Dúvida teológica

Minha mente é muito, extremamente, absolutamente pervertida ou aquele velho cântico religioso que pede “derrama, Senhor, derrama, Senhor, derrama sobre mim o Teu amor” fala, no fundo, de sacanagem com um quê de escatologia? Eu só consigo imaginar Sta. Tereza d’Ávila cantando isso.

Eudora e Thunderbird

Usei o Eudora desde que comecei a acessar a internet. Nesses quase 10 anos, foi o único cliente de e-mail que usei para minhas contas pessoais (já usei o Outlook para algumas contas, paralelamente, mas apenas para separar trabalho).

Para mim, lidar com e-mails é complicado. Tenho um sistema meio maluco de organização, o que inclui 4 contas checadas várias vezes por dia e pelo menos mais 5 que checo umas 3 vezes por semana (tem ainda duas que checo quando Deus dá bom tempo, apenas para garantir que elas continuem recebendo o spam nosso de cada dia).

É um sistema que funciona perfeitamente, mas que já está exagerada e que se beneficiará de uma enxugada. Isso, no entanto, fica para depois.

Para piorar, guardo virtualmente todos os e-mails que recebo e mando, com exceção das newsletters que assino, piadas ruins e aqueles que são apenas veículo para arquivos anexados. Por exemplo, tenho as provas de que o Elcio, que hoje é um usuário fiel do IE, já foi um defensor do Linux e odiava o programa que usa hoje.

Por isso, meu nível de exigência de um cliente de e-mail é muito alto. O Outlook Express não presta para absolutamente nada, porque sequer consegue arquivar uma mensagem sem seu anexo. O Oulook é melhorzinho, mas quem consegue usar aquilo?

O Eudora sempre supriu todas as minhas necessidades. E apesar de um layout antiquado e de problemas com HTML, é o melhor cliente de e-mail que eu poderia desejar.

Mas ele é pago.

Nos últimos dois meses testei o Thunderbird. É gratuito, eficiente e, embora um pouco mais complicado que o Eudora, faz tudo o que ele faz — chega a fazer algumas coisas melhor. O único problema está no manuseio de anexos, o que se resolve facilmente com uma extensão. É incrível que, em tanto tempo, somente o Eudora tenha desenvolvido uma solução decente para o problema de arquivamento de e-mails. Ele permite que eu manipule msgs e anexos separadamente. Ou seja, posso guardar a mensagem e apagar o anexo.

Semana passada mudei, definitivamente, do Eudora para o Thunderbird. Ele sobreviveu à prova final, a formatação do HD.

De qualquer forma, eu vou sentir saudades do Eudora.

A Fantástica Reprocessadora de Chocolates

A onda de remakes que sempre assolou Hollywood de vez em quando assume proporções catastróficas.

Aconteceu com “Psicose”, por exemplo; é preciso ser o raro possuidor de uma combinação nefasta de extrema coragem e absoluta burrice para aceitar produzir, dirigir e estrelar uma refilmagem do maior clássico de suspense de todos os tempos, mas Hollywood tem sua própria lógica.

Já as pequenas tragédias acontecem sempre. Foi assim com Sweet November, um preferido meu de 1967 que virou lixo em 2001; e com tantos e tantos outros espalhados por aí.

Mas agora, qual Bush no Iraque, eles pretendem avançar no território dos sonhos infantis. Estão fazendo um filme chamado Charlie and The Chocolate Factory, refilmagem de Willy Wonka and the Chocolate Factory. “A Fantástica Fábrica de Chocolates”

Todo mundo conhece o filme original. É uma daquelas quase obras-primas que, por alguma razão, todo mundo conhece, todo mundo gosta, e das quais todo mundo se esquece de lembrar. É um grande filme infantil, um dos melhores. É uma bela história de fantasia.

A direção do filme é de Tim Burton. Willy Wonka será interpretado por Johnny Depp.

Posso estar errado, claro, mas a impressão que tenho é que Burton vai dar ao filme aquele ar pseudo-gótico de butique, sem muita substância, que fez sua fama. Vai pegar uma história infantil que não tem nenhum pudor em se assumir fantástica e delirante e dar a ela uma pretensão que nunca teve. As nuances de terror que existem no filme original certamente serão realçadas. Aqueles pequenos laivos de loucura que se viam no olhar magistral de Gene Wilder, que fez o Wonka original, serão realçados por Depp, mas ele provavelmente não será capaz (em que pese ser um grande ator) de dar aquele ar ensolarado e alegremente lunático, tampouco o sadismo que os atos de Wonka deixavam antever. O Willy Wonka de Depp, ao contrário do de Wilder, provavelmente se levará muito a sério, talvez passe do ponto da loucura. Não sei quem é Freddie Highmore, que fará o papel de Charlie, mas se ele conseguir fazer aquela mesma cara de inocência triste do original, já estará bom demais.

Acontece que no filme original, esses elementos — loucura, sadismo — eram apenas insinuados, quase submersos diante de algo tão surreal. É bem provável que Burton centre seu filme nesses aspectos. Isso vai matar o filme.

E a música, pelo amor de Deus, é de Danny Elfman. Elfman combina com Batman, com o Homem-Aranha; não consigo imaginá-lo escrevendo Oompah Loompah.

Claro que, apesar da minha má vontade, o filme pode ser muito melhor que o original. Mas eu, sinceramente, não confio em chocolate reprocessado.

A estranha saga de uma carteira

Mal acordo, ainda zonzo da viagem, e a moça do banco me liga, dizendo que acharam minha carteira. Deve ter sido uma triangulação e tanto: ligaram para o Rio, onde deram o telefone daqui, e então me acharam.

À tarde fui no banco. Peguei a carteira e tenho uma surpresa: o dinheiro estava lá, pelo menos quase todo, não sei. Perguntei à moça o que era aquilo. Então ela me disse que uma senhora Maria de Lourdes tinha achado a carteira na rodoviária, mas tinha adoecido e só tinha podido entregar hoje.

Tudo bem. Eu fiquei sem saber se xingava a mulher ou agradecia: afinal, já tinha tirado outra carteira de identidade e cancelado cartões e bloqueado cheques. A essa altura, a volta da carteira não faria mais diferença nenhuma, além de uma certa tranqüilidade.

À noite a tal senhora me ligou. Sotaque sulista. Disse que não tinha podido entregar antes porque tinha adoecido, e viajado, e voltado a Aracaju só para me entregar a carteira. E aí a pulga pulou na minha orelha. Agradeci, e quando ela percebeu que não haveria recompensa ainda teve tempo de dizer um “certo”meio incrédulo com a minha ingratidão antes que eu desligasse.

O vacilo com a carteira não demorou 30 segundos. Ela sumiu assim, rapidinho, do balcão da lanchonete. Ninguém viu. Procurei em volta e fui no balcão de informações, que abriu o sistema de som e perguntou quem tinha achado uma carteira. Nada. Passei meia hora procurando a carteira, para ver se tinham tirado o dinheiro e jogado ali por perto. Nada. E agora aparece essa mulher com uma conversa estranha dessas.

Não sei qual o esquema, nem sequer se há algum, mesmo. Mas me pareceu estranho. Muito.

De qualquer forma, ainda que ela tenha sido bem intencionada, eu não daria recompensa nenhuma. Primeiro porque o proejuízo que tive com isso foi muito grande. Se ela achou a carteira, deveria ter levado ao balcão de informações, ou ao setor de achados e perdidos. Para não ter nos visto, nem ouvido que estávamos procurando uma carteira, ela teria que ter pego a danada e corrido. Não é o comportamento mais honesto do mundo. Além disso, ali dentro tinha duas passagens para dali a 15 minutos; ela deveria ter percebido que o dono estava ali ainda.

E finalmente é mais fácil eu acreditar em disco voador que em alguém que viaja para me devolver 20 reais e cartões e talões de cheques que certamente sabia cancelados.

Acho que estou ficando cético demais.

Diário de bordo III

Quando cheguei a Fortaleza a notícia do dia era a morte de cinco integrantes de uma tal banda Líbanos. Deus sabe que eu desejaria outro tipo de aposentadoria para os músicos, mas não pude deixar de pensar que o mesmo Ceará que deu tantas contribuições à cultura deste país, gente como Capistrano de Abreu e José de Alencar, para citar apenas dois, cometeu crime de lesa-pátria ao perpetrar bandas como Mastruz com Leite, Mel com Terra e Cu com Merda.

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Em frente à Fortaleza de N. Sra. de Assunção, onde nasceu a cidade, uma estátua de D. Pedro II esculpida e forjada em Paris data de 1912, “oferecida pela pátria agradecida”. Deve ser uma das primeiras homenagens republicanas ao imperador.

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Tarde de sábado sem nada para fazer e vou passear no centro. Ao contrário do resto do Nordeste, o centro de Fortaleza existe na tarde de sábado. Na 24 de Maio, duas lojas de artigos religiosos misturam Pombagiras, Zés Pelintras, Pretos Velhos, São Jorges e Iemanjás. Misturam umbanda e quimbanda, candomblé e catolicismo. São um retrato perfeito do Brasil. E me lembram a São João em Niterói, embora esta tenha um número estupidamente superior de lojas. Niterói, como se sabe, é terra de macumbeiro. Saravá.

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Um gringo passa de mãos dadas com uma nativa. Ante meu sorriso que diz, em qualquer língua, “Aí, hein?”, ele se desconcerta e tenta soltar, instintivamente, a mão de sua nova e efêmera namorada.

Também instintivamente, ela não o deixa soltar. E segura a mão dele com força, enquanto anda altiva, olhando firme para a frente.

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Motel Stylus, portinha pouco discreta em frente a um ponto de ônibus: 7 reais com vídeo, 6 reais sem.

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Passo por um camelô e lembro que, afinal de contas, eu não tenho mais carteira. E não me sinto exatamente inclinado a pagar 50 reais por uma nova, para outro desgraçado-miserável-infeliz-amaldiçoado levar.

Será a primeira carteira que compro na vida. Minha irmã sempre conta a história de como era obrigada a comprar carteira para mim porque eu usava o que me dessem. E durante muito tempo nem mesmo isso usei: meu dinheiro ia amassado no bolso como dinheiro de bêbado.

Pego uma e o camelô dá o preço: 7 reais. Compro. Vejo outra, agora com compartimento para as moedas que vivem caindo do meu bolso, e ele avisa que é mais cara, porque é couro de verdade. Mas vale a pena: é a que ele usa. Emocionado com o referencial estético, é essa que eu levo.

Quem quiser que reclame da minha carteira de camelô. Ela vai viver encostada à minha bunda, mesmo.

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Um casal de gringos — americanos, pelo sotaque — chega ao hotel enquanto faço meu check out. O guia conversa com eles, que querem algo naquela área. Quando são informados do preço, reclamam: “Too much. Too much“.

O hotel é barato, ou eu não estaria lá. Já fiquei em todos os hotéis daquela rua, com exceção do Holiday Inn, e posso afirmar que não vão encontrar nenhum mais barato. Os gringos é que são sovinas. São um desrespeito à classe de turistas dos países desenvolvidos, que vêm a um país com câmbio de 3 por 1 e salário mínimo de 80 dólares e ainda reclamam do preço. Devem estar decepcionados por não verem macacos raivosos na rua.

Penso em sugerir a eles o Motel Stylus, 7 reais com vídeo, 6 reais sem. Mas eles não entenderiam a piada.

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Eu estou um bagaço. E com saudades.

Almanaque Disney

Ainda lembro do dia em que comprei o meu primeiro Almanaque Disney. Foi em agosto de 1977.

O Almanaque Disney era uma das revistas com o melhor custo/benefício da praça. Tinha mais histórias que as revistas normais, mais variadas, e ainda tinha uma seção com curiosidades, geralmente sobre a vida animal. Trazia sempre uma quadrinização de algum filme da Disney, os mesmos que, com sorte, podíamos ver na Disneylândia ou na Sessão da Tarde.

Melhores que o Almanaque Disney só as Disney Especial, coletâneas de histórias com um mesmo tema — Os Rivais, Os Cosmonautas, etc. Eram grossas e demoravam mais para serem lidas.

Naquela época os quadrinhos Disney eram a melhor coisa que se podia ler. Maurício de Sousa já tinha um universo tão completo quanto o de hoje — e suas melhores histórias são justamente dessa época, final dos anos 70 –, mas não ocupava o mesmo lugar no imaginário infantil. Os quadrinhos Disney eram onipresentes e absolutos. Era uma grande fase: além das ocasionais histórias de Carl Barks, o estúdio brasileiro fazia coisas excelentes, com um pouco do espírito brasileiro.

Mas o tempo não pára.

Ultimamente, a impressão que tenho é que os quadrinhos Disney sobrevivem em um pulmão artificial. Provavelmente, a Editora Abril só não os abandona por uma questão sentimental: foi com a revista do Pato Donald que Victor Civita começou o seu império editorial (ou de dívidas, como queira). A maioria das histórias, hoje desenhadas na Itália ou na Dinamarca, são chatas, histéricas; e vem se tornando uma característica da Disney a incapacidade crônica de dar um final aceitável a elas. É como se as histórias fossem simplesmente interrompidas.

Hoje em dia não vejo mais crianças lendo suas histórias; seu lugar foi ocupado por Maurício de Sousa (converse com um desenhista e ele vai descer a lenha no sujeito, mas a verdade é que seus personagens são geniais) e pelos noviços do Cartoon Network. É quase inacreditável que personagens universais como o Tio Patinhas e o Pato Donald tenham, simplesmente, envelhecido.

Quando o Pato Donald completou 50 anos houve uma grande comemoração. Este ano ele completa 70, e ninguém mais fala disso. Disney morreu. E o Almanaque Disney virou uma coisa tristemente chata.

Notícias estranhas em um blog esquisito (XVII)

Protestantes em Pamplona tiraram a roupa para protestar contra a corrida de touros que a cidade realiza todo ano. Eles a julgam, obviamente, um atentado aos animais.

Sou só eu que acha essa mania européia de tirar a roupa para protestar contra qualquer coisa um saco? Parece aqueles abraços na Lagoa — que continua imunda — ou as passeatas do Viva Rio.

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Da série “agora eu entendo por que debocham tanto dos canadenses”: o TSE de lá avisou aos eleitores que não comessem suas cédulas eleitorais, o que fizeram nas últimas eleições em protesto contra a falta de candidatos decentes.

Não é por nada, não, mas nem na cidadezinha mais miserável do Piauí ou de Alagoas a gente anda comendo nossos votos.

A gente troca por dentadura. Que os safados nem sempre entregam.

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Um terapeuta do Nebraska teve sua licença cassada por ter atirado em um recado que o irritou.

O que comprova a minha teoria de que terapeutas, psicólogos, psicanalistas e psiquiatras são, normalmente, mais malucos do que eu.

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Segundo o Instituto da Felicidade australiano, você não precisa de milhões de dólares para ser feliz. Uns duzentinhos já quebram bastante o galho.

Povinho barato, esse.

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O prefeito de uma cidade do Quênia mandou matar 500 porcos porque eles andavam fazendo saliência com cachorros viralatas.

Sujeito insensível. A gente vive pedindo que os homens se confraternizem uns com os outros, independente de sexo, raça ou credo. Por que isso não vale para o reino animal?

E cachorro, como dizia o Magri, também é gente.

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Um casal de iranianos não agüentou. Apesar do Corão não simpatizar muito com o sexo antes do casamento, os jovens enamorados perceberam que a carne é fraca. Muito fraca. Depois, em vez de virar para o lado e dormir, se viram consumidos pela culpa, fizeram um pacto de morte. Ela cumpriu sua parte; ele não.

Foi preso. Mas pelo menos está vivo.

E a besta que acreditou nele pela segunda vez está mortinha da silva. Ela devia ter aprendido a lição da primeira vez, quando ele falou “eu não vou fazer nada que você não queira…”

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Um inglês que atirou acidentalmente em seus próprios testículos (depois de beber 15 canecas de cerveja) foi preso e condenado a cinco anos. A razão: porte ilegal de arma.

Não sei como é na velha Albion, mas aqui, quando o réu sofre efeitos tão duros, julga-se que já houve castigo suficiente.

De qualquer forma, para ele não deve fazer diferença. Agora tanto faz.

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Parece que aquela história de que esportes mantêm as pessoas longe das drogas é verdade, mesmo.

Um helicóptero que seguia a tocha olímpica, em Creta, achou uma fazenda de plantação de maconha.

Contos de fadas, reloaded

Alguém veio parar aqui procurando pela combinação de palavras Chapeuzinho Vermelho e canibalismo.

É um ângulo interessante sob o qual olhar a história, mas o canibalismo que me vem à cabeça é outro.

Para mim (e para o Neil Jordan, que fez um filme inteiro sobre isso), as entrelinhas dizem respeito à sexualidade, e não a hábitos alimentares lecterianos.

Descobrir as delícias do sexo extra-marital — e os horrores da condenação social — é o que acontece a quem não ouve os conselhos de sua mãe. Cabe à Chapeuzinho não repetir o erro da vovó, enganada por lobo semelhante em sua juventude. Lobos são uns cafajestes. Pedem, prometem tudo, até amor.

Mas isso importa pouco. Talvez seja uma teimosia burra, mas por várias razões tento não deixar que o que acho hoje sobre essas histórias atrapalhe a visão mágica que já tive deles.

Eu já sei que Rapunzel é a vítima alegre de uma velha lésbica, que resolveu trancar a pobrezinha numa torre para poder desfrutar sozinha de seus encantos sáficos. Rapunzel, no entanto, se encantou com a beleza fálica do príncipe e renegou a pobre bruxa, que estava velha e desdentada (mulheres desdentadas, como se sabe, são mais úteis para a felação que para a cunilíngua). Coladoras de velcro, desde que não masculinizadas, podem e devem ser recuperadas.

Sei que “Quero Ver” é a melô do sexo anal.

Que os Três Porquinhos são uma maneira simples de incutir nas crianças a ética protestante do trabalho.

Sei que a Dona Baratinha mostra que mulher que escolhe muito acaba no caritó, e que não tem o direito de querer algo melhor do que ela. Deve se contentar com o pouco que se lhe oferece.

Que o Gato de Botas, além de uma lição de alpinismo social, ensina que para subir na vida o importante é mentir e ser esperto, porque isto aqui é uma eterna luta de classes e os ricos são o inimigo a ser vencido, ao mesmo tempo que o prêmio a ser conquistado.

Sei também que Cinderela é a prova de que, se você for uma pessoa humílima e comer o pão que o diabo amassou, um dia Deus se apieda e lhe manda uma fada madrinha para fazer com que você deixe de morder beira de penico dizendo que é biscoito. Recomenda-se apenas que você seja bonita, porque Deus não tem dó das feias.

E que a Bela e a Fera mostram que, mesmo que você tenha um pai covarde, egoísta e venal, é melhor aceitar o casamento por interesse que ele te arranja com um homem detestável, porque embaixo daquela máscara de grosseria e maus modos pode haver o doce consolo de uma alma nobre ou, sendo mais realista, um sujeito que que sustente você e o vagabundo do seu pai.

É, eu já sei de todos esses detalhes. O mundo, no entanto, não fica melhor por isso.

Fica combinado assim: Chapeuzinho Vermelho, et nunc et semper, é só a história de uma menina que mora na fímbria da floresta e que, certo dia, vai levar uma cesta de doces para a vovozinha.

Raio X

Via Boing Boing: Daryl Miller, de saco cheio dos procedimentos anti-terroristas nos aeroportos, não agüentou e baixou as calças. Estava sem cuecas. Foi preso, claro, mas expôs — e bem — seu ponto de vista.

Para quem tem que enfrentar aeroportos aqui em Pindorama, onde o terrorismo é praticado apenas por políticos que dão carteiradas e tiram lugares de criancinhas, Miller é um ícone a ser reverenciado.

Um dia arranjo coragem e faço isso também. Devia ter feito ano passado quando, voltando de Fortaleza para o Rio, numa conexão em São Paulo, os idiotas de Cumbica me fizeram entrar na fila de checagem de passaporte, só porque o avião ia para Buenos Aires.

Mas eu confio na parvoíce deles. Minha chance há de chegar.