A última fronteira, novamente

A minha geração manteve uma distância bem saudável de foguetes e viagens espaciais.

Foi diferente das anteriores. A “era atômica” iniciada em 1945 definiu, para sempre, a idéia de que vivíamos em um mundo que podia, de repente, acabar. Essa idéia foi fortalecida por ondas de interesse ao longo dos anos seguinte: os avistamentos na Área 51 e a invenção do termo “disco (na verdade, pires) voador” em 1947, a mania por filmes de ficção científica dos anos 50, o lançamento do Sputnik em 1957.

As missões Apollo foram o clímax dessa era, e ao mesmo tempo a causa de seu ostracismo. Depois da conquista da lua, o que ficou foi a aparente banalidade das viagens subseqüentes. O espaço possível passou a ser tão interessante quanto Conservatória: bonitinha, mais nada. As pessoas sequer lembram de Michael Collins, que estava na Apollo XI mas não pisou na lua, ao contrário de Armstrong e Aldrin. É quase impossível que lembrem do último homem a pisar ali, Harrison Schmitt, em dezembro de 1972. Já não era tão importante.

Missões de satélites exploratórios como Voyager e Galileu podiam ser muito mais significativas do ponto de vista científico, mas fizeram pouco no sentido de retomar a atenção. Nem mesmo a Columbia, o primeiro ônibus espacial, conseguiu gerar interesse suficiente.

Minha era foi a da explosão da Challenger, a da realidade simples e humanamente incompetente se sobrepondo a visões heróicas de pioneiros espaciais. Programas espaciais diziam menos respeito à conquista de novos mundos que a dinheiro gasto de forma aparentemente inútil; para a minha geração eram pouco mais que factóides que já faziam parte do cotidiano. É engraçado, talvez esperançoso, que as verdadeiras conquistas espaciais — mais especificamente os satélites de comunicação — tenham nos feito, em vez de olhar para fora, prestar mais atenção ao que acontecia aqui dentro, e conhecer melhor os mortafome da Etiópia.

Assistíamos a “Jornada nas Estrelas”, “Perdidos no Espaço” e “Terra de Gigantes” como reprises — e sua importância cultural era exatamente essa: uma reprise de algo que tinha tido seu momento mas já tinha passado. Mesmo as novidades espaciais daquela época, como “Guerra nas Estrelas”, dizia mais respeito ao nosso mundo que aos incontáveis outros perdidos espaço afora.

Mas agora estamos no início de um renascimento do interesse pelo espaço como a última fronteira a ser desbravada. Primeiro foram as fotos de Marte em boa resolução. Agora vem a primeira nave privada, a SpaceShipOne, que passa a mensagem talvez errônea de que o espaço é algo ao alcance da sociedade civil, do homem comum.

Essa não é a minha época. Eu não pertenço a esse lugar. Nasci tarde demais, cedo demais para ela.

Pequena contribuição dos publicitários à humanidade

Sem querer, descobri há algumas horas uma contribuição dos publicitários à humanidade.

Quero ver você não chorar,
Não olhar pra trás,
Não se arrepender do que faz.

Quero ver o amor vencer,
Mas se a dor nascer
Você resistir e sorrir.

Bom Natal, um feliz Natal,
Muito amor e paz pra você…
Pra você…

A música de Edson Borges não nasceu como jingle, mas foi assim que foi dada ao mundo nos comerciais do Banco Nacional. Ela me fazia ter vontade de chorar quando criança, e minha filha disse há pouco que ela é “muito bonita”.

Só por essa música simplezinha, todos os pecados dos publicitários são redimidos automaticamente.

Entre a publicidade e o piano de bordel

Uma das frases de que mais gosto, título de um livro, é: “Não conte para a minha mãe que sou publicitário: ela pensa que eu sou pianista de bordel”.

Lembrei dela agora porque conheço poucas profissões que as pessoas adorem odiar tanto quanto a publicidade. O Bia diz que publicidade é merda. O AlterEgo acha que somos anti-éticos por natureza. O André Kenji diz que não servimos para nada.

O André diz que o Brasil não é um país sério porque aqui publicitários são celebridades. De acordo com essa linha, nenhum país desenvolvido é sério, porque todos têm sua cota de publicitários famosos: a Inglaterra tem, por exemplo, Charles Saatchi — um dos maiores incentivadores da arte moderna no país e motivo de minha inveja perpétua por ser casado com a Nigella Lawson, aquela delícia de cozinheira do GNT –, a França tem o Jacques Seguèla, os EUA têm mais que uma cota decente. O André se pergunta qual a utilidade real de um publicitário.

Bem, basicamente, publicidade ajuda o capitalismo a ser melhor, mais competitivo. Ajuda você a saber quais escolhas tem à sua disposição, garante uma das poucas liberdades reais que qualquer ser humano tem: o direito de decidir o que quer. Não é coincidência que um país sem liberdade individual não tem boa publicidade, sem exceções: tem propaganda, geralmente ruim, mas não publicidade.

O André faz ainda uma pergunta simples: em que um publicitário ajuda a vida de seu semelhante?

Pergunta interessante. Em primeiro lugar, publicidade não é assistência social e ajudar o próximo não é, exatamente, sua grande prioridade. Não vou levar em conta propaganda de causas humanitárias nem o fato de que ajuda empresários a ficar ricos, porque empresários nunca são os próximos de ninguém; e alegar que, bem feita, ajuda a criar empregos é demagogia.

Isso implica no ponto que acho mais falho, por exemplo, no argumento do Alter: publicidade é provavelmente uma das coisas mais intrinsecamente honestas que se pode fazer.

Um médico que monta sua clínica para ficar rico e pagar com juros aqueles anos de sacrifício na faculdade diz que está fazendo isso pelo bem da humanidade; um jornalista que veicula notícias de seu interesse diz que é seu dever informar o público; um advogado que recebe uma bolada para defender um monstro pode dizer que é nessas horas que um advogado é mais necessário.

Enquanto isso nós, publicitários, sonhamos mesmo é em ficar ricos, fazer a melhor propaganda possível com a verba disponível, se possível ganhar uns premiozinhos em Cannes e comer as modelos dos nossos comerciais. Nós somos pessoas muito simples. Temos muitos anseios filosóficos, não.

Você sabe que estamos dizendo o que nos pagaram para dizer. Sabe que o nosso objetivo é lhe convencer a comprar o produto ou serviço que estamos anunciando. Temos a obrigação de não mentir, não somente em virtude de códigos de auto-regulamentação e leis, mas porque dizer que um produto faz o que não faz é a melhor maneira de enviá-lo ao cemitério — e eu já posso ver aquela modette se afastando.

(O Alter diz que é aí que está a falta de ética da nossa profissão, não apresentar o panorama completo e as outras opções, como se alguém com juízo fosse pagar para anunciar os produtos dos outros. Então tá. Mas quando você está atrás de um guapo rapaz ou de uma mui formosa dama, você faz questão de dizer que acorda de mau humor, que tem crises periódicas de flatulência, que seu pinto é pequeno e que sua TPM a transforma em uma assassina em potencial?)

Agora um depoimento pessoal. Sou publicitário porque, como já disse antes, a outra coisa que sei fazer bem ainda é considerada ilegal neste país, ou pelo menos imoral. Além do mais, desgraçadamente não sei tocar piano, e nem essa desculpa para a minha pobre mãe eu posso dar. Mas de vez em quando me pego pensando que ser pianista em um puteiro, afinal, pode ser uma alternativa bem agradável.

O Haiti também é aqui

Kafka? A burocracia soviética nos tempos de Brejnev? O posto de saúde de Cabrobó?

Não. O cotidiano latinamente burocrático da Itália.

De resto, um excelente blog com uma visão brasileira sobre o cotidiano italiano — e a impressão de que, no fim das contas, somos tutti buona genti.

Diálogo

— Blá!

— Blá! Blá blá?

— Blá blá, blá blá? Blá blá!

— Blá blá blá, blá. Blá blá blá blá blá? Blá blá.

— Blá blá.

— Blá blá! Blá blá blá blá blá blá. Blá blá blá blá blá blá, blá blá, blá blá blá blá.

— Blá blá blá. Blá blá blá blá, blá blá blá. Blá blá?

— Blá blá, blá blá. Blá blá blá blá blá blá. Blá blá blá, blá blá…

— Blá. Blá blá!

— Blá blá!

Receita de governo

Manchete do Christian Science Monitor:

Key to governing Afghans: the clans

Simples assim. A propósito, a chave para se domar um cavalo no modo tradicional é se agüentar em cima dele até ele cansar de tentar te derrubar. E a chave para se atravessar o Canal da Mancha é continuar nadando. E chave para se fazer viagens no tempo é alcançar uma velocidade próxima à da luz. E…

Reagan revisitado

Agora que o impacto da morte de Reagan já passou (e Ford morreu e ninguém notou), ficou uma impressão esquisita.

A mais abrangente definição do sujeito é a de “o homem que devolveu o otimismo à América”. Mas isso só é verdade em parte, graças àquela edulcoração que mortos cujos tempos foram melhores que os atuais — e o passado coletivo é sempre melhor que o presente — sofrem à medida que o tempo passa.

Lembro, sim, de uma onda de ufanismo nos primeiros anos de Reagan na presidência. Mas isso se deve menos à sua figura do que a uma reação natural à turbulência dos anos 60 e 70, os anos em que Johnson e Nixon quebraram a magia que sempre rodeou o sonho máximo da democracia americana.

A gente fala que os argentinos são naturalmente saudosistas e dramáticos, mas americanos, em que pese seu dinamismo e seu individualismo, parecem ser, também. A impressão que se tem é que, a menos que tenham feito grandes besteiras, seus presidentes serão julgados muito favoravelmente pela história. Roosevelt foi acusado de comunista e destruidor do american way of life em seu tempo, mas hoje é considerado o homem que salvou o país da Depressão. Eisenhower é o símbolo máximo daquela América rockwelliana dos anos 50, o país da fartura e da liberdade em oposição aos russos tristes (como se um russo pudesse ser triste) e oprimidos. Kennedy e sua Camelot são o símbolo da sofisticação americana.

Todas essas são imagens, embora não falsas, bastante melhoradas da realidade. O país de Roosevelt foi também um país de crise, fome e pobreza; o de Eisenhower, um país onde as tensões raciais chegaram ao seu limite; Kennedy viu um número absurdo de crises diplomáticas, a menor das quais não foi a dos mísseis soviéticos em Cuba.

Agora é a vez de Reagan. Oliver North, John Poindexter são nomes convenientemente esquecidos em suas eulogias. Osama bin Laden é cria sua, mas e daí? A URSS caiu por não se agüentar sobre suas pernas, mas agora Reagan é apontado como o homem que venceu o comunismo.

Resta esperar o que vão dizer de Clinton após sua morte. Talvez lembrem o longo período de expansão econômica, tão longo que se chegou a pensar que as leis da economia haviam mudado. Talvez louvem sua virilidade satiromaníaca. Talvez apontem, no episódio Monica Lewinski, uma ruptura importante na cultura de hipocrisia política americana. Talvez apontem o fato de ele ser um dos mais perfeitos animais políticos de que já se teve notícia.

Como todo bobo que tira conclusões rápido demais, eu não preciso da história para definir minha opinião sobre Clinton. Para mim, ele vai ser o homem que, mesmo vindo da Alagoas de lá, mostrou ao mundo que há mais refinamento em um charuto do que sonha a nossa vã pornografia. E isso é mais importante que qualquer outra coisa.

Notícias estranhas em um blog esquisito (XV)

Um pároco dinamarquês foi demitido por ter afirmado que Deus abdicou em favor em favor de seu filho.

A Igreja deve ter achado isso uma heresia sem tamanho.

Mas, pensando bem, já que Deus é onisciente e vê tudo o que se passa aqui embaixo, essa era a única coisa decente a fazer se Ele tem algum juízo.

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Um professor primário foi preso depois de permitir que seus alunos vissem pornografia no computador da sala.

Pelo visto ele não podia alegar que se tratava de educação sexual.

Agora, o que mais um professor, rodeado por pequenos marginais ávidos de sangue, podia fazer?

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Resolvida uma crise séria na União Européia: as pessoas vão poder levar seus animais de estimação consigo quando viajarem em férias, mesmo que elas não tenham passaporte, conforme exigido por lei.

Nunca mais tiro um passaporte na vida. É humilhação demais portar o mesmo documento que o porquinho de estimação dos outros.

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Um terço dos coroas suecos diziam, uma semana atrás, que uma boa classificação de sua seleção de futebol iria influenciar sua performance sexual.

Eles estão, literalmente, confundindo as bolas.

É por isso que o Brasil é pentacampeão e a Suécia não é nada. Para nós, jogo é jogo, treino é treino e sacanagem é outra coisa.

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Antes do jogo contra a Inglaterra pela Eurocopa, quinta-passada, os suíços apelaram para o vodu. Passaram horas alfinetando bonequinhos dos jogadores bretões.

Bobinhos.

Deviam ter pedido ajuda ao Brasil, e poderíamos mostrar a eles as delícias de um ebó para Exu numa encruzilhada à meia-noite.

De novo: é por isso que o Brasil é pentacampeão e a Suíça não é nada.

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Huw Lobb entrou para a história ao se tornar o primeiro homem a vencer um cavalo na maratona desse tipo que se realiza todo ano na Inglaterra.

É preciso ser um povo muito esquisito para, todo ano, precisar medir forças com um cavalo. Já era tempo de terem dirimido suas dúvidas.

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Uma bandeira alemã que um dia tremulou orgulhosamente nos mastros do Reichstag hoje cumpre seu papel em um bordel.

O que não dá para entender é o auê criado em torno desse pequeno fato desimportante. Afinal, um parlamentar não pode dar um presente à sua mãe?

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Um policial holandês foi afastado ao descobrirem que ele plantava maconha em casa.

É nisso que dá essa cultura de liberalismo dos flamengos. Os policiais ingênuos ficam sem saber os fatos da vida.

Não fosse por isso, os policiais brasileiros poderiam ensinar a eles a fina arte de tirar sua comissão dos traficantes.

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Um alemão de 81 anos, suspeito de vários estupros, conseguiu uma vitória nos tribunais ao ser dispensado de testes de potência sexual, exigidos porque ele alegou que não conseguia mais irrigar suficientemente seus corpos cavernosos.

Apesar de ter certeza de que o velhinho tarado é culpado, fica uma pequena dúvida: qual velhinho não ia ter orgulho de ser acusado de tamanho vigor sexual?

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Imelda Marcos (alguém ainda lembra dela?) está tentando banir um documentário das Filipinas, alegando que ele transformou sua vida em piada. Talvez o título do documentário seja “Que melda, Imelda”, sei lá.

Mas ela tem razão. Não é preciso carregar nas tintas. Basta contar os fatos, como seus pares de sapatos e as atrocidades que ela e seu marido cometeram durante sua ditadura.

A vida de Imelda não é uma piada, é uma tragédia. Para os outros, bem entendido.

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Bono Vox acaba de perder o meu respeito.

Ele pediu desculpas por acender um cigarro, um ato horrendo na Irlanda de hoje.

Quer dizer que encher a boca para falar do Terceiro Mundo pode, mas na hora de desafiar os absurdos de seu país é melhor ficar calado, né?

A sorte é que Keith Richards ainda está vivo. Não fosse por ele, o rock and roll já teria se tornado uma piada sem graça.

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Um médico do Oregon vai passar 2 meses na cadeia por ter feito sexo com uma paciente, alegando que isso iria aliviar suas dores pélvicas, e ter tido a cara de pau de mandar a conta para o INSS deles.

Mas talvez a condenação tenha sido exgerada. Sabe-se lá se a mulher era horrorosa, o que justificaria a cobrança?

De qualquer forma, esse é o médico mais cara de pau de que já se teve notícia.

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Emigrantes africanos clandestinos, depois de uma viagem fria e conturbada através do estreito de Gibraltar, aportaram numa praia de nudismo da Espanha.

Alguém já ouviu falar em exemplo mais claro e definitivo de uma viagem sem escalas do inferno para o céu?

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O Canadá tem um Partido da Marijuana.Tem também uma candidata nas eleições do dia 28, Carol Taylor, que ganha a vida como dominatrix. Ela diz que fuma maconha para aguentar uma certa doença neurológica muito, muito dolorosa. Sei.

E depois ainda querem que o resto do mundo os levem a sério.

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Um cemitério na Califórnia está oferecendo “enterros orgânicos“, banindo arranjos florais e o velho e bom formol. Espera aproveitar a onda naturalista e conquistar mais clientes.

Deve se tornar sonho de consumo para todos aqueles que levaram uma vida saudável, sem fumar, sem beber, sem comer, sem comer — e morreram do mesmo jeito.

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Artigo da velha e boa Reuters oferece, sem querer, uma visão de como nascem as lendas.

Os habitantes de Marselha passaram as últimas três semanas procurando uma pantera negra que estava solta na cidade. Ela tinha sido avistada por vários moradores.

No fim das contas, era só um gato doméstico grande e gordo. Agora, todo mundo sabe disso. E assim, graças à ubiqüidade da informação nesses dias, o mundo se vê privado de mais uma lenda, a da “Pantera Negra de Marselha”. Mundo chato, este, em que não podemos mais criar lendas fantásticas como nossos antepassados, graças à objetividade fria dos meios de comunicação.

Do jeito que vão as coisas, talvez isso venha a provar um dia que o sasquatch, na verdade, é o Tony Ramos visto por um míope bêbado.

Shrek 2

Fui assistir a “Shrek 2” com a minha Febem particular.

O Marmota achou o filme melhor que o primeiro. Algumas críticas dizem que é um projeto “autoral” de Jeffrey Katzenberg, uma espécie de cutucada nos seus desafetos da Disney ao desconstruir os contos de fada que fizeram sua fama.

Talvez seja, mas limitar o filme a uma pequena vingança pessoal é menosprezar o talento imenso de Katzenberg, achar que ele seria capaz de fazer de um projeto milionário mero veículo para suas idiossincrasias. O deboche sobre os contos de fadas, ao contrário, mais que um chute na Disney me parece justamente a compreensão acurada de que o início do século XXI permite esse tipo de abordagem com sucesso.

É um grande desenho, e a julgar pelo trailer de “Nem que a Vaca Tussa” deve ser o melhor do ano. Há algo errado quando se anuncia com estardalhaço que as músicas de um filme são de Alan Menken. Se isso é o melhor do filme, é melhor não esperar muito dele.

Para quem gosta de cinema, é uma brincadeira à parte ficar identificando as citações de filmes famosos, e mesmo de situações clássicas do cotidiano americano. O. J. Simpson é um dos citados, por exemplo. Dessa vez elas são em maior número e mais sutis que no primeiro, e perfeitamente inseridas no contexto do filme. Mas é algo bastante restrito a cinéfilos e a americanos (ou pseudo-americanos).

(Um detalhe: os filmes clássicos da Disney tinham versões feitas exclusivamente para o Brasil, o que incluía letreiros em português. Shrek não tem isso, o que é algo fácil de fazer. Falta de consideração.)

Eu achei o primeiro melhor, mais inventivo, e mais coeso em sua proposta de subverter o mundo dos contos de fadas. O segundo tem todas as características de seqüência, e se torna menor. Bom divertimento, claro, mas isso o primeiro também era. Com a diferença da novidade. (E Shrek 3 está previsto para estrear em 2006.)

Mas a opinião que conta aqui, afinal, é a dos meus senhores das moscas. Eles gostaram, sim, mas não tanto quanto gostaram do primeiro. As referências mais engraçadas, infelizmente, são adultas demais — e “Shrek 2” é um daqueles desenhos que perdem de vista sua platéia original para atingir, em cheio, aquela platéia adulta que procura nesses desenhos peças feitas para eles.

E o final é falso.