Ralouin

Era domingo e minha filha, depois de me deixar a par das posições dos candidatos a prefeito na última pesquisa, me lembrou: “Hoje é Halloween”.

Eu não posso ser acusado de xenófobo. Meu escritor preferido é um francês, seguido de perto por um russo. Minha banda preferida é inglesa e a música de que gosto foi criada por uns descendentes de africanos nos Estados Unidos. Troco praticamente qualquer filme brasileiro por um bom exemplar da Hollywood dos anos 30 e 40. Chego mesmo a achar que essa mania de valorizar em excesso o que é brasileiro e virar o rosto para o que vem de fora é um sinônimo incorrigível de burrice, sem volta.

Mas quando o assunto é Halloween eu viro o mais reacionário dos xenófobos, o mais nativista dos idiotas.

O Halloween começou a virar moda por aqui aí pelo final da década de 80, quando os cursos de inglês proliferaram e resolveram encontrar um diferencial de marketing. A isso juntou-se a tradicional mania brasileira de aproveitar qualquer motivo para fazer festa.

Se o Halloween é produto do conflito dialético entre a antiga cultura celta e os novos costumes cristãos na Irlanda, tudo bem, não se pode negar que é uma história bonita. Mas a mim não diz absolutamente nada. A minha tradição é outra. É a do Caipora fumando na floresta, do Curupira e seus pés invertidos confundindo os caçadores; é a história da mula sem cabeça que passa as noites a pagar o preço de seus amores com o padre. É a história do Boitatá.

E ainda que as tradições indígenas pareçam pouco, o que não são, há a belíssima cosmogonia iorubá. A história de como Iemanjá deu à luz os orixás é de uma beleza impressionante — e há várias mais, tão arquetípicas quanto a mitologia grega. Infelizmente não temos um Jung para codificar esses arquétipos em um livro que faça sucesso nas universidades, onde se aprende a dizer da boca para fora que os valores brasileiros são lindos (porque um alemão disse isso ou algo parecido); mas se tivéssemos ele provavelmente descartado como um idiota forçador de barra.

Eu não entendo por que um bando de bobos se veste de bruxa para dizer “travessura ou gostosura” na porta dos outros, quando essa pequena chantagem sempre foi um costume de Exu — que ao contrário do que o povo parece pensar, é menos identificado com o diabo do que com esse mesmo trickster que inspirou o trick or treat.

É apenas a ignorância que nos faz valorizar o Halloween e menosprezar aspectos de uma cultura que viemos desenvolvendo e depurando por centenas de anos.

O resultado é que as crianças de hoje em dia conhecem melhor a versão pasteurizada de uma tradição cultural que não é delas do que algumas das mais belas lendas brasileiras. Como a do Negrinho do Pastoreio, lenda de uma beleza lírica tão grande que nenhum Halloween com seu Jack o’ Lantern poderá jamais alcançar.

Que me desculpem aqueles que se empolgam e se vestem de bruxa e de duendes no dia 31 de outubro. Mas o Halloween é uma comemoração de bocós que não pensam.

Assim que minha filha chegar a gente vai ter uma conversa séria.

Inté, cabocla

Fiquei sabendo que a novelinha mais simpática dos últimos tempos vai acabar.

Nos últimos meses venho acompanhando “Cabocla” pelo seu site na Globo. Chego lá, vejo as sinopses dos capítulos e pronto, já sei o que acontece. Com uma semana de antecedência. Gosto de sinopses desde os tempos em que escrevia um programa de rádio sobre TV — o que é engraçado, porque normalmente não assisto TV. A gente ganha a vida de umas formas esquisitas.

Mas ontem parei para assistir, coisa que não faço há tempos (por exemplo, fiquei sabendo que a novela das 7 se chama “Começar de Novo”. Eu ainda estava nos tempos do Paco). Ontem vi um capítulo, pela primeira vez em muito tempo; no último a que assisti, depois de outro tanto longe, Tobias queria dar uma chifrada em Luiz e Tomé ainda estava vivo.

Duas boas surpresinhas: a atuação perfeita de Cosme dos Santos, que deixou para trás os tiques de tiziu, de estereótipo do criadinho negro, e se tornou um grande ator, maduro; e o fato de que a novela continua com o mesmo equilíbrio doce com que começou. “Cabocla” só tem um defeito: uma abertura ruim com uma música fraca. Agora percebi que talvez não seja a música o problema — embora faça falta o vozeirão de Nelson Gonçalves cantando que seu olhar está me dizendo que você está me querendo. O problema é que imagem e música parecem eternamente divorciadas por diferenças incorrigíveis. Mas no geral a novela parece ser melhor que a primeira versão, apesar de eu lembrar quase nada dela.

E a Ritinha, meu Deus. A Ritinha é uma coisa. Uma coisa. No capítulo de ontem ela casou com o Chico, e os corações de todos nós se aqueeceram um pouquinho. É mais um motivo para eu gostar da novelinha que não assisto. O Chico é a redenção dos feios e dos bobos. Porque se até ele pode casar com a Ritinha, então todos nós, que a despeito da realidade não nos achamos nem bobos nem feios como o Chico, então todos nós temos salvação.

E o vento levou o domínio público

O Projeto Gutemberg (para quem não conhece, uma das mais antigas e mais louváveis iniciativa da internet, em que se disponibiliza textos clássicos — de Shakespeare a Ésquilo — que tenham caído em domínio público para download) está sendo processado pelo espólio da autora de “…E o Vento Levou.”

O Projeto Gutemberg Austrália está disponibilizando uma cópia do livro para donwload, porque lá ele já caiu em domínio público. No entanto, os advogados argumentam que o livro pode ser baixado nos Estados Unidos, onde essa conversa de DP é cada vez mais ficção.

É uma questão interessante, e é só a ponta do iceberg sobre o que eu considero um dos grandes problemas culturais deste começo de século: a maneira como direitos autorais estão acabando com o progresso da cultura. Detalhes aqui.

É mais um episódio da luta que envolve o direito autoral e o domínio público. Editoras e gravadoras vêm se mobilizando contra o compartilhamento de arquivos e contra o acesso livre a obras de domínio público há algum tempo. Dizem que isso está destruindo o ganha-pão dos artistas. E que destrói também acultura e a motivação para que se crie arte.

Artistas sempre existiram. Sempre vão existir. As pessoas não escrevem livros exatamente porque os querem publicados; escrevem porque precisam. Se o mercado cultural dependeu, durante muito tempo, das distribuidoras de conteúdo, a cultura em si nunca dependeu de nada além de talento.

O problema com o direito autoral extrapola a idéia de que um artista deve poder ganhar dinheiro com sua obra. Ninguém discute isso. Mas quando esse direito se perpetua décadas após sua morte, quando se transforma cultura em mais uma commodity de um mercado meio insano, a coisa muda de figura. O atual estágio do direito autoral caminha em uma direção: a de que as pessoas terão que pagar para pensar.

Uma coisa é garantir que um artista viva de sua obra; outra coisa é tentar controlar a forma como a cultura se expande e se transforma. É só imaginar um mundo em que Ticiano não pudesse pintar seus quadros porque fulano já tinha usado aquele tom de amarelo antes e se tem uma idéia até razoável do que querem que este mundo se torne.

Já disseram que se as regras que regulam o direito autoral americano hoje existissem há algumas décadas, Walt Disney jamais poderia ter produzido Branca de Neve.

Arthur

Fui ver “Rei Arthur” e, esperando uma tragédia, até que não achei tão ruim assim. Só fraco.

O problema é que historicamente é altamente improvável. Há, realmente, uma suposição de que Artur é descendente de um tal Lucius Artorius Castus, dalmaciano que comandou tropas auxiliares romanas chamadas de sármatas na repressão a um levante em Armorica. Mas os estudiosos arturianos rejeitam essa tese como altamente improvável. Se é que Artur tem origem em um só homem, o mais provável é que tenha sido um rei bretão.

Fora isso, o filme tem aspectos agradáveis. Deixa de lado o caso entre Guinevere e Lancelot, que não pertence às crônicas arturianas originais, tendo sido introduzido por Chrétien de Troyes no século XII atendendo a pedidos bem especiais. Tenta dar alguma consistência histórica à lenda, embora tome mais licenças poéticas do que deveria.

No final, é um filme fraco por uma razão: não é historicamente fiel mas não tem sua contrapartida, o lirismo da lenda. É só mais um filme que acompanha a onda de sua época, que ultimamente parece ser a de fazer épicos que ficam no meio termo, sempre. Por exemplo, esquece a traição de Lancelot, mas não prescinde do personagem, que não existia originalmente.

O filme é, pelo menos, melhor que “Gladiador”. Se é que isso é um consolo.

Don Rosa

Há alguns meses, em um comentário, o Inagaki falou que comprava a Tio Patinhas por causa das histórias de um sujeito chamado Don Rosa.

Dia desses fui fazer um lanche na Select e, como sempre faço quando como sozinho, peguei uma revista para ler. Uma Pato Donald qualquer. A Select tem essa vantagem, cobra caro mas em compensação lhe deixa ler revista de graça.

Eu tinha abandonado de vez as revistas Disney quando os italianos tomaram conta de tudo. Só consigo definir suas histórias como histéricas. Eles sequer conseguiam fechar corretamente uma história, seus finais pareciam forçados, esquisitos.

Mas vejo agora que nesse meio tempo as revistinhas Disney mudaram muito. Agora trazem os créditos de artistas e roteiristas. Levando-se em consideração o espírito industrial dos Estúdios Disney, é um avanço e tanto.

Enquanto mastigava meu salgadinho vi, pela primeira vez sabendo disso, uma história de Don Rosa, aquele que faz o Inagaki comprar a Tio Patinhas todo mês.

E quando alguém é um gênio, mesmo, basta ler uma só história para perceber isso.

A arte de Don Rosa não é exatamente brilhante, porque é extremamente derivada da de Carl Barks. Há diferenças, claro, principalmente no que se refere ao que eu achei ser um toque quase dark; mas a tentativa de resgate do estilo de Barks é evidente — no que faz muito bem, porque jamais houve estilo melhor —, ainda que, como qualquer bom artista, ele consiga dar seu toque pessoal.

Mas a minha primeira impressão é a de que a sua verdadeira força está nos roteiros. Suas histórias finalmente têm o nível de qualidade que Barks estabeleceu, e em muitos aspectos o ultrapassa. Na história que li Donald vai fazer um exame oftalmológico, e no final o oftalmologista fica procurando a secretária na janela. É um senso de humor mais refinado do que o que vinha sendo usual nas histórias da Disney. E mais inteligente.

Eu achava que os quadrinhos Disney não tinham mais jeito. Eu estava redondamente, rabelaisianamente errado.

Em companhia das letras

Parei para lembrar da Companhia das Letras.

Para mim ela teve uma importância fundamental, da qual falo daqui a pouco. Mas para o mercado também teve.

Até ela surgir, o mercado editorial brasileiro andava meio modorrento. Me refiro, especificamente, a um descaso gráfico absurdo (principalmente no final dos anos 80, quando a crise fez com muitas editoras baixassem a qualidade gráfica dos seus livros). Desde o fim da era Santa Rosa, com suas capas que eram verdadeiras obras de arte minimalistas, o que se via eram capas vagabundas e pouca ousadia gráfica; os tipos do miolo eram sempre os mesmos, uma Times padrão que, quando a editora era realmente ruim, podia se transformar numa Helvetica, provavelmente o pior tipo para um livro (minto: eu tenho um, “O Ano I da Revolução Russa”, de Victor Serge, composto em Avant Garde; as coisas sempre podem piorar). Acho que esse problema vem da época da ditadura, não sei.

A Companhia das Letras mudou isso, a partir de 87. Sendo uma editora pequena em números (até 1993 eu costumava colecionar seus catálogos, sempre de bom gosto e com relativamente poucos títulos), ela privilegiava duas coisas: lançamentos de importância estratégica (como “Rumo à Estação Finlândia”, de Edmund Wilson, e “Os Escritores”, uma coletânea de entrevistas da Paris Review com grandes escritores) e capas fenomenais. As capas da primeira edição de “Os Escritores”, por exemplo, foram pintadas uma a uma.

Acho que até agora não se atentou muito para esse aspecto. As capas da Cia. das Letras representavam um avanço enorme em relação à mediocridade gráfica geral. O bom gosto e a elegância delas eram impressionantes. Foi a primeira editora a tomar tanto cuidado com as capas e com a tipologia de seus livros quanto com a obra em si. Eu reconhecia uma edição da Cia. das Letras facilmente, simplesmente porque as capas eram mais bonitas.

Elas eram assinadas principalmente por Ettore Bottini e Helio de Almeida. Bottini acabou repetindo o mesmo modelo de capa livro após livro (basicamente um box com o título do livro sobre alguma obra de arte), e acabou um pouco apagado diante do brilhantismo do segundo, mas ele foi fundamental ao estabelecer um padrão gráfico que as outras editoras não utilizavam. Quanto ao Helio de Almeida, bem, são suas as capas mais belas do mercado editorial atual.

Há outro aspecto importante. A Companhia das Letras trouxe ao Brasil uma série de escritores modernos antes desprezados, como Dorothy Parker, John Cheever e tantos outros. Esses são os dois melhores contistas americanos do século XX, e com exceção de um romance de Cheever, nunca tinham visto a luz do dia em português. Trouxe bons poetas, também, como a maravilhosa Marianne Moore.

A tudo isso a Cia. das Letras juntava uma bela concepção de marketing e relações públicas, que deu uma bela duma sacudida no mercado editorial. Acho que esse foi o seu papel histórico, privilegiar o livro como objeto e modernizar um pouco as relações de editoras com o mercado.

Para mim sua importância é muito maior (e não sei se superestimo seu papel na história editorial do país por essa razão). Foi graças a “Os Escritores” que dei uma direção à minha volta à leitura, depois de dois anos lendo pouco e gritando palavras de ordem demais; e “A Experiência Burguesa — Da Rainha Vitória a Freud” foi um dos poucos livros que posso dizer que tiveram alguma influência real na minha vida. A partir daí eu me senti um quase literato, passei a entender mais do assunto.

Hoje a Companhia das Letras é uma editora a mais. Não chega ao nível de uma Record, com seus best-sellers e livros de bolso, nem de uma Ática focada no mercado educacional. Mas publica muito lixo, tem um volume enorme de lançamentos anuais, e aquelas estratégias de marketing que serviram para projetar tanta gente boa hoje misturam príncipes e sapos. É só outra editora.

***

É interessante notar que a Cia. das Letras nunca foi a editora mais ousada do país. Esse título, certamente, pertence à Brasiliense de Ênio Silveira. Nenhuma outra editora, por exemplo, publicaria livros como o belíssimo Le Diable Au Corps, de Raymond Radiguet, ou livros underground como “Porcos com Asas”, de Marco Radice. Nem os livros de Caio Fernando Abreu, vários beat, ou ainda tantos noir (acho que publicou praticamente todos os Chandler e os Hammett, se me lembro bem). Bancar esses lançamentos, mesmo sabendo que teriam um retorno financeiro pífio — se tivessem algum –, era a maior prova de ousadia que se podia dar.

A Brasiliense era o melhor modelo possível de editora que tem, sim, um compromisso intelectual com o país. Seus livros eram feinhos, a qualidade gráfica era duvidosa, os anúncios no final dos livros eram de mau gosto. Mas se a Cia. das Letras fazia tudo com classe, com uma bela embalagem, a Brasiliense ia ao cerne das coisas, ao que era realmente importante. Formou gerações de leitores, disso ninguém pode ter dúvidas.

Quem não conhece o Ênio Silveira mas assistiu a “Anos Rebeldes” pode ter uma idéia do que foi o sujeito. O personagem do editor (Carlos Zara, se não me engano), que brigava pela qualidade em confronto com um protótipo de yuppie que só prestava atenção ao mercado, foi inspirado nele. E mesmo sendo um herói quixotesco típico de um melodrama televisivo, ainda assim não lhe fez justiça.

Crítica de um livro que não vou ler

Comprei em junho, em Fortaleza, mas só comecei a ler agora. “Lili Passeata”, do baiano Guido Guerra.

O texto começa na página 11. Na página 14 eu já havia decidido: não vou ler este livro. Para respaldar essa decisão, para tirar dos meus ombros a responsabilidade por tanto radicalismo, ainda dei uma incerta nas páginas seguintes para ver se aquilo que me incomodava era proposital, se aquele mal era passageiro.

Não era:

Indicou-me, o sonolento rapaz da recepção, apontando para o compartimento superior: primeiro andar, lado esquerdo, última porta. Mas se, até lá, quisesse ir, de acordo com norma interna, teria de deixar, antes declarando a que setor me dirigia e assunto a tratar também declinado, documento de identificação, o qual, acertados os ponteiros lá em cima, pegaria cá embaixo, na saída.

Vira-a na véspera em sua casa, por volta das 17 horas. Fazia pouco, ainda no jornal, que, por telefone, confirmara o encontro, local e horário. Fora seu pai quem me atendera. Feita a consulta, isto é, solicitando-lhe permissão para entrevistar Lili, pediu-me um minuto, nem mais nem menos, um minuto. Deduzo que, pelo ruído que chegou a mim, colocou o fone na mesa, o que me levou a nova suposição: deve terido, sem saber o que responder, indagar ao advogado, certamente a orientar Lili como se conduzir, o que, estando o repórter do outro lado da linha, dizer.

Na sua “História da Literatura Brasileira” Sílvio Romero bate pesado em Machado de Assis. Diz que sua literatura tartamudeia — um golpe abaixo da cintura em um gago epiléptico que na verdade não constava da obra original: foi incluído por seu filho na segunda edição, a que eu tenho, pinçado de um texto avulso.

Pois acabei de tentar ler um bêbado com soluços. Porque é isso que esse texto é: a fala (hic!) de um bêbado (hic!) soluçante, que (hic!) interrompe sua (hic!) frase (hic!) a cada duas (hic!) ou três palavras.

A culpa não é só dele. Sua, mesmo, só a culpa pela primeira edição. Mas a que tenho em mãos é a terceira, e as orelhas do livro estão repletas de citações com elogios cúmplices ao autor, que:

…não abandona jamais a percepção do mundo, não cai no abstrato de um simples jogo verbal. Bem maior é sua ambição de criador: serve-se das palavras e de sua inter-relação para levantar os conflitos humanos e sociais (…)

Jorge Amado, A Tarde

…lançou ao lixo a retórica obsoleta e estéril do romance e construiu uma nova, própria e exemplar…

Carlos Cunha, O Estado do Maranhão

Sempre aparece alguém de um fim de mundo usando palavas vazias como “a retórica obsoleta e estéril do romance”, coisa que ninguém sabe o que é.

A orelha é ainda mais pródiga em elogios a outros livros do autor:

…linguagem ágil e flexível que concentra os valores do livro e lhe assegura realidade.

James Amado, Jornal da Bahia

…mais do que com as histórias e os personagens, Guido Guerra parece preocupar-se com seu estilo, deliberadamente cheio de imprevistos, enxuto e rico, empolado e simples, ao qual ele impõe um ritmo heróico e elementar… o autor consegue sem dúvida criar um ritmo que escande a dor da vida e a magia da morte…

Bruna Brecherucci, Veja

…exibe seu talento narrativo numa linguagem nova e contagiante, envolvente e agilíssima…

Mário da Silva Brito, Suplemento de Minas

Talvez esses outros livros sejam mesmo tudo isso, talvez o pecado das vírgulas que tomaram LSD, seguiram o trio elétrico e fizeram um carnaval texto afora tenha sido redimido, não importando que os livros tão elogiados sejam anteriores a “Lili Passeata” e provavelmente menos maduros. Mas eu e Manuel Bandeira amamos como as criancinhas, gostamos da beleza à primeira vista, e é esse amor que fica. À primeira vista, o que eu vi foi um livro chato. E assim, por culpa da minha superficialidade, eu talvez tenha perdido a chance de um grande amor.

OnoLennon

O comentário do Allan me fez pensar um pouco sobre a relação de Lennon e Yoko.

A primeira pergunta é fácil de responder: Lennon viu em Yoko uma mulher, só isso. Uma mulher extremamente inteligente com quem ele sentia estar falando de igual para igual, diferente daquela matuta que tinha em casa cuidando do filho indesejado. E que, a julgar pelas litografias que ele publicou, era muito melhor de cama do que ele poderia imaginar. Essa é uma excelente razão.

Acho que há outros fatores, também. Imagine-se fazendo parte dos Beatles nos anos 60. Deve ser algo assustador. Você não existe, a não ser como um beatle. E então aparece uma mulher que reforça o seu ego, que lhe vê como um indivíduo, e que o acha maior que a banda que se tornou parte de sua vida.

Durante muito tempo me perguntei que diabos Lennon estava pensando quando dizia que seu trabalho fluiu melhor fora dos Beatles, quando sua obra solo é nitidamente inferior. Precisei envelhecer um pouco para perceber o que ele queria dizer.

Cada disco dos Beatles tinha, em média, de 12 a 14 faixas. Dessas, duas eram de George. Uma era tradicionalmente de Ringo, composta por quem quer que fosse. A John e Paul restava a briga por umas 10 faixas.

Agora imagine-se dono de um talento monstruoso, na flor dos seus 20 anos, compondo como quem faz xixi. Você tem umas 15 músicas para o próximo álbum, mas sabe que só vai conseguir emplacar umas cinco — e essa era a maravilha dos Beatles, serem uma democracia de verdade em que só o que todos gostavam via a luz do dia. Essas cinco canções certamente terão sua concepção, ou pelo menos sua execução, alteradas pelo resto da banda.

Se isso foi a grande força dos Beatles, essa seleção que a competição forçava deve ter deixado alguém como Lennon ansioso por um modo de despejar o resto de sua criação, de dizer como cada canção seria gravada. Porque o talento que ele possuía vinha com um ego do mesmo tamanho. O resultado pode ser considerado inferior, canções mais fracas baixam a média de cada disco, mas o que está ali é a sua obra, como ele quis.

Eis o ponto: foi Yoko quem lhe deu coragem para assumir isso. Em troca o influenciou muito com a sua própria atitude artística, que podia até fazer algum sentido nos anos 60, mas que consistia basicamente em fingir que aquele amontoado de bobagens era algo realmente importante. Lennon, que sempre teve um senso de humor brilhante, passou a se levar a sério demais, e pelo menos na minha opinião isso prejudicou sua obra. Pelo menos um disco seu foi destruído por Yoko, o Some Time in New York City.

Quanto às razões pelas quais Yoko ainda vive à sombra do falecido, bem, pode não ser só por isso, mas certamente é pelo dinheiro, também. Sempre é pelo dinheiro. Os milhões de dólares que os beatlemaníacos despejam anualmente em sua conta são certamente um bom incentivo para tirar dos arquivos arrotos de Lennon e empacotá-los para consumo.

É interessante notar que, segundo as más línguas, o casamento dos dois já estava fazendo água quando Lennon foi assassinado, e dizem que ela já namorava Sam Havadtoy. É bem provável. Mas seria cinismo dizer que aquela não foi uma belíssima história de amor, que chegou às raias da loucura. Pelo menos durante a maior parte dos anos 70, eles viram a si mesmos com duas partes indivisíveis de uma mesma entidade. Imagine pode ser assinada só por Lennon, mas tem a mão de Yoko. O ataque mais pesado a McCartney, How Do You Sleep?, foi composta em parceria.

Talvez ela seja mesmo uma sombra. Mas é bom lembrar uma sombra só existe em função de um corpo. E não seria exagero dizer que Yoko era um dos membros do corpo que ela hoje divulga incessantemente. No fim das contas, ela trabalhou por aquele dinheiro.

***

Falando em dinheiro: os Beatles sempre odiaram as versões diferentes que a Capitol, gravadora que os representava nos Estados Unidos, lançava de seus LPs. Diziam que de cada disco deles a Capitol fazia 3 ou 4. Conseguiram unificar os lançamentos em 1966, e em 1975 a discografia oficial no mundo inteiro passou a ser a inglesa.

Agora estão lançando todos aqueles discos em CD. Certamente vão alegar que contêm versões diferentes de algumas músicas, que são documentos históricos, etc.

Só não vão dizer que é pelo dinheiro.

Branca de Neve

O Google me trouxe esse presente ontem: historia branca de neve contada pelo anao. OK. Foi você quem pediu.

Naquela noite a gente chegou tarde. Cansado pra caralho, puto porque o Soneca não parava de peidar.

Quando a gente entrou em casa, e viu tudo arrumado, foi um tal de um olhar pro outro, desconfiado. Macho não perde tempo arrumando casa. Muito menos macho velho. A gente tem uma história, sabe? Tem uma reputação a zelar. Aquilo só podia ser coisa de viado. Aí a gente olhou pro Dengoso, que foi logo dizendo que não tinha sido ele.

É claro que a gente ficou com a pulga ficou atrás da orelha, né? Não deu outra: o Atchim ouviu uns barulhos estranhos lá em cima, então a gente subiu as escadas na maciota pra não fazer barulho — quer dizer, só o puto do Soneca que não parava de peidar. A gente entrou no quarto e viu aquela cena: um monte de passarinho, esquilinho e veadinho, e então não dava mais pra ter dúvida: a gente comeu o Dengoso de porrada pra ele parar com essas frescuras.

Foi quando o Atchim viu uma menina dormindo. A gente deixou o Dengoso estiradão lá no canto e foi olhar pra ela.

A menina era muito branca e tinha cabelos bem pretos, curtinhos. Eu não gosto muito de branquela, sabe? Sou chegado é numa negona, com aquele bundão bom de pegar, peitão farto pra fazer espanhola. Mas rapaz, ela até que tinha uns peitinhos interessantes. Peitinho de menina, sabe como é, de menina-moça. Durinho. Ela era toda organizadinha, toda gostosinha. O Soneca levantou a saia dela e a gente viu que ela tinhas umas pernas de respeito. Só não deu pra ver mais nada porque ela usava umas calçolonas de velha. O Feliz, que é sonso pra caralho, foi logo apalpando a menina. Você precisava ver o jeito como ele tremia. O Feliz tava babando, bicho, tava babando mesmo.

Aí ela acordou. Tomou um susto quando viu aqueles anões de pau duro olhando pra ela — você já ouviu essas histórias sobre anões? Pois é verdade. É tudo verdade. Quer ver? Tudo bem, tem problema não, eu entendo.

Onde é que eu tava, mesmo? Ah, sim. Aí ela acordou, viu a gente e tomou um susto. O Dunga tava mamando o dedão do pé dela, aquele mané sempre foi apressadinho. Com o susto a menina deu um chute na boca do Dunga e quebrou um dos últimos dentes dele. Puta que pariu, a gente riu pra caralho. A gente ria, o Dunga sangrava e o Soneca peidava.

Ela disse que o nome dela era Branca de Neve. Porra, a única Branca de Neve que a gente conhecia era a tal princesa. Você acha que uma princesa ia dar uma sopa dessas, deitadinha na cama da gente, só esperando a gente chegar, suadão, pra cair matando? Nem fodendo. O Dengoso sacou logo a dela: “Essa aí tá é fazendo doce pra cobrar mais caro.” Mas o Soneca já tinha visto a menina pegando água no poço e disse que era ela, mesmo. Aí a gente acreditou.

Branca de Neve disse que sua madrasta, uma coroa gostosa que eu já tinha visto uma vez, tinha mandado o caçador dar um fim nela, mas que ele era um homem bom e tinha deixado ela fugir. Fala sério, você acredita numa história de joão sem braço dessas? Pois é. O Zangado falou na hora: “Sei. No mínimo ela pagou um boquete pro sujeito e se livrou”.

A gente então ficou sem saber o que fazer. Aquela menina era chave de cadeia. A gente tinha ouvido falar que a Rainha era chegada nuns candomblés, batia tambor pra Angola, de vez em quando apareciam uns ebós nas encruzilhadas. Ela recebia santo e tudo. Se aquela macumbeira soubesse que a Branca de Neve tava com a gente eu não quero nem imaginar o tanto de merda que ia dar.

Foi quando o Atchim, que sabe das coisas, chamou a gente num canto e bateu a real: “Olha, vai ser meio complicado, mas ela é mais gostosinha que o Dengoso”.

Aí a gente se tocou. A gente nunca tinha reclamado do Dengoso antes. Não tinha por quê, né? Era o que a gente tinha à mão; quem não tem cão caça com gato, você sabe. Mas com a Branca de Neve ali, deitadona, peitinho subindo e descendo, foi como se a gente finalmente descobrisse que tinha coisa melhor no mundo. A rainha que se fodesse, quem não arrisca não petisca.

Só quem implicou foi o Dengoso, disse que aquilo ia dar em confusão. Na hora a gente não entendeu a parada, pensou que era medo da bruaca velha. Era medo da concorrência, isso sim. Ele sacou que a gente ia deixar ele de lado.

Aí a gente fez o seguinte: propôs um trato pra Branca de Neve. Ela arrumava a casa e cozinhava e em troca a gente dava casa e comida pra ela. Na hora o Zangado disse “De dia você come cobra, de noite a cobra te come”, mas ela não ouviu, ou se ouviu fingiu que não. Ela topou e a gente saiu rindo escondido, porque a última empregada que a gente tinha tido ganhava tudo isso e mais uns 300 paus pra parar de se virar. Sem contar uns presentinhos quando fazia favor, sabe como é, né? Olha, a gente tinha feito um puta de um negócio. E ainda ia ganhar uns agrados, entende, eu pelo menos tinha certeza disso. A gente até apostou quem ia comer primeiro.

Mas a guria era osso duro.

A gente tentava umas entradas, a Branca de Neve fingia que não era com ela, e aí a gente ia se resolver na mão. Porque ela atiçava, sabe? Vestia aquela sainha amarela, deixava ver um pedacinho de coxa aqui, um peitinho pulando ali, deixava até a gente passar a mão, dar umas encoxadas como quem não quer nada. Aí, quando a gente achava que ia se dar bem, ela se saía de fininho, parecendo que não tinha percebido.

O máximo que ela deixava era a gente passar à vera a mão nela quando dormia. De vez em quando ela se mexia e a gente dava uma parada, mas eu aposto que ela via a gente descascando uma ali. Era ela dormindo e a gente lá. Toda noite.

O que eu sei, mesmo, é que ninguém ganhou o dinheiro da aposta. A sacana deu uma volta na gente direitinho.

Mas eu vou te contar uma coisa: eu acho que aqueles putos me enganaram. Se quer saber, eu acho que pelo menos o Feliz comeu. Aquele filho da puta é sonso pra caralho, quem vê não diz. Ele vivia rindo, ria o tempo todo. A gente lá, morrendo na mão, e ele rindo. Porra, não tinha do que rir. Mas o Feliz ria. Então ele comeu.

E acho que o Dunga comeu também. Acho que a Branca de Neve deu pra ele por pena, sabe? Careca, desdentado, aquele estrupício ia comer quem? Dizem que mulher tem dessas coisas, dá por pena. Pois eu nunca comi ninguém por pena.

Não, o Zangado eu não sei. Só sei de uma coisa: eu não comi. E é claro que o Dengoso também não comeu.

Como é que é? Ah, porra, é claro que o filme conta a história diferente. Você acha que a Branca de Neve ia contar a vida dela como foi, de verdade? Porra nenhuma. Ela conta do jeito dela. Eu vi o filme. Ela mostrou a gente como uns retardados. Aquela puta.

Bem, pra encurtar a história, a gente viveu um tempão assim. Foi foda. De vez em quando rolavam uns paus, o Zangado até apelou pra umas cabras que tinha por ali, a gente tava meio ouriçado. Mas dava pra viver. A casa pelo menos tava arrumada. E dava pra bolinar a Branca de Neve, desde que bolinasse com jeitinho, que não desse muito na vista.

Aí deu aquele revertério todo de que você já sabe.

Andaram contando uma história de um espelho aí, uns malucos disseram que foi o pai de santo daquela puta velha, mas isso é tudo invenção. Certeza, certeza eu não tenho, mas filho da puta se não foi o Dengoso que foi lá no castelo, dedurar a gente. Ficou com ciúme da Branca de Neve, sabe como é. Tava se achando rejeitado, a moça.

Aquele escroto ainda por cima é um ingrato. Foi a Branca de Neve quem ensinou ele a se maquiar. Antes ele parecia uma pombagira, puta de quinta, sabe? Hoje não, hoje ele tá até ajeitadinho.

Mas eu não posso dar certeza, então é melhor eu fechar o bico. O que rolou é que a vagabunda da rainha se vestiu de bruxa e levou uma maçã envenenada pra Branca de Neve. A Branca de Neve comeu e aí, bau-bau. Se fodeu direitinho.

Ei, não! Nada disso! Quem foi que te contou essa história? A gente não teve porra nenhuma a ver com o sumiço da velha! A gente tava na mina, tava lá, ganhando o pão da gente — e o filho da puta do Soneca peidando –, a gente não teve merda nenhuma a ver com o sumiço da velha. Sei lá como ela morreu, porra! Sei nem se ela morreu, vai ver fugiu com o circo. Sei lá. Tenho cara de fiscal de bruxa? Vá se foder. A história que tão contando por aí não tem nada a ver. Nada a ver. A gente tava na mina e só foi saber do que tinha acontecido quando chegou em casa e viu a Branca de Neve esparramada no chão, é isso. Tô falando sério.

Você quer ouvir a história ou não? Então vamos. A gente construiu um caixão de vidro pra poder continuar olhando a Branca de Neve. Era como nos bons tempos: ela dormia e a gente batia uma. Pra falar a verdade não tinha muita diferença. De vez em quando a gente abria a tampa do caixão pra passar a mão nela, e fechava de novo e voltava pra mão. Era como nos velhos tempos.

Aí apareceu aquele mauricinho escroto e a Branca de Neve foi com ele. Aquela vagabunda. Só foi porque o filho da puta era rico. Como? Não, nada disso. Jovem um cacete. Eu sou velho mas dou no couro, entende? Naquela época não tinha Viagra, mas você acha que eu precisava? Porra nenhuma. Ela foi com aquele filhinho de papai porque ele era rico. Você acha que ela ia trocar sete por um só assim, de graça? Aquela piranha regula a gente um tempão e dá pro primeiro menino que aparece? Grana, bicho. Ele era novinho. Não sabe metade do que a gente sabe. E eu dou o rabo se o meu pau não for maior que o dele.

Aí a gente teve que voltar a pegar o Dengoso. Tô reclamando, não, é melhor que nada. Mas de vez em quando eu lembro dos tempos da Branca de Neve e olha, eu juro: se eu não fosse macho eu chorava.

Caralho, que saudade daquela menina.

Como ordenhar uma vaca sagrada

Ser beatlemaníaco já foi pior. Antes da internet, tudo era difícil de se encontrar.

Talvez o fato daquele pessoal ter envelhecido e passado a pensar com mais carinho no dinheiro que se pode receber tenha feito com que eles passassem a desovar tudo o que havia nos arquivos. E não era pouca coisa.

Mas o nível a que se chegou em termos de tentar tirar dinheiro dos fãs é impressionante.

No que se refere aos Beatles, provavelmente pelos interesses conflitantes, eles foram mais comedidos. Em 25 anos lançaram um disco ao vivo em 1977, o bom Live at BBC em 1994 e a série Anthology em 1995, que tem coisas boas e ruins (eu, pelo menos, já conhecia praticamente todo o primeiro volume, mesmo antes da internet). Foram discos feitos especialmente para aproveitar um mercado que os piratas vinham ocupando havia 20 anos. Só recentemente é que fizeram uma grande bobagem, lançando o horroroso Let it Be… Naked.

O caso de Lennon é mais triste. Sob vários aspectos, Yoko Ono é uma criminosa: para começar, tirou praticamente todo o senso de humor de Lennon, uma de suas grandes qualidades. Depois de estabelecer-se como parte de uma entidade chamada OnoLennon (como antes tinha sido LennonMcCartney), o pobre John passou a se levar a sério demais. Seus discos solo se ressentem disso. Grosso modo, o conjunto de sua obra é mais inferior em relação aos Beatles do que a de McCartney. É essa mesma Yoko que controla o espólio de Lennon, e pelo visto tem se dedicado a não deixar que a lembrança do beatle se esvaneça, nem que o dinheiro pare de jorrar em sua conta.

Nos 24 anos que se seguiram à sua morte, praticamente todo o tipo de caça-níqueis foi lançado. Sem falar nas exibições de arte, primeiro Yoko Ono lançou as sobras do último disco deles, Double Fantasy, em Milk and Honey, além da canção-título de Every Man Has a Woman (Who Loves Him). Em 1986 foi a vez do Live in New York City, o seu último show, no Madison Square Garde — ruim, por sinal. Menlove Ave., um disco com sobras dos seus dois discos mais fracos e do Rock and Roll, saiu no ano seguinte. Em 1988, uma primeira versão de Imagine, e uma versão de Real Love (que seis anos depois os outros ex-beatles iriam regravar). Finalmente lançou uma caixa enorme, o John Lennon Anthology, com bons e maus momentos. Agora está lançando dois de uma vez: a reedição de Rock and Roll com algumas canções do Menlove Ave. e um take alternativo de outra dessas canções, e o John Lennon Acoustic, uma coletânea de versões acústicas de algumas de suas músicas.

O Rock and Roll não interessa, por ser coisa velha. Mas o John Lennon Acoustic é um caso a se pensar. Obviamente não ouvi o disco ainda, mas pelo tracklist o que se tem é mais do mesmo: versões inferiores de músicas já conhecidas. Pelo menos a versão acústica de Cold Turkey eu já conheço; foi uma das primeiras MP3 que baixei.

Deve ser difícil continuar a ordenhar uma vaca morta há um quarto de século, mesmo quando ela é sagrada.