Blogueiros

A Julia me convida para ir a um “encontro de blogueiros”. Convite declinado aqui, publicamente.

Termo esquisito, esse: blogueiros. Parece “punheteiros”. Mas não é por isso que não vou. É porque, apesar de todas as evidências em contrário, eu posso ser tudo, menos blogueiro.

Eu escrevo um blog, é diferente. Pretendo continuar escrevendo enquanto gostar. Embora sentisse falta do feedback que recebo aqui, escreveria mesmo que não pudesse publicar, simplesmente porque gosto de escrever; na maior parte das vezes é uma forma de tirar um bocado de bobagens da minha cabeça e deixar o campo livre; em outras, é uma maneira de me obrigar a pensar melhor sobre um assunto. (E nunca é demais lembrar que os comentários sempre enriquecem o post original.) Mas daí a isso me classificar como blogueiro, vai uma longa distância.

Já disse antes, digo novamente: eu não sou o maior fã de blogs. Não tenho muito interesse por diários de adolescentes em si; primeiro porque já não sou adolescente há muito tempo, segundo porque sempre parto do princípio que todas as vidas são chatas e comuns como a minha.

Hypocrite lecteur, imagine Rafael nesse encontro. Alguém se aproxima deste dinossauro e seu inseparável cigarro pendurado nos beiços, e pergunta: “Ke ki foi, kra? Kra, tipo assim… Iraaaaado!”

Não aceito apostas sobre quanto tempo demoraria até eu mandar alguém dar um destino adequado à sua derrière.

Mas pensando bem, talvez não seja essa a razão. Talvez eu tenha vergonha de assumir a verdade: já me disseram que no último não havia mulheres bonitas.

O imaginário popular

A Lili lançou uma pergunta no seu blog: “Como vocês acham que eu sou?”

É curioso, pelo menos para mim, porque eu não costumo imaginar como sejam as pessoas que leio aqui.

Porque não acho que seja importante, e porque, no final das contas, é uma grande perda de tempo. A beleza disso aqui é que você julga as pessoas pelo que elas têm a dizer, e pela forma como dizem, e não porque são assim ou assado. Não há nenhum preconceito — racial, social ou estético –, mas apenas o julgamento do que as pessoas realmente são (ou querem parecer, o que muitas vezes dá no mesmo). E isso é uma coisa maravilhosa.

Mas afinal, como vocês acham que a Lili é?

E Lili, se você for gostosinha e bonitinha, me dá seu telefone?

Two Monkeys gone

Bem, explicando o que era o Two Monkeys: um filminho mostrando um daqueles jogos de sombras, com as mãos. O joguinho era simples: um casal de macaquinhos tendo uma relação sexual, do iniciozinho até o estertor final do macaco.

Era simplesmente brilhante; mas por alguma razão, naquele mesmo dia o link sumiu. Os que viram, como a Julia — que aliás me mandou o link — e a Monica, concordam: era perfeito.

É impossível que o vídeo não circule pela Internet nos próximos dias. Alguém deve ter sabido como copiar aquilo.

Mademoiselle D'Aiglemont

O blog da Julia foi parar merecidamente no What’s Up do Blogger.

Só acho que o sujeito que escreveu sobre ele foi econômico demais. O blog é engraçado, leve e interessante. Merece muito mais que uma notinha. Blogs não tão bons receberam mais elogios.

De qualquer forma, Rafael não seria Rafael se não fizesse uma pequena maldade, e não publicasse essa foto da Julia em um momento de absoluta meditação.

Agnóstico

Blog novo (pelo menos para mim, que quase não leio blogs) no pedaço, e muito bom: Sempre Simples e Sincero.

O Tuzi é o sujeito que veio aqui e deixou um comentário mentiroso. É impossível que ele tenha ficado com vergonha do seu blog. Impossível.

Mônica

Numa dessas madrugadas de insônia (mentira, eu estava zonzo de sono), conversando com a Mônica, ela disse algumas coisas que me impressionaram. Como sei que aquela figura jamais se lembraria de salvar o log e publicar isso no seu blog, resolvi colocar isso aqui sem sua autorização. Azar o dela. Graças à Mônica, o meu blog fica mais inteligente. E descobri uma nova forma de manter um blog vivo: roubar dos ricos e distribuir aos pobres, a começar por mim mesmo. Meet Rafael Hood. Com vocês, a Mônica.

Acho que somos todos uns bichos controlados por neurotransmissores que resolvem deixar os instintos de lado e que, não conseguindo sucesso, ficam neuróticos.

Afinal, comportamento compulsivo não se parece com um instinto defeituoso?

Acho que sim. Bichos têm sempre o mesmo comportamento e, pelo visto, não conseguem fugir dessa programação. Penso que com a gente acontece o mesmo. Somos bichos “bagunçados” pela capacidade de abstração. Portanto, levamos nossos instintos para um lado simbólico.

Ou seja: a vida não tem relação nenhuma com aquela poesia toda que as pessoas cismam de achar que é a própria vida. E os bons poetas são aqueles que enxergam isso, mas que conseguem expressar essa merda de forma poética.

Eu devia estar feliz com isso. Mas queria que alguém me provasse que o mundo é mais poético do que a capacidade dos humanos de fazerem poesia. Mas acho que o mundo é… E pronto. (“ser” acaba sendo verbo intransitivo, né?). E a natureza não tem nada de boa ou má. Bondade ou maldade são conceitos que a gente cisma em construir e atribuir às coisas.

E, no final das contas, eu não sei porra nenhuma de coisa nenhuma. E, também, como sou curiosa, vou ter sempre que carregar uma frustração na vida. Mas eu gosto tanto de pelo menos saber que não sei (coisa que pouca gente admite), que a frustração de não saber acaba sendo meu bichinho de estimação.

Seleção natural

Segundo sua própria apresentação, o Darwin Awards “homenageia aqueles que melhoram nossa composição genética… retirando-se dela”. Ou seja, o site distribui prêmios póstumos àqueles que morreram em decorrência de decisões absolutamente imbecis.

O site é uma celebração da estupidez humana, que naturalmente deve ser celebrada assim mesmo: com essa risada canalha com que se reage a piadas de humor negro.

Quem for até o site dê uma olhada em The Last Laugh, na página de abertura. Começa assim:

Paul Powell is not yet out of the gene pool but he will be soon, thanks to his own efforts to enable prosecutors to prove a capital murder charge against him.

Minimalistas

O AlterEgo fez um comentário interessante sobre o meu blog preferido, o Dullest.

Lendo o comentário lembrei de um autor francês chamado Emmanuel Bove. Resguardadas as diferenças de mídia e estilo, seus livros são bem parecidos com o Dullest: vidas chatas compostas de pormenores insignificantes, narradas em estilo minimalista e desconcertantemente direto.