A inexorável jornada

Quando eu nasci a capacidade do Maracanã era de 200 mil pessoas, e ele era o maior estádio de futebol do mundo.

Hoje a capacidade do Maracanã é de 92 mil pessoas, e ele já não é o maior estádio do mundo.

Na próxima reforma, para a Copa de 14, sua capacidade vai diminuir para 86.100 espectadores.

O Maracanã vai se apequenando à medida que o meu tempo neste vale vai se esgotando.

Quando eu morrer o Maracanã será menor que o Batistão de Aracaju.

Os gostos de Maomé

O meu problema, o que ainda vai me levar para a cova muito antes do meu tempo já exíguo é a facilidade com que eu aceito desafios. Me sinto o próprio Marty McFly. Ainda mais porque o Bia pede para fazerem um post sobre Maomé, mas ele mesmo não é macho o bastante para isso. O Bia é aquele moço que fica no canto da sala instigando os outros a brigarem, dando risadinhas abafadas.

A idéia de um Maomé engajado em atos sexuais heterodoxos é interessante. Mas também seria provocação demais. Sobre Jesus, que me perdoem os cristãos, a gente pode falar o que quiser — afinal, tudo o que se sabe dele é o que dizem os evangelhos e uma citaçãozinha de nada em Flávio Josefo. Sem bases concretas, é fácil fazer piadas bobas sobre um sujeito andando por aí acompanhado de doze homens.

Maomé, ao contrário, é um personagem histórico mais sólido. Provavelmente porque o seu impacto imediato foi muito maior e mais amplo que o de Jesus. Independente do seu papel histórico, Jesus foi uma criação dos seus apóstolos, principalmente de São Paulo. Com Maomé foi diferente. A começar pelo Alcorão, melhor fonte histórica do que os evangelhos. Além disso, sua atuação política foi mais clara e mais efetiva. Ou seja: o histórico heterossexual de Maomé torna qualquer elocubração acerca de suas preferências provocação pura e simples, o tipo de coisa que aquele jornal dinamarquês fez.

De qualquer forma, o preceito aplicado a Jesus se aplica igualmente a Maomé. Maomé podia ser a maior bichona deste mundo. Podia dar a bunda com a mão na cabeça para não perder o juízo. Podia ser hábil na arte de prestar favores orais aos peregrinos que vagavam entre Meca e Medina. Podia usar a pobre da Khadijah para arranjar homens (“Você pode comer a moça, mas antes tem que me comer”). Podia correr para o alto das mesquitas para viver com algum discípulo a mais bela história de amor e suor. Podia se ajoelhar em direção à Meca sabendo que atrás de si um mujahid olhava para seu traseiro com cobiça e desejo. É tão difícil assim imaginar Maomé apoiado sobre a Caaba enquanto um tuaregue daqueles bem brutos faz-lhe a festa?

Para Maomé, no mais verdadeiro espírito ecumênico, vale o mesmo que para Jesus. Maomé podia fazer qualquer coisa, e nada disso faria de sua mensagem algo menos verdadeiro, nem ele menos digno de respeito.

A carinhosa senhora Amair e o seu doce pequeno comentário

Normalmente este blog não se presta ao papel de correio elegante.

Mas o comentário e pedido deixado aqui pela senhora Amair é singelo o suficiente para merecer um reforço e uma pequena moção de apoio.

Eu mulher de 56 anos, divorciada, quero muito conhecer homens, viuvos, ou divorciados, do rio assima de 50 anos com residencia fixa, que tenha pret de vir se casar novamente com senhore carinhosa, trab, fiel.E evangelica da Igreja do Nazareno

O e-mail da dona Amair fica retido para sua segurança e obediência às normas auto-impostas deste blog, mas excepcionalmente está à disposição de senhores que se encaixem no perfil acima e que queiram estabelecer contato com ela.

Fica desde já esclarecido que a Igreja do Nazareno não tem nada a ver com o antigo personagem de Chico Anysio.

A menina e o padre

Talvez o que mais impressione na reação popular à morte da menina Isabella Nardoni e à do padre Adelir de Carli seja a diferença dos critérios do público.

Não se trata apenas da algazarra canalha e baixa criada pela imprensa em torno da morte da menina, e de forma diferente no caso da morte do padre aviador. Se ela explora o mundo cão, só podemos imputar-lhe a hipocrisia do discurso ético, que traveste de “interesse público” o que é pouco mais que briga por audiência e vendas; mas ela faz isso porque é o que queremos ver, de certo modo ela apenas dá o que pedimos.

Há tanta hipocrisia em tudo isso. Estamos chocados como se nunca tivéssemos visto algo parecido.

No entanto, em todo o país assistentes sociais se irritam com a abordagem dada ao caso Nardoni, porque sabem mais do que isso. Para eles é revoltante assistir à explosão de indignação da opinião pública, esse ultraje diante do vislumbre da possibilidade de crueldade e insensatez humanas, algo tão fora de seus padrões éticos altíssimos. Porque assistentes sociais vêm casos como esse todos os dias — há algumas semanas um pai sergipano trancou o filho em um quarto escuro no seu casebre e o espancou até a morte, mas isso não se transformou em suíte de jornal. Assistentes sociais vêem mais, na verdade. Vêem também pais estuprando e violentando filhos, pais torturando filhos, pais utilizando os filhos para pedir esmola. Isso acontece todos os dias. Essa é a matéria-prima de seu trabalho.

Nada disso, no entanto, gera sequer uma parcela da indignação que se vê na reação à morte da menina. Não porque não são noticiados, porque são, essa também é matéria prima dos jornais; mas porque acontece com pobres, gente abaixo dessas pessoas que se horrorizam antes um vislumbre do que o ser humano pode ter de pior, abaixo do seu nível de sofisticação social e familiar.

Porque esse tipo de desgraça é aparentemente raro na classe média. A mesma classe média que, absolutamente infensa à miséria cotidiana, aproveita uma chance rara como o assassinato de uma menina para fingir tão completamente uma indignação digna de Pessoa. E que faz isso, talvez, porque sabe que essa reação é compartilhada pelos seus iguais, e assim se torna uma indignação confortável e segura.

A diferença entre a morte dessa menina e a dos outros está no fato de ela ser jogada da janela? Se está, então somos todos imbecis, porque morte é morte, é esse substantivo que conta, e não os adjetivos. Morreu queimado ou espancado, qual é realmente a diferença? Mas parecemos ter uma facilidade confortável para transformar o fato principal em um mero detalhe, enquanto damos ao acessório destaque prioritário. Talvez porque se reconhecêssemos que o problema aí é tão somente o assassinato da menina, e não o local ou a forma, então teríamos também que nos indignar com o menino morto na favela, a menina estuprada na rua, e tanta indignação nos cansaria e tiraria o foco de nossas próprias vidas.

Horrorizarmo-nos ao ponto da histeria coletiva com a morte da menina enquanto ignoramos as centenas de outros assassinatos de crianças todos os anos é hipocrisia e depõe contra todos nós.

Mas é a diferença entre as reações à morte da menina e a do padre que chama a atenção e que revela, de maneira ainda mais clara, a miséria humana de todos nós. Tenha sido o padre idiota ou não, arrogante ou não, essencialmente foi um ser humano que morreu. Se foi por sua culpa, isso apenas diz que não há outros culpados, ao contrário da menina.

Isso, no entanto, não dá direito a que os mesmos que se ultrajam e enojam com a morte da menina riam do padre otário.

Para nós, não importa o desespero do padre ao se ver diante da morte, ele não vale o mesmo que a dor da menina. As duas mortes nos fazem felizes, por motivos diversos. A menina caindo do sexto andar nos faz sentir vivos e capazes de sentir pena e solidariedade humanas; a morte do padre nos faz felizes porque somos melhores que ele, somos mais espertos e mais inteligentes. Podemos vir a morrer atropelados por um policial bêbado, podemos nos estraçalhar em um avião — mas não, nós não vamos ser estúpidos o bastante para morrer da mesma forma que o padre, e isso nos faz sentir bem. Ninguém pensa em rir da menina porque, afinal, ela teve o azar de estar do lugar errado e na hora errada. Preferimos nos reconfortar com o fato que, por ser uma criança, ela não tinha escolha nem chance, enquanto o padre, o imbecil, procurou a própria morte.

Como se isso tornasse uma morte menos “morte”.

Isabella vira anjo, o padre é indicado ao Darwin Awards. Embora por motivos diferentes, as duas mortes são dignas de pena; no entanto, uma gera comoção nacional e a outra vira a grande piada do país.

E assim a vida continua. O padre vai ser esquecido logo. Em alguns meses ninguém lembrará da menina, porque a dor dos outros tem prazo de validade curto. E vamos esperar outro evento assim, porque então poderemos voltar a mostrar nossa humanidade indignada, caso seja outra menina assassinada, ou rir daqueles que nos parecem burros demais para merecer continuar vivendo.

Republicado em 01 de outubro de 2010

Sobre os fenômenos incompreensíveis

Entre as tantas coisas que não entendo, que olho com olhos asininos e opacos e boca aberta da estupidez, estão aqueles sujeitos que colocam moças em suas costas durante shows de rock.

Sempre tem um ou dois, garotos cujas namoradas afoitas se balançam sobre suas costas, enquanto o coitado fica ali embaixo, fazendo força para não derrubar a moça que pula sobre seus ombros.

Talvez eu não entenda porque para carregar nas costas já tenho a minha cruz, uma cruz pesada demais, às vezes intolerável; uma moça bonita estrebuchando sobre meus ombros seria mais do que eu poderia agüentar.

Por não compreender o fenômeno tento imaginar o sujeito ali embaixo, feliz da vida porque a namorada está encarapitada em suas costas, se balançando e fazendo gracinhas para os músicos no palco, quem sabe até mostrando os peitos? Mas ela sequer está do lado certo, está atrás dele e não na frente como deveria ser, apertando com força a sua cabeça; a única compensação que o sujeito pode ter é uma lombalgia, um torcicolo, algo assim.

E imagino que no dia seguinte ela lhe dá um pé na bunda, e o coitado se recrimina por ter se sujeitado a papel tão ridículo e se o show foi filmado ele pode rever e dizer aos amigos: “Tá vendo aquela gata ali? Eu sou o otário embaixo dela”, e eles rirão de sua cara, algo assim, e disso ficará apenas a lembrança de ter pago, um dia, um mico por uma mulher que o vento levou.

Ou melhor, não. Talvez haja, sim, uma compensação, pelo menos a única compensação válida em que consigo pensar: a lembrança boa e permanente de que um dia seu pescoço foi o melhor lugar do mundo, e que durante alguams horas ele poderia aspirar o melhor perfume que pode existir.

Homenagem póstuma ao Dia Internacional da Mulher

E por causa dessa correria toda, desses dias que invadem as noites sem oferecer uma mínima compensação em troca, acabei deixando passar em branco o Dia Internacional da Mulher.

Já tinha pensado em assumir algum compromisso sério com a classe, algo como prometer publicamente neste blog não bater em mulher nenhuma no seu dia; mas isso não era direito, porque sou um cavalheiro que nunca rejeita o pedido de uma dama, e vai que por uma dessas quebradas da vida me deparo com uma moça que peça isso com jeitinho doce e irresistível, então me diz, o que é que eu faço?

Eu, que não tenho boa reputação entre as mulheres porque as que gostam de mim me chamam de cafajeste e as que não gostam de mim me chamam de cafajeste, resolvi então que não iria dizer nada.

Mas isso seria uma falta de cortesia absurda e impensável, e eu sou um homem antigo em gostos e deveres. Lembrei então do velho Kid Morengueira, ídolo e modelo de sempre. Porque o Moreira sabia das coisas, sabia desses negócios de ética e cavalheirismo em seu terno branco. Portanto aqui vai minha homenagem ao Dia Internacional da Mulher. Faço minhas as suas palavras. Nesta vida tem mesmo coisas que não se faz.

Na subida do morro me contaram
Que você bateu na minha nêga
Isso não é direito
Bater numa mulher
Que não é sua
Deixou a nêga quase nua
No meio da rua
A nêga quase que virou presunto
Eu não gostei daquele assunto
Hoje venho resolvido
Vou lhe mandar para a cidade
De pé junto
Vou lhe tornar em um defunto

Você mesmo sabe
Que eu já fui um malandro malvado
Somente estou regenerado
Cheio de malícia
Dei trabalho à polícia
Pra cachorro
Dei até no dono do morro
Mas nunca abusei
De uma mulher
Que fosse de um amigo
Agora me zanguei consigo
Hoje venho animado
A lhe deixar todo cortado
Vou dar-lhe um castigo
Meto-lhe o aço no abdômen
E tiro fora o seu umbigo

Vocês não se afobem
Que o homem dessa vez
Não vai morrer
Se ele voltar dou pra valer
Vocês botem terra nesse sangue
Não é guerra, é brincadeira
Vou desguiando na carreira
A justa já vem
E vocês digam
Que estou me aprontando
Enquanto eu vou me desguiando
Vocês vão ao distrito
Ao delerusca se desculpando
Foi um malandro apaixonado
Que acabou se suicidando.

Fragmentos de um diálogo amoroso entreouvido na praia

“Meu amor, você gosta de estar comigo?”

“Se eu não gostasse você já tinha levado um pé na bunda.”

“Putz, como você é grosso!”

(…)

“Amor, você me trocaria por uma mulher milionária, lindíssima e inteligente?”

“Nunca. Você continua sendo muito mais linda e inteligente.”

“Ah, meu Deus, que lindo! Você é tão fofo…”

“Tá vendo como você é? Quando eu falo a verdade você diz que eu sou um grosso. Quando eu minto descaradamente, você vem toda cheia de dengo.”

¡Que venga Limeira!

O Luís Henrique, orgulhoso e aguerrido morador de Limeira, deixou um comentário neste blog sobre um texto antiquíssimo em que eu falava sobre a demissão do Bia pelo Jornal de Limeira:

Concordo plenamente que o jornal errou, e perdeu a grande chance de se mostrar imparcial.
Só porque um burro fez o que fez, isso não te dá o direito de diminuir nossa cidade e muito menos nossa população generalizando como foi generalizado em seu têxto. Voce não deveria expandir suas críticas a cidade de Limeira atacando indiretamente sua população. Antes de ir a India, dê uma passada por aqui, te garanto que você vai se supreender. Não sou limeirense, mas tenho orgulho dessa cidade que provê o sustento e o conforto de minha família.Com relação ao tamnho de nossa cidade, é bom que o senhor saiba que ela está de braços abertos para te receber. Espero que você seja ético o suficiente para publicar esse manifesto em seu blog. Quem não estiver contente, mude-se!

O “manifesto” foi publicado porque não li a parte do “ético”. Desafios como esse são a maneira mais fácil de garantir o bloqueio de um comentário. Mas foi bom que eu tenha publicado, porque descobri uma coisa importante.

Limeira é a Neópolis do sudeste.

Logo que voltei a Aracaju, escrevi um post sobre Neópolis. É um dos que mais gosto no blog, porque afeta uma doçura que normalmente não tenho. Mas o post, que aparece em sétimo lugar quando alguém procura pela cidade no Google, inadvertidamente gerou em vários neopolitanos neopolitanos uma revolta e uma indignação inacreditáveis.

De maneira bem parecida, o comentário sobre Limeira também desagradou o Luís Henrique.

A mesma reação provinciana, a mesma pressa em defender o lugar onde nasceu ou que lhe acolheu. Eu já vi isso antes, e confesso que gosto de ver: cidades que podem ou não ser agradáveis, mas que certamente têm em seus habitantes pequenas misturas de orgulho do torrão natal e complexo de inferioridade.

O comentário do Luís Henrique é bem vindo porque brigar com os ribeirinhos neopolitanos e os michês goianenses já estava me deixando cansado.

Eu não conheço Limeira. Eu não quero conhecer Limeira. Não entendo porque alguém quereria conhecer Limeira. Quando penso em Limeira imagino que, como qualquer cidade do interior, ela provavelmente tem algo que seus cidadãos alardeiam ser o maior do Brasil, ou o melhor: o maior pé de laranja lima do Brasil, o melhor pastel de vento do país, algo assim.

Graças à minha total ignorância sobre a cidade, fiz algumas perguntas ontem ao Bia e ele confirmou minhas suspeitas: Limeira já foi a auto-nomeada “capital nacional da laranja”, e hoje se diz “capital nacional da semi-jóia e folheados”.

Limeira, portanto, não pode se dizer “jóia do planalto”, essas coisas que finzinhos de mundo dizem; no máximo é a bijuteria do sudoeste. Um brinco Rommanel encrustado na orelha de São Paulo. Apenas para efeito de referência aos leitores sergipanos que porventura ainda leiam este blog, Limeira poderia ser comparada à cidade de Itabaiana, que também se diz capital do ouro vagabundo.

O comentário do Luiz Henrique apenas comprova o que eu intuía: que a cidade, pelo visto, é pequena demais para qualquer pessoa.

Eu já estava de saco cheio de brigar com neopolitanos, mesmo.

A era do rádio

A idéia não é minha, é do Lula Vieira, da agência de publicidade carioca V&S. É tão óbvia, e tão simples, que assim que é ouvida nos faz pensar em como todos somos idiotas por não termos percebido isso antes.

Diz respeito ao rádio. Que como todo mundo sabe é um veículo que já teve seus dias de glória, decaiu e achou algumas saídas, basicamente em torno da música (em Sergipe as rádios FM acharam uma outra vertente, os programas de debate político durante as manhãs). O rádio é um lutador, sem nenhuma dúvida.

A idéia do Lula Vieira diz respeito à questão da publicidade no rádio. Mídia barata, útil em alguns casos, mas cada vez burocrática, sem criatividade. É muito comum que, em vez de escrever um spot específico para o meio, agências peguiçosas simplesmente copiem o áudio do comercial de TV.

Isso é fácil porque os formatos de anúncio em múltiplos de 15 (30, 45, 60 segundos) foram desenvolvidos pelas televisões para garantir a viabilidade da programação em rede. Sem esses formatos pré-definidos, redes de televisão seriam impossíveis. Graças a eles, a televisão pode reservar blocos para exibição nacional e deixar espaço para os comerciais das emissoras locais, sabendo que não vão entrar em conflito com os nacionais. Essa esquematização em blocos de tempo fixo é necessária e foi o que possibilitou à televisão a sua consolidação definitiva. É um formato tão dominante que qualquer pessoa que trabalhe com propaganda sabe como é difícil sair dele.

Mas ao contrário do que acontece na televisão, as redes de rádio são exceções, como a Jovem Pan e a Transamérica. A maior parte das emissoras são independentes e têm programação própria e local. Elas não têm que adequar sua programação e sua grade comercial às exigências da rede. Elas podem fazer o que quiserem.

Mesmo dentro da estupidez dos múltiplos de 5, as rádios normalmente oferecem uma flexibilidade maior em sua programação. O que elas não percebem é que não há problema em aumentar essa flexibilidade até o limite do possível: e em vez de tabelas que oferecem apenas os blocos tradicionais, cobrar por segundo, e não por formatos pré-definidos de comerciais.

Uma emissora de rádio poderia, muito bem, veicular um spot de 23 segundos. Poderia veicular um jingle de 70 segundos. Ou seja, um comercial poderia ter exatamente o tempo necessário, nem mais nem menos.

É bem provável que o meio se beneficiasse com essa mudança. Que o rádio se tornasse um veículo mais criativo, e mais atraente para pequenos anunciantes — que ainda são a maioria no meio. Talvez esse formato possibilitasse que as pessoas brincassem mais com as possibilidades que o meio traz.

Mas ninguém pensa nisso. A insistência nos blocos de múltiplos de 15 mostra burrice e preguiça.