até divertido ficar vendo os gráficos dos ataques. E o sentimento de vingança é sempre gostoso.
Tia, há algumas semanas:
— Rafael, você tá namorando?
— Não.
— Ah, sei. Só ficando, né?
— Não.
— Tá sozinho?
— Não.
— Não entendi.
— Nem eu.
Mesma tia, há uns 10 anos.
— Rafael, ninguém sabe de sua vida particular.
— Se soubessem não seria particular.
Mesma tia, há uns 15 anos, mesmo tipo de pergunta.
— Olha que legal, tia: se as pessoas não perguntam sobre a minha vida, eu não pergunto sobre as delas. Já imaginou o quanto de problemas isso evita?
Daqui a uns cinco anos eu devo postar uma nova pergunta, igualzinha. E uma resposta muito parecida.
miami vice moda
Você chama aquilo de moda? Barba por fazer, blazers com a manga dobrada? Os anos 80 foram uma hecatombe estética, meu amigo. E Miami Vice foi o arauto do apocalipse, ao espalhar uma noção de moda pela qual a Flórida deveria arder no inferno. A Flórida não entende de moda; entende de aposentado reumático e de muambeiro. Eu tenho certeza de que aqueles furacões que assolam a região são castigo divino.
como xingar a mae
A sua ou a dos outros? Embora eu concorde que xingar a própria mãe seja mais ousado, lhe dê maior senso de afirmação e de libertação edipiana, xingar a dos outros é sempre um prazer. E isso é muito fácil. Basta pensar em algo que implique que ela não é a mais absoluta santa do mundo, e dizer isso de forma desprezível. É batata. Aproveite e diga para a sua devolver minha cueca.
argumentos contra a vida extra-terrestre
Eles são maus. Quando são bonzinhos, colocam tudo a perder falando bobagens como “Klaatu barada niktu”. Por causa deles, o mundo é cheio de teorias absurdas sobre OVNIs. Mas daí a propor seu extermínio são outros quinhentos. O que eles fizeram contra você? Por que você quer exterminá-los?
pessoas morando no artico
Passam um frio danado.
galos de rinhas onde comprar
Fale a verdade: você nunca viu uma briga de galos em sua vida, não é?
escravos sodomizados no brasil
E mais uma violência contra os negros no Brasil é cometida. Mas muito mais importante e comum era o que acontecia às escravas. E a graça das coisas é que elas não foram sodomizadas com tanta freqüência quanto se entregaram prazerosamente ao sinhô. O resultado, graças a Deus, é um país de mulatos. Para você ver que os portugueses não eram tão ruins assim.
sobre as histórias de asterix. procure informações sobre seus autores como criaram seus personagens etc.
É por isso que eu não vou com a cara do Google. Olha o seu caso, companheiro. Você fala com ele cara a cara, tem o trabalho de dizer exatamente o que quer — e então ele faz uma sacanagem e te traz até aqui.
bill haley and the comments historia
Essa banda aí eu não conhecia. É um blogueiro que resolveu formar uma banda, é isso?
homem pensando pintura rodin
Eu ia falar uma gracinha qualquer. Mas percebi que estou ficando esnobe (o primeiro filho da mãe que disser que sempre fui, apanha). Então lá vai: o nome é “O Pensador”, meu caro, e não é uma pintura. É uma escultura.
yellow submarine letra traduzida
Na cidade onde nasci
Tinha um maluco maneiro
Vendia uns troços legais
Bastava você ter dinheiro
O Marcelo viajava tanto
Que de gordo virou um magrelo
Mas não ligava, porque estava
Viajando num submarino amarelo
Tudo doidão num submarino amarelo
Submarino amarelo, submarino amarelo
Tudo doidão num submarino amarelo
Submarino amarelo, submarino amarelo
A gente passava o dia na maresia
O Jorjão quis fazer uma suruba
E foi passando a mão na minha bunda
(Aqui entra a banda: porororó, pó, pó)
Tudo doidão num submarino amarelo…
Faz três dias que eu não como
Pra pagar o bagulho vendi meu cello
Mas tudo bem, porque eu tô viajando
No nosso submarino amarelo
Tudo doidão num submarino amarelo…
porra de polinomios
13 anos, o rapaz. 7a série. E no entanto já está revoltado contra o ensino de matemática. Não é bem uma busca que ele faz, mas um desabafo contra o fato de ter que aprender algo que provavelmente nunca usará. Mais um para a tese “O Google é meu amiguinho imaginário”. Eu sinto sua dor, meu rapaz.
fotos de homens feios nus
Foi o padre, não foi?
“Padre, eu pequei.”
“Como, meu filho?”
“Eu tive pensamentos impuros, padre.”
“Só isso, meu filho?”
“Eu… Eu… Eu me toquei, padre.”
“Meu filho, sua penintência é rezar 10 Ave Marias, 15 Salve Rainhas e procurar fotos de homens feios nus na Internet.”
“Por que as fotos, padre?”
“Para evitar que você tenha pensamentos impuros novamente, meu filho.”
sexo mais canalha e degradante
Estou tentando imaginar. Não consegui passar de uma noitada com a Zezé Macedo e a Wilza Carla, mas tenho certeza de que a pessoa que procurou por isso consegue pensar em coisas mais assombrosas.
Quem escreveu o iliada e a odisseia
Paulo Coelho.
programas de computador para gerenciamento de salão de beleza
Conheço um, o Gossip 1.0. Já vem com templates de fofocas e maledicências inclusos.
os homens preferem casar com as virgens
Nem todos, minha filha. Por isso, levante a cabeça e se alegre. Coloque aquele vestido sem decote e vá para a quermesse. Você ainda tem chance de deixar o caritó. E esqueça de uma vez aquele cafajeste, que te prometeu casamento e depois deu no pé.
filmes rapidos porno
Você se refere a astros com ejaculação precoce, é isso?
profissões no nordeste na época de lampião
Soldado das volantes que saíam caatinga afora atrás dos cangaceiros. Com sorte, poderiam ser promovidos a cabo e se tornar autoridades em um lugarejo esquecido por Deus como Poço Redondo, em Sergipe, e Olho d’Água do Casado, em Alagoas.
historia dos moteis
Não há uma só história. Há muitas histórias, algumas belas, outras trágicas. Histórias de vida, como as de tantas e tantas crianças concebidas em um motel. Histórias de baixaria, como a Consuelo Badra levando porrada na saída de um deles. Histórias de morte, como o namorado da Arósio se suicidando na frente dela. São histórias de riquezas, de garotas de programa cobrando mil reais por noite, e histórias de miséria, de putas baratas dando por meia hora em motéis que cobram 6 reais — 7 com vídeo.
coisinhas bonitinhas sobre bebe
Neste bloguinho você não vai achar nadinha.
pilula do dia seguinte responsabilidade
Você quer alguém que lhe dê justificativas por você estar se entupindo disso em vez de usar outros métodos anti-concepcionais, não é? Lugar errado. Este blog é pro-choice, e não pro-stupidity.
cearense no sentido pejorativo
O termo cearense não admite uma conotação pejorativa. Já a expressão “cabeça chata”…
fotos de trintões
Me dá seu e-mail que eu mando uma. Com dedicatória e tudo.
fotos de acidente doméstico
Vá a um desses sites de maternidades que mostram as fotos de recém-nascidos. Ali tem um um bocado.
resumo do livro tudo tem seu preço
Faço por milzinho.
exemplos altruista de gene egoista
Os últimos que conheci foram internados como casos graves de esquizofrenia.
imagens do pacto de xuxa com o demonio
Irmã, tem certeza de que você quer mesmo ver isso (aleluia!)? São imagens tenebrosas, irmã (aleluia!). Eu vi e saí correndo para vomitar, que Deus me abençôe. Me dá o endereço da sua igreja para o pastor me exorcizar, porque eu estou com medo. Aleluia, irmã, Deus seja louvado.
fotos de de adolescentes que querem so namorar
Por “só namorar” você quer dizer não fazer saliência, é isso? Pois minha amiga, eu sinto te dar más notícias. Nenhum adolescente quer só namorar. Se só namoram é por causa daquelas adolescentes insensíveis que ficam regulando mixaria.
mais cara garota de programa
Por que você quer saber? Você não poderia pagar a moça. Curiosidade besta. E além disso, tenha certeza de que ela não vale tudo isso.
história do pão sírio
Essa foi meu avô quem contou. É a história de um amigo dele, o Salim, que veio para o Brasil com 2 anos de idade. As meninas da época achavam o nariz aquilino, as sobrancelhas grossas extremamente sexies. Diziam que ele era um pão. Durante muito tempo o Salim fez sucesso no Sírio-Libanês, até o dia em que casou. Esse foi um dia de choro e corações partidos no Rio de Janeiro. (Deus do céu, a que ponto de idiotice eu consegui descer.)
vida mulheres butão
A vida das mulheres do Butão não me diz nada. As mulheres da vida do Butão são mais interessantes.
história da praça da inglaterra salvador
Até hoje ela relembra com saudade a época em que era o centro econômico da Bahia, e faz questão de contar para aqueles que se sentam em seus bancos com um pouco de tempo nas mãos. Fala com nostalgia dos bilhões de dólares que movimentou em sacas de cacau. Ela só não conta que aqueles dias passaram, que o dinheiro migrou para a cidade alta, para lugares que quando ela nasceu sequer existiam, como a Av. ACM. Não conta que embora ainda haja tantos bancos à sua volta, não é ali, no Comércio, que a cidade da Bahia mostra sua força, não é ali que as decisões são tomadas. E aqueles que se despedem dela e dão uma última olhada para trás vêm apenas uma velha senhora de dignidade perdida, em uma zona decadente, próxima demais do cais do porto.
doenças do penis masculino com ilustrações
A mais comum, como sabem os tantos e tantos adolescentes quem vêm dar inadvertidamente a este blog em busca de respostas inexistentes, é o nanismo. Caso sério. E parece que é endêmico.
personagem biblico que subiu ao ceu se morrer
Se morrer? Elias morreu e foi levado em uma carruagem de fogo. Jesus morreu mas ressuscitou 3 dias depois. Eu não conheço nenhum personagem bíblico que não tenha morrido, não. Só Deus, que já estava lá, e o diabo, que não volta mais. Esses não contam, são hors-concours. Explique-se melhor.
poema de racismo da raça negra
O mais próximo disso é uma palavra de ordem: “Morre branco, viva nagô”. Era o que os participantes da Revolta dos Malês gritavam, se não me engano. E cá para nós, eu assinaria embaixo.
frases de sexo q deixam os homem malucos
“Tá, eu dou.”
frases ditas por florence nightingale!
“Esse morreu! Aquele perdeu a perna! Merda, por que inventei de vir pra Criméia?”
honra ofendida com sangue do ofensor é vingança
Não sei do que ele te xingou, mas percebe-se que você está transtornado. Infelizmente, meu pobre amigo humilhado, não vivemos mais em um mundo de duelistas nem de fazedores de tocaias. Vivemos em um mundo de advogados. Processe o desgraçado e arranque até as roupas do corpo dele.
deu a louca na terra [animais que estao saindo de seu ambiente e estao indo para outro].
Que bom que você foi específico. Acredite em mim, isso é raro. O Google agradece. Mas além de pítons na Flórida e os lendários jacarés do esgoto de Nova York, eu só consigo lembrar de Edmundo, que foi dar vexame em Florença.
criança fodendo mulheres adulta
Não seria o contrário, doente?
fotos porno das maes tiradas pelos filhos
Edipianos são visitantes recorrentes a este blog. Mas este parece ter chegado a um nível de perturbação que eu nunca tinha visto antes.
meu site sumiu do google
E você ainda reclama? Pelo menos você está livre dos tarados procurando por incesto e pedofilia. Veja os itens acima.
contra-razões de apelação usuario entorpecentes
O doutor aí pegou um caso difícil. Mas alguém quer apostar comigo que seu cliente é traficante, e não apenas usuário?
história infantil o sapo alpinista surdo
“Olha a avalanche!”
“O quê?”
“A avalanche!”
“Fale mais alto!”
“Olha a avalanche!”
“O q…”
E aí o sapo morreu.
mulheres reclamam penis pequeno
É uma medida extremamente válida de proteção feminina contra a canalhice masculina. É usada como último recurso. Se você a tratar bem, ela vai relevar essas miudezas. Mas não apronte com ela. Porque você dificilmente sobreviverá à crueldade de uma mulher magoada. Ela vai te chamar de joinha. (Por que joinha? Faça o sinal de positivo, de “tudo jóia” com o seu polegar. Pois é. Desse tamanho.)
lista as diversas religiões do mundo
Você já conhece a Igreja Rafaélica de Todos os Tostões? Não? Então leia seu manifesto. Você não precisa de nenhuma outra. Todas as respostas para sua angústia existencial estão aqui. Para a minha penúria também.
estrangeirismos blog projeto de lei
What the…? You mean they want us to stop using foreign words? Bloody hell, I’m all for it.
mulheres que fumam hollywood
Prefiro mulheres que fumam cigarros mais fracos. Mulheres que fumam cigarros mais fortes que eu me deixam meio intimidado, sabe? Sei lá, parecem mais machos do que eu… Eu fico me sentindo meio florzinha.
como moram os esquimos antigamente
Os esquimós chegaram ao Ártico com a colonização espanhola. A tradição ibérica de casas com grandes pátios internos foi alterada então, por causa do calor insuportável. Os pátios viraram varandas externas, e as casas foram construídas em ruas estreitas e sinuosas, para facilitar a circulação de ar, o aproveitamento da sombra e a manutenção da temperatura em níveis toleráveis para os europeus. Blog é cultura.
senso de imigrante sergipanos para são paulo na decada de 30
Você está superstimando os descendentes do cacique Aribé. Eles não precisavam de sexto sentido, de nenhum poder extra-sensorial para descer para São Paulo em vez de subir para São Pedro, os dois destinos tradicionalmente permitidos a paraíbas. Era só subir no pau de arara e o motorista se encarregava do resto.
teorias de oxum
Oxum não é de teorias, meu amigo. Oxum é de amor, é de cafuné na rede numa tarde de maio, e o amor não permite teorias.
falsa acusação de sexo implicando a moral
É quando dizem que você pegou a baranga mais baranga da vizinhança, sem que isso seja verdade. Sua reputação vai lá para baixo, então; e durante muito tempo você não poderá falar nada que será automaticamente lembrado desse fato, e todos vão fazer pouco de você. Você não tem moral para mais nada. Por outro lado, isso é libertador. Provavelmente vai demorar um pouco até você perceber isso, mas pense com carinho no assunto. Dica: quem come qualquer coisa está sempre mastigando.
safado cachorro sem vergonha versao masculina
Puta.
qual a fraqueza de caráter de hamlet
Ser. Ou não ser.
musica vanderlei esperando avioes
Sem ofensas, mas o Vanderlei é mineiro, não é?
motel alibi bahia
Eu pensava que o melhor nome de motel baiano era o Kama Sutra (apesar dos arrepios que me dá, porque fomos convidados a dar o nome do motel, passei uma tarde imaginando nomes que beiravam a pornografia, e quem ganhou foi a Publivendas com esse — aliás, com justiça). Mas Álibi é muito melhor.
camareiras de hotel sex
A camareira mais sexy que eu já vi foi num hotel de Atenas. Ela tinha jeito de Rita. Devia se chamar Rita Cassiopoulos.
blogs de mamãe adolescentes
Eu fico com o pé atrás em relação a pessoas sem sorte, sabe? E mamães adolescentes se encaixam nessa categoria.
miseria diferente de riqueza
Se você não contasse eu jamais iria desconfiar. Mas olha, com boa vontade pode-se ver que são parecidas. Quem está na miséria não tem nada a perder. Quem é rico pode se dar ao luxo de perder alguma coisa. Miséria e riqueza são libertadoras, se você consegue transcender. É bem verdade, cá para nós, que a liberdade da riqueza é mais interessante.
como fundar uma igreja
Me dê seu endereço para eu mandar uns obreiros darem um jeito em você. Eu odeio concorrência.
qual o tamanho do pinto de um japones
É maior que o seu. Ou seja: nem isso você vai ter como consolo. Conforme-se.
porque tarzan não passa de uma lenda
Quem te disse isso? Ah, já sei: você acreditou naquelas histórias de que Tarzan foi criado por um sujeito chamado Edgar, não é? Ah, homem de pouca fé. Tarzan existiu, sim. Era um pouco diferente da lenda que se criou, entretanto: a verdadeira Jane era uma babuína. Charmosa e amorosa, mas babuína.
anuncios falando sobre numeros romanos
Vai haver uma exposição só desses anúncios em Cafarnaum, dia XXIII de VII de MMV. Você não pode perder. Compre seus ingressos antecipadamente na Rua Caio Públio, DXXII. E concorra a descontos de até XXXV%!
quem eram os kolkhozes?
Os kolkhozes eram os integrantes da polícia secreta de Stálin. Ficaram famosos por sua truculência e por dar sumiço nos desafetos do regime. Foi um kolkhoz que tacou a picareta na cabeça do Trotski, sabia?
historinhas de natal para hora do conto ensino fundamental
Ah, salvaram a professorinha! Você quer casar comigo?
onde tratar gonorreia
Ahn… É no pinto, não é não?
como fazer para achar um cheque que sumiu
Reze para São Longuinho e dê três pulinhos.
fotos de um pênis
Este conseguiu dar dignidade a uma busca que acho só engraçada, porque, sabe Deus como, conseguiu soar como Bergman e seu “Cenas de um Casamento”. Agora eu fico tentando imaginar o que é um pênis bergmaniano. Deve ser um pinto que fala, fala e não faz nada, sempre com uma sensação de desastre à frente.
o talento não pode mais ser confundido com genialidade
Não diz isso que você acaba comigo.
cicatrizes pênis fotos
O velho coloca aquela coisa inútil para fora da calça. Mexe, mostra uma foto da Brigitte Bardot nua — nada. Apenas nervos e veias e pele enrugada, tudo isso sem utilidade hoje, não cresce mais — a única coisa que continuou a crescer, para baixo, foi o seu saco. Lembrando dos bons tempos em que seu companheiro, hoje inerte em sua mão, lhe deu grandes emoções, ele passa a contar as cicatrizes. “Essa foi a Maria. Essa foi a Cotinha — ai, como ela era boa… Essa foi a Deusdeth.” E as lembranças tornam mais toleráveis sua decadência e a morte que se aproxima.
Aí por 1977, 1978, havia três pilotos de helicóptero portugueses em Aracaju, funcionários de uma firma, a Votec, que prestava serviços para a Petrobrás (na época ainda com acento).
Um deles se chamava Marques. Outro era filho de um general que havia sido chefe do PID, o grupo de gente mais legal que Salazar conseguiu juntar, caído em desgraça após a Revolução do Cravos.
Ambos eram pilotos excepcionais, mas aí terminavam suas semelhanças.
O filho do general era um homem fechado, alto, louro, esguio; era bom a ponto de fazer “stall de badalo”. O avião, em um movimento pendular, sobe na vertical e desliga o motor; flutua por alguns segundos e cai. Embica para baixo e o piloto só então retoma o controle. O movimento é esse, o de um pêndulo, e é dessa semelhança que ele tira seu nome.
Em um avião não é uma acrobacia fácil de fazer, mas é relativamente comum; em helicóptero é praticamente suicídio. E esse piloto fazia isso uma ou duas vezes por mês. Em baixa altitude, o que é mais suicida ainda.
Marques tinha uma personalidade diferente da do filho do general. Era moreno, baixinho e falastrão. Era tão bom piloto quanto o outro; costumava ir do aeroclube de Aracaju para as plataformas “esquiando” as ondas, ou seja: voando muito baixo, acompanhando o sobe e desce das ondas, sem no entanto deixar que os patins do helicóptero as tocassem.
Também em 1977, 1978, havia um menino que ia ao aeroclube vender pirulitos. Era deficiente mental, mas isso não o impedia de levar sua tábua de pirulito toda tarde aos pilotos. Esses meninos logo se tornam pequenas personalidades locais, e isso ajuda nas vendas.
Um dia Marques o chamou.
Pegou o menino e o amarrou no patim do helicóptero. Levantou vôo, o menino amarrado ao patim, e passou alguns minutos fazendo as acrobacias de sempre. O menino, quando finalmente desceu e foi solto, foi embora correndo e gritando, com uma expressão de pânico tão absoluto que quem viu até hoje não esquece. Ele nunca mais voltou ao aeroclube e ninguém voltou a ter notícias dele.
Por isso Marques foi denunciado à Polícia Federal. Não teve problemas em assumir o que fez porque não via mal nenhum naquilo. Era apenas uma brincadeira, era assim que ele via aquilo. A empresa foi obrigada a tirá-lo de Aracaju.
O filho do general era um homem mais sério. Não era de falar muito sobre o seu passado. Mas quando passava a confiar em alguém podia explicar o comportamento de Marques.
Ambos eram veteranos das guerras coloniais portuguesas. Haviam servido em Angola.
Às vezes, quando sobrevoavam uma aldeia, recebiam um comunicado do quartel-general. Havia a suspeita de que aquela aldeia abrigava guerrilheiros, e eles recebiam ordem de atacar.
Os helicópteros portugueses eram equipados com metralhadoras Boffors, suecas. Disparavam 3 mil tiros em um minuto. Seu efeito era o de uma varredura no chão. 15 minutos de tiroteio e não sobrava absolutamente nada do alvo. Eram tão eficientes em sua função que foram proibidas pela Convenção de Genebra.
O trabalho macabro dos pilotos não terminava aí, no entanto. Terminado o bombardeio, os pilotos eram obrigados a descer e inspecionar o que havia sobrado da aldeia. Nunca sobrava nada. A não ser que se conte escombros fumegantes e cadáveres estraçalhados como sobras.
De cabeça baixa, lágrimas escorrendo pelo rosto, o filho do general admitia: não foram uma nem duas vezes. Foram várias. E em todas o procedimento era o mesmo: devastar as aldeias, pousar e checar o destroços.
Marques, por sua vez, tinha orgulho do que tinha feito. Era a sua forma de aceitar as atrocidades que tinha cometido, ou sido obrigado a cometer.
Enquanto isso, eram obrigados a ver os navios soviéticos aportarem e descarregar armas para os guerrilheiros abertamente, sem poder fazer nada. Porque uma coisa é atirar em minombuanas de um país insignificante, outra é atacar um navio da segunda maior potência do mundo. Para Angola, pelo menos, aquele era um mundo mais equilibrado. Portugal acabou saindo do país, rabo entre as pernas, mas deixou para trás milhares de mortos em um país destroçado, e levou consigo homens com sérios traumas de guerra.
No dia da libertação de Luanda Angola bateu seu recorde de atropelamentos, porque grande parte dos guerrilheiros jamais tinha visto um automóvel em sua vida.
A mesma Revolução dos Cravos que fez os funcionários do Ritz coletivizado contarem aos “doutoires turistas” que sonhavam com a volta dos antigos donos, para acabar com a bagunça em que o hotel havia se transformado, obrigou esses homens destruídos a procurar novos meios de vida. E eles às vezes, no meio da labuta, brincavam com meninos amarrados ao patim do helicóptero.
O filho do general morreria alguns anos mais tarde, no Paraná: levantou vôo contra o sol e não viu o cabo de alta tensão à sua frente.
A Tata acaba de ser indicada para o Prêmio Esso de Jornalismo em criação gráfica para jornal.
Detalhe: se ganhar, vai ser seu quarto Esso. Eu não conheço outro jornalista que tenha quatro Essos nos costados.
E com ela carregando tanto prêmio, ando chamando a mãe do Vítor de Tatona. Só por causa da rima.
Aqui você descobre por que estou chamando a moça por um adjetivo tão doce. Nada mais justo.
Outro detalhe: quando ela ganhou o último, eu disse que embora fosse justo ela tinha outras peças de que eu gostava mais (por favor, não fale isso com ela: você vai ter que ouvir explicações sobre o pioneirismo do projeto, ela vai se indignar por você não gostar tanto da série, etc., etc…).
Desta vez eu não falei nada. Só babei.
Não assisti a “Tróia”. Me recusei desde que vi o primeiro trailer. Eu tinha a impressão de que aquilo seria mais uma bobajada histórica e deturpação homérica. Parece que acertei.
Quando vi o trailer de “Alexandre” torci o nariz outra vez. Pessoalmente, prefiro Michael Caine e Sean Connery sendo aclamados aos gritos de “Sikander! Sikander!”; para mim é o melhor filme sobre Alexandre, ainda que ele não seja um personagem.
Ao que tudo indicava, lá vinha um novo Alexandre galã, o mulherengo que ele nunca foi. A única coisa que me impressionou positivamente foi o fato de ele não usar estribos (invenção mongol e um dos responsáveis pela supremacia bélica de Gêngis Khan mais de mil anos depois). Era pouco.
Mas decidi agora que vou assistir ao filme. Embora duvide que seja historicamente acurado como se pretende, pelo pouquíssimo que vi até agora ao menos pareça ter essa preocupação. É um bom motivo.
E há a discussão sobre suas preferências sexuais, que está tomando conta da internet em mais um bom movimento de relações públicas. Querem fazer crer que a Grécia esteja revoltada por Alexandre ser retratado no filme com bissexual. É bem provável que os gregos tenham mais o que fazer e que isso seja um gimmick do estúdio para garantir o sucesso do filme, que custou caro e é dirigido por Oliver Stone, nunca uma boa garantia de sucesso de bilheteria.
De qualquer forma, a discussão sobre a bissexualidade ou homossexualidade de Alexandre é curiosa. Não me parece apropriado definir Alexandre como gay, por causa de suas esposas Roxana (mulher nova, bonita e carinhosa, que fazia os homens gemerem sem sentir dor e que estava grávida quando Alexandre bateu as sandálias) e Statira, filha de Dario. É ainda menos adequado chamá-lo de heterossexual por causa de Hefestion, o grande amor de sua vida, cuja morte fez Alexandre cortar as crinas de todos os cavalos e burros do seu exército e botar abaixo as ameias das cidades vizinhas em sinal de luto — e, en passant, crucificar o médico que tinha ido ao teatro e não pôde salvar o rapaz da intoxicação alimentar que sofreu.
Restaria dizer que Alexandre era bissexual.
Só há um problema em tudo isso. É a aplicação de conceitos modernos a uma época em que não existiam. Bissexualismo ou homossexualismo, como disse o historiador que supervisionou a gravação do filme, simplesmente não eram uma questão na Antigüidade. As pessoas não se preocupavam com isso — pelo menos não os homens.
O resto é bobagem. Até porque me parece perda de tempo discutir tão a sério a sexualidade de Alexandre, ainda que ela pudesse ser encaixada em rótulos pós-freudianos. Sua importância, até onde sei, não foi como amante — glória que reservo ao meu bom veneziano Giácomo –, e sim como guerreiro e rei. Isso deveria bastar.
Paul is dead, man, miss him, miss him.
No meu perfil do Orkut está bem claro para quem quiser ver:
Pets: I like them at the zoo.
Não sou o maior apaixonado por bichos. Não faço segredo disso. E no entanto, na casa de minha mãe há um mini-zoológico. Há Antonieta, a tartaruga. Peter Parker, o poodle que pensa que é gente. E agora há um casal de hamsters.
A tragédia em tudo isso é que foi culpa minha. No Dia das Crianças dei os bichos para meus sobrinhos. Fui para o shopping com eles para que escolhessem o que queriam; mas dei o vacilo imperdoável de passar em frente a uma pet shop, e então eles não quiseram mais nada.
Não sei que doença crianças têm para gostar tanto de bichos. O fato é que eles esqueceram de tudo para comprar os hamsters. Quanto a mim, descobri da pior forma possível que pet shops não vendem hamsters; eles são só uma isca para pegar otários. Eles vendem gaiolas, comedouros, bebedouros, maravalha, ração, pó para banho. Ai do pobre coitado que comprar um hamster.
E assim me vi às voltas com a Ritinha.
A Ritinha é o nome que dei à ratinha. Para mim ela é isso, uma rata sem rabo. Ela é interessante de se ver durante uns 2 minutos: corre para cá e para lá, pára sobre as patas traseiras e fica prestando atenção ao que acontece em redor, corre feito idiota numa roda que não leva a lugar nenhum, enche as bochechas de comida. Tem a mania de se segurar no alto da gaiola, como o Homem-Aranha, e se jogar de lá. Mas o macho, a quem não dei nome por puro desprezo, é outra história.
Hamsters têm tendências a ter uns piripaques. O macho deu um assim que chegou aqui. Ficou lá, estiradão, catatônico, parecendo morto. Se recuperou relativamente rápido mas, coitado, ficou meio seqüelado.
O descalibrado passa as noites rodando em círculo, em sentido anti-horário. É uma das coisas mais irritantes que alguém pode imaginar. Se alguém lembra do chão da sala das preocupações do Tio Patinhas tem uma boa idéia de como fica a maravalha sob esse rato miserável.
É isso, eu até aturo a Ritinha, mas detesto o rato. Por mim ele já teria sumido há muito tempo, mas não quero nem imaginar a mágoa dos meus sobrinhos ao darem por um rato faltando.
Nessa dicotomia, durante as últimas semanas vim tentando achar uma solução. E acho que descobri.
Um amigo, um psicopata chamado Beto, tem um hamster também. Se chama Epitácio (a filha dele tem outro, Bijou, mas pelo nome não boto lá minha mão no fogo). Ontem levei a Ritinha para lá, para ver se o Epitácio faz uns favores a ela.
Se a Ritinha der cria, o rato lelé vai virar comida de gato. Mas longe daqui, porque tudo de que preciso é de um gato me enchendo o saco.
Convoca-se mercenários que tenham compromisso com a liberdade para invadir, destruir, abalar, abater, abolir, acabar, acaçapar, acachapar, afligir, alhanar, aluir, aniquilar, anular, apagar, arrasar, arruinar, aterrar, avexar, bombardear, ceifar, cercear, consumir, demolir, depopular, depredar, derribar, derrocar, derrotar, derrubar, desbaratar, desmontar, desmoronar, desolar, destroçar, destruir, devastar, dilacerar, eliminar, esbarrondar, esboroar, esfacelar, esmagar, esterilizar, estraçalhar, estrafegar, estruir, exinanir, expungir, exterminar, extinguir, extirpar, inutilizar, matar, mixar, nulificar, oprimir, profligar, rasar, sumir, suprimir, talar, vastar — o que for possível — o Butão.
Falar com Rafael na Brigada Humphrey Bogart.