Nunca houve um verão

Ouvindo Summer of ‘42, de Michel Legrand, lembrei do filme do qual a música é tema, “Houve Uma Vez Um Verão”, a que assisti quando era adolescente.

(Alguém lembra que nos sábados de 20 anos atrás, depois da novela das oito, vinha a “Primeira Exibição”, e não “Supercine”? E que depois vinha a “Sessão de Gala”, e não aquele maracujá de gaveta e seu programa chatíssimo, o Serginho Groisman?)

É um filme de formação, basicamente. A história de um garoto em férias numa daquelas praias sem graça dos EUA, durante a II Guerra Mundial, e sua educação sentimental através da paixão por uma mulher mais velha. É um bom filme, e muito útil. Recomendável para inícios de namoro e para ajudar a levar para a cama mulheres frescas demais.

Não é o único a tratar do assunto. Tenho a impressão de que eram mais comuns na década de 70, época de conflito grave de gerações, mas de vez em quando ainda aparece algo assim: homens feitos recordando-se de suas paixões e namoros na adolescência com mulheres mais velhas, e do quanto isso os marcou. Quase sempre eram homens; acho que um dos poucos a contar dessa forma a história de uma mulher com um homem mais velho é Breezy, um dos primeiros filmes dirigidos por Clint Eastwood. Mas ainda assim a história era contada do ponto de vista masculino.

Para os meninos, esse foi o principal acontecimento de suas vidas. O fato de namorarem uma mulher mais experiente, de serem iniciados sexualmente dessa forma, faz com que, ao recontar sua história, o narrador se torne Dante e seu objeto de amor e desejo se transforme em uma Beatriz finalmente atingida.

Há uma carga emocional intensa nesses namoros, são acontecimentos definitivos e nunca completamente superados pelo seu protagonista. A concretização do seu complexo de Édipo, talvez. A abordagem é sempre bonita, sensível; a diferença de idade implica um lirismo e um respeito que o cinema raramente consegue ver em namoros “comuns”.

Mas a ótica, na verdade, continua machista. Por trás de todo aquele processo de educação sentimental, há sempre um fato inegável: o que os distingue é o fato de terem sido contemplados com a grande sorte de terem à sua disposição uma mulher sexualmente disponível, suficientemente madura.

Com todo o lirismo desses filmes, o assunto ainda é sexo.

Calúnia

Eu queria saber o que faz as pessoas pegarem um texto qualquer e tascarem uma assinatura de alguém famoso. Recebo coisas assim diariamente em meu e-mail.

É batata. Se é um texto cômico, é do Luiz Fernando Veríssimo. Se é um poema bonitinho, é do Mário Quintana.

Basta uma leiturazinha rápida e dá para saber que a assinatura não corresponde à autoria do texto. No caso do Veríssimo é fácil, porque atribuem a ele coisas escritas em estilo menos fluido e normalmente mais grosseiras. No caso do Quintana é mais difícil, mas um bom princípio é o de que ele é um escritor leve, e não piegas.

No caso do Veríssimo, tudo bem: ele está aqui e pode, em último caso, restabelecer a verdade. Mas o Mário Quintana morreu há 10 anos e não pode se defender das tragédias que algum desocupado impinge a ele.

É uma das coisas neste mundo, vasto mundo, de poucas raimundas e muitos raimundos que eu não consigo entender. É o anti-plágio, e se eu consigo entender o mecanismo da admiração e inveja que move um plagiador, não sei por que cargas d’água alguém escreveria algo e o assinaria com o nome de alguém famoso por ter um estilo parecido.

Mas, como dizia meu bisavô, tem gente para tudo neste mundo — e ainda sobra um para comer merda.

Janaína e Valquíria

As valquírias descem do Valhalla em direção aos campos de batalha onde campeia a morte. Montadas em seus lobos, vão buscar os alemães e escandinavos que morreram bravamente. A glória que concedem é apenas àqueles que morreram ao ferir e matar outras pessoas. São uma recompensa ao ódio e à estupidez, e permanecerão imortais e invulneráveis enquanto se mantiverem virgens.

Iemanjá, mãe amorosa de cujos seios nasceram quinze deuses, se prepara no mar da Bahia para buscar aqueles que morreram tentando salvar outras pessoas. Esses ela leva consigo, a eles se dá como esposa, e é por isso que seus corpos jamais serão encontrados.

Eu sou baiano. Eu não gostaria de ser alemão.

Allen Klein e Yoko Ono

Deus sabe que há coisas melhores e mais importantes para se pensar, mas me peguei pensando em Yoko Ono.

Nos últimos 30 anos, as pessoas vêm discutindo se ela foi ou não responsável pelo fim dos Beatles — no que isso possa interessar a alguém; por melhores que fossem, eram só uma banda pop, e há um limite para o que uma banda pode representar.

Para alguns, a presença de Yoko sempre ao lado de Lennon foi um dos principais motivos para o fim da banda. Para outros, isso não importava tanto: o que importava eram as tensões crescentes por outras razões, principalmente financeiras.

Eu estava entre os que não davam tanta importância a Yoko. Achava que a banda tinha terminado porque as pessoas crescem e sua hora havia chegado. Mas agora, pensando nisso, vejo que no fim das contas ela foi fundamental no processo.

Se é que se pode definir uma causa externa para a separação, ela seria Allen Klein, o empresário que John e Yoko arranjaram para substituir Brian Epstein depois que viram que sua utopia empresarial, a Apple, era um fracasso completo.

Klein era um ladrão de marca maior — os Stones até hoje se arrependem de tê-lo tido como empresário. Foi para a cadeia por roubar dinheiro de George Harrison. E se conseguiu entrar em território fechado como os Beatles, uma banda notória pela sua unidade e impermeabilidade, é porque conseguiu o apoio de Yoko e, conseqüentemente, de Lennon. Ele seduziu Yoko lhe oferecendo a glória artística (e caiu em desgraça junto a Lennon, poucos anos depois, quando passou a dar a Yoko a importância devida — ou seja, pouca). E com isso fez com que Lennon batesse pé em sua defesa; como McCartney queria seu sogro, os dois racharam a banda, sendo que Lennon teve George e Ringo ao seu lado.

Para evitar ser abocanhado por Klein, McCartney se viu obrigado a pedir judicialmente o fim da banda. Curiosamente, foi esse processo e sua recusa em ser empresariado por Klein que salvou a fortuna e a independência dos Beatles. Até hoje McCartney demonstra certa mágoa por nunca ter recebido o agradecimento que acha que merece.

É, acho que preciso pensar em coisas mais relevantes.

O 18 brumário dos irmãos Gallagher

O filho de Ringo Starr (que estava tocando com o Who até pouco tempo atrás) vai tocar com o Oasis num festival inglês.

O Oasis acaba de atingir o ápice de sua carreira: chegaram o mais perto dos Beatles que poderiam chegar.

Cenas do próximo capítulo

Sergipanos não gostam quando falamos mal de sua terra, mas quando eu vinha passar férias aqui aqui os capítulos das novelas da Globo eram exibidos com um dia de atraso. Fim dos anos 70, começo da década de 80, isso. Não havia antena para transmissão direta por satélite, algo assim. As novelas começavam na terça-feira, e as reprises do último capítulo eram na segunda.

Eu odiava novelas. De coração. Odiava porque em alguns dias da semana era obrigado a deixar de ver algum filme ou enlatado americano na TV Itapoan para que minhas irmãs assistissem àqueles dramalhões, na divisão do monopólio da TV que minha mãe foi obrigada a realizar para satisfazer nossos interesses conflitantes.

Mas a idéia de rir da cara dos tabaréus era muito mais atraente. Quando chegava aqui, me divertia em contar o que iria acontecer naquele capítulo. E pelo menos uma vez tive a sorte de chegar no dia do final de uma novela.

Não sei se uma coisa tem a ver com a outra, mas hoje, mais de 20 anos depois, tenho uma facilidade enorme de me situar no tempo a partir da novela que a Globo exibia. Por exemplo, quando passava “Cabocla” eu morava na Barra, mas em “Plumas e Paetês” eu morava na Graça. E essas coisas que eu detestava hoje passam a ter um significado que jamais sonharam em ter. Se tornaram referenciais.

Goste ou não delas, as novelas da Globo fazem parte da vida de cada brasileiro. É como uma música de Roberto Carlos. Você pode não gostar do sujeito mas, se não é surdo, conhece pelo menos umas 20 músicas dele.

É por isso que quando vejo um remake como “Cabocla” sendo feito, algo me dá a sensação de que estão exumando um cadáver que deveria permanecer sob sete palmos. Assisti a um capítulo da novela, e embora tenha visto pedaços do original em 1979 e lido o livro dois anos depois, não lembro de quase nada além de Fábio Júnior e Glória Pires. Me faltam elementos de comparação, e talvez por isso, se eu fosse capaz de um julgamento imparcial, diria que a novela parece muito boa, bem feita, com uma atmosfera agradável. Mas para mim não é, porque não tem Nélson Gonçalves cantando que “teu olhar está me dizendo que você está me querendo, que você gosta de mim”.

Minha Vida, Meus Amores

Literatura erótica me entedia profundamente.

Mas houve um tempo em que não era assim, um tempo em que os hormônios se manifestavam de formas belas como a apreciação platônica de singularidades femininas e hediondas como espinhas na cara.

Em 1987 eu e um amigo pegamos três livros na biblioteca pública. Eu peguei The Adventures of Huckleberry Finn, para comparar com a edição brasileira e melhorar o meu inglês. Ele, mais pragmático do que eu, pegou “Sodoma e Gomorra” e “Minha Vida, Meus Amores”. Os títulos eram sugestivos demais para que ele deixasse passar a oportunidade. E ele era famoso por, invariavelmente, derrubar as prateleiras da sessão de filmes pornô nas videolocadoras que freqüentava. Não falhava: era só entrar na locadora e as caixas das fitas, com títulos sugestivos como “No Calor do Buraco”, caírem uma a uma como numa coreografia de Busby Berkeley.

Por coincidência, nunca devolvemos os livros. Esquecemos o prazo de devolução, não tínhamos dinheiro para pagar a multa e resolvemos deixar para lá.

Não demorou muito para ele me dar os livros. Se sentia torpemente enganado. “Sodoma e Gomorra” era de um viadinho francês chamado Marcel Proust, e “Minha Vida, Meus Amores” era de um chato chamado Frank Harris que tornava a saliência literária demais. Assim não tinha graça.

Ainda não foi daquela vez que li Proust, mas fiquei encantado com o livro de Harris.

Frank Harris foi um sujeito que na virada do século XX fez grande sucesso como editor, principalmente da Saturday Review; foi amigo de Oscar Wilde até o fim. Suas memórias — das quais só li o primeiro volume, aquele — tinham causado um certo escândalo na época por serem licenciosas demais. Além de descrições detalhadas de suas aventuras sexuais, ele ainda encontrava tempo para dizer, entre outras coisas, que Carlyle era impotente.

Dizem que Harris era mentiroso de dar dó. Não interessa. O que mais me fascinava eram suas aventuras sexuais. Ele as descrevia com palavras terríveis: “os páramos da volúpia”, “o relicário sagrado do meu desejo”, e outras do tipo — mas sem deixar de explicar tudo tim-tim por tim-tim. Foi um grande guia.

Descobri agora os outros volumes da autobiografia de Frank Harris. Não vou ler.

A diferença entre estrelas de primeira e sexta grandeza

Andei lembrando do famoso show do Legião Urbana em que o pau comeu no Mané Garrincha, em Brasília.

Não lembro direito como as coisas começaram. Se não me engano, foi por bobagem, bombinhas de São João explodindo no palco. Renato Russo, estrela, resolveu parar o show e passar um sermão arrogante — e o resultado foi o que se viu.

Lembrei também do show dos Stones no Brasil. Jagger cantava Satisfaction quando algo voou em sua direção. Ofuscado pelos holofotes, ele certamente não viu o que era. Então se abaixou, meio amedrontado, e continuou cantando. Era só uma camisa.

Jagger viu um homem morrer na sua frente, esfaqueado pelos Hell’s Angels em Altamont, no show que é considerado o marco do fim da era hippie. Em outro show, ao ver que alguém invade o palco, o escaldado Richards tira a guitarra e se prepara para dar uma porrada no sujeito, que dá a sorte de ser controlado pelos seguranças.

Não é preciso sequer fazer comparações entre a dimensão histórica de Mick Jagger e de Renato Russo, que Deus o tenha. A diferença de atitude entre eles, em episódios semelhantes, mostra a distância intransponível entre astros de verdade e meras imitações.

Norman Rockwell

Um dos maiores escritores americanos que conheço chamava-se Norman Rockwell e escrevia contos inteiros na capa de revistas como a Saturday Evening Post, fundada por Benjamin Franklin e que hoje é basicamente veículo para anúncios de remédios.

Alguns puristas acham que Rockwell não era uma artista de verdade por ser um ilustrador comercial. Uns modernistas acham que seu estilo não tinha nada de artístico. Alguns iconoclastas acham que ele era, sim, um grande pintor, com personalidade própria e estilo definido.

Eu acho a discussão boba, porque para mim a verdadeira arte de Rockwell era contar histórias.

The Problem We All Live WithO principal papel de Rockwell foi o de inventor, ou pelo menos cristalizador, de uma América perdida e onírica, a memória ideal para um país que se tornava cada vez mais urbano e individualista. Suas imagens se tornaram um pedaço dos Estados Unidos — aquele pedaço que se diz chamar América e que representa o ideal de liberdade americano. Nesse papel Rockwell foi insuperável. Em sua maturidade, entre os anos 1940 e 1960, cada quadro seu é uma imagem definitiva dessa América idealizada, longe dos grandes centros e nitidamente conservadora. E mesmo quando abordava temas socialmente difíceis, como o movimento pelo fim da segregação racial, ele dava um toque lírico — talvez piegas –, como se pode ver em The Problem We All Live With. E mesmo assim é um retrato definitivo, que consegue fixar de forma extremamente simples a dimensão do problema. Artista ou não, Rockwell era um mestre.

Mas a verdadeira arte de Rockwell, o que o diferenciava de outros ilustradores e mesmo pintores com P maiúsculo, era o fato de cada quadro seu contar uma história. Às vezes ingênua, mas sempre uma história.

Breaking Home TiesEm Breaking Home Ties, por exemplo, há tantas coisas para se ver. É praticamente um instantâneo de um rapaz saindo de casa e indo para a faculdade. Ele está sentado, esperando o ônibus que vai levá-lo para sua primeira viagem. Ele olha para a frente com esperança, ansiedade e alguma ingenuidade. Tudo nele é novo, fresco: seus sapatos, sua roupa, seu sorriso e seu olhar.

O contraste está em seu pai: um homem mais experiente, cansado, provavelmente acostumado a sua vidinha rural de muito trabalho e poucas perspectivas. Ao mesmo tempo é um homem realizado dentro daquela noção calvinista de realização, porque naquele momento tem certeza de que cumpriu o seu dever de pai de família. A diferença entre os dois pode ser vista em suas roupas. O sapato do rapaz está brilhando; o do pai carrega da poeira da vida. E você pode imaginar a longa caminhada que os levou até ali. Os dois, com suas histórias de vida diferentes,olham em direções divergentes.

The ConaisseurOs impressionistas, a fotografia e os abstratos destruíram esse tipo de arte hiper-realista. Não é nada que se lamente. Mas Norman Rockwell mostra que ela continua tendo o seu valor, quando bem aplicada. A fotografia acabou com a pintura como representação fiel da realidade. Mas Rockwell deu um passo além, e mostrou que a pintura ainda é o meio ideal para a representação fiel de uma realidade que não existe.

E, em The Connaisseur, ele finalmente redige o seu manifesto artístico. Mostra um sujeito apreciando uma tela que poderia ter sido pintada por Jackson Pollock. Não tenho certeza do tom da obra; mas às vezes julgo ver ali uma certa ironia, alguém dizendo que “isso eu posso fazer; eles podem fazer o que eu faço?”.

Um bom apanhado das telas — ou capas de revista, tanto faz — pode ser encontrado aqui.

Paul is dead, man, miss him, miss him

Qualquer fé que eu tenha no gênero humano se vê abalada quando vejo a repercussão que alucinados como o José Vicente Dias conseguem na mídia que dizem combater.

Dias é presidente da ONG “Mensagem Subliminar”, e parece dedicar seus dias a descobrir mensagens ocultas na mídia.

Mensagem subliminar apontada por Dias: “A boneca Barbie, por exemplo, não diz ‘não coma’, mas passa uma mensagem subliminar de que ‘ser magra é ser bela'”. Não vejo o que há de subliminar nisso, mas o Dias parece acreditar que está descobrindo, ao mesmo tempo, o fogo, a roda e a pólvora. E dá uma importância conspiracionista a algo que é escancarado.

As acusações de Dias vão do óbvio reduntante ao francamente fantasioso. Por exemplo, está alardeando que Gilberto Gil faz apologia da maconha no clipe de Three Little Birds, em que Bob Marley solta longas baforadas de fumaça. Seriam uma mensagem escondida de que aquilo é maconha.

Se ele não me contasse eu jamais acreditaria. E o que é mesmo aquela planta na capa de Kaya, disco de Bob Marley? Embora seja pouco óbvio, desconfio que seja maconha. Mas ninguém ia acreditar se eu dissesse. Bob Marley, afinal, era conhecido pela ojeriza à cannabis.

No campo do fantasioso há a teoria novíssima de que Paul McCartney morreu.

Notícia velha de 69, essa. Nasceu em uma rádio universitária do Texas. Disseram que McCartney tinha morrido num acidente de carro, e como os Beatles não podiam parar arranjaram um sósia, Wlliam Campbell (ou Shears, dependendo da versão que você ouça). Para evitar que a fraude fosse descoberta, pararam de fazer shows ao vivo.

Mas os Beatles, por alguma razão que só a maconha na cabeça dos estudantes pode explicar, passaram a incluir pistas do ocorrido em suas músicas e nas capas dos seus discos, culminando quando, na capa do Abbey Road, representam um enterro (Lennon o padre, Ringo o papa-defunto, George o coveiro e Paul seria o morto porque em alguma cultura desconhecida os mortos são enterrados descalços) e colocam um fusca cuja placa é 28 IF — ou seja, Paul teria 28 anos se estivesse vivo. São muitas teorias — e quiser, você pode inventar a sua. Se não quer perder tempo, aqui há uma boa lista das pistas.

A única coisa verdadeira em tudo isso é que McCartney realmente sofreu um acidente em 1966. Não de carro, mas de moped, uma espécie de motoneta. Perdeu um dente e ganhou uma cicatriz na boca, que o fez deixar crescer o bigode e que pode ser vista na foto que acompanha o Álbum Branco.

Por idiota que sempre tenha sido, essa teoria podia ser compreendida nos anos 60, quando a bruma de LSD, maconha e rebelião social em que se vivia dava aos Beatles uma importância que eles nunca tiveram. Mas insistir nessa bobagem 35 anos depois é deboche, só pode ser deboche.

O livro do Zé Dias está pronto e espera apenas uma editora. Que, se aparecer, vai destruir para sempre a minha fé na inteligência editorial deste país.

(A propósito, os Beatles evoluíram estupidamente em 1966, depois de uma fase de transição em 1965. Se McCartney realmente morreu, a música saiu ganhando. William Campbell, ou Shears, é muito, muito melhor que McCartney.)

(Também a propósito, eu tenho uma teoria que vai chocar o mundo: Lennon está morto. E Harrison também.)