Thunderbird

Get Thunderbird - Reclaim your inboxEste post seria sobre o Firefox (79,6% dos leitores deste blog ainda usam o Internet Explorer; eu sinceramente não entendo como isso é possível), mas o Marcus escreveu um guia simples, didático e abrangente com as razões pelas quais uma pessoa com juízo deve abandonar o IE, contra o qual o próprio governo americano já se pronunciou.

Então deixa eu voltar a insistir no Thunderbird.

Durante toda a minha vida na internet, eu usei o Eudora. Se abandonei o Netscape uma época porque simplesmente não dava mais (as versões 4.7x), o Eudora sempre esteve aqui. Basicamente, minha vida de e-mails está guardada nele.

Mas o Eudora é pago. E se ninguém se importa se eu confessar um crime, eu já estava de saco cheio de catar cracks internet afora. O Outlook Express nunca foi uma alternativa — não apenas por ser extremamente vulnerável a virii, mas por não me oferecer alguns recursos de que preciso, já que guardo virtualmente todos os e-mails que recebo e envio.

O Thunderbird é um grande cliente de e-mail. Ainda tem alguns pequenos defeitos, mas estruturalmente é extremamente adequado ao que preciso. Como o Firefox, tem uma estrutura modular que lhe permite agregar novas funções. No meu caso, uso duas extensões: TB Attachment Tools, que me permite separar arquivos anexados das mensagens, e Magic SLR, que simplesmente adiciona um botão de Send Later.

Além disso, há um programa chamado MozBackup que salva todas as configurações do Thunderbird e do Firefox e as reinstala sem problemas — quando, por exemplo, você formata seu HD. Isso quer dizer bookmarks, senhas, e-mails, cookies — absolutamente tudo, até as extensões, se você quiser. O MozBackup só funciona no Windows — mas é um dos mais úteis programas que eu já vi.

Com essas duas extensões e o MozBackup, o Thunderbird se torna melhor do que o Eudora — e eu sempre achei o Eudora imbatível. Além disso, o Thunderbird é também cliente de newsgroups Usenet (se é que alguém ainda usa isso) e, mais importante, leitor RSS. Juntos, o Thunderbird e o Firefox respondem a praticamente todas as necessidades em internet.

Nos últimos meses, o Eudora era utilizado apenas para checar algumas contas secundárias. Semana passada consolidei todas as newsletters em uma conta só. E ontem finalmente transferi meu e-mail do Eudora (35 MB, sem contar arquivos anexados e embutidos) para o Thunderbird. O Eudora chegou ao fim.

Adenor Gondim

O Adenor Gondim, grande fotógrafo baiano — e que tem um belíssimo blog, do qual já copiei uma foto para um post — acaba de lançar o seu site.

Mas melhor que isso, pelo menos para quem mora em Sumpaulo: ele está com uma exposição na Pinacoteca de São Paulo, até o dia 9 de janeiro. Pelas amostras no blog e no site, vale a pena.

Lição básica de atendimento em propaganda

Historinha contada por um dos decanos da propaganda baiana, Jorge Randam.

Prospecção de clientes é como passar todo dia em frente à janela de uma mulher muito bonita.

Você sabe que ela é casada, bem casada, feliz.

Mas não deixe de sorrir para ela. Não deixe de dizer bom dia. Não deixe de tirar o seu chapéu. Não deixe de dizer alguma coisa agradável.

Porque um dia ela vai brigar com o marido. E a primeira pessoa de quem vai lembrar é você.

Devaneios literários

Acabo de romper relações com o senhor Luiz Biajoni.

O sacana ligou para mim só para me dizer, na minha cara, sem pejo nem pudor, que eu sou um capitalista nojento por não morrer de vontade de publicar um livro.

Duas ou três pessoas, falando nisso, já disseram que eu deveria publicar alguns dos posts deste blog em livro.

Acenam com a glória literária e com a satisfação da minha vaidade.

Além de eu achar que o melhor meio para estes posts é este mesmo, a internet, esses são os acenos errados.

Me prometam dinheiro, boa comida, uma garrafa de Jack Daniels, fornecimento vitalício de suco de mangaba e as mulheres mais cachorras que há nesse Brasil tropical e eu escrevo até “Guerra e Paz”.

As alegrias que o Google me dá (XIV)

biografia da gonorreia
Eu juro que escrevo alguma coisa se conseguir parar de gargalhar.

histórico da raça yorkshires
Foi desenvolvido, através de cuidadosa seleção empírica, pelas senhoras solitárias de Copacabana.

converter leoes video
É simples. Entre na jaula rezando a Oração de S. Francisco. Se tudo der certo, os leões sentarão aos seus pés e ouvirão a mensagem do Pai. Se der errado, bem, espere que a Igreja te canonize. Ela anda beatificando cada coisa absurda que é bem possível que canonize um maluco suicida. De qualquer forma, ajuda se você se chamar Daniel.

resumo do livro dos delitos e das penas
Rapaz, pára com isso. Se você continuar assim, fazendo o seu curso através do Google, vai acabar que nem aquele moço meio fraco das idéias, que obrigou o prédio inteiro a chamá-lo de senhor dotô. Você provavelmente está fazendo Introdução ao Estudo do Direito I. Ainda tem tempo para virar gente.

palhaços latinos
Dependendo do ponto de vista, companheiro, somos todos. Somos todos.

os pênis mais feios do japão
Eu não preciso comentar isso, preciso?

fodidincul
Eu usei essa palavra em um post antigo (uma brincadeira com as palavras, mas que na minha opinião não é tão bom quanto este, um dos que mais gosto em todo o blog). Quando vi alguém procurando por ela fiquei curioso e repeti a busca no Google. Esta é a única página, em toda a internet, em todo o mundo, que usa essa palavra. Chique no último.

vídeos grátis de homens colocando uma camisinha
Homens no plural, camisinha no singular. Rapaz, deve ser uma briga de foice, hein? “No meu!”, “Não, no meu!”, “Olha, tá aqui pra quem quiser!”

resumos de livros publicitários
De todos eles: “Escrevi este livro para que você me dê sua conta”.

desenho paisagens bonequinhos para criança
Poxa. Não dá para descrever como fiquei triste. Eu olho aquela lista imensa (mais de mil frases diferentes nos primeiros dez dias do mês) e me deparo com os maiores absurdos que a mente humana pode conceber. Sem falar nos simplesmente grosseiros, aqueles que não conseguem sequer inspirar um comentário. De repente vejo essa frase ali, encolhidinha entre “flagra peitinho” e “coroas que querem foder”, e me sinto mal pela inocência perdida.

biografia da gonorreia
Eu… Eu… Rapaz, não dá. Não consigo parar de rir quando leio isso.

porque o negro sempre foi visto com macumbeiro
Não faço idéia. Principalmente porque, com o culto a Odin tão disseminado nas senzalas do Brasil colonial, esse estereótipo é absolutamente despropositado. Mas não acho que sejam só os negros, não. Conheço muita espanhola batendo atabaque.

opinião das mulheres de serem encoxadas
É bom ver um rapaz fazendo pesquisa de campo antes de pôr em prática suas taras. De qualquer forma, ele já devia saber que tudo depende de quem encoxa. Sempre.

os maiores idiotas do mundo
Epa, o Google te mandou para cá, foi? Esse Google tá querendo briga. Eu já estou por aqui com ele. Por aqui. Ele fica implicando comigo. Sabe que eu odeio ser chamado de idiota. Mas ele provoca. Ele não vai com minha cara. E eu tenho passado tempo demais olhando essas frases.

beirute moda provocante
Na passarela a modelo Yasmin com o seu vestido anti-aéreo com estampas de AK-47. Mais uma criação do polêmico Hezbollah Silveira. E olhem para Kadidja al-Mahjr, vestindo um belíssimo modelo Scud by Hamas, feito de destroços de minas terrestres e latas evocativas de Napalm. Este é um desfile fantástico, senhoras e senhores. Digno de Alá.

so fotos nuas tiradas em casa
Isso, rapaz. Ao som de Sá, Rodrix e Guarabyra, você está procurando um meio de se livrar dessa indústria de consumo que nos idiotiza a todos. Vamos voltar a um mundo mais natural, a uma casinha branca com mato verde. Chega de fast food industrializado. Longa vida à comida caseira.

como masturbar
Focas: o lugar mais apropriado, obviamente, é um restaurante de frutos do mar. Comece brincando de adoleta; bater palminhas é mais afrodisíaco para focas do que para a Jessica Rabbit. Quando ela finalmente cansar, aproxime-se. Pergunte se ela quer uma bolinha para equilibrar no nariz. Enquanto ela estiver ocupada, você ataca. Evite apenas aquelas que namoram morsas, porque os chifres de morsa nascem para baixo e podem causar grandes problemas. E não ligue para o cheiro de peixe. É assim mesmo.

imagens de pessoas fazendo esportes que naõ fazem mal a saúde
Rapaz… Gostei de você. E só por isso vou te mandar uma foto minha praticando o único esporte que não faz mal à saúde: porrinha. Me manda seu e-mail.

fotos ensinando a beijar
É assim, ó: você pega o seu parceiro nos braços e aproxima o rosto dele ou dela. Aí as bocas se tocam. É de bom tom fechar os olhos, porque senão vai parecer que você está simplesmente avaliando o material. Não é recomendado enfiar a língua até o esôfago do parceiro. Não morda a língua dele. E cuidado com o sapinho.

as danadinhas por sexo
Olha, eu certamente estou enganado, mas fiquei imaginando o sujeito que escreveu isso. Uns 16 anos, alto para a idade, magro, óculos fundo-de-garrafa e espinhas na cara bem branca que ostenta um buço incipiente. Veste sempre calças sociais, sapatos e camisa de manga comprida, abotoada até a gola e com punhos impecáveis. Quando fala, pronuncia as palavras com uma correção tão absoluta que outros confundem com pernosticismo, quando é apenas timidez e insegurança. Lê muito e faz questão de deixar isso claro, tem uma certa propensão a ciências — e vai ser engenheiro quando crescer. E enquanto procura por essas danadinhas, dá um risinho nervoso de sabe-tudo que está fazendo algo erradíssimo.

biografia da gonorreia
Respira fundo… Isso… Inspira… Expira… Deus do céu. Eu estou tentando.

geografia nordestina cidades e capitaes
É, aprender geografia é muito bom. Quando menos para não ofender um sergipano — que costuma ser muito sensível a essas coisas — dizendo que Aracaju é a capital de Maceió. Mas se posso te dar um conselho desinteressado, aprender português também é importante.

resumo o pai que era mãe editora cia das letras
Ah, essa é tão óbvia que até dá vergonha. Mas vamos lá. Garoto cresce achando que sua mãe se chama Waleska; durante a adolescência descobre que ela, na verdade, foi batizada como Waldir. O livro narra a jornada do menino para se conciliar com o fato e perceber que, o que realmente importa, é que sua mãe/pai o ama.
(…)
Poxa, eu sinto que dava para fazer melhor. Desculpa aí.

a tese da superioridade ariana durante a segunda guerra mundial
Se mostrou acertadíssima quando a Alemanha nazista ganhou a guerra.

garotos punheteiros
Ahn… Há outro tipo?

resumo os três porquinhos pobres
Tem coisas em que, mesmo vendo, é difícil acreditar. Alguém procurando o resumo de um livro infantil é uma delas.

definição histórica lsd
Timothy Leary em seu cavalo multicor de sete cabeças de dragão percorreu os sete níveis com Deus ao seu lado e círculos concêntricos se fizeram da luz que gritava Dylan é Deus e o Grateful Dead encheu as flores de música e elas floresceram e explodiram em milhões de cores e Gabriel tocou seu trumpete e avisou que o Juízo chegou para que Syd Barrett brilhasse diamante louco louco louco e o Pinel me levou porque essa viagem não teve volta.

complexo penis pequeno
Fica assim não, meu filho. Olha só, não vale a pena se preocupar com detalhes tão pequenos. Uma mulher vai amar você independentemente de ser bem dotado ou não. Vai dizer que tamanho não é documento. Ela vai estar mentindo, mas o que a gente não faz por amor?

biografia da gonorreia
Agora eu consigo. Gonorréia Hernandez nasceu… Droga, não dá. Inspira… Expira…

que tipo de roupa o toureiro usa touradas
Umas roupas absolutamente cheguei. Não é à toa. É para que o touro, ao olhar para ele, pense: “Nah… Não foi esse viadinho que me colocou estes chifres…”

redação sobre paraiso perdido de shakespeare
Ah, Deus, sempre querem mais. Agora querem até a redação pronta. E pior, sem saber sequer quem é o autor da droga do poema.

os mais esquisitos desejos eroticos
Ver mexicanos nus. Essa bate todas as que eu conhecia.

miudas nuas jogando futebol
O colega luso quase chegou à definição da felicidade masculina. Eu vou ajudar: “miúdas nuas jogando futebol com uma garrafa de cerveja na mão dentro de uma Ferrari”.

artistas e pactos com satanás
Finalmente alguém que concorda comigo. Sempre achei que todos os sertanejos, todos os músicos de axé, todos os pagodeiros fizeram um pacto com o demônio para levar o caos à civilização contemporânea. E como se não fosse o bastante, o dito se disfarçou de Deus e fez um pacto semelhante com as bandas gospel.

biografia da gonorreia
Agora vai. Eu vou conseguir. Eu vou conseguir.

Gonorréia Hernandez nasceu em 1957, numa cidadezinha mexicana cujo nome a história enterrou. Aos 11 anos foi violentada por um daqueles mexicanos de cara redonda, bigodão e roupa branca. Mas ela não deixou que isso a abatesse. Em troca de favores sexuais, embarcou em um navio mercante e, depois de incontáveis aventuras pelos sete mares, foi parar em Paris.

Lá Goninha, como era conhecida, se tornou a rainha do bas fond. Primeiro como prostituta, depois como cafetina, Gonorréia se transformou em algo totalmente diferente daquela mexicaninha que dançava ao som de Thalia e se emocionava com Maria del Barrio.

Ela mudou de nome, tentando deixar para trás as lembranças que seu nome lhe trazia cada vez que era pronunciado. E então toda a Paris conheceu a glória e o poder de Madame Bleneau. Mulher poderosa, amante de ministros e presidentes. Sua palavra era a lei.

Mas nem todo o luxo de seu boudoir, nem toda a devoção dos flâneurs, nem todo o esplendor dos boulevards de Paris conseguiram fazê-la esquecer que por baixo daquele grande dama do demi-monde sofria ainda a pobre Goninha, carregando em seu coração toda a mágoa de uma infância ultrajada. Madame Bleneau voltou para o seu México. Na cabeça, um plano tenebroso de vingança.

Infelizmente Madame Bleneau, que todos um dia conheceram por Goninha Hernandez, não pôde executar seu plano. Morreu assim que desceu do navio, esmagada por um contêiner que transportava penicilina.

foto erro medico esquece
Se arrependeu de fazer a pesquisa, foi?

firefox não acessa aol
Troque de provedor.

para ler o pato donald de armand mattelart
Saia daqui. Agora. Você é uma pessoa má e perniciosa, como são todas aquelas que lêm esse livro maldito.

só coroa gostosa para fazer privê
Eu sempre me perguntei como é que aquelas senhoras já maduras, na casa dos 40, conseguiam enfrentar a concorrência de tantas quase ninfetas na flor da idade, em métier tão difícil e desgastante. Agora eu sei. Vi com meus próprios olhos.

biografia da gonorreia
Viu só? Nada que eu escreva pode ser mais engraçado que essa pergunta. Eu ainda estou rindo.

axé devasso minha bunda tem dende
Tem, é? Nossa, deve engordar horrores.

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Olha, ser mal dotado assim não é nada. Ruim mesmo, no seu caso, é ser pobre. Deus foi mesmo mau com você.

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Especifique. Com freiras, com outros padres, com garotinhos, com garotinhas…? A vida sexual dos clérigos é uma coisa de louco. Morro de inveja deles. Você precisa ser mais específico.

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Você caiu nessa, foi? Tadinho. Eu acho que vai continuar do mesmo tamanho, amigo. Mas olha, você deu sorte. Podia ser pior. O produto podia ser paraguaio — e aí ele ia diminuir ainda mais.

monografia romance policial preciso de um exemplo
Rogério e Marília se conheceram na 1a Delegacia Metropolitana. Ele era escrivão, e foi quem registrou a queixa dela contra Gilvan.

No começo do casamento Gilvan tinha sido um amante apaixonado e delicado, o melhor homem que ela conhecera. Agora, seis anos depois, diuturnamente bêbado, ele apenas a xingava durante o dia; mas à noite continuava procurando por ela, se encostando, tocando o seu corpo. Dizendo que não seria puta de seu marido, nos últimos 3 meses ela lhe vinha negando o que pedia, indo para a beira da cama, e naquele dia ele finalmente explodira e lhe batera. Agora ela estava ali, frente a frente com Rogério, narrando os detalhes do que havia acontecido.

Era o primeiro dia de Rogério como escrivão. Ele olhou para Marília e viu uma mulher ainda bonita. A primeira coisa que ele havia notado foram seus seios; haviam enfrentado 3 filhos não sem percalços, mas com dignidade. Não foram eles, no entanto; foram os olhos tristes de Marília que o fizeram se apaixonar imediatamente.

Naquela noite ele fez questão de levar Marília até a casa de sua mãe, com a autoridade que o cargo de escrivão da 1a Delegacia Metropolitana lhe conferia.

Nos dias que se seguiram Rogério continuou a visitá-la. Primeiro alegando precisar saber se estava tudo bem, depois parando porque era caminho, finalmente se confessando apaixonado.

Durante todo aquele tempo Marília o tratou com meios sorrisos e olhares baixos. Não demorou muito até o primeiro beijo, mas passaram-se dois meses até que ela o deixasse conhecer seus filhos, em um passeio na Quinta da Boa Vista.

Um mês depois Rogério comprou um anel em 12 prestações e foi à casa de Marília pedi-la em casamento. Foi atendido pela mãe dela, que revoltada lhe disse que Gilvan a tinha levado para um passeio, que ela não era mais sua filha por pensar em voltar para aquele cafajeste bêbado.

Naquela noite, Rogério matou Gilvan com 3 tiros. Mas isso não importa mais, porque todo domingo Marília o visita na penitenciária.

biografia da gonorreia
Pelo amor de Deus, chamem uma ambulância que eu estou passando mal.

Arafat

O tema me interessa, sempre interessou. Mas os dias passaram e eu ainda não tenho nada a dizer sobre a morte de Arafat.

O Marcus fez uma análise perfeita da situação; o Nuno Guerreiro também. Eu, de qualquer forma, nunca cheguei a uma conclusão sobre Arafat. Não por ter sido terrorista — Begin e tantos outros promoveram seus próprios atos do tipo, sem falar na resistência proto-israelense durante o domínio inglês; isso não o diminui, em comparação aos seus adversários. Terrorismo é método, apenas, utilizado por quem não tem tanques. Terrorista é coronel de pobre. Na verdade, o que sempre me deixou em dúvida quanto a Arafat foi sua tática.

Tenho ainda menos certeza de que Arafat era tão responsável assim pela violência palestina; não custa lembrar que o que detonou esta nova intifada foi a visita de Sharon à Esplanada das Mesquitas de Jerusalém em 2000, unicamente para fazer pressão política. Para ele deu certo, porque conseguiu se tornar primeiro-ministro. Para o povo israelense, nem tanto. E para o povo palestino, bem…

Mas não tenho certeza de que concordo com algo que o Guerreiro falou: de que é a hora de Sharon pendurar suas chuteiras.

Eu nunca me imaginei dizendo isso, mas talvez Sharon seja hoje uma das melhores opções para a esquerda israelense. Ele continua sendo o canalha que sempre foi, o assassino responsável por Sabra e Chatila ao apoiar a chacina de refugiados palestinos por milícias cristãs; mas se comparado a setores mais radicais da sociedade israelense, ele é quase um Gandhi.

Se ele, confiável para aqueles setores mais radicais, está enfrentando tantas dificuldades, eu não quero nem imaginar o que um sujeito mais decente enfrentaria.

Condie by Liza

O que eu talvez tivesse a dizer sobre a troca de Colin Powell por Condoleeza Rice como Secretária de Estado a Liza Sabater, do Culture Kitchen, disse antes. E melhor.

(Quem for até lá não esqueça de ler o primeiro post a que ela se refere, Condoleezza Rice, a Sally Hemmings for the 21st Century; eu me apaixonei por ele quando li pela primeira vez.)

O único consolo que eu consigo ver nesse troca-troca — daqui de baixo, Rice é ainda pior — é que a Condie tem pernas mais bonitas que Powell.

It looks as though they're here to stay

Lendo uma entrevista de Chuck Berry — que completou 78 anos por esses dias –, me surpreendo com uma declaração dele:

Q: If you had one piece of music that would play in your mind forever, what would it be?
A: The song “Yesterday.” I wish I’d have written it. It fits me to a T. I can hear it over and over and over.

Eu sou o único beatlemaníaco que simplesmente passa batido por Yesterday? Certo, a canção é bonita. O arranjo pode ser considerado revolucionário. Na história dos Beatles, é a primeira canção “solo”, já que nenhum outro beatle participa da música. Criou ciúme dentro da banda. Serviu para uma pequena vingança de McCartney (contra a mãe de uma ex-namorada, que disse que ele não tinha sentimentos: no dia em que a apresentou ao vivo pela primeira vez, ligou para ela e mandou que assistisse ao programa. “Vamos ver se eu não tenho sentimentos”). É a música mais regravada do mundo. A mais tocada.

E com tudo isso, eu passo direto de I’ve Just Seen a Face para Dizzy Ms. Lizzy.

***

De qualquer forma, esse é um elogio e tanto vindo de Chuck Berry — que além de ter definido o papel da guitarra no rock and roll foi um dos melhores letristas de sua geração.

Em Memphis, Tennessee ele fala com absoluta simplicidade sobre um pai que mora longe da filha. Em Brown Eyed Handsome Man, sobre as vantagens sexuais de um homem negro — e prenunciou em vários anos o black is beautiful. Havana Moon conta uma história deliciosa de desencontro, doce como poucas canções daquela época. Para alguns mais empolgados, School Days prenuncia maio de 68.

Um fato de que pouca gente lembra é que os Beatles eram uma grande banda cover. Compare, por exemplo, sua versão de Twist and Shout com a original dos Isley Brothers. Mas quando a música é de Berry — normalmente cantada por Lennon, que o apresentou uma vez como “meu herói” — suas versões são fidelíssimas, reverentes, até. Lennon seria processado por plágio de You Can’t Catch Me em Come Together, e se as pessoas prestassem atenção veriam que Beautiful Boy deve muito, muito a Havana Moon. Os Beatles simplesmente não tinham coragem de alterar as músicas de Chuck Berry. Isso deve significar alguma coisa.

Mercado Municipal Thales Ferraz

A primeira coisa que vejo é o aleijado.

Ele se arrasta pela calçada oposta no mesmo sentido que eu, movendo quase rápido as pernas atrofiadas, uma crosta branca e grossa nos joelhos. Não se incomoda com o sol forte, com a calçada quente. Ele tem que chegar antes que tudo acabe, parece uma aranha com suas pernas finas dobradas e articulações inchadas.

É por causa dele que olho em direção ao seu destino: na esquina uma multidão interrompe o trânsito. A patuléia está em volta de um carro branco da polícia, um Santana com letras bem grandes, verdes: 1o BP.

Na calçada de cá as pessoas comentam. Eram dois. Já vinham roubando bicicletas por aqui fazia algum tempo, a polícia vinha de olho neles. Um conseguiu fugir. Esse aí vai apanhar que só a porra. É pouco. A mulher que fala isso não olha para ninguém, olha para a confusão. Na voz a revolta por uma vida de não-conseguires, e a sensação de que a prisão do ladrão de bicicletas vai compensar o salário que não ganhou, a barriga que não a abandonou, as rugas que não saem do seu rosto, o homem que não lhe quer. A idéia de cada soco que caia sobre o rapaz talvez lhe alivie um pouco do fardo que lhe fizeram carregar.

O aleijado se mete na multidão, ansioso, fica embaixo do porta-malas. Ele agora participa de tudo aquilo; talvez ache que a miséria não é só dele.

Os policiais colocam o rapaz no porta-malas do Santana do 1o BP da PM. Não empurram, não batem, apenas não o tratam com gentileza desnecessária. Por cima dele colocam as duas bicicletas apreendidas, de alguma forma é com elas que o prendem ali; talvez não haja violência maior que essa. O dono da loja de roupas femininas, com seu tabuleiro na porta expondo calcinhas baratas, ri satisfeito: “Faz isso com ele não…” Nas pessoas em volta uma satisfação clara pela prisão de um ladrãozinho de merda, pela humilhação sofrida por ele. Talvez isso redima todas as outras que sofreram.

Um casal, com duas crianças no colo, sai da multidão. Ele traz no colo uma menina de talvez dois anos, mas pequena, podia mesmo passar por um. A mulher carrega um bebê de talvez um mês, fralda sobre o rosto o protegendo do sol.

Um homem gordo, barriga grande por fora da camisa, olhar vazio, me pede um cigarro. Eu dou, ele pede o isqueiro. Reparo em suas mãos, que seguram um pífano e um isqueiro. Calça sandálias de couro uns 4 ou 5 números maiores que dançam em seus pés. Atravessa a rua e volta para a confusão, quer ver mais um pouco, talvez consiga entender o que está acontecendo.

O carro da PM dá a partida e se move devagar, esperando que as pessoas finalmente saiam da frente. Assim que vê o caminho livre canta pneu avisando que são policiais, que essa saída intempestiva e poderosa é o que se espera deles. No banco de trás um sujeito, talvez dono de uma das bicicletas, faz um sinal de positivo para alguém do meu lado da rua. No porta-malas o ladrão de bicicletas. Sobre o ladrão, as bicicletas.

As pessoas começam a se afastar, em alguns rostos um sorriso impressionado. Voltam para as lojas de roupas baratas, para o ponto de ônibus, para o quilo de feijão que iam comprar. O dono da loja de roupas femininas pergunta: “De quem é esse dinheiro aqui no chão? As calcinhas eu sei que são minhas”, um riso despreocupado no rosto, e agora ele vai voltar a cuidar da sua vida.

Olho em volta e o aleijado sumiu.

Colecção Vampiro

Pelo menos para mim, livro policial é quase sinônimo de “Colecção Vampiro”. “A Milionária Perseguida”, último livro que comprei da série, é o volume 530 da coleção. Os que eu tinha lido, anteriormente, estavam ali pela casa dos 100. Foram comprados em sebos espalhados pelo país, principalmente em Salvador.

Esse livrinhos de bolso, mal impressos — é impressionante como a qualidade gráfica dos livros de Portugal é inferior à brasileira — em papel imprensa vagabundo, estão entre os primeiros que li em toda a minha vida. Desde pequeno venho primeiro folheando, depois desenhando nas guardas (é, já cometi esse crime; e ainda tenho, nas guardas de alguns deles, alguns personagens criados aos 10 anos), finalmente lendo pouco antes de começar a adolescência.

“Tira”, para mim, sempre significou o mesmo que “chui”; e naquela época eu encarava com naturalidade a mania portuguesa de incluir um c mudo nos lugares onde ele era menos necessário.

Fazia anos que eu não comprava um livro da coleção, provavelmente porque a maioria sempre foi composta de livros ruins, e são esses que afloram nos sebos Brasil afora. Mas dessa vez apareceu um Nero Wolfe.

A lista com os últimos 20 lançamentos, tradição da coleção, mostra que editar bons livros policiais está cada vez mais difícil. Nao há mais livros de Dashiell Hammett ou de Raymond Chandler para publicar; Rex Stout e Simenon são os que ainda conseguem dar dignidade à coleção, pelo simples fato de terem sido excessivamente prolíficos. Alguns outros nomes seguram a barra: John D. MacDonald, Ed McBain, e o fraquinho Patrick Quentin. O resto é gente desconhecida — Israel Zangwill? Eu jamais compraria um livro policial de alguém com esse nome. Nem de Margery Allingham — que ajuda a manter viva uma coleção antiga. Antigamente era um pouquinho melhor: o segundo time deles era composto por gente como Mickey Spillane e Erle Stanley Gardner (aliás, os livros de Perry Mason estão sendo escritos por um tal de Thomas Chastain; isso é um crime).

A qualidade gráfica também caiu. O livro foi impresso em 91; usam agora um tipo sem serifa, no mesmo velho e bom papel imprensa vagabundo. As capas perderam aquela graça de pulp fiction tradicional com ilustrações mais ou menos decentes e passaram a ser pulp fiction presunçosa, com fotografias indecentemente medíocres.

De qualquer forma, ainda é a Colecção Vampiro. É escrita no mesmo velho e bom português de Portugal, traz a mesma advertência de “Venda interdita na República Federativa do Brasil” embora seja da Editora Livros do Brasil, e tem a mesma cara de livro que você compra em aeroporto e que eu sempre comprei em sebos, e meu pai antes de mim.