Conversando com duas amigas, ambas na minha faixa de idade, e ouvindo suas reclamações a respeito dos homens.
Segundo elas os homens se dividem entre os que não querem nenhum tipo de compromisso e os neuróticos.
Enquanto isso outra amiga, também trintona, não tem problemas desse tipo. Vai levando a vida e escolhendo (nem sempre sabiamente, é preciso dizer) o que ela lhe apresenta. Suas preocupações na verdade são outras.
A diferença entre elas, percebo agora, é simples. A que não tem problemas não faz a mínima questão de casar. Pelo visto é esse o problema: essa necessidade, presente em tantas mulheres, de um “relacionamento” a longuíssimo prazo.
Como as coisas estão difíceis, essa eterna luta das balzaquianas força algumas delas a procurar nichos específicos. Homens divorciados com filhos, por exemplo.
Uma das duas amigas que estão em pé de guerra com o mundo masculino me explica que pais divorciados são atraentes porque a) indicam que são capazes de entrar em relacionamentos estáveis; e b) são mais maduros emocionalmente.
Acho que essa tese é uma grande bobagem; para mim, esses elementos a) são incapazes de continuar casados, b) são imaturos e preferem ser solteiros, ou c) têm sérios traumas de guerra. Conselho: prefiram os viúvos, esses agüentaram até o fim. Verifiquem, no entanto, se a falecida não morreu em um acidente mal explicado. Por garantia.
Mas fiquei pensando nisso. Somos atraentes, hein? Isso me dá idéias.
Como eu não sou idiota de botar minha filha numa roubada dessas, vou fazer como Hugh Grant em About a Boy e inventar um filho. Melhor, vou alugar um menino. Tem que ser bonito para indicar minhas qualidades de reprodutor; vou ver se minha irmã me empresta meu sobrinho, é mais barato. Aí faço passeios pelos shoppings, por teatros infantis e, se no Rio, pelo Baixo Bebê. Depois invento que meu amado filho não foi com a cara dela.
Do jeito que as coisas vão, isso bem que pode dar certo.
O principal papel de Rockwell foi o de inventor, ou pelo menos cristalizador, de uma América perdida e onírica, a memória ideal para um país que se tornava cada vez mais urbano e individualista. Suas imagens se tornaram um pedaço dos Estados Unidos — aquele pedaço que se diz chamar América e que representa o ideal de liberdade americano. Nesse papel Rockwell foi insuperável. Em sua maturidade, entre os anos 1940 e 1960, cada quadro seu é uma imagem definitiva dessa América idealizada, longe dos grandes centros e nitidamente conservadora. E mesmo quando abordava temas socialmente difíceis, como o movimento pelo fim da segregação racial, ele dava um toque lírico — talvez piegas –, como se pode ver em The Problem We All Live With. E mesmo assim é um retrato definitivo, que consegue fixar de forma extremamente simples a dimensão do problema. Artista ou não, Rockwell era um mestre.
Em Breaking Home Ties, por exemplo, há tantas coisas para se ver. É praticamente um instantâneo de um rapaz saindo de casa e indo para a faculdade. Ele está sentado, esperando o ônibus que vai levá-lo para sua primeira viagem. Ele olha para a frente com esperança, ansiedade e alguma ingenuidade. Tudo nele é novo, fresco: seus sapatos, sua roupa, seu sorriso e seu olhar.
Os impressionistas, a fotografia e os abstratos destruíram esse tipo de arte hiper-realista. Não é nada que se lamente. Mas Norman Rockwell mostra que ela continua tendo o seu valor, quando bem aplicada. A fotografia acabou com a pintura como representação fiel da realidade. Mas Rockwell deu um passo além, e mostrou que a pintura ainda é o meio ideal para a representação fiel de uma realidade que não existe.