O João Neto é um caso clássico de alucinado. Lê este blog há alguns anos, mandou muitos e-mails que não foram respondidos e então descobriu que, a depender do conteúdo, seus comentários aqui seriam liberados.
Foi como abrir uma porteira. O João Neto está sempre aqui, comentando. É o tipo de gente que lê um blog apenas para reclamar ou xingar, que transfere para o blogueiro uma eventual relação mal-resolvida com o pai. O João Neto é um fã ao avesso.
Não importa que este blog aqui ande muito meia bomba: ele sempre está por aqui. De vez em quando alguns dos seus comentários são liberados, outras vezes são relegados ao nada.
Mas o último comentário do sujeito merece um post (e eu tenho a impressão de que finalmente atendi a um antigo sonho do sujeito) :
Dois pontos:
1)A classe média de qualquer cidade, estado ou páis é a pior coisa que existe em quaisquer quesitos, então não fique irritado com Sào Paulo.
2) São Paulo é uma cidade maravilhosa e ninguém, de nenhum outro estado do Brasil, tem sequer condição de dar opinião, quanto mais falar mal. A única cidade que importa no Brasil é São Paulo o resto é resto. Fique nesta sua cidade porcaria, com sua qualidade de vida bucólica e não venha aqui. Pare de criticar quem é melhor que vocês em tudo. Aquela estória: “Se o baiano gosta tanta da Bahia, porque não fica lá?”, vale pra você também!
É curioso como em poucas linhas o João Neto consegue falar tanta coisa: “a única cidade que importa no Brasil”, “sua cidade porcaria”, “não venha aqui”, “melhor que vocês em tudo”.
O João é burro mas não sabe, ou se recusa a admitir. E sem querer, justificou para sempre a minha política de moderação de comentários.
Outro comentário que chama a atenção é o do Cayo:
Descubri seu site buscando informações na Net sobre a nova reforma ortográfica, e tenho de confessar uma coisa que não tem nada a ver com o assunto: a foto nela estampada é de deixar qualquer podólatra (como eu) louco. Só para constar…
É extremamente agradável saber que meus membros inferiores fazem o mesmo sucesso que os superiores. Ou melhor, seria. Porque a foto daí de cima não é minha: foi arranjada às pressas nas internet. Veio bem a calhar porque meus pés são feios que doem, e só servem para andar, dar topada, chutar gato e doer no fim do dia.
Mas como seria bom ser um símbolo sexual para alguém. Me sinto como a mulher feia que, diante de um elogio educado ouvido de um desconhecido cortês na rua, fica horas no espelho admirando a sua beleza recém-descoberta, percebendo-se finalmente uma Ana Hickman. Elogios: quanto mais imerecidos, mais agradáveis.
Por isso é com pesar que me vejo forçado a abdicar dos meus sonhos de símbolo sexual de pé, e a dizer ao Cayo que não, que os pés que tanto chamaram a sua atenção não são os meus, que os delírios eróticos devem ser direcionados a um sujeito desconhecido. E digo isso com tristeza e com pesar; colocando um véu sobre o espelho, porque sei que ele nunca mais vai dizer que eu sou bonito como a Ana Hickman.