Hoje o blogueiro sem blog mais famoso do mundo finalmente estréia oficialmente o seu blog, numa das mais fascinantes vizinhanças da blogosfera.
Author Archives: Rafael
BloomBlogsDay
Dia 16 de junho, nos meios literários, é o Bloomsday.
É o dia em que transcorre toda a ação de “Ulisses”, provavelmente o livro mais fascinante do século XX.
O Leandro Oliveira, do Odisséia Literária, teve uma grande idéia: resolveu transferir a tradição para o mundo dos blogs e comemorar o Bloom-Blogsday.
Dia 16 ele vai postar trechos e comentários de “Ulisses” no blog. Você pode participar enviando o que quiser sobre o livro: trechos, links, comentários. Ou simplesmente comentando no blog dia 16.
É uma bela idéia e vale a pena participar. Ou simplesmente ler.
Gosto literário se discute
Qual o livro que você mais relê?
“Como Era Verde Meu Vale”, livro de início de adolescência. Minha primeira cópia, comprada em 1984 por acaso, está quase se desfazendo pelo uso de 20 anos, primeiro relendo, depois voltando a ele apenas para aquelas cenas de que gosto. Há alguns anos comprei uma versão inglesa, porque o melhor do livro são a linguagem e o ritmo e no original é ainda melhor (Is he dead? For if he is, then I am dead, and we are dead, and all of sense a mockery), que tem uma história curiosa.
E que livro relido ficou melhor?
“O Caso Morel”, Rubem Fonseca. Continuo achando Fonseca um romancista muito inferior ao contista, mas reler esse livro me fez mudar a opinião original de que ele era ruim.
Dê exemplo de livros injustiçados que, apesar de muito bons, nunca foram devidamente louvados.
Não é que nunca tenha sido apropriadamente elogiado: a injustiça contra ele é posterior, é a mudança radical de opinião da crítica, o desprezo de que sua obra foi vítima. O livro é “1919”, de John dos Passos. Seu método narrativo era inovador, mas agora — e já há algum tempo — o julgam cansativo, datado, o diabo. No entanto ele continua atual num mundo disperso, cada vez mais fragmentado. A maneira como Dos Passos estrutura o livro é quase uma antevisão do mundo da internet e de multi-tarefa.
Cite um livro decepcionante, que frustrou suas melhores expectativas.
Tantos, tantos… Para escolher um, que seja “Dublinenses”, de James Joyce.
E um livro surpreendente, isto é, bom e pelo qual você não dava nada?
“O Lobo da Estepe”, de Hesse. Eu esperava algo tipo “Demian”. É outra coisa, embora com boa vontade Harry Haller possa ser intepretado como um Emil Sinclair mais velho, mais cansado e menos chato.
Há cenas marcantes na boa literatura. Cite duas de sua antologia pessoal.
Uma é o assassinato das velhas por Raskhólnikov em “Crime e Castigo”. Foi a minha preferida por muito tempo, e nenhum romance policial jamais conseguiu chegar perto dela. A morte do pai Goriot no livro homônimo de Balzac. E Rastignac acabando de enterrar o pai Goriot no Pére Lachaise, voltando-se para encarar Paris e desafiando-a: “A nous deux maintenant!”
Há personagens tão fortes na literatura que ganham vida própria. Cite os que tiveram esta força na sua imaginação de leitor.
Lucien Chardon. Lucien de Rubempré (é, eu sei, não precisa me lembrar). Julien Sorel. Humbert Humbert sofrendo pela labareda em sua carne. E Phllip Marlowe e Lew Archer.
Qual o livro bom que lhe fez mal, de tão perturbador?
Nenhum livro me fez mal. São só livros. Minha conta no psiquiatra ainda é baixa.
E qual o que lhe deu mais prazer e alegria?
“Minha Vida, Meus Amores”, Frank Harris. Sem comentários. E não que se comparasse às Mini Fiestas, claro.
E o que mais lhe fez pensar?
Provavelmente os dois primeiros volumes de “A Experiência Burguesa – Da Rainha Vitória a Freud”, de Peter Gay, e “Raízes do Brasil”, de Sérgio Buarque de Holanda.
Cite…
a) um livro meio chato, mas bom
“Infância”, de Tolstói.
b) um livro que você acha que deve ser muito bom mas que jamais leu
“Os Buddenbrook”, Thomas Mann.
c) um livro que não é um grande livro, apenas simpático
Quase todos os livros que tenho se encaixam nessa categoria.
d) um livro difícil, mas indispensável
“Em Busca do Tempo Perdido”, Marcel Proust.
e) um livro que começa muito bem e se perde
Que lembre agora, “Estorvo”, de Chico Buarque. E poderia citar também “Enderby por Dentro”, de Anthony Burgess.
f) um livro que começa mal e se encontra
Não consigo lembrar, embora deva conhecer alguns. Normalmente, se um livro se encontra, acaba absolvendo um eventual início fraco, provavelmente necessário para o desenrolar da história, e então deixa de ser ruim. Mas se demora a se encontrar ele me perde.
g) um livro que valha apenas por uma cena ou por um personagem, ainda que secundário
“O Morro dos Ventos Uivantes”, por Heathcliff.
Qual o início de livro mais arrebatador para você?
“It was the best of times, it was the worst of times“.
De que livro você mudaria o final? Como?
“Seara Vermelha”. O livro é brilhante, o melhor da tal “literatura da seca”. É uma obra-prima. Mas por causa das imposições do realismo socialista Jorge Amado precisa fazer a apologia da revolução e de José Praxedes, e inclui um final desnecessário sobre a revolução de 1935 em Natal, quebrando a unidade narrativa do livro e fazendo do que poderia ser uma das grandes obras do modernismo brasileiro quase um panfleto. Eu simplesmente retiraria essa parte.
Que livros ficariam muitos melhores se um pedaço fosse suprimido?
Qualquer livro com mais de 150 páginas poderia perder um ou outro pedaço.
Que livros que não têm nada a ver com você, até contrariam algumas de suas convicções e que ainda assim você considera bons ou recomendáveis?
Os livros de Evelyn Waugh.
A literatura contemporânea é muito criticada. Cite livro(s), escrito(s) nos últimos dez anos, aqui ou no mundo, que mereça(m) a honraria de clássico(s) ou obra-prima(s).
Não posso. Sou um dos que criticam a literatura contemporânea. De modo geral, em que pesem excelentes livros publicados aqui e ali, vejo aqueles que fazem a literatura contemporânea como combatentes de uma revolução já vencida (ou perdida); não vejo respostas novas a problemas que foram abordados, por exemplo, durante o modernismo; e não tenho essa cultura do novo, de me sentir obrigado a estar atualizado em literatura. Há muito tempo decidi que há livros muito importantes que não li, em mais de 2000 anos de história, para que eu perca tempo. Vou morrer e não vou ler tudo o que devia. Mas pelo menos eu vou tentar. Exceção aberta para uma ou outra eventualidade e para a literatura policial, claro. Hard boiled, de preferência.
Por falar em clássicos. Para que clássico brasileiro de qualquer época você escreveria um prefácio daqueles que incitam a leitura?
Longe de ser o melhor, mas “Brás, Bexiga e Barra Funda” me faria escrever algo decente, talvez.
Cite um vício literário que considere abominável.
A necessidade hemingwayana. De objetividade. Acima de tudo.
E qual a virtude que mais preza na boa literatura?
Partindo-se do princípio de que boa literatura contém necessariamente verdade, seria um bom ouvido.
De que livro você mais tirou lições para seu ofício?
Ogilvy on Advertising, David Ogilvy.
E que frase ou verso que escolheria como epígrafe desta entrevista?
“Nada nos salvará”, Isaac Bashevis Singer.
Se eu atendesse a conta da revista Cláudia
Comercial da revista Cláudia na rua. Eu faria uma versão levemente diferente.
Cliente: Ed. Abril
Campanha: Revista Cláudia
Peça: Filme
Tempo: 30″
Título: “Versão Rafaeliana”
A câmera abre numa cozinha moderna, bonita, iluminada. Em BG, música instrumental.
Uma mulher jovem está preparando o jantar e pica alguns legumes.
Pega um vidro de palmito e abre, normalmente. Imediatamente fecha o vidro novamente.
Corta para o marido na sala, com um laptop no colo. Ela se aproxima e, de maneira bem feminina, oferece o vidro para que ele abra. Sorrindo, ele abre o vidro.
OFF: Você já finge orgasmos. Finja que não consegue abrir um vidro de palmitos.
Corta para packshot da revista.
LET.: Cláudia. A revista da mulher moderna.
OFF: Cláudia. A revista da mulher (ui!) moderna.
Eu falei Faraó-ó-ó
A arqueologia internacional foi sacudida, nas últimas semanas, por uma descoberta que deverá mudar os rumos da história mundial.
O rei Tutankâmon, aquele da maldição que pegou Lord Carnarvon de jeito e cujo túmulo, ao ser descoberto, inspirou as dezenas de filmes B sobre egiptologia (nome bonito para filmes de terror com múmias) que infestaram os cinemas e que até o final dos anos 1970 eram presença constante na TV, era cearense.
(Link, via Boing Boing)
O surfista e o fantasma
Durante algum tempo julguei ter uma idéia genial.
O Fantasma era um personagem com o qual se podia fazer grandes coisas. Graças à sua estrutura podia-se matar o personagem de 20 em 20 anos, ele podia dar respostas mais adequadas a cada geração, seu interesse podia ser sempre renovado. Ele podia ter todo tipo de problemas, podia ser alterado sem que se recorresse a fórmulas arriscadas.
(Era uma idéia equivocada, como admiti em um dos primeiros posts deste blog. É um bom post.)
Mesmo tendo sido criado em 1936 por um americano, o Fantasma é um personagem vitoriano. É um produto da visão colonial inglesa. Se hoje é possível olhar para trás e ver que a data corresponde mais ou menos ao início da decadência do colonialismo britânico na África, na época a percepção era diferente. A consolidação do cinema como principal opção de lazer de massas mostrou para o grande público as imagens da grande África Negra. E se podemos dizer, como Peter Gay, que a era vitoriana acabou em 1914, no imaginário popular (principalmente no americano) as coisas se processam de maneira diversa e mais lenta. Naquela época, mais do que nunca, a mitologia do continente misterioso estava mais viva do que nunca.
Mas o fato é que o progresso matou o Fantasma, ao destruir a aura de mistério que cercou a África no século XIX e que se renovou em imagens durante as primeiras décadas do século seguinte.
E então eu lembro do Surfista Prateado.
Desculpe meu esnobismo, mas tenho pena de quem gosta de quadrinhos e não acompanhou a fase áurea do personagem no final dos anos 60, por Stan Lee e John Buscema. O Surfista Prateado é um personagem preso à Terra por se recusar a servir seu mestre, um devorador de planetas, e impedir que ele destruísse o mundo. É a personificação da bondade e do altruísmo, e não é à toa que seu maior inimigo é justamente um demônio, Mefisto.
Eu tinha 10 anos quando li “O Nulificador Total”, uma das melhores histórias do Surfista. E eu, que nunca choro, terminei a história com os olhos marejados.
Mas o principal aspecto do Surfista, aquilo que o coloca em um panteão dos grandes personagens dos quadrinhos, não é essa bondade. É o fato de ele ser um espírito livre, que viajava por todo o universo, de repente preso a um planeta imperfeito e complexo demais em seus sentimentos. O drama do Surfista Prateado é sartreano, mais do que qualquer outro personagem dos quadrinhos. Quando Jim McBride refilmou o “Acossado” de Godard, em Breathless, percebeu esse elemento, e o personagem que tinha sido de Jean Paul Belmondo foi interpretado por um Richard Gere aficcionado por Jerry Lee Lewis e, claro, pelo Surfista Prateado.
O Surfista pertencia a uma era específica, o fim dos anos 60 com suas indagações e questionamentos sociais e existenciais. O Surfista Prateado era um personagem que derivava imediatamente da cultura beat, e que só tinha sentido dentro de um contexto histórico bastante definido. Com o fim do sonho hippie, ele perdeu sua razão de ser, perdeu o respaldo social que necessariamente sustenta um grande personagem. Os anos 70 não foram feitos para ele.
Assim como aconteceu com o Fantasma, a vida também matou o Surfista Prateado.
Os fidalgos tupinambás
Um velho post do Alexandre sobre nosso egocentrismo é interessante. Concordo com a definição da nossa auto-estima. A gente se acha a última jaboticaba do deserto.
É quando o Alex reclama da nossa mania de “achar a nossa identidade” que as divergências começam.
Fazer comparações com os alemães e franceses é bobagem. Os sujeitos têm dois mil anos de história nas costas — nem um pouco plácida, por sinal — para terem ultrapassado essa fase, ainda que por cansaço. Eles não precisam discutir quem são porque se formaram aos poucos, com culturas semelhantes e que foram se adaptando umas às outras, ao longo de séculos. Mesmo que a Alemanha, como Estado Nacional, exista há menos de 150 anos, ninguém em sã consciência vai conseguir encontrar uma diferença significativa entre a cultura prussiana e a bávara.
Do outro lado, aqui está o Brasil, pouco mais de 400 anos de história (alguém leva a sério os primeiros 100?). Seus escravos foram libertados há pouco mais de 100 anos, até hoje a situação jurídica de seus índios é polêmica. Pior: uma parte importante de sua cultura, principalmente em seu maior centro, foi formada no último século, com uma influência descomunal de italianos e, em menor medida, japoneses. Sem falar nos alemães do sul.
Mas mesmo quando compara os brasileiros com outras culturas que conhece o Alex está exagerando, até porque seria duro bater os americanos nesse quesito — e ele sabe disso. Não se pode esquecer, inclusive, que os ianques têm algumas vantagens a mais — colonização do seu núcleo original feita de maneira razoavelmente uniforme, um sistema político revolucionário e extremamente sólido desde a sua emancipação, um processo de construção nacional traumático mas eficiente a partir de 1860.
Mas mesmo assim os Estados Unidos ainda estão mais ou menos na mesma situação dos brasileiros sem-noção. Os livros sobre os founding fathers abundam, às vezes com trocadilho, e cada geração faz questão de dar uma interpretação diferente, geralmente antagônica à anterior. Washington, Jefferson e Madison passam, a cada 20 anos, de santos a filhos da puta, e vice-versa. A escravidão continua sendo debatida, ainda tentam entender a questão índia. E eles fazem isso não porque são hiper-potência ou porque são provincianos: fazem porque ainda não tiveram tempo de deglutir a sua história.
Talvez o ponto central da argumentação do Alex seja um reconhecimento da maneira como aconteceu o modernismo no Brasil.
Se devemos algo — melhor dizendo, se os paulistas devem algo — ao futurismo italiano, nao dá para negar que o principal aspecto do modernismo no Brasil é justamente a busca da identidade nacional, porque era essa a resposta que aquela geração tinha que dar. É diferente do que aconteceu na maior parte da Europa, muito mais preocupada com aspectos da consciência e do tempo, além, claro, das questões formais da arte. (Analogamente, o futurismo italiano dizia mais respeito à necessidade de assimilar a unificação nacional, à qual aquela bobajada de Marinetti oferece uma resposta ao mesmo tempo que reconhece seu condicionamento por ela.)
De certo modo, a opinião mainardiana do Alex sobre nossa mania apenas ressalta o outro ponto de sua argumentação: a de que ele, como todos nós bons brasileiros, quer sempre mais deste pequeno país simpático.
Por favor

Banca/sebo na praça Olímpio Campos, Aracaju, Sergipe.
Nosso complexo de inferioridade
É lugar-comum falar do complexo de inferioridade que os brasileiros têm.
Costumamos reclamar que não levamos a sério as nossas coisas, que damos importância desmedida à opinião dos outros. Quer dizer, costumamos, não: uma parcela do que agora chamam de elite e que na minha época era reconhecida apenas como burguesia costuma dar.
Essa opinião não condiz com a opinião que o resto da América do Sul tem a nosso respeito. Para eles, nós somos os arrogantes. O papel que reservamos à Inglaterra e aos Estados Unidos, por exemplo, como as grandes potências imperialistas e agressoras, é ocupado por nós no Paraguai — e considerando o papel indigno e sujo do Brasil ao final da guerra de 1865, não é algo injusto.
Na verdade nós nos achamos superiores. Talvez nossos valores não sejam os mesmos, e nos orgulhemos de nossa cordialidade e de nossa tropicalidade enquanto outros se orgulham de algo totalmente diferente; mas ainda assim nos achamos melhores, e esperamos que o mundo reconheça isso imediatamente, sem esforço; porque Deus é brasileiro e não parece admissível que os outros não percebam isso e se ajoelhem a nossos pés.
É o mínimo que se pode esperar, porque somos todos fidalgos, amantes da inteligência não-aplicada, válida por si só.
Também temos um grande complexo de vencedores. Gostamos apenas daquilo que fazemos bem. Ninguém dava um penico furado pelo vôlei, até que a geração de Bernard, William e Montanaro apareceu. E de repente o Brasil passou a gostar do esporte (provavelmente o único caso de esporte que mesmo perdedor conquistou as graças do Brasil tenha sido o futebol. Mas futebol e brasileiros são o único exemplo que me faz acreditar em almas gêmeas).
Depois das eleições presidenciais de 1989, por exemplo, um analista estrangeiro que acreditava nessa bobajada disse que Lula perdeu as eleições por causa do complexo de inferioridade dos brasileiros. Teríamos preferido votar no europeu bonito personificado em Collor.
Foi Elio Gaspari quem mostrou a grande fraude nesse raciocínio: Collor era brasileiro. Lula perdeu, na verdade, para o imensurável complexo de superioridade do brasileiro.
E da próxima vez que alguém me vier falar da baixa auto-estima do brasileiro, eu juro que dou as costas.
Seu dotô
Que me perdoe a Lulu, mas eu encaro médicos com a desconfiança que costumo reservar a advogados (perdão também, Roger).
Esta semana resolvi fazer um checkup pela primeira vez na vida. Fazia uns 20 anos que não ia a um clínico geral; e a especialistas também, com exceção de oftalmologistas e de uma ou duas emergências, como quando peguei dengue ou fui picado por uma lacraia em um hotel de Aracaju. Fui por duas razões: para confirmar o que eu sempre soube — que eu não estou morrendo — e para me preparar psicologicamente para um eventual exame isidoriano daqui a uns 10 anos.
Foi a segunda tentativa, na verdade. Eu tinha ido há alguns anos, quano morava no Ceará. Fui a um tal de dr. Salomão. Eles fez os exames de praxe, e implicou com o fato de eu fumar. Pelas fotos espalhadas no consultório vi que ele era um esportista, um espírito jovem que teimava em desmentir os cabelos brancos e as muitas rugas. O tipo que acredita que juventude é mesmo um estado de espírito. Já vi velhos reumáticos entrevados cegos esclerosados acreditando nisso também.
Por recomendação da minha então sogra, fiz uma pergunta sobre as eventuais dores de cabeça que sempre tive. Ele foi taxativo:
“É o cigarro.”
“Mas dotô, eu sempre tive, mesmo desde muito antes de começar a fumar.”
“Não interessa. É o cigarro.”
Nunca fiz os exames que ele prescreveu. Tive medo.
Ano retrasado, acompanhei minha avó a um neurologista na Visconde Silva. Aproveitei para fazer a minha própria consulta. E o dr. Marcelo foi taxativo: cigarro e dor de cabeça não têm nada a ver. Nada.
Foi o que eu pensei: o dr. Salomão não era um sábio.