Sobre beleza e censura

O Sítio do Sergio Leo pergunta se apoiamos as iniciativas de deputadas inglesa e francesa por leis que proíbam o uso de Photoshop em fotos de mulheres. Segundo as moças, que aparentemente devem saber do que estão falando, as imagens retocadas trazem a possibilidade de jovens se sentirem obrigadas a corresponder a esse tipo de beleza, que elas, provavelmente por experiência própria, julgam inatingíveis para moças de fino trato mas pobre estética.

Este blog, obviamente, apóia iniciativas valorosas como essas e que devem orgulhar os cidadãos franceses e ingleses.

Na verdade, acho até que é muito pouco.

Claro que a beleza extorsiva dessas modelos de revista representa uma enorme e intolerável falta de respeito aos teiús que se miram no espelho e não vêem nada além da fealdade, e então têm que se consolar com frases como “a verdadeira beleza é a beleza interior”, aquela frase que só é dita por decoradores e por jaburus, gente feia, consciente de que é feia e conformada por ser feia.

Por isso eu vou além, porque proibir é comigo mesmo: é urgente e imprescindível a aprovação de uma lei que proíba as pessoas de nascerem bonitas, porque isso causa uma tristeza sem par às legiões de mocréias, urutaus e tracajás que se espalham por esse mundão sem porteira, e terão que conviver com esses exemplos opressivos no seu dia a dia.

São exemplos ainda mais graves porque um trabuco pode simplesmente não comprar uma revista “photoshopada”, mas não poderá evitar ver na rua exemplos vivos de beleza que lhe farão sentir ainda mais feia, coisa que interiormente ela não é.

Que as dignas deputadas européias libertem e protejam a feiúra, esse valor universal.

Podem também criar uma lei que obrigue homens bonitos a casarem com trapizombas, porque essas moças, coitadas, vítimas de um darwinismo estético incompatível com o nosso estágio de desenvolvimento sócio-cultural, também têm o direito de acordar pela manhã ao lado de um homem bonito.

E se não for pedir demais, que alguma deputada também proíba que moças bonitas nasçam com bundas e peitos grandes, porque aí já é demais, e se vamos incentivar a feiúra que seja de maneira completa e absoluta, e tudo é válido em nome do direito das barangas de serem felizes.

Pequena eulogia a um gênio da raça que desgraçou a si e ao seu mister

Era Jorge Amado quem dizia que a profissão de gigolô era a mais doce que um homem pode ter. Ele tinha razão, como tinha em tantas outras coisas, porque baianos entendem desses negócios da vida.

Repito aqui o que eu já disse sobre esses artistas: um gigolô é um sujeito que ganha para fazer o que qualquer idiota faz de graça. Dizer que a melhor coisa que você faz é sexo não é como dizer que escreve ou elabora e destrincha fórmulas matemáticas complexas. Porque tudo isso é algo limitado, faz parte das habilidades de alguns indivíduos e não de outros, é a própria razão da diversidade humana.

Se alguém diz que pinta melhor do que você, sua resposta pode ser um simples dar de ombros, porque isso lhe importa pouco ou nada. Você nunca pegou em um pincel na vida e isso não significa que ele é melhor que você — você duvida, por exemplo, que ele seja melhor jogador de basquete, e se o Michael Jordan disser que é melhor você pode dizer que entende mais de marcenaria. A vida é um infinito sistema de compensações, e então ficam elas por elas, e os egos de cada um se satisfazem plenamente em seus pequenos universos próprios.

Mas um gigolô, não. Ele faz o que todo mundo faz. E faz melhor. Este é um conceito absoluto, completo. Se tal sujeito é melhor nas lides do amor do que você, ele está se referindo àquilo que você faz com dedicação e abandono, está entrando no seu campo, está lhe vencendo no seu próprio jogo. E você não pode recorrer ao consolo do despeito e da negação, porque as provas estalam em sua cara. É assim que ele ganha a vida. Ele é bom o suficiente para que lhe paguem para fazer, com mais talento, mais sensibilidade, aquilo que você também faz e que constitui uma das partes fundamentais da sua vida. Ele está dizendo que, enquanto você se limita a nascer, crescer, reproduzir e morrer, ele dominou a técnica do supérfluo e elevou o ato da reprodução ao nível de arte, e superou a mera humanidade.

Você é apenas espasmos, gemidos e suor, ele é transcendência. Onde você é tosco, irremediavelmente tosco, ele é um artista. E, sim, se alguém pode dizer que é melhor que você, esse alguém é um gigolô.

Helg Scarbi é um gigolô, e gigolô de alta classe, daqueles que evocam a classe de um Porfirio Rubirosa sem ter o dinheiro que ele tinha. Um gigolô bom o suficiente para conquistar 9 milhões de euros da herdeira da BMW apenas com a sua conversa.

É preciso ser especial para conseguir isso: ganhar 9 milhões de euros de uma mulher. Não é o dinheiro para o carnê das Casas Bahia. Não são os trocados para pagar a conta do bar, ou mesmo a prestação do carro. São 9 milhões de euros, dinheiro suficiente para que algumas famílias vivam bem pelo resto da vida.

Um michê qualquer arranca mirréis a uma velha feia e desesperançada; um gênio e um artista ganha 9 milhões de uma mulher razoavelmente bonita e extremamente rica, como é essa senhora Susanne Klatten.

Se gigolôs já são pessoas acima de você, Herb Scarbi estava acima dos gigolôs. Pertencia a um Olimpo imaginário, um mundo onde gigolôs bebem néctar e comem ambrosia servidos por pequenos Cupidos com bochechas grandes e asas delicadas. E é por ele ter sido tão especial que eu escrevo, em luto, esta pequena eulogia.

Scarbi está preso e foi condenado a seis anos de cadeia, porque depois de ganhar os 9 milhões resolveu chantagear a pobre senhora Klatten. Cometeu um crime perante os homens; mas o que realmente importa é que se desgraçou diante do deus dos gigolôs, seja ele quem for.

O verdadeiro crime de Helg Scarbi foi transformar uma atividade excelsa em algo menor e desprezível. Foi macular a sua arte com a mesquinhez e a ganância e a chantagem. Chantagem e gigolôs não combinam, são como água e óleo. Scarbi não gosta de mulheres, e aí que está o seu problema. Se gostasse veria a beleza suprema em sua profissão; entenderia que a sua labuta tem um lirismo que nenhuma outra pode aspirar a ter. Ele gosta de dinheiro, e é isso que denuncia a sua completa ignorância acerca da arte que, por um acaso da Natureza, ele dominou como poucos.

É um assombro, e um mistério, ver como alguém tão torpe, alguém que não consegue ver a majestade de sua missão neste mundo de amargura e pequenez, conseguiu alcançar os páramos da excelência na arte de fazer uma mulher dar mais que a sua justa cota neste mundo. Scarbi não conseguia sentir que a verdade estava na dobra dos seios da mulher que lhe dava 9 milhões de euros, e que ela tinha que ser amada e respeitada, guardada como uma pequena jóia de valor inestimável. Um homem com o coração negro não consegue ver a beleza sublime que há no ventre de uma mulher.

Tivesse ficado nos seus 9 milhões conseguidos não pela chantagem mais baixa, mas pelo seu talento e gênio, e nós o veneraríamos como alguém que elevou uma doce arte à perfeição. Mas não; Scarbi misturou ao mais nobre ofício de um homem a chantagem e a baixeza, e isso faz o seu crime, e o torna hediondo, e para isso não há, jamais haverá perdão.

Qualquer castigo para Scarbi será pequeno diante do seu ato. É o que diria o sindicato dos gigolôs, se sindicato de uma atividade tão individual e tão meritória houvesse.

É uma triste sina, a dele, triste e irônica. Um homem que elevou o seu mister ao mais alto da glória — apenas para desgraçá-lo e jogá-lo aos porcos depois, em vergonha e nojo. Helg Scarbi é um gênio que se deixou decair ao mais fundo dos precipícios ao macular a beleza da sua arte, e merece o nosso repúdio e o esquecimento da história.

Receita de Mulher II

Comentário recebido a um antigo post:

Uma linda nulher meu caro, vai muito além de seus clichês…o que proucura é uma mulher culta, que por sinal hoje em dia está em oferta nas prateleiras…Beleza pode até ser catalogada em livros,revistas,tv…mas a verdadeira beleza ,essa sim, ñ tem como ser descrita facilmente, pq está além do que podemos ver, enumerar, classificar… ela simplesmente invade ,integra,enfeitiça…
Padronizar a beleza ,seja ela feminina ou masculina,à meu ver,só é justo para aqueles que vivem e se alimentam de senso comum,o que é muito triste ,pois às vezes tenho a impressão que vivemos num grande curral…ironias à parte…
Beleza todos temos ,agora , o difícil é encontrar pessoas que saibam perceber a Beleza propriamente dita.

Comentário feito, obviamente, por uma mulher feia porém esperançosa de que, algum dia, alguém reconheça que à parte isso ela tem em si todos os sonhos do mundo.

Novamente o cinema brasileiro

A lista de 10 melhores filmes de Moniz Vianna publicada pelo André Setaro, crítico baiano de cinema, me fez perceber uma coisa: Moniz Vianna, assim como eu e o Bia, também não via lá grandes coisas em “Limite”, de Mário Peixoto Humberto Mauro.

Aproveitei para passar os olhos nos comentários ao post dos 25 melhores filmes por mim e pelo Bia, e uma coisa me impressionou, acima de todas as outras: a seriedade e a bile com que um bocado de gente comentou sobre o cinema brasileiro. Para muitos, o fato de eu ou o Bia não gostarmos de um ou outro filme é considerado uma ofensa grave que merece uma resposta malcriada à altura. Se eu tivesse xingado suas genitoras, aquelas senhoras de libada reputação, provavelmente não teria recebido respostas tão irritadas.

Mas vamos ser francos: o cinema brasileiro é inferior a outras cinematografias, como a americana. Sempre foi. 90% dos filmes incluídos nas listas de filmes brasileiros jamais conseguiriam entrar numa lista universal, que abrangesse cinematografias mais maduras como a americana, a italiana e a francesa. A gente já olha para os filmes brasileiros com um pedido de desculpas e uma mãozinha condescendente na cabeça.

No início do século, quando o cinema iraniano entrou na moda, eu ficava impressionado como as pessoas tomavam o “choque” causado pelo contato com uma cultura diferente por sinônimo de qualidade cinematográfica. O cinema iraniano então adquiriu um status maior que o merecido. Não que fosse ruim; mas os critérios que baseavam esse entusiasmo eram basicamente sociológicos, não cinematográficos.

De certa forma, acontece o mesmo com o cinema brasileiro. O critério que normalmente se usa para julgá-lo é subjetivo e condescendente. Um olhar que se esforce para ser objetivo vai ver um bocado de falhas em absolutamente todos os filmes brasileiros. “O Cangaceiro”, por exemplo, tem diálogos que parecem tirados de um poeta barroco ruim. “Cidade de Deus” tem uma narração em off que beira o amadorismo. A lista pode seguir ad infinitum.

Eu sempre achei que país pobre tem a tendência a estabelecer uma espécie de estética da pobreza. É praticamente uma questão de sobrevivência, e absolutamente louvável. Mas assim que o país sai do barraco e se muda para um dois quartos na Barata Ribeiro esquece isso; basta ver a evolução estética de um Visconti, por exemplo. Isso, no entanto, aconteceu conosco em aparentemente muito menor medida. E continuamos a sobrevalorizar em excesso aspectos que são importantes, mas que não são únicos e que, do ponto de vista da produção em si, não são sequer essenciais.

Sob esse aspecto, a ideologia cinemanovista de “uma idéia na cabeça e uma câmera na mão” — que não define o Cinema Novo, claro, mas que acabou se tornando a égide sob a qual o movimento se desenvolveu — foi uma das coisas mais deletérias que poderiam ter acontecido ao cinema brasileiro. A idéia de que cinema tecnicamente bem feito era uma coisa burguesa e dispensável era, desde o início, perniciosa. “Terra em Transe” é o melhor filme brasileiro, como acham alguns? Pode até ser. Mas que ninguém venha me dizer que o filme não se beneficiaria de uma produção mais esmerada. Locações. Cenários. Figurinos. Sonoplastia. Nada disso é supérfluo. Uma coisa é fazer Dogville em um cenário inexistente para defender um conceito; outra é enfiar um país inteiro, ainda que metaforicamente, em uma casa porque não se tem dinheiro para recriá-lo.

Também seria importante lembrar a decadência técnica do cinema brasileiro a partir dos anos 60. O Cinema Novo foi conseqüência e, de certa forma e em menor grau, causa dessa decadência. Mas cinema não é literatura e não é teatro. Precisa, sim, de certas condições de produção. O Cinema Novo e outros subverteram esse preceito por necessidade, porque ignorá-lo era a única maneira de se fazer cinema nas condições impostas. Mas ao teorizar sobre isso, numa tentativa talvez necessária de legitimação, criou uma certa escola de pensamento que é, definitivamente, um passo atrás. O cinema tradicional americano sempre deu o valor devido a esses critérios de produção (e em temos de indigência criativa tenta transformá-lo no único valor válido, uma espécie de inversão dos valores do Cinema Novo e igualmente nociva), e a indústria que criou, apesar dos bichos-grilos que ficam procurando um filme obscuro da Chechênia para aclamar como a nova obra-prima da sétima arte, continua fazendo na média o melhor cinema do planeta.

***

E tem os comentários sobre a lista propriamente ditos.

Acima de tudo, eu e o Bia tentamos ficar o mais longe possível daquelas “listas cabeça” que sempre foram o mainstream do cinema brasileiro. A razão é simples: essa mentalidade, conjugada à ação da Embrafilme, arruinou o nosso cinema. Tornaram-no coisa de certa elite cultural dirigida a si mesma, utilizando seus próprios códigos e conceitos, e cinema não pode existir dessa forma; acima de tudo, precisa ser popular. Porque é indústria e precisa de dinheiro para ser feito, e esse dinheiro só aparece se houver público. Os fãs do Cinema Novo que me perdoem, mas “Central do Brasil”, “Cidade de Deus” e “Tropa de Elite” fizeram mais pela indústria cinematográfica brasileira do que dois Glaubers, sete Sganzerlas e quatro Reichenbachs juntos.

Muita gente lembrou de bons filmes que não entraram na lista, por uma ou outra razão. “Eles Não Usam Black-Tie”, “O Homem da Capa Preta”, os filmes do Person, etc. Tem o Andrea Tonacci de quem tanta gente lembra e sobre quem confesso a minha total ignorância. Uma lista não pode contemplar todos os filmes, claro, e tenta buscar uma média aceitável. Elas são feitas para isso mesmo, para excluir.

Mas entre os bons filmes brasileiros não estão incluídos, por exemplo, “Carlota Joaquina”. Me desculpem, mas “Carlota Joaquina” é um filme horrível, muito inferior ao seu roteiro — que já não é exatamente genial. Seu valor é meramente histórico; e ainda assim pode-se argumentar que vale menos que o chatíssimo “O Quatrilho”, que ao concorrer ao Oscar representou para o cinema brasileiro o que a Copa de 1938 foi para o nosso futebol.

“Auto da Compadecida” não é um grande filme. É acima de tudo uma grande peça de teatro, que deu origem a uma grande minissérie de TV. O filme é pouco mais que uma versão resumida, sem toda a força do que foi ao ar na TV. Já “Olga” é apenas TV filmada, nada mais que isso — o que vale para praticamente todos os filmes feitos por diretores egressos da TV. Cinema e televisão têm linguagens diferentes, e aquela não era uma lista de ficção para TV — se fosse, eu incluiria “Hoje é Dia de Maria”, mais inventiva que esses dois exemplos aí.

E tem também o pessoal que sentiu falta da pornochanchada.

Pessoalmente, tenho um grande apego à pornochanchada. É um apego quase tão grande quanto o do Ina. A pornochanchada é, para mim, o melhor retrato dos anos 70. Eu consigo me enxergar nesses filmes — é o único momento em que consigo ver imagens em movimento de uma época que, afinal de contas, eu vivi. Em “Essa Gostosa Brincadeira a Dois”, por exemplo, eu não apenas revejo uma Bahia e um tempo que não existem mais; eu sei também a quem pertencia um dos carros usados ali.

Além disso, a pornochanchada atingia o que deveria ser o objetivo básico de qualquer filme: ser visto. A dicotomia que se criou na época entre “cinema de qualidade” e “cinema comercial” foi ruim e desnecessária. Mas acima de tudo acho que a pornochanchada é a melhor herdeira do espírito das chanchadas, que foram tão esculhambadas em seu tempo e posteriormente adquiriram status de quase arte — o enfoque em um aspecto fundamental da alma brasileira, a brejeirice, a cordialidade mal-entendida de Sérgio Buarque de Holanda. Sob esse ponto de vista, é um cinema mais brasileiro do que muita coisa que se fez por aí — “O Quatrilho”, por exemplo, poderia ser ambientado em absolutamente qualquer lugar do mundo sem nenhum prejuízo de sua estrutura narrativa.

Mas infelizmente não há uma única pornochanchada que possa ser considerada bom cinema, se formos avaliar todos os critérios necessários. Talvez alguns deles, se refilmados hoje, dessem filmes razoáveis. Mas dificilmente resultariam em obras primas.

O Jurandir lembrou de “Oh! Rebuceteio”. É uma grande lembrança. Eu já tinha escrito sobre o filme, mas acima de tudo, não o considero um filme pornô. No máximo, é uma “meta-pornochanchada”, se esse termo existe. Eu gosto. Mas eu, como o Bia, gosto de umas coisinhas bem esquisitas. E nem por isso tento convencer as pessoas de que elas são grande sobras de arte.

Manual do Bem Foder

Recebi há algum tempo, por e-mail, uma listinha anônima em que uma moça — é uma moça, deveras — enumera “30 erros que os homens cometem na cama”.

É uma definição tão acurada e taxativa de certo e errado nas lides da carne que eu chamei a lista de “Manual do Bem Foder”.

Gente chata costuma cometer um erro: achar que o que vale para si vale para todo mundo. No mundo real a gente chama essas pessoas de “caga-regras”, e elas são a melhor definição de chatice que se pode encontrar. Por exemplo, segundo o manual, ele tem que fazer a barba, mas ela não precisa se depilar. Ela insiste que ele faça sexo oral, mas se ele insistir que ela faça, é desagradável.

Além da incomparável inconveniência que é deitar regras para algo que, a princípio e por definição, não as admite, há um fato que parece preocupante: algo que parece ser um certo egoísmo inerente à moça, ao utilizar padrões diversos para os diversos papéis que ela atribui durante a saliência.

Por isso, em vez de chamar seu opúsculo de “30 erros que os homens cometem na cama”, ela poderia chamá-lo de “30 coisas que fizeram comigo e que eu não gostei, e que portanto ninguém vai gostar”. Poderia chamar também de “30 coisas que fizeram comigo mas que eu não gostei porque não estava sendo suficientemente bem comida, ou simplesmente não estava a fim, ou a lua não estava na casa certa”.

Cada pessoa tem direito a suas preferências, e ao contrário do que essa moça aí parece pensar, isso é bom. O problema começa quando as pessoas começam a cagar regras. Essa moça deve ter se achado a Marta Suplicy do século XXI ao escrever esse monte de obviedades ou, o que é pior, estabelecer como regra geral e aplicável a todos e todas as suas preferências pessoais. É o que faz dela uma chata. E eu, se fosse o caso, quereria distância dessa moça.

Abaixo segue a lista feita pela moça, com os devidos comentários feitos por este seu criado onde julgado necessário.

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Dos que dispensam o que não lhes é oferecido

Comentário recebido a este post e, infelizmente, não publicado:

Henrique:
Pega esse seu pau e soca no cú…

E isso me lembrou tantos episódios na vida de tanta gente.

Um menino pede uma volta na bicicleta nova do amigo, que agora poderoso esnoba, diz que não vai dar, manda esperar que talvez ele lhe faça esse favor; e então o menino, já irritado, vira as costas depois de dizer: “Pega essa sua bicicleta e soca no cu!”

O garoto corre para mostrar o seu novo iPod aos amigos. Mostra, explica como funciona, mas nega a eles a experiência sensorial, a concretização do desejo, não os deixa colocar os fones nos ouvido nem mexer nos controles. Exerce de maneira sutil e comum uma variedade leve de sadismo. E os amigos, cansados de ser ludibriados pelo garoto que agora se acha superior, cansam da pantomima e já irritados, viram as costas depois de dizer: “Pega esse seu iPod e soca no cu!”

É sempre isso, uma reação do orgulho ferido, uma afirmação última da própria dignidade e reconhecimento do egoísmo alheio, ações e reações tão antigas quanto este vale de lágrimas que atravessamos.

Mas em tantos anos de vida e de observação nem sempre paciente da natureza humana, tanto mais impressionante quanto mais diversa e distinta ela se mostra, eu nunca tinha visto essa atitude de despeito diante do falo alheio.

Pessoas normais podem talvez reconhecer o portento de um John Holmes sem sentir inveja ou ódio pelo que lhes foi negado na concepção, como um mau ator pode se espelhar em um Paulo Autran em vez de compará-lo à sua própria mediocridade. Os moradores de Pompéia, com a grandeza do Império Romano, entendiam isso. E desenhavam figuras e dependuravam imagens de Príapo em suas casas. Almas grandes podem caber em pintos pequenos, esse talvez seja um dos mais importantes princípios clássicos ignorados pela metafísica.

Mas não no Henrique.

O Henrique sente apenas mágoa e despeito. Talvez servisse de consolo a ele saber que não está sozinho, outros vieram antes a este blog com o mesmo sentimento: com ódio no coração, porque o coração do Henrique, claro, é um órgão maior e com maior capacidade.

Tudo isso turva a visão e embota a mente. A miséria econômica causa tristeza e disfunção comportamental; mas também a miséria anatômica alcança esse resultado, e o moço que provavelmente veio parar neste blog em busca de “métodos grátis para aumentar o pênis” saiu daqui um pouco pior, tentando acreditar que o desaforo dito remediou uma vida de inconformismo com a pequenez.

Essa pequenez gera também ambição e ganância, percebo agora, e um psicólogo do meu baixo nível pode chegar à conclusão de que foi esse tipo de pequenez que gerou o crash de Wall Street. Ou pelo menos um tipo análogo de ganância. Porque o pobre Henrique não se contenta com os milhões de spams que recebe todo dia, e assim como quer mais tamanho e volume por sob as calças quer também mais informação, corre o Google atrás de novas soluções, um elixir ou bálsamo milagroso, uma simpatia talvez, algo que ele sinta que vai finalmente dar certo, que não vai iludi-lo apenas para deixá-lo frustrado mais uma vez.

Deixe-me ser solidário, Henrique, e deixe que eu me junte à sua raiva. Porque intuo que a origem de tudo isso é uma mulher, não é sempre uma mulher a origem de toda a felicidade e de toda a dor neste mundo? Uma mulher que, assim como você, não conseguiu esconder sua frustração e lhe disse com desprezo, “Pega essa sua mixaria e soca no cu!”, enquanto se vestia apressada e ia embora para nunca mais voltar. E embora não sinta a sua dor eu me compadeço dela, mesmo sabendo que você, com esse seu orgulho dos oprimidos, certamente me diria altivo: “Pega essa sua compaixão e soca no cu!”.

Talvez você não entenda e não me acredite, porque sei que agora não vou conseguir conquistar sua confiança e uma amizade jamais nascerá deste pequeno diálogo de surdos; mas essa sua sensação é tão parecida com o que sinto quando vejo meu extrato no banco, e sinto que é tão pouco, e esse pouco me faz sentir que eu poderia ter sido mais que isso, um Marlon Brando dizendo a Rod Steiger, “I could have had class! I could have been a contender!

Uma vida de tristezas cegou o Henrique, e ele não consegue compreender o que leu. Na inferioridade que sente ele olha a todos como superiores. “Pega esse seu pau e soca no cu”, diz o Henrique, e embora um tanto atônito pela conclusão a que ele chegou sozinho, me sinto honrado pela sua presunção enorme, quase lisonjeado, e esqueço de dizer que aquele post não diz nada sobre mim.

Eu não tento entender a mente do Henrique. Mas a minha também funciona de maneira esquisita e às vezes incompreensível até a mim, e um sadismo de que eu me julgava isento se manifesta diante da ofensa. Um sorriso discreto vem à minha boca enquanto escrevo isso. E mal consigo conter a vontade dizer ao Henrique que ele misturou sentimentos, nada aqui lhe foi oferecido ou mostrado, ele não tem porque dispensar uma oferta que não lhe foi feita, até porque eu não sei se ele tem bunda grande.

O estuprador e as pseudo-feministas

Por e-mail, recebo a denúncia de que um colunista da revista Trip, Henrique Goldman, confessou um estupro cometido décadas atrás. Ela dá também o link para um post da Carla Rodrigues, indignada contra o sujeito e mobilizando leitores para uma petição online.

Aí vou ler o artigo e o post e vejo que as pessoas estão ficando loucas. E que a histeria pseudo-feminista pode atingir dimensões que quase chegam à demência.

(Diante da repercussão negativa, autor e revista apareceram com a justificativa de que o texto é ficcional. Eu acredito neles, porque o Papai Noel, o Saci e o Curupira me visitaram ontem e disseram que é verdade. De qualquer forma, as reações covardes do colunista e da revista são muito mais graves do que a publicação do texto. Em algum momento eles enganaram seus leitores. A questão agora é saber se foi quando publicaram um texto ficcional fazendo-o parecer real ou quando fugiram de suas responsabilidades dizendo ser ficção um texto real.)

A jornalista Carla Rodrigues deveria ter, pelo menos, lido direito o artigo antes de discutir estupro dessa maneira ultrajada. Se lesse, veria que nada do que o Henrique fez constitui legalmente estupro, como qualquer advogado pode explicar sem pensar muito. A coisa é ainda pior, porque tecnicamente quem poderia ter cometido atentado violento ao pudor — e não estupro — seria a pobre da empregada. Ela é quem tinha 20 ou 30 anos. O rapaz tinha apenas 14. E insistência não é violência. Ao acusar Henrique Goldman de estupro, Carla Rodrigues não mostrou apenas um feminismo falso, principalmente porque construído sobre premissas falsas: descupriu o seu próprio papel como jornalista.

Não custa lembrar que nos Estados Unidos essa mulher seria exposta à execração pública, como a professora Debra Lafave e algumas outras. A mãe indignada iria à imprensa falar da violência que o seu filho (aquele menino ali, com um sorriso feliz no rosto) sofreu nas mãos de uma depravada sexual. A boa sociedade puritana se escandalizaria, enquanto a legião de six-packers invejaria a sorte do garoto e lembraria de suas fantasias sexuais adolescentes com mulheres mais velhas; alguns mais sensíveis poderiam fazer um filme como “Houve Uma Vez Um Verão”.

O que torna incômoda a reação histérica do pessoal é a torção dos fatos em função de uma visão de mundo que beira as raias do absurdo politicamente correto. Há, principalmente, um grau extremo de hipocrisia em tudo isso: sabe Deus quantos homens brasileiros tiveram suas iniciações sexuais com empregadas domésticas — se a vida ao redor não foi suficiente para que elas soubessem disso já há algum tempo, bastaria olhar os tantos filmes brasileiros que abordam o tema, às vezes com razoável grau de poesia. Fazer um escândalo porque alguém falou abertamente sobre o tema e transformar isso em um caso criminal é um despautério.

Se em vez de enxergar estupros onde nenhum foi cometido o pessoal que está indignado discutisse o ponto realmente incômodo no conteúdo do artigo — o quanto da escravidão subsiste ainda nas relações entre patrões e empregados, principalmente os domésticos — esse pessoal faria um favor grande ao país. No entanto, preferem discutir bobagens sobre bases inexistentes.

Eu recomendaria a todas essas moças que fazem auê em torno desses fatos que lessem as posições de Camille Paglia sobre o assunto — estupro — incluídas no livro Sex, Art and American Culture. Faria bem à sua cultura geral e talvez tirasse um pouco da ansiedade e neurose que as pessoas estão associando a sexo ultimamente.

Rafael Galvão, novamente redator de conselhos para bobos que acreditam em astrologia e em conselhos dados de graça

A moça dos serviços gerais trouxe mais uma Guia Astral — dessa vez graças à minha insistência, porque fiquei fascinado pelos conselhos de João Bidu e queria mais. E aqui, para amainar a minha inveja de seus redatores, vai mais uma rodada de conselhos rafaelianos para aqueles que crêem em astrologia:

SOU LOUCA PARA FAZER SEXO ANAL
O problema, Bidu, é que a dor me empata. Já tentei de tudo. Meu namorado é supercarinhoso e não consigo de forma alguma. Meu sonho é transar com três caras, mas como vou realizá-lo se não consigo fazer sexo anal?
K.

Cara K, eu tenho três conselhos possíveis para você. O primeiro é fazer a sua suruba aí com 3 japoneses. Vai doer menos, é o que reza a lenda. O segundo é você deixar de sonhar tão alto. Caia na orgia com dois, apenas. Comece de baixo. Deixe de ser tão gananciosa. Mas caso você insista em fazer sexo anal, vamos ao terceiro conselho. Em primeiro lugar, atenha-se à qualidade. Não aceite genéricos: nada de cuspe. Exija KY da melhor qualidade e da melhor safra. Além disso, já que não vai sobrar buraco nenhum vago e uma devassa prevenida vale por duas (por favor, não leve essa frase ao pé da letra, e não tente fazer sua bacanal aí com seis homens), tenha à mão um bom balão de oxigênio. Ou então arranje um homem, um homem só, que consiga apagar esse fogo imenso que você tem.

ELE SONHA QUE EU O TRAIO E FICA BRAVO
Sou de Áries, tenho um namorado de Sagitário e moro junto com ele. Às vezes, meu amor sonha que estou traindo ele, isso já aconteceu três vezes, mas nunca fiz isso. Nós nos damos muito bem, só que, quando tem esses pesadelos, fico com medo, parece que ele vai fazer alguma coisa comigo de tanta raiva que sente ao acordar. Bidu, o que você acha desses sonhos que ele tem? O que faço?
KATIANA

Seu sagitariano, Katyana, é um caso exemplar de corno por antecipação. É um tipo incomum, mas extremamente irritante. Acorda coçando a testa, vê traição em tudo quanto é lugar. Mas o verdadeiro problema dele não é ser um corno putativo, é ser um chato real. No seu lugar eu tomaria providência: cairia na esbórnia e isso não mudaria nada, porque ele já acha que é corno, mesmo. Além do mais, você já foi punida com antecedência.

João Bidu, preciso de uma simpatia para o meu marido desejar ficar comigo, pois ele prefere a companhia de amigos. Você pode me ajudar?
R

Se ele prefere os amigos à mulher, o meu melhor conselho é que você arranje um marido heterossexual. Ou então ele não fica com os amigos, isso é só desculpa para cair na bandalha com aquele bando de vadias. E então é você que embagulhou e não vale mais a pena. Nesse caso eu recomendo não uma simpatia, mas uma temporada num spa e uns vídeos pornôs para ver se você aprende alguma coisa. Obviamente, os conselhos acima só são válidos se eu tenho razão ao ficar apenas na putaria, botando a culpa no sujeito. Na verdade há outra possibilidade, talvez mais provável: ele não agüentar mais ficar perto de uma mulher extremamente chata que lê Guia Astral. Eu estou quase apostando nisso.

ME TROCOU POR UMA GAROTA DE PROGRAMA
Bidu, sou de Virgem e me envolvi com um garoto de Libra há um ano. A gente ficou um tempinho junto e ele queria algo sério, mas eu não quis. Quando esse garoto se afastou, me apaixonei, mas já estava tudo perdido. Ele começou a morar junto com uma outra garota que é prostituta. Tentei tê-lo de volta, mas ele me disse que, apesar de gostar de mim, não dá pra ficar comigo agora. Meu amor voltou a morar com os pais e continua namorando a outra. Nos fins de semana, quando ela vai executar sua profissão, a gente fica junto. Pra mim, isso não é suficiente e sei que estou me vulgarizando. O que faço para tê-lo de volta?
D.

Bem feito para você, D. Fez doce, fez doce, e agora virou estepe de puta. É por isso que eu sempre digo, minha filha: esnobismo demais não leva a lugar nenhum. O que você ganhou regulando aí essa mixaria? Também estranho o fato de você só passar a dar bola para o sujeito depois que ele parou de correr atrás de você. Tem gente que não consegue ser feliz. Tanta mulher aí reclamando de cafajestes que só querem mesmo é “curtir”, e você encontra um rapaz sério e manda pastar? Você merece, D, porque envergonha a classe das mulheres de 30 desesperadas alucinadas atrás de um homem para chamar de seu. Mas olhe o lado bom de tudo isso, D. O seu libriano é casado com uma profissional. Se mesmo assim ele ainda te dá uns pegas de vez em quando, é porque você está bem na fita.

RAPIDINHO
Sou casada há dois anos e namorei mais dois. Durante todo esse tempo, foram poucas as vezes que meu companheiro consegui transar mais do que dois minutos. Aí eu fico sempre “chupando o dedo”. Por que isso acontece? Tem cura?
CARMEN, Salvador – BA

Primeiro as más notícias, Carmen: seu marido vai ser assim para sempre. Agora as piores: você merece tudo isso. Me desculpe, Carminha, mas você não tem nenhum direito de reclamar, e tem mais é que aturar a sua sina calada. Namorou o galo aí durante dois anos e ainda casou com ele? Você sabia no que estava se metendo. Você não foi enganada. Não foram duas vezes ou duas semanas: foram dois anos de “vai ser bom, não foi?” Agora agüente. Para sua sorte, esse seu suplício não dura muito. Só dois minutos.

Contém vitamina C, frutose, potássio, zinco, vitamina B12 e ainda por cima é diet

Do Aqui Jaz a Minha Verdade, em um bom arrazoado sobre as vantagens e desvantagens de cuspir ou engolir:

O esperma é constituído por:
(…)

  • ácido pirúvico

(Durante a glicólise – a via metabólica mais primitiva – é transformada uma molécula de NAD+ em NADH. Como a quantidade desta molécula é limitada na célula, esta tem que ser regenerada, o que pode ser feito reduzindo o ácido pirúvico)

Ácido pirúvico. Tão óbvio, meu Deus, e tão adequado.

Post pansexual para o Alex

Em um de seus últimos posts, “Elogio à Pansexualidade“, o Alex se lamenta pela sua heterossexualidade:

Minha heterossexualidade mesquinha me impede acesso à metade da raça humana. Meus potenciais parceiros amorosos estão restritos a apenas meio mundo. Eu gostaria de ser livre pra amar qualquer um, pra considerar cada pessoa independentemente, caso a caso, estar aberto para possibilidades românticas com qualquer um. Penso em todas as pessoas maravilhosas com as quais eu nem mesmo considero uma relação mais profunda apenas porque são homens como eu, e lamento minha incapacidade de amar sem preconceitos.

Alex,

Pessoalmente, acho que se preocupar com isso é dar importância demasiada a sexo como um modelo a ser seguido: “eu devo fazer assim, eu devo ser assim”. Sexo não é tão importante assim. Ou é muito mais importante que isso.

Mas a partir do momento em que você acha que a heterossexualidade é uma prisão, demonstra uma relativa abertura (sem trocadilhos, por favor) para relações amorosas e sexuais de caráter homoerótico.

Ou seja, você parte do princípio de que dar a bunda é liberdade.

Eu sou um um heterossexual mesquinho e até meio tosco, mas tento respeitar as preocupações e indagações espirituais dos outros. Por isso fiquei pensando em uma maneira de ajudar você a se libertar dessa prisão. Eu sou uma pessoa boa, você sabe.

E então eu disse eureka! e pensei: “É isso, Alex, já sei como.” Pensando um pouquinho percebi que existe uma maneira de você vencer essa prisão. É uma maneira fácil, comprovada e antiga, embora provavelmente não indolor.

Infelizmente (ou felizmente, eu não sei), ela só se aplica a quem acha a heterossexualidade uma coisa ruim. Não é possível com heterossexuais mesquinhos como eu, porque não lamento o fato de minhas opções se restringirem a metade da humanidade. Em primeiro lugar, porque eu não conseguiria comer metade da humanidade; em segundo, porque eu não quero comer metade da humanidade — tem muita baranga por aí; em terceiro, porque na verdade é bem menos da metade: tem um bocado de lésbicas por aí que jamais me daria uma chance, nem para saber como é.

Para nós, pequenos periquitos australianos felizes dentro da nossa gaiolinha decorada com fotos da Mulher Melancia, a prisão é um lugar muito bom, agradável e acolhedor e nos seria impossível e impensável viver fora dela; a liberdade nesse caso não nos atrai nem incomoda. Mas se a questão da heterossexualidade passa a perturbar a paz de alguém, ele ou ela tem a obrigação moral de tentar buscar sua felicidade e descobrir se, afinal de contas, poderia ou não gostar da liberdade homoerótica. Não me refiro a sentir interesse; mas a admitir a possibilidade de maneira racional, e experimentar até gostar.

Então lá vai a minha sugestão.

Dê, Alex. Encomende as pregas a Deus e dê muito. Dê até começar a gostar.

Se conseguir gostar, ótimo: você vai ser um homem mais feliz, livre e com 50% mais opções de se dar bem.

Mas se mesmo assim não gostar, pelo menos vai saber que tentou, tentou muito. E então a heterossexualidade vai deixar de ser uma prisão para ser uma opção, e você vai estar dentro da jaula por vontade própria, sabendo como é o mundo lá fora.