Dois filmes, sobre os quais o Alexandre e o Bia já escreveram: “Colateral” e “A Vila”.
A idéia era ir para o cinema para desligar um pouco. Na base da sorte: ia ver o que estivesse passando.
Quando cheguei ao cinema, as opções não eram muitas. “Olga” não me faria relaxar. Descartei logo de início “Alien vs. Predador”, porque eu queria diversão inconseqüente, não uma lobotomia. E assim sobrou “Colateral”.
Nunca tive Michael Mann em grande conta. Para mim é um artesão competente, só isso. Mas “Colateral” é um bom filme, com um bom toque pessoal. E consegue fugir de grande parte dos clichês do gênero, embora não totalmente. E a forma como termina me lembra algum filme dos anos 70, o que pode ser um bom sinal.
No outro dia foi a vez de “A Vila”. Fui ao cinema esperando uma tragédia, a partir das críticas horríveis que o filme recebeu e da minha própria experiência com Shyamalan, que vem decaindo a cada filme.
E no entanto, apesar de algumas falhas gritantes, é um filme bem razoável. Eu pelo menos adivinhei o que eram os monstros e sabia que havia algum problema com o tempo.
Mas como definiu perfeitamente o Alexandre, o Shyamalan é um grande contador de histórias ruins. Diretor excelente e roteirista frágil.
Talvez o grande problema de seus filmes seja a abordagem meio infantil, e a necessidade de ter uma reviravolta no final. Se “A Vila” fosse tratada de outra forma, dando por exemplo mais ênfase ao conceito temporal que envolve o filme, se preocupando menos em surpreender o espectador, poderia ser uma obra muito melhor.
Mas Shyamalan tem se mostrado incapaz de mais profundidade do que o universo das histórias em quadrinhos costuma permitir. Mesmo contando com atuações brilhantes de grandes atores como William Hurt, seus filmes acabam se tornando meros proscênios para a revelçao final.
Pior: ele não percebeu que começou sua carreira com um dos melhores filmes desse gênero já feitos. “Sexto Sentido” tinha um roteiro brilhante. Qualquer outro filme que ele faça, com a costumeira surpresinha no final, vai ser inevitalmente comparado a ele. E vai perder.
David O. Selznick passou a vida lutando contra o fantasma de si mesmo, tentando fazer um filme melhor que “E O Vento Levou”. Não conseguiu, claro. E isso quase o destruiu. É uma pena que Shyamalan não tenha aprendido ainda com a lição dos outros.