Perfeita harmonia

Parece que está virando moda: hoje foi a vez de um sujeito chamado Sérgio Corrêa fazer hotlinking para uma imagem armazenada aqui.

Mas dessa vez ele fez pior: copiou um texto inteiro meu e publicou como seu. A única coisa boa em tudo isso é que ele colocou o meu texto ao lado de outros do Inagaki.

É melhor correrem até lá e ver no que dá fazer hotlinking, antes que ele tire o post do ar.

Mídia do cidadão

Desde que o Bia falou que estávamos todos nós fazendo uma espécie de jornalismo, ando pensando nisso. O Bia conseguiu ver o que eu não via.

Sempre vi diferenças entre blogs brasileiros e americanos, que de certa forma representariam as diferenças entre as características dos dois países. Bem ou mal — ultimamente, mal — americanos têm um sentido de comunidade que nós nunca tivemos; para nós, comunidade é lugar onde pobre mora. Somos todos individualistas, como bons produtos da herança ibérica em um país onde se lê pouco e se escreve menos ainda.

Por isso, enquanto os mais bem conceituados dos Estados Unidos têm uma característica notamente jornalística, a maioria esmagadora dos bons blogs brasileiros têm tendência a serem ensaísticos ou ficcionistas. É um pecado do qual poucos se salvam, e certamente não este aqui.

Com o comentário da Cora Rónai sobre o post do Alexandre a respeito do fechamento de um “bordel virtual” no Rio, as coisas ficaram mais claras. Ela tinha razão ao dizer que o Alex foi um bom repórter: e olha que ele fez simplesmente o básico ensinado nas faculdades, ouvir o outro lado — no caso uma das meninas que trabalhavam no bordel virtual. Era algo muito simples de fazer, e que não é prerrogativa de jornalista, mas que por acaso não ocorreu aos jornais. No mesmo dia, o Cauê (sujeito profundamente analógico, mas que está de volta à blogosfera com um entusiasmo do qual eu não suspeitava) diagnosticou: “creio que, no silêncio da rede, [o blog] está criando algo que reverberará fundamente no futuro”.

O Alexandre mostrou algo simples: a produção de informação não precisa mais depender de estruturas institucionalizadas como jornais, rádio, TV, revistas ou mesmo websites. Fazer jornalismo — e bom jornalismo — é algo ao alcance de qualquer pessoa. Pode parecer evangelismo ingênuo, mas a cada dia aumenta minha certeza de que um mundo cada vez mais complexo e mais fragmentado cria necessidades de informação a que os meios de comunicação tradicionais não podem atender.

Desde há muito tempo gente como o Jeff Jarvis (que tem opiniões terríveis acerca da política externa americana, mas que é imbatível na defesa do conceito de liberdade de expressão e da mídia weblog) vem chamado blogs de “mídia do cidadão”; recentemente ele mesmo deu uma prova disso, conseguindo um furo que, assim como o do Alexandre, era extremamente simples de ser conseguido. O Press Think, de Jay Rosen, traz por sua vez um excelente artigo sobre esse potencial dos weblogs.

A definição é perfeita: weblogs são uma forma, a melhor já encontrada, de tirar o monopólio da produção de informação das mãos de veículos institucionalizados. Usando outra analogia marxista, weblogs tiraram das “classes dominantes” os meios de produção. O que impede qualquer pessoa de conseguir e divulgar novas informações relevantes a respeito de qualquer coisa? Antigamente o empecilho era o preço do papel e de impressoras; depois, o preço do equipamento de rádio e teledifusão; agora não há absolutamente nenhuma desculpa. A revolução está aí, na cara de todo mundo.

O que temos nas mãos, para aqueles que se interessarem, é algo fenomenal, único na história da humanidade. E para que isso se concretize basta que bloguistas percebam o que têm nas mãos.

Weblogs podem ser definidos em duas palavras: informação e comunidade. O que impede alguém de criar um blog com notícias que interessem ao seu bairro, à sua cidade, à sua categoria profissional como fez o Mauro Amaral, do Carreirasolo? Em vez de perder tempo com sindicatos cada vez mais obsoletos — pelo menos nas áreas mais afetadas pela tal sociedade da informação –, as pessoas deveriam perceber que Marx tinha razão: um problema só aparece quando já existe a solução. E se o mundo de hoje é um problema para muitos que lidam com comunicação, uma das soluções pode ser a possibilidade de publicação individual.

Mas só a existência dessa ferramenta não quer dizer nada: para que blogs tenham algum significado, para que se tornem realmente revolucionários, é preciso que formem comunidades. Isso vai além da relação que se cria entre um bloguista e seus leitores, porque a posição dos leitores é sempre de reação, uma resposta a algo que o bloguista escreveu. É uma via de mão dupla, certo, mas por mais importante que seja — e qualquer um de nós sabe o quanto é importante, o quanto melhora cada post –, a participação dos leitores ainda é provocada. Uma comunidade pressupõe outra coisa, pressupõe participação ativa.

Até agora, quem melhor percebeu o caminho foi o Mauro: é um dos poucos que está realmente criando uma comunidade, algo que parte da cooperação com vistas a um bem comum, não do mero compadrio ou da demonstração vã de talento ou inteligência (eu já disse presente, fessora!). No caso do Mauro, é uma comunidade profissional. Mas isso vale também para outras áreas. A possibilidade de grandes blogs ou wikis, coletivos por definição, pode ser algo muito mais revolucionário do que lançar um jornalzinho semanário jamais foi, pelo menos do ponto de vista da cidadania.

E anteontem o Alexandre, sugerindo a criação de um Clube do Livro, em que as pessoas teriam condições de produzir informação de qualidade, deu uma grande prova disso.

O potencial dos weblogs deveria ter sido percebido por alguns dos milhares de meninos que saem anualmente das faculdades de comunicação e vão brigar por vagas para escrever obituários em jornais. Mas mesmo que não seja, deveria ser percebido por todos aqueles que em algum momento falam em cidadania. Porque há pólvora aqui, muita pólvora. Basta agora acender o rastilho.

As alegrias que o Google me dá (XVI)

fotos eroticas penis pequeno
É o erotismo contido naquelas coisas miudinhas, aqueles pequenos detalhes que tanto excitam uma mulher.

vozinhas nuas vo
Menino criado por avó dá nisso. Até o complexo de Édipo é meio torto.

serginho groisman judeu
É, ele é judeu. Mas não é por isso que ele é chato.

durante o periodo classico tanto os gregos como os romenos continuaram a produzir tintas a maneira…
Conclua, por favor. Estava ficando interessante.

peças inventadas pelos alunos sobre o auto da barca do inferno
Escola chique a sua, hein? A minha não tinha nada disso. Mas tinha desfile de 7 de setembro, que era para a gente pagar mico e baixar a bola.

poema sobre escatologia teologica
Papai sempre me dizia, ao ver
Aquela mulata subindo o Elevador Lacerda
“Tem gente neste mundo que tem sorte,
Mas outros, aquele Sacana deixa na merda”.
(Eu não conheço outro sentido para escatologia, me desculpe.)

denuncie oportunistas na cultura
Helloooooo… A ditadura acabou, tá?

fazer uma cartinha para o papai noel pelo computador
Envie para sclaus@northpole.org.gr. Você vai receber uma mensagem automática, dizendo “Acusamos o recebimento de sua cartinha. Se você foi um bom menino, vai receber presente. Hohohoho, Papai Noel”. Com isso ele ganha tempo para checar a conta bancária de seus pais. Se eles tiverem dinheiro, você ganha presentes; se não tiverem, você ganha o que Rosa ganhou no beco.

símbolos de gênero marte e vênus como surgiu
Simples. Marte era um Ricardão sem cérebro, o Massaranduba helênico; Vênus era uma galinha que dava para meio Olimpo, menos para o pobre do Vulcano, seu marido. Algum sujeito com igual raiva de homens e mulheres botou esses nomes como símbolos. Deu certo.

julien sorel ou goriot
Lucien de Rubempré.

bonecas inflaveis perfeitas
O mais próximo disso é uma mulher linda, burra, surda e muda.

novo nome para as putas
Não precisa. Há um antigo que me deixa embevecido: vulgívagas. Vulgívaga é um nome bonito demais. Se eu fosse mulher eu seria vulgívaga, só para quando fosse pegar ficha no SUS e o atendente perguntasse “Profissão?”, eu respondesse “Vulgívaga” e ele ficasse pensando: “É por isso que este país não vai pra frente. Esses ricos ficam tirando os lugares dos pobres até mesmo no SUS.”

cidadao kane livro revolucionário
De fato. Orson Welles pode ter sido um escritor errático, migrando do dadaísmo para um estilo muito próximo a Faulkner, mas em “Cidadão Kane” escreveu uma obra-prima: um retrato pungente da luta da família Kane, retirantes de Oklahoma durante a Depressão, para conseguir um mínimo de respeito e cidadania. O estilo mesclava trechos curtos com notícias de jornal, e talvez aí esteja a grande revolução estilística de Welles, que infelizmente morreu em 1953, antes de ver o cineasta John Steinbeck levar seu grande livro às telas.

tradições dos esquimós
Tem o Dia da Neve, a NeveFest, o CarnaNeve, o São João da Neve, o Dia dos Mortos na Neve, a Semana da Neve Santa, o Dia de Nossa Senhora das Neves e a Noite da Foca, uma bacanal homérica onde ninguém é de ninguém.

qual tamanho de penis elas preferem na transa?
Eu não queria dizer. Porque iria correr o risco de você entrar em depressão, tentar até se matar. E eu não quero isso na minha consciência. Mas tenho o dever de responder, portanto se sente, antes de tudo. Isso. Agora peça para lhe trazerem um copo d’água com açúcar. Bebe. Bebe tudo. Agora respire fundo. Respirou? Então lá vai: graaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaande.

bonecos inflaveis com penis
Posso te dar uma sugestão? Prefira os tradicionais. Pênis infláveis estouram por qualquer coisa. Com os tradicionais é só a camisinha.

foto do nero rei de roma
Suetônio nos conta que Ricardus Avedonius, o mais famoso fotógrafo de celebridades da época, tirou muitas grandes fotos de Nero, inclusive na legendária Ilha de Carus. A série da harpa ficou famosa, e deve ser essa que você está procurando. No entanto, quando acusaram Nero de ter tocado fogo em Roma, Avedonius destruiu os negativos (como se sabe, na época só existiam máquinas analógicas, de filme. A máquina digital só seria inventada no século XVII).

cinta-larga significado desta palavra na lingua indigena
É Kuruypá Nhãgat. Originalmente significava “Povo escroto que arranca o couro daqueles garimpeiros filhos da puta”.

fotos naturalista de praias de nudismo
Um dissimulado! Quer passar a perna no Google, hein? Dizendo que as fotos são “naturalistas” para que ele não lhe faça um sermão, quando na verdade o que você quer ver é mulher pelada. Ah, meu rapaz… A essa altura você já deve ter descoberto que a gente não engana o Google. Ele é que passou a perna em você.

evanescence fotos emy lee
Serve da Siouxsie? Dá no mesmo, você nem vai notar a diferença.

como entrar nas comunidades orkut
Pela porta, como todo cachorro. Como você acha que eu entrei?

explique porque durante muitos anos a história da america foi contada segundo a visao européia
Porque os índios eram analfabetos e estavam comendo o pão que o diabo amassou com o rabo é uma boa suposição?

o poeta é um ente que lambe as palavras e se alucina
Não, esse é o sujeito que toma LSD.

meninos mortos por asfixia seguido de abuso sexual
Vem cá… Senta aqui do meu lado. Você tem um problema, sabe? Um problema sério. Eu posso te ajudar. Posso te indicar um bom psiquiatra. Você vai se sentir muito melhor.

teoria do mau selvagem
Professada pelo misto de garimpeiro e filósofo J. J. Siferreau, que deu o azar de estar nas terras dos Cintas-Largas há alguns meses.

editora forense juro rafael
Oh, não jures pela jurisprudência, essa jurisprudência inconstante, que muda a cada mês em sua órbita judiciária, pois teu amor parecerá variável também…

a vida de rasputin na revolução russa
Era uma vida calma, nem parecia aquele sujeito que havia incendiado o coração de Alexandra. Tranqüila. Para ele tanto fazia quem estava no poder, o czar, Kerenski ou Lênin. Ele simplesmente não ligava mais, estava em outra. O pau comendo e ele lá, mortinho da silva, desde o ano anterior.

a dama da noite catada por joao nogueira
Deve ter sido numa dessas madrugadas sem Deus, não é? O João Nogueira saiu do show, foi tomar umas biritas… E então encontrou a moça. Conversa vai, conversa vem, a moça se revelou uma dama, engraçada, inteligente. João levou a moça para casa. Cantou um sambinha para ela, mas então a moça deu o preço e ele botou a mulher porta afora. A vida nem sempre é composta de finais felizes.

maridos punheteiros
Eu imagino como a senhora está se sentindo. A senhora aí, cheia de amor para dar, e aquele ingrato preferindo cair na mão. É triste, é muito triste. Olha: eu não quero deixar a senhora mais chateada e nervosa do que já está, nem colocar mais areia em um casamento complicado, mas… Já pensou em dar uma ajeitada no corpitcho?

relações ideológicas da novela senhora do destino
Meu amigo, você está acima de todos nós, mortais. Você é um gênio. Você conseguiu ver tudo isso na novela das oito, foi?

impressora luzes piscam
Ela se apaixonou por você. Se apaixonou pelos seus dedos apertando os botões certos. Se apaixonou pelo jeito gentil e delicado com que você coloca o papel nela, lenta e firmemente. Ela estava ligada no seu computador, mas pelas piscadelas, não dá mais para negar: isso é amor. Vai fundo.

quero aumentar o tamanho do meu penis gratis
E eu quero um Lear Jet. Senta aqui do meu lado e vamos esperar.

significado luto
Significa que você veste preto (ou roxo, antigamente) para fazer as pessoas pensarem que você está triste com a morte do seu marido, quando na verdade está aliviada por não ter mais que aturar aquele cachorro.

senhoras brasileiras acima de 50 anos nuas
Gostei do seu tom respeitoso, meu rapaz. Isso é tão raro hoje em dia. As pessoas andam muito grosseiras, mal educadas. Mas mesmo com toda essa educação aqui você não vai encontrar nada.

como se transmite la parafilia
Ô hermano, parafilias não são contagiosas. Nenhuma delas. Algumas são engraçadas, outras são deprimentes, algumas são asquerosas. Mas são todas criadas na sua própria cabeça e de lá não saem. O que é muito bom: sabe, eu tenho a impressão de que não gostaria que você me transmitisse as suas.

como se masturbar
Chega. Eu não agüento mais. É com a mão, infeliz!

depilar penis
Eu detesto esse povo que escreve coisas tão engraçadas que eu não posso sequer tentar escrever algo melhor. Detesto.

putas fortes
Por que isso? Afinal, você quer uma mulher para fazer saliência ou para carregar saco de cimento nas costas?

quando sai pus no penis do homem que tipo de doença e
Nenhuma. Você está saudável como um bebê. E sabe aquela puta que você comeu semana passada? Sumiu, menino. Dizem que morreu.

posturas do coroinha
Depende do padre, meu amigo. Às vezes é ajoelhado, às vezes é de quatro..

o google é tão bom a tanto tempo
Não adianta puxar o saco do Google. Ele vai continuar te trazendo para cá. E eu vou deixar passar o fato de essa frase ter sido feita exclusivamente para vir parar aqui.

foto de um himen feminino
Tem, mas tá em falta. Serve de um hímen masculino?

papel higienico/inventor
Foi o amanuense C. U. Butts, que trabalhava no Philadephia Enquirer. Como tantas grandes invenções, aconteceu por acaso: ele estava em seu escritório quando a natureza o chamou. Ao acabar, escorregou e caiu sobre um montículo de papel jornal que havia ali perto. Estava criado o papel higiênico, uma das invenções mais revolucionárias da história. Infelizmente, Butts teve sua patente roubada pelo dono da empresa em que trabalhava, e terminou seus dias na merda.

como era vida antigamente em 70? fotos
Era muito boa, se você era terrorista subversivo comunista de esquerda. Acordava pela manhã e ia para o pau de arara, uma técnica de alongamento que o DOI-CODI aperfeiçoou. Descansava um pouco e ia levar choques, algo concebido para ativar sua circulação. Finalmente, fazia um pouco de esporte, brincando de bater com a sua cara nos punhos dos interrogadores. Os anos 70 foram a verdadeira geração saúde.

iara aeromoça da rio sul
Ah, a paixão fulminante e fugaz a oito mil pés de altura na ponte aérea… Eu, pessoalmente, nunca vi aeromoças como mais que copeiras metidas a besta, mas é puro preconceito meu. Só não vá prometer à moça amor eterno e ele não durar mais que os 45 minutos de praxe.

meu penis nao sobe e trauma
Não, meu amigo, é broxa, mesmo.

coisa gostosa de 4 nua em fotos
“Coisa” é meio vago, não? Pode ser um porco. Porco é gostoso. Pode ser uma mesa. Mesa não é gostosa, mas sei lá das suas preferências.

esquimos são
São. Não sei o quê, mas são.

minha impressora olivetti é uma merda
E eu com isso? Problema seu, amigo. A minha Epson também é e nem por isso eu vou para os blogs dos outros desabafar.

asilo porno
Lou-cu-ra. Em cima da grande mesa do refeitório, Abigail faz um strip-tease apoiando-se sensualmente em seu andador. Camerino, empolgado, joga a dentadura para o alto e, aproveitando que tem gengivas macias, faz um convite indecoroso para uma velhinha, prontamente aceito. Augustinha, já nua, balança seus peitos com firmeza selvagem: bate no teto, bate no chão, ao som de In The Mood. Mas nem só de sexo selvagem é feita a grande orgia do asilo; pílulas multicoloridas para Alzheimer circulam de mão em mão, deixando todos completamente, absolutamente alucinados. Adolfo, o velho sádico, bate em Eva com o seu saco. Doutor Alves levanta a saia das velhinhas que passam com sua bengala. Gritos de “Supimpa!” ecoam no salão, entremeados por um “Cáspite!” dito por Epitácio que tinha conseguido encostar aquela velhinha naturalmente encurvada na mesa, mas não se viu capaz de aproveitar. A velhinha que já não vê reconhece seus amigos por toque: “Philomeno, continuas mole!”. Millicent, pernas entrelaçadas com Ariosvaldo, grita “Eu quero um bisneto seu! Eu quero um bisneto seu!” Sobral segura sua dentadura na mão, enquanto seduz Anastácia: “Vou te morder todinha, gostosa.” E Carmelita aproveita seu mal de Parkinson para fazer uns favores a uma dezena de velhinhos. Lou-cu-ra.

Neo-nazistas, agora do outro lado

A. Hit.. Ops, SharonDurante as eleições americanas, quando alguns mais exaltados chamavam Bush de nazista, logo apareciam vozes gritando que não se podia fazer essa comparação, porque o nazismo era muito mais que isso, etc.

Essa sacralização do nazismo como algo único, impossível de ser repetido, sempre me pareceu um erro. Pressupõe a idéia imbecil de que foi uma excrescência histórica sem explicação, uma espécie de Anunciação do mal. Descarta todo o processo histórico que o criou.

A maioria dos nazistas não era louca, não era alucinada de ódio. Era gente perfeitamente normal, com preconceitos comuns em sua época e lugar que foram amplificados além do “aceitável” em um momento específico. Muitos eram só oportunistas. E o próprio Hitler mostrou que era extremamente racional em seu ódio: “Se os judeus não existissem precisariam ser inventados”, ou algo assim. Louco ou não, arcaico ou não, Hitler era um político, e um bom político. Sabia que o anti-semitismo era uma plataforma importante para o crescimento do partido nacional-socialista.

Erro grave, esse. Esquecer o contexto histórico em que algo se desenvolveu pode permitir que essas mesmas ações se repitam.

Este blog já comparou a ação de Israel às dos nazistas e levou porrada. Talvez por isso dê para imaginar a surpresa ao ver Yosef Lapid, que viveu no gueto de Budapeste durante a II Guerra, comparar a ação de Israel na Faixa de Gaza a ações nazistas semelhantes: “Vi na televisão uma senhora [palestina] procurando seus remédios numa casa destruída em Rafah, e ela me lembrou minha avó”. (A matéria completa, que fala sobre o declínio dos direitos humanos, é assinada por Silio Boccanera e está na Primeira Leitura deste mês).

Ainda assim Lapid seria só mais um sujeito a se indignar com o que Israel anda fazendo na Palestina, não fosse ele o ministro da Justiça do seu país. Agora, o Pedro Dória mostra o exército israelense tratando um violinista palestino da mesma forma que nazistas trataram judeus nos anos que precederam a II Guerra Mundial. A semelhança é impressionante. As imagens de judeus lavando o chão, cercados por soldados e transeuntes que riem de sua humilhação, deveriam ser mostradas a todos que menosprezam a maldade humana; e a essa imagens deveriam ser juntadas as do violinista Wissam Tayem.

Claro que se pode dizer que não há comparação, que Israel não construiu campos de morte como Auschwitz e Dachau. Mas por uma questão de metodologia, a Solução Final não define o nazismo. Define o Holocausto, o momento mais baixo da história da humanidade. O que realmente define o nazismo é a série de leis e, principalmente, de atitudes que o Reich empreendeu nos anos 30. O Holocausto não teria acontecido se, antes, o nazismo não fosse se fortalecendo através da perseguição e humilhação de milhões de judeus, se Chamberlain não deixasse esses pequenos detalhes passarem enquanto aceitava calado os gritos de Hitler em Munique.

Hoje, Israel é um Estado opressor. Prepara o genocídio de uma raça. Se torna progressivamente racista à medida que seu povo aprende, desde o berço, que palestino é perigoso. E se isso não o faz cada vez mais parecido com o regime que fez o seu povo sofrer como poucos outros na História, então eu não entendo mais nada.

Filosofia à francesa

Nunca fiz segredo de que corro de filosofia como gato escaldado corre de água fria.

Agora posso explicar por quê.

Uma matéria da Primeira Leitura deste mês cita um tal de Roger-Pol Droit:

Pierre Hadot, grande erudito, mostrou que a filosofia da Antigüidade estava destinada a mudar a existência, e não a construir sistemas de filosofia. Ele influenciou Foucault e também uma nova geração, como a de Michel Onfray, com essa idéia de que a filosofia existe para ser vivida, não somente para ser pensada ou se limitar ao acaso.

É isso. O problema dessa francesada toda é só um: ignorância. Ou má-fé. Enquanto eles citam esse montão de sei-lá-quem o otário do Marx se revolve em sua tumba.

Droit continua:

Há uma grande demanda, hoje, na França, por essas obras filosóficas direcionadas à vida cotidiana, à reflexão individual, algo entre a sabedoria e a análise filosófica.

No Brasil também. Só que aqui a gente chama isso de auto-ajuda.

No que resulta o "Resumo de 'A Cidade e As Serras' por Rubem Fonseca"

Manchete em um “portal” de Sergipe há algumas semanas:

Mardoqueu apoia a taxa de assinatura de telefone

Achei que o deputado em questão jamais tomaria uma posição tão burra. Me assustei e lá fui eu ler a notícia.

Não precisei ir além do primeiro parágrafo:

O deputado estadual, pastor Mardoqueu Bodano (PL), defendeu o fim da cobrança da taxa de assinatura básica dos telefones fixos. Ele pretende mobilizar associações dos 75 municípios sergipanos para coleta de assinaturas. “Precisamos do maior numero possível para mostrar as empresas que a população quer a mudança na cobrança”, disse o parlamentar, acrescentando que a energia e a água são pagas de acordo com o consumo.

Devem ser os fichamentos de livros encontrados na internet, só pode.

Aviso aos navegantes

Há uma coisa chamada hotlinking que é uma grande canalhice. Você exibe uma imagem no seu site, mas ela está armazenada em outro lugar. Ou seja: quem paga os custos da imagem é outra pessoa.

No meu caso, eu pago pela hospedagem e tenho limites de tráfego. Se esse limite for atingido, o blog simplesmente sai do ar, a não ser que eu pague por mais tráfego.

Alguém fez isso com a imagem do filme do Tim Burton incluída aqui. Sem sequer avisar. Se pedisse, eu provavelmente teria deixado.

Pena.

Última Leitura

Durante muito tempo admirei a revista Primeira Leitura, desde os tempos em que ela se chamava República. Não interessava que ela tivesse uma linha claramente identificada com um setor de um partido, o PSDB: ela tinha uma grande qualidade, a de dar densidade ao debate ideológico. Nos anos Lula se tornou uma revista de oposição e de contradição ao governo, assumidamente, e em princípio isso é bom. Era uma revista inteligente, instigante.

Agora, com a saída do José Roberto Mendonça de Barros, seu publisher, a impressão que fica é a de que a densidade se foi e restou a mais rasteira propaganda política. A Primeira Leitura, nesta última edição, praticamente se limita a boletim de informações do PSDB; diminui-se, se despede do bom papel histórico que desempenhou durante muito tempo.

É irônico, porque Mendonça de Barros deveria ser, em tese, o sujeito a dar esse tom politiqueiro. Era ele o sujeito ligado, em várias esferas, a Fernando Henrique Cardoso. Mas enquanto se podia divisar na revista do Mendonça de Barros uma certa coerência e qualidade ideológica, na nova Primeira Leitura só vê a mesma velha e má politicagem.

Quem lê a revista com um pouco de atenção pode ver que a chamada de capa (“O PT cai do cavalo”) não corresponde à realidade. Um partido que tinha 187 prefeitos e em 2005 terá 411 não está estatelado no chão. Só porque perdeu São Paulo e Porto Alegre? Perdas muito importantes, óbvio, mas não decisivas no que se refere às próximas eleições. Os números apresentados na própria revista mostram um crescimento significativo do PT, algo que os políticos gostam de chamar de “capilaridade”. Isso não compensa a perda de São Paulo, mas representa muito mais no projeto de solidificação do partido.

Além disso, Marta não perdeu porque o paulistano é preconceituoso, porque é mulher ou porque o povo deu um sinal vermelho ao governo federal. Marta perdeu porque não soube fazer política, porque começou a fazer obras tarde demais, porque aumentou muito as taxas municipais, porque esnobou o PMDB, porque fez um acordo espúrio com Maluf e deixou que isso saísse de controle, e em muito menor medida porque realmente passa arrogância.

Querer nacionalizar uma derrota que se deve a questões locais, como acontece em absolutamente todas as eleições municipais desde 1992, é excesso de oportunismo. É esse o problema da revista: entrou de cabeça na disputa por 2006. E o PSDB sequer precisa disso: ninguém tem dúvidas de que Serra vai fazer uma excelente administração para garantir densidade eleitoral em uma eleição em que, apesar do que a revista diz, Lula parece ser imbatível, sim. Vai ser um governo populista, demagógico — e isso não é necessariamente ruim –, e certamente tentará recuperar espaço nas áreas mais pobres, onde Serra foi mal votado. Isso é política. Faz parte do jogo.

Ao negar essas verdades, tão óbvias que Júlio César já conhecia, a Primeira Leitura está empenhada em espalhar o mito do “republicanismo” do PSDB. Diz que o PT faz oposição irresponsável, ao contrário do PSDB, coerente e cheio de princípios. A verdade, como sabe qualquer prefeito que tenha feito oposição ao governo Fernando Henrique, é bem diferente: entre 1995 e 2003, prefeitos de oposição foram tratados a pão e água. Pode-se criticar a esquerda brasileira por suas posições, com razão, pode-se criticar diversas atitudes do governo, também com razão; mas não às custas da elevação do PSDB à categoria de vestal impoluta da democracia. O tom de campanha se revela quando a revista bate repetidamente na tecla de um cabo eleitoral que barrou a entrada de Serra em um buraco qualquer, mas não faz uma só referência à diretora de escola que barrou a entrada de Marta, algo por sinal ilegal.

Mesmo isso seria tolerável se a revista não perdesse muito de sua inteligência. Uma entrevista com Celso Lafer, por exemplo, se resume a um amontoado de críticas à política externa de Lula. Se o Cláudio Humberto estiver certo, Celso Lafer era o Ministro das Relações Exteriores de Fernando Henrique que humilhou o país a que servia tirando os sapatos num aeroporto americano. Isso não é exemplo de política externa. Mais: um dos pontos em que o governo do PT vem se destacando é justamente esse. Obviamente não é a “invenção da soberania” que alguns setores mais burros do PT querem, porque o governo FHC também foi muito bom nisso; mas tem avançado, e muito. Criticar justamente essa área é perder o juízo e abusar da má-fé.

Cada vez mais — com a Primeira Leitura abdicando de sua inteligência, com a Veja encastelada no seu autismo jornalístico, com a IstoÉ merecendo o apelido cruel dado pela Veja (QuantoÉ), com Carta Capital vendendo suas matérias para o governo federal — eu fico achando que é melhor comprar uma edição da Atlantic Monthly ou da Nossa História e, se quiser saber o que acontece por aqui, assistir ao Jornal Nacional. Pelo menos é de graça.

E vou me poupar o prazer duvidoso de ler um dos mais novos colaboradores da Primeira Leitura: o indefectível Olavo de Carvalho.

***

A Veja desta semana traz várias matérias elogiosas a Lula. Alguém poderia me informar se a Abril andou conseguindo empréstimos federais?

Uma vez Flamengo

Esta foto mostra um dos meus dois grandes momentos como torcedor de futebol. A outra foi a Copa do Mundo de 1994.

Mas mesmo a Copa não significou o que o Mundial Interclubes de 1981 significou. Se em 1994 ganhamos porque os outros eram piores, em 1981 ganhamos porque nenhum outro time, em todo o mundo, era tão bom quanto o Flamengo. Nenhum jogava tão bonito, nenhum deu tantos jogadores para a seleção de 1982, na minha opinião a melhor de todos os tempos.

Ganhávamos na bola, com o talento de gente como o maior lateral direito de todos os tempos, Leandro, e do melhor jogador brasileiro que vi jogar — preciso falar o nome dele? E se fosse necessário ganhávamos também no braço, como aprendeu o Cobreloa nas finais da Libertadores.

23 anos depois, ainda sei de cor a escalação daquele time campeão do mundo: Raul, Leandro, Marinho, Mozer e Júnior; Andrade, Adílio e Zico; Tita, Nunes e Lico. Não dá para contar o número de botecos espalhados pelo Brasil que ainda têm na parede a foto daquele time.

Mas também 23 anos depois acabei de ver o Flamengo suar para ganhar de um time vagabundo. Fazia um ano que eu não via um jogo do que um dia foi conhecido como Mengão: o último foi um Fla-Flu melancólico no Maracanã, 1 a 0 para o Flamengo. A única coisa em comum entre os dois times é a presença de Andrade, agora como técnico, tentando salvar o time de uma humilhação que, como jogador, nunca imaginou passar.

Há algo de triste quando, assim que termina o jogo, um dos melhores jogadores em campo — que por acaso sofreu um frango humilhante — cai em prantos e recebe o apoio ostensivo dos companheiros, que o carregam nos ombros. Aquele é um time desequilibrado, emocionalmente em frangalhos, que já não sabe o que fazer além de jogar o futebol indigno que finge jogar. É vítima de sua própria incompetência e da tragédia cômica em que se transforou o futebol carioca.

Fosse outra a situação e eu até torceria pelo rebaixamento, como tanta gente torce. Mas isso não iria resolver nada. O Fluminense foi rebaixado três vezes, e é isso que se vê; o Botafogo foi rebaixado, continua trocando passes medíocres em campos medíocres. O rebaixamento não resolve nada porque o problema do futebol no Rio de Janeiro não está apenas em Caixa D’Água, como querem os cronistas esportivos; está na própria estrutura dos clubes, corrupta, viciada. Uma estrutura em que todos sugam o que podem, em que todos são coniventes porque todos tiram alguma vantagem, de dirigentes a torcedores organizados. São parasitas que se alimentam da desgraça de um time que um dia foi o melhor do mundo.

É provável que ontem o Flamengo tenha conseguido sair de vez da zona de rebaixamento em 2004. E isso não quer dizer nada. Quer dizer apenas que no ano que vem mais uma vez vamos ter, como únicas emoções dadas pelo time de mais de 30 milhões de brasileiros, a expectativa pela possibilidade de rebaixamento. A única solução possível seria demitir todos, reconstruir tudo do nada, o que não seria difícil para um clube que recebe, todo ano, milhares de adolescentes desesperados por uma chance. Mas é impossível, por causa da infestação de parasitas.

No último jogo do Flamengo a que eu tinha assistido, tive que sair antes do final, para evitar as confusões de costume na saída do Maracanã. Não pode haver o melhor retrato do time que, vale a pena repetir, já foi o melhor do mundo.