A Julia me convida para ir a um “encontro de blogueiros”. Convite declinado aqui, publicamente.
Termo esquisito, esse: blogueiros. Parece “punheteiros”. Mas não é por isso que não vou. É porque, apesar de todas as evidências em contrário, eu posso ser tudo, menos blogueiro.
Eu escrevo um blog, é diferente. Pretendo continuar escrevendo enquanto gostar. Embora sentisse falta do feedback que recebo aqui, escreveria mesmo que não pudesse publicar, simplesmente porque gosto de escrever; na maior parte das vezes é uma forma de tirar um bocado de bobagens da minha cabeça e deixar o campo livre; em outras, é uma maneira de me obrigar a pensar melhor sobre um assunto. (E nunca é demais lembrar que os comentários sempre enriquecem o post original.) Mas daí a isso me classificar como blogueiro, vai uma longa distância.
Já disse antes, digo novamente: eu não sou o maior fã de blogs. Não tenho muito interesse por diários de adolescentes em si; primeiro porque já não sou adolescente há muito tempo, segundo porque sempre parto do princípio que todas as vidas são chatas e comuns como a minha.
Hypocrite lecteur, imagine Rafael nesse encontro. Alguém se aproxima deste dinossauro e seu inseparável cigarro pendurado nos beiços, e pergunta: “Ke ki foi, kra? Kra, tipo assim… Iraaaaado!”
Não aceito apostas sobre quanto tempo demoraria até eu mandar alguém dar um destino adequado à sua derrière.
Mas pensando bem, talvez não seja essa a razão. Talvez eu tenha vergonha de assumir a verdade: já me disseram que no último não havia mulheres bonitas.
