Lula, comemorando os 18 meses de governo:
“Arte de governar é arte de ter paciência”
O fardo de ser governado também, senhor presidente.
Lula, comemorando os 18 meses de governo:
“Arte de governar é arte de ter paciência”
O fardo de ser governado também, senhor presidente.
E-mail recebido:
Era uma vez, em uma terra muito distante… Uma princesa linda, independente e cheia de auto-estima. Deparou-se com um sapo enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago de seu castelo estava de acordo com as conformidades ecológicas.
Então um sapo pulou em seu colo e disse:
– Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. Uma bruxa má me jogou um encanto e eu me tornei esse sapo asqueroso. Um beijo seu, no entanto, há de me transformar de novo em um belo príncipe e poderemos nos casar e constituir residência em seu lindo castelo. Mamãe poderia vir morar conosco e você poderia preparar meu jantar, lavar minhas roupas, criar meus filhos e seríamos felizes para sempre…
Naquela noite, enquanto saboreava umas pernas de sapo à sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, ela riu e pensou consigo mesma:
– Nem morta!
Bonitinho, mas que me deixou pensando em como este mundo é injusto. A ricaça aí pôde se dar ao luxo de mandar um sapo falante para a panela (eu pensava que eram as rãs que a gente comia e que sapos eram venenosos, mas em parábola feminista a gente tem que relevar certas coisas). Enquanto isso, as pobrezinhas mal aquinhoadas pela Providência têm que se virar beijando tudo quanto é sapo, alguns com mau hálito, outros com aquela linguona bushiana que mira o esôfago, sem sequer poderem se dar ao luxo de comer os coitados, na esperança improvável de que pelo menos um deles possa vir a ser um príncipe encantado.
É a tese da Caitlin Flanagan: a tal emancipação das mulheres é pouco mais que a emancipação das mulheres ricas.
Pensei seriamente em fazer um post dizendo exatamente o que eu acho dessa campanha — dessa e daquela da “muguegada”.
Melhor não. Iam dizer que é inveja por eles terem a conta de uma cerveja e eu não ter sequer a de uma tubaína.
E mais uma vez recorro ao truque sujo de arranjar assunto recorrendo aos meus referrers.
daniela mercury meu plano site .org
O seu eu não sei; mas o meu é sair na calada da noite arrombando lojas de discos e quebrando todos os CDs dela que encontrar.
modo de vida dos italianos fotos
Eles acordam, comem pizza, passam a manhã no Coliseu, almoçam pizza, passam a tarde andando de lambreta pela Via Vêneto ouvindo Rita Pavone, jantam pizza, fazem saliência com a Sophia Loren e dormem depois de assistir a um filme de Fellini. No outro dia, a mesma coisa.
jackson pollock biografia
Nasceu, bebeu, pintou, bebeu, morreu.
como era a vida nas fazendas de cana naquela época
Mais um exemplo da tese “o – Google – é – meu – amiguinho – imaginário”. Mas acho que nem ele sabe que o significa, exatamente, “aquela época”. Se está se referindo ao século XIX, isso depende. A dos senhores era boa, apesar dos limites de um país agrário. A dos escravos era uma merda, graças aos limites de um país agrário. No geral, a vida era como rapadura: era doce, mas era dura.
mensagem subliminar irmão urso
Eu pensava que esse era o segredo mais bem guardado da indústria cinematográfica, mas já que que vazou, vamos lá: se você rodar o filme de trás para a frente, a 12 quadros por segundo, na hora em que Koda enche o saco do outro pela quadragésima sétima vez (aproximadamente depois de 30’47”), ouvirá nitidamente a voz de Steve Jobs dizendo “A era da animação tradicional acabou e o futuro pertence à CGI”.
piada queixa estupro você tem
Tenho não, fio… Serve piada de papagaio? Era uma vez um papagaio que morava num bordel…
significado palavra pederasta
Viado. (Na verdade a palavra tem origem grega e diz respeito à relação de um mestre e seu discípulo. Tem a mesma origem de pedagogia.)
comida de cowboys texanos
Taí, essa curiosidade eu também tenho. Em princípio deve ser feijão, milho e carne, mas eu não faço a mínima idéia.
fotos da vizinha trepando
A do 702 ou a do 304? A do 702 é mais gostosinha. Mas a do 304 entende mais do riscado.
resumo de livros raymond chandler
Um crime é cometido. Phillip Marlowe investiga. Phillip Marlowe leva porrada. Phillip Marlowe leva mais porrada. Phillip Marlowe leva ainda mais porrada. Phillip Marlowe resolve o caso e a gente fica com um travo amargo na boca, acreditando um pouco menos na humanidade.
qual a importancia da nova tequinologia do mundo atual
Ahn… Possibilitar que você rode o Houaiss no seu computador e evite alguns pequenos erros?
restaurante grego salvador brasil
A pergunta mais hedionda que eu já li. Alguém que procura um restaurante grego em São Salvador da Bahia de Todos os Santos, terra de Camafeu de Oxóssi, Maria de São Pedro e Dadá, só pode ser um monstro de perversidade.
marketing é ciencia
Meu Deus, por que ainda tem tanta gente que acredita nisso? Marketing não é ciência, a não ser que seja a ciência de enrolar alguém. Marketing, quando muito, naqueles momentos realmente inspirados, é arte. E olhe lá.
orgias com meu marido
Que pessoa doente. Como alguém pode pensar em fazer orgias com o marido? Orgia se faz com o amante, minha amiga; se faz com desconhecidos. Fazer orgia com o marido é desmoralizar a sacanagem.
blog do rafael galvão redator
Ei, sou eu! Sou eu!! Olha pra cá, sou eu!!!
O melhor método de se angariar conhecimento que eu conheço é o “Método Mirinho”.
Altamirando, codinome Mirinho, é um dos personagens de Stanislau Ponte Preta, sobrinho pouco dileto de tia Zulmira. É o típico malandro carioca, nascido em 1926 — um ano tão estranho que até o São Cristóvão foi campeão carioca.
O método que ele desenvolveu é simples e está detalhado em “Primo Altamirando e Elas”.
Imagine-se, por exemplo, à mesa com um grande nutricionista. Você faz pose de sabe-tudo e fala bem alto: “Me passa a farinha aí que eu preciso de proteína”.
Se ele honra as calças que veste, vai fazer questão de lhe explicar que você está errado.
E é aí que entra o Método.
Cabe a você, nessa hora, olhar para ele com insolência e superioridade. Deixe claro que sabe mais que ele, que acha que ele está falando uma imensa besteira. Acompanhe seus principais argumentos com um sorriso de deboche. Levante uma sobrancelha, e apenas uma.
A cada gesto seu ele vai se irritar mais e mais, e vai fazer questão de derramar sobre você tudo o que sabe sobre o assunto.
O método, eu garanto, funciona como nenhum outro. Você não vai ganhar nenhum concurso de simpatia, claro, mas a busca pelo conhecimento vale qualquer sacrifício.
Quando comecei a ouvir Beatles era uma maravilha: sempre tinha algo novo, alguma música que eu não conhecia. Durante anos, cada novo disco era uma experiência nova, algo que eu descobria.
Quando isso acabou a pirataria manteve um pouco dessa sensação de descoberta. Mas até isso acabou um dia, porque mesmo que eu não conhecesse determinada gravação já podia dizer com certeza absoluta em que época ela foi gravada, talvez até quem tocava o quê. E eu sempre senti falta daquela sensação.
Dia desses, assistindo de novo ao show dos Beatles no Budokan, Japão, 1966, eu consegui sentir isso de novo.
O show é curioso, porque é um dos poucos em que o barulho dos fãs não torna tudo praticamente inaudível. Os japoneses são educados. O show mostra o cansaço da banda (que pararia de tocar ao vivo ao fim daquela turnê), o que a cara de tédio de Ringo torna inegável, a vocação de McCartney para animador de auditório (Lennon diria depois que ele estava se borrando de medo por causa de umas ameaças de fundamentalistas japoneses, que consideravam um show dos Beatles no templo do sumô uma afronta imperdoável à cultura nipônica), e a atitude de “vamos fazer o básico, pegar o dinheiro e ir embora daqui” de Lennon. Mostra também, não importando o que hagiógrafos passaram a dizer depois de sua morte, que Harrison era um péssimo cantor.
Os Beatles inventaram o que hoje se entende por show de rock. E, naturalmente, eram obrigados a enfrentar inúmeras situações de amadorismo. Mesmo no Japão, terra da organização, não é diferente: os microfones dão choques, não param quietos. Profissionais, os Beatles se limitam a passar o show tentando ajeitar as coisas.
Mas foi graças a esse problema que eu pude ver algo novo. Quando eles cantam Baby’s in Black, McCartney e Lennon dividem o mesmo microfone defeituoso. McCartney tenta colocá-lo na direção correta. Mas ele insiste em se mover, justamente no momento em que eles cantam “oh, dear, what can I do“. E a expressão e a modulação de voz de McCartney nessa hora são impagáveis. Para mim é novidade, porque mesmo tendo visto o show algumas vezes, eu não tinha percebido.
É uma bobagem, eu sei. Insignificante. Mas são essas coisinhas pequenas que fazem a vida valer a pena.
Salvador, conversando com um amigo num boteco.
— Rafael, tem uma festa de 15 anos ali no Cabula pra gente ir. Vamos?
Vamos. Entramos na festa lotada e Waltinho pergunta:
— Como é o nome da aniversariante?
— Adriana.
De repente, algo me diz que não fomos convidados para a festa.
Mais uns passos e Waltinho comenta com alguém que passa:
— A Adriana está linda, né?
Vejo duas mulheres e me afasto de Waltinho. Começo a conversar com elas, falo umas gracinhas. Uma delas já está na mira. Elas são amicíssimas da aniversariante, cujo ar da graça até agora não vimos.
— Você conhece a Adriana?
— Não.
— Você veio com quem?
— Com Waltinho.
— Quem é Waltinho? E quem convidou ele?
— Ninguém. Ele entrou de penetra.
— Quer dizer que você é penetra?
— Não, sou convidado. O Waltinho me convidou.
E a conversa continua, elas me chamam de descarado enquanto riem, aquela moça olha diferente para mim, até mesmo sou apresentado à Adriana — que não estava tão bonita assim.
Algumas horas depois, eu sentado numa escada esquecido da festa, me aplicando em descobrir mais detalhes da anatomia da moça, e Waltinho aparece com dois copos de uísque na mão. Nada demais, se todos ali não estivessem bebendo cerveja.
10 anos se passaram, e ainda continuo convicto de que nunca dois penetras foram tão bem tratados em festa alguma.
Assisti a “Homem-Aranha 2”. Infelizmente numa cópia dublada, por exigência da meninada. É no que dá ter um sobrinho cujo cachorro se chama Peter Parker.
Talvez não seja melhor que o primeiro, mas certamente não fica atrás. Ainda falta humor nas falas do Aranha, mas há cada vez mais nas situações que Parker enfrenta, e isso é um avanço. Por serem mídias diferentes, talvez aquele blá blá blá do amigão da vizinhança nos quadrinhos não coubesse no filme; não sei.
Mas o melhor do filme é o Dr. Octopus. É o melhor vilão já recriado no cinema. Não há um só aspecto dele que seja ruim. Absolutamente nenhum. Na verdade, é melhor que o original, porque é um pouco mais complexo, e conseguiram arranjar um ator perfeito para o papel — coisa que Daniel Dafoe não era, e muito menos James Franco. Alfred Molina é Otto Octavius — um gênio bom mas enlouquecido. Seus tentáculos são perfeitos, e adquirem uma complexidade psicológica — se é que se pode falar nestes termos de um filme de super-herói — que não existe nos quadrinhos e que é bem-vinda.
A mudança sofrida por Octopus em sua transição para o cinema parece refletir uma linha seguida por Raimi de dar mais ênfase à dualidade de caa personagem. Homem-Aranha/Peter Parker, Norman Osborn/Duende Verde.
As lutas entre ele o Aranha são absurdamente bem feitas. Aproveitam a possibilidade efeitos especiais para respeitar o timing dos quadrinhos, e isso é fundamental; é um segredo que os produtores de Super-Homem e Batman nunca perceberam, por exemplo.
É uma delícia ver também as participações especiais, como Bruce Campbell como o porteiro do teatro. Como é interessante ver todos os ganchos deixados para o próximo filme. O vilão deve ser o Duende Verde 2, mas sempre há a chance de ser o Dr. Connors. ou John Jameson.
O Homem Aranha continua sendo a melhor adaptação de um super-herói dos quadrinhos. E, sob vários aspectos, tem ficado melhor.
A impressão que se tem é que Raimi teve mais controle sobre este filme. As coisas ruins são herança do primeiro, como Kirsten Dunst no papel de Mary Jane. A menina cai bem como vampira mirim, mas não como uma supermodelo e atriz. Ou Norman Osborn. É uma obra mais pessoal, e definitivamente mais madura.

Há alguns meses eu me perguntava se, em relação à nudez, o cinema não tinha influenciado a realidade, em vez de o contrário.
Um artigo na revista Nossa História de maio, sobre as revistas “pornográficas” no Rio do começo do século passado, talvez indique que eu não estava tão desprovido de senso. Ele mostra que na primeira década do século passado revistas que misturavam humor e fotografias de mulheres nuas eram relativamente comuns no Rio, e vendidas abertamente em bancas de revistas. Tão abertamente — e é esse o ponto realmente importante — que causou o descontentamento de setores católicos.
É uma matéria muito interessante, embora erre ao misturar em demasia sexo e política. A idéia de que a repressão às revistas tinha tanto a ver com a “opressão das elites aos trabalhadores” quanto com a nudez nas fotos publicadas é um exagero, típico de uma ala acadêmica que acha que tudo neste mundo é mero resultado de um complô das elites contra os trabalhadores. Para a Liga Católica, que tentou proibir as revistas em 1910, os peitinhos das gordinhas eram motivo mais que suficiente para indignação. Ela não usava a pornografia como desculpa para “infantilizar os trabalhadores”, como sugere o ensaio; usava os trabalhadores como desculpa para banir o que lhe incomodava.
O ensaio falha também ao retratar os ataques a políticos como “coragem e irreverência”. Essa era uma postura amplamente disseminada na imprensa de todo o país na época, e em muitos lugares perdura até hoje, controlada apenas pelo medo universal de um tiro na testa. Se a autora conhecesse um pouco mais sobre isso, veria que cada ofensa atendia a interesses de outras facções. Nada era gratuito. Pode-se até chamar de coragem, mas ela não era nem um pouco desinteressada.
De qualquer forma, a existência de proto-Playboys vendidas despudoradamente naquela época talvez mostre que sim, que o cinema americano, como principal meio de diversão do século XX, impôs um modo de encarar e mostrar a nudez que era um retrocesso em relação aos costumes. Porque um gordo depravado e bêbado enfiou uma garrafa de coca-cola numa starlet (dizem que é lenda, mas e daí?) e eles se viram obrigados a criar o Código Hays, o mundo retrocedeu em anos.
O resultado pode ter sido a imposição do código puritano em relação à sexualidade, ao que podia ou não ser visto, ao resto do mundo. Foi um mau negócio.